Passos é tonto e, forçado a substituir o desaparecido Gaspar, (já) não dispunha da mínima credibilidade para conseguir recrutar alguém de peso para a pasta das Finanças. A escolha de Maria Luís não lembraria ao diabo mais velho. Na falta de pessoas disponíveis, e não esquecer que teve oito meses para resolver o assunto, devia ter-se demitido. A não ser que seja tão burro quanto parece e tenha achado que MLA era mesmo a pessoa mais indicada para ocupar o cargo neste momento. Não me surpreenderia.
Mas Paulo Portas não é melhor. A menos que durante a noite de ontem tenha tido uma revelação damascena que o precipitou para a escrivaninha, reagiu a tamanha estupidez ao sabor do que foi lendo e ouvindo na comunicação social, blogosfera e redes sociais. Aparentemente, a veemência da recusa da nova ministra das Finanças não foi imediata. Demorou até perceber o erro político e as suas consequências. E então foi mau, muito mauzinho. Na manhã da posse da nova ministra, demite-se, tornando a cerimónia caricata e humilhante. Ao mesmo tempo, pasme-se, hesita em manter os seus ministros nos cargos. Até agora, não sabemos se ficam, se saem. Isto é ridículo. Será que ousará recuar e fazer um discurso em torno da gravidade do momento, ficando, mas mediante a exigência de substituição da nova ministra só para não perder muito a cara? Mais uma vez, não me surpreenderia. Aqui há que ter em conta as pressões do exterior, que devem ser enormes. Passos vai a Berlim, entretanto. Não me surpreenderia tão pouco que fizesse um acordo de incidência parlamentar com o PSD. Neste momento, tudo é possível. Claro que, se continuar atento ao que se vai dizendo, a margem para recuar é quase nula e ficará melhor na fotografia se for claro no abandono da colaboração com um primeiro-ministro tão incompetente.
E que dizer de Cavaco? Ou não sabe de metade do que se passa, ou tem medo de intervir, ou sacode a água do capote, ou as três ao mesmo tempo. Logo agora que tinha adotado este governo com um amor inusitado e um exagero protetor serôdio! Imagino que alguns circuitos neuronais fiquem danificados nestas 24 horas, mas se agarre à boa alternativa de nada fazer.
Por fim, Seguro, o garoto que se segue. Uma comunicação totalmente coxa, envolta em descabida pose de Estado, mui respeitadora de Sua Excelência o senhor Presidente da República, de apelido o palhaço. Não sabia o que dizer, não dissesse nada. Teria sido melhor, porque o espetáculo está montado e fala por si.