Devem por esta altura chover telefonemas de Berlim e também de Bruxelas para forçar a manutenção do Governo. É o que tem acontecido noutros casos, nomeadamente com a Grécia. Não me admiraria, por isso, que Cavaco Silva estivesse também ele com rédea curta decidida por Merkel (e encantado com tal, diga-se). A avaliar pelo que se vai sabendo, a solução encontrada é agora a saída de Portas e a permanência do CDS na coligação. Visto de fora, parece simples. Visto de dentro, é um mar de interrogações e atropelos. Como, quem, sob a orientação de quem? Ficam os atuais ministros, vêm outros? Elege-se um novo líder à pressa? Que mandato terão, com que cara se apresentarão e que acordo de coligação assinarão os ministros que permanecerem?
A não demissão de Passos tresanda a instruções de fora. A não atuação de Cavaco não só, mas também. Portas, atabalhoadamente, resolveu ser autónomo e vai pagar caro e em dois balcões: fica sem cargo no Governo e sem cargo no partido.
Aparentemente, qualquer governo que daqui saia, desde que mantenha a maioria absoluta, vai aguentar-se, porque é essa a vontade da Alemanha, totalmente respeitada e reverenciada pelos estarolas agarrados ao pote. Cavaco não vai fazer nada e as manifestações não têm levado a lado nenhum que signifique o derrube do Governo. Pelo menos não tem sido esse o padrão, nem aqui nem na Grécia. Falo do derrube, não dos efeitos de pressão.
Assim vamos. Uma direita vergonhosa, incompetente, decadente e vergada. Uma Europa à deriva, mas controleira e perniciosa. Portugal, porém, não pode desistir da democracia. Nem que tenha de ir para a rua defendê-la. A situação interna não é pura e simplesmente sustentável. Os problemas são demasiado graves para sermos governados por um bando de palhaços, que provocando embora grande galhofa, não resolvem nada e só desgraçam o país.