Verdadeiros e incompreendidos, coitados

A história da relação deste governo com a verdade já vai longa, pelo que qualquer dia dos últimos dois anos seria apropriado para alguém dizer que este governo não mente. Particularmente apropriado é o dia de hoje, depois de se saber das mentiras das Finanças sobre os “swaps” – proferidas tanto pela Secretária de Estado, perante o Parlamento, como pelo próprio Ministro, por omissão, em comunicado. No entanto, para o inenarrável e mui crente César da Neves, tais mentiras (e a lista já vai longa), convenientemente omitidas da suas crónicas, serão pecadilhos que o Misericordioso perdoará às portas do paraíso, porque, se há governo sincero, é este. Vejamos a argumentação:

O povo gosta que lhe mintam. Agora tem um Governo que diz a verdade e considera-o o pior de sempre, muito inferior aos anteriores, que nos convenceram de todas aquelas aldrabices que geraram a crise. Uma conclusão plausível do paradoxo é que o povo quer que o enganem.

Se este Governo diz a verdade não é por ser melhor. A situação é que é pior. Portugal bateu na parede e chegou a um estado em que as alternativas boas não existem e a conjuntura impede ilusões. Por isso, relutantemente, os ministros estão a dar más notícias, revelar o desastre, impor sacrifícios inevitáveis. Agora já não é possível aos responsáveis ocultar a realidade e vender fantasias. Mas o povo não quer isso.

“As aldrabices que geraram a crise” – repare-se como se aldraba e calunia com todo o à-vontade com a palavra aldrabice convenientemente não especificada.

Quanto à mentira ou à verdade sobre a situação económica e financeira do país, perante uma parede destruída por uma locomotiva acelerada demais e na via errada, que palavras restam? “Olhem, aconteceu, é um facto”? Ou: “É verdade. Mas não fui eu”? É esta “sinceridade” que o povo deveria admirar??

Relativamente às razões por que a situação é pior, muito pior, esperaremos sentados uma crónica verdadeira de JCN.

2 thoughts on “Verdadeiros e incompreendidos, coitados”

  1. O pedaço do texto em itálico do “CÉSAR, abominável homem da DAS NEVES” é bem o exemplo de como se comportam certos plumitivos cujas asquerosas palavras são abundantemente lançadas sobre este pobre povo. Este tem ainda a vantagem de falar para a “Irmandade Católica” que provavelmente o ouve com o fervor dos crentes.

    O desgraçado não está enganado, não! Ele tem bem consciência das mentiras que propala mas, nas devotas orações matinais, deve ser aconselhado: filho, vale mais uma, duas, três, as que forem necessárias, mentiras, do que permitir que voltem ao poder os miseráveis que governaram antes destes “patuscos” que agora o detêm!

  2. Este sacristão sem padre,daria,garantidamente,um substituto à altura do RATÃO que a polícia italiana, a semana passada meteu na choça,consequência do reconhecimento dos brilhantes serviços prestados à comunidade católica em particular e aos CIDADÃOS DO MUNDO EM GERAL,abrigado à sombra protetora do chapéu de abas largas que dá pelo nome de vaticano,seja lá isso o que for.Quem é césar das neves?em que é que beneficiou a SOCIEDADE PORTUGUESA da existência de tal personagem?qual a razão substantiva que permite que gentinha desprovida de qualquer conteúdo maior que a recomende,enxameie jornais e televisões com homilias a tresandarem a SÉCULO XII?vou ali e já volto!

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