Ó Seguro, raspa-te daí

Impressiona constatar que, no PS, não se ouve quem sabe. Pedro Silva Pereira é dos políticos mais lúcidos e competentes que conheço. O resumo que hoje faz, no Diário Económico, dos motivos e intenções das chamadas negociações tripartidas promovidas por Sua Excelência é totalmente claro. Não se percebe o que anda o atarantado Seguro a fazer ao alimentar tamanha palhaçada e a levar a sério a esperteza saloia do habitante de Belém.

[…]A verdade é que a intervenção do Presidente envolveu um salto lógico insanável: misturou a crise política gerada no interior do Governo de coligação PSD/CDS (sobre a qual nada decidiu, a não ser pré-anunciando eleições antecipadas em 2014) com o acordo a celebrar entre os partidos do Governo e o Partido Socialista. O primeiro efeito desta mistura explosiva, para além de prolongar a indefinição quanto à situação do Governo (colocado em “plenitude de disfunções”), foi escamotear totalmente as responsabilidades do Governo pelas consequências do seu falhanço e da crise política que provocou: aquilo que era uma crise causada pelo escandaloso desentendimento entre os dois partidos da coligação pareceu tornar-se, sem que se tivesse percebido porquê, numa crise de desentendimento entre os três partidos signatários do Memorando original, a qual só podia ser resolvida com a participação “patriótica e responsável” do Partido Socialista – sob pena, claro está, do fogo do inferno.

[…]

15 thoughts on “Ó Seguro, raspa-te daí”

  1. E ser’a que esta lucidez toda foi transmitida a Seguro, logo após o “desafio” cavacal ou o Silva Pereira só se deu conta da “jogada de mestre” cavacal uns dias depois, quando já não era possivel sair bem na foto? Fez-se prognóstico depois do jogo acabado? Pode ter-me passado, mas não ouvi ninguém, fora ou dentro do PS, falar como agora fala Pedro Silva Pereira. O que vi e ouvi foi toda a gente atarantada, surpresa e a criticar o Cavaco. Mas quanto ao facto desse desafio colocar o PS no centro do furacão, não me recordo de ter ouvido nada. Possivelmente, contava-se com a impreparaçâo do Seguro e a “velhice” de Soares. Foi em cheio! Depois disto, pouco vai restar do 25 de Abril, com o PS a implodir. Prognóstico, apenas.

  2. era bom que o seguro explicasse o que combinou, a sós, com o presidente na audiência de 03jul e tamém seria útil que o cavacoiso esclarecesse quem são os adversários do acordo, é que poderemos ficar a pensar que o penteadinho foi obrigado a mudar de agulha.

  3. Penélope;
    Porque é que pensas que o Balsemão levou o Seguro ao “Bilderberg”? Ou ainda és tão crédula que pensas que os problemas portugueses se resolvem em Portugal?

  4. Cito:
    «Está contente com António José Seguro. Soares acha-o hesitante. Não lhe falta alguma ousadia?

    Não tenho essa ideia. É uma pessoa que tem mostrado que o tempo lhe dá razão e é uma pessoa vigorosa, altamente comunicativa. Não vejo onde é que está a hesitação, mas não ouvi essa declaração do Dr. Mário Soares.»

    Vamos lá pensar onde é que isto está tudo errado, será porque estamos todos atarantados? E os golpes têm-se multiplicado por uma sobrevivência pessoal?

  5. O Tozé parece que agarrou com as duas mãos a proposta de eleições em 2014, que ele deve achar que lhe convêm. Mas para isso terá que pagar o preço de um acordo com o governo, preço esse que ele ainda não percebeu bem qual é. Só perceberá, receio, quando chegarem as facturas todas.

  6. Ó PS, raspa-te do Seguro e deixa-o a falar sózinho com a canalha!

    O Seguro não vale mais do que uma meia-dúzia de votos no País!

    SERÁ QUE O PS AINDA NÃO PERCEBEU ESTA EVIDÊNCIA???

  7. Ok. O prezidento Selvagens jogou uma cartada de mestre, mesmo que tenha sido ao calhas.

    Só que as cartas estão viciadas e, agora, o preço a pagar pela batota vai ser muito alto: MUDA-SE O TRUNFO!

    Ou jogo abaixo…

  8. António José Seguro, ao arrastar as negociações de um acordo impossível, vai acabar por ficar com o menino nos braços. Foi patética e canhestra a intervenção do Dr. Cavaco a partir das Selvagens, na sua tentativa de pressionar os Partidos. Nesta “Salvação Nacional”, só quem vai ser salvo é o PR e os partidos do Governo. É que com acordo ou sem ele, o PS vai ficar sempre mal. Está a dar a mão a um Governo que está moribundo, a troco de uma mão cheia de nada. Pois a Ministra das Finanças, foi bem clara na sua intervenção na AR. A austeridade é para continuar, ou seja a politica Gaspariana, sem o Dr. Gaspar. Que cedências espera AJS, conseguir?

  9. pacheco pereira, disse ontem na quadratura do circulo,que o presidente,disse que estranhava a reaçao dos tres partidos face à sugestão do consenso entre os tres partidos do arco do poder. segundo pacheco pereira ,isto quer dizer que cavaco silva tinha falado anteriormente com os tres lideres e nenhum se pos de fora.

  10. Ora vamos lá a uma alegoria futebolística. Temos uma equipa (a do pote) completamente derrotada, a perder por dez a zero, reduzida a metade e com os suplentes a esconder-se nos balneários, os jogadores não podem com uma gata pelo rabo e desmaiam a cada meia dúzia de passos, a eliminação é iminente.

    Mas tende esperança, gentes da equipa do pote, porque há futebolistas de génio, capazes de inverter milagrosamente o mais desgraçado e inevitável resultado. E eis que um homem de excepção, herói que ombreará no Olimpo com os deuses de antanho, consegue sozinho, em menos de um fósforo, uma reviravolta dramática no marcador. Com um trabalho de pernas fabuloso, um jogo de cintura estonteante e uma velocidade de ciclotrão, mete em poucos minutos 30 golos na sua própria baliza e prova que o deus dos coliformes existe. Eis Totó Engomadinho Seguro, capitão da equipa adversária, artífice do prodígio!

    Na passada, consegue ainda a incrível façanha de transformar em herói o desacreditado árbitro da partida, que até então desempenhara com tremenda eficácia e descaramento o papel de guarda-redes da equipa adversária. É obra, porra!

    Consta que os meios futebolísticos lhe vão atribuir o prémio de Bota de Merda, expressamente criado para o efeito.

  11. Mas a lenda dar-nos-há outras versões do herói. Uma delas contará as aventuras de Totó Engomadinho Seguro, o Socorrista. E dirá que, respondendo heroicamente ao apelo do presidente da junta, criatura a quem o honrado Sindicato dos Palhaços recusou peremptoriamente a qualidade de membro, apesar da sua frenética actividade tentando provar mérito próprio na profissão, o aludido socorrista salvou milagrosamente o dia. Com um Governo em hara-kiri, tripas de fora e a esvair-se em trampa, o Engomadinho conseguiu o impossível: usando com eficácia a sua magnífica beiçola, entrou em frenesim de boca-a-boca e salvou o moribundo, soprando vida no canastro putrefacto e espetando a naifa sacrificial na sua própria tripa.

    O país precisa de heróis, porra! Com meia dúzia de socorristas como este, a salvação é fatal como o destino! Oremos.

  12. Maria Abril: Aconselhava o “efeito surpresa” que, no mínimo, se esperasse para pensar e para analisar a situação. Ouvi Silva Pereira a criticar esta proposta pouco depois de ter sido anunciada. Também ouvi Sócrates e outros socialistas a pronunciarem-se no mesmo sentido. Seguro não tinha que ir a correr obedecer a Sua Excelência. Mas acontece que, espontaneamente, é um medíocre a quem a cenoura das eleições antecipadas (embora não para já, o que lhe agrada) toldou o raciocínio, como Cavaco possivelmente previu. Mas ainda vai a tempo. É só dizer alto e bom som o que ouve a tão inteligente e avisada gente, como Silva Pereira, João Galamba, Vieira da Silva, Sócrates e muitos outros. Esta proposta é um embuste. Ao fim de uns dias ficou clara como água.

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