Fernando Seara, candidato expectante à Câmara de Lisboa, dá hoje uma entrevista ao Público. Não serei eu a exigir aqui que a linguagem utilizada numa conversa oral não enferme de qualquer erro ou incongruência semântica ou gramatical. No entanto, há limites quando a dificuldade de expressão resulta em respostas ilógicas, quando se traduz em frases paupérrimas ou, um pouco mais grave, quando é acompanhada por uma dificuldade de compreensão. Vejamos este excerto da entrevista:
Mas esta é uma lei de limitação de mandatos autárquicos. O espírito do legislador não era evitar mais de 12 anos?
Não conheço o espírito do legislador, porque eu, na altura, estava na direcção política do PSD e, portanto… Um dos meus poemas nos últimos tempos nessa matéria é “tenho um conjunto de pessoas que não tomam fosgluten”, que é aquele medicamento para a memória.
Está a referir-se a quem?
Estou a referir-me ao medicamento para a memória. A lei resultou de uma proposta originária do PS para a limitação de mandatos na Região Autónoma da Madeira[…]
[…]Acho estranho que a limitação territorial só seja situada ao nível da impugnabilidade nas câmaras e não seja nas freguesias. Acho estranho que o BE, e particularmente o deputado João Semedo, sempre dentro da busca da lei, admita que haja foragidos da lei nas freguesias. Acho estranho essa incoerência do BE.
De que foragidos da lei é que está a falar?
Estou a falar de situações similares à nossa, àqueles que são atingidos por essa situação do BE. Apenas focalizar nos titulares autárquicos dos municípios e não das freguesias. Acho estranho, principalmente para um partido que todas as semanas proclama a igualdade. Sabe uma coisa? O BE já pertence em parte ao clube da República, porque quer apenas perturbar na secretaria alguns, não tem a busca de todos,[…]
Fonte: Público (sem link)
Depois de um Relvas que mal articulava duas frases com mais de cinco palavras; de um primeiro-ministro que, em declarações não preparadas e por vezes nas preparadas, utiliza uma linguagem imprópria do cargo que ocupa; depois de um Marco António Costa que embrulha verbos em papel de adjetivo e aldraba como vendedor de feira, perdendo amiúde a ligação à Terra e transformando o diálogo numa conversa de surdos, só posso aconselhar o PSD a dedicar a próxima universidade de Verão a cursos intensivos de língua e literatura portuguesas. Seria um primeiro passo para uma maior sofisticação do pensamento.