Virgens, meninos e burros

Toda a gente já percebeu que o tema dos swaps foi trazido para a Assembleia pelo Governo para atacar, mais uma vez, o governo anterior numa altura em que a derrapagem orçamental de 2012 prometia causar sérios danos na estabilidade do Executivo e na sua capacidade para impor novas medidas de austeridade. Agora que o tiro lhes saiu pela culatra, pois a habitual leviandade não lhes permitiu avaliar devidamente a porta-voz escolhida para a campanha, vem Maduro dizer em defesa da colega que o assunto está a ser desviado do ponto principal, que, pobres deles, são meros bombeiros a braços com uma terrível missão que apenas estão a procurar cumprir e que, nessa qualidade, não podem ser acusados de nada. De nada?

Ao fim de um ano e meio em que deixaram duplicar os potenciais prejuízos com os referidos contratos vêm imputar responsabilidades aos outros e acusá-los de não lhes terem dito nada? Na realidade, ao responsabilizar o governo de Sócrates pelas perdas potenciais de mais de 3000 M€ em 2013, pretendendo assim justificar a necessidade de imposição de novos e pesados cortes, MLA esqueceu-se que ela própria esteve altamente comprometida, enquanto diretora financeira da REFER, com a celebração de parte desses contratos, que sabia perfeitamente do que se tratava e o que implicavam e que teve conhecimento na altura certa, pouco depois da sua entrada em funções no XIX Governo, dos riscos iminentes que representavam todos os que eram especulativos (estávamos em plena crise financeira, as más surpresas sucediam-se). Soubemos depois que até lhe foram transmitidas instruções para lidar com o problema. Coisa que também esqueceu.

Só estes esquecimentos lhe permitiram assumir no Parlamento o papel de virgem Maria, pouco inteligente e tudo, pois aceitou enveredar sem olhar para o espelho por um caminho de omissões e mentiras, só para desviar as atenções do clamoroso falhanço da equipa das Finanças. E-mails e declarações de antigos responsáveis institucionais comprovam agora que a teia que teceu a está a aprisionar, sendo difícil deixar de mentir. Este comportamento, apesar de lhe parecer natural atendendo aos meios políticos em que se move, é totalmente inaceitável segundo as regras democráticas. Não há tática política que a desculpe. Não há férias parlamentares que lhe valham. Além disso, é inadmissível que tenha recusado ir novamente à Comissão de Inquérito e, no mesmo dia (ontem), tenha ido “explicar-se” a um canal de televisão – a SIC. Cobardia, falta de ética, má consciência e esquivação a um dever institucional. Qual destes classificativos não compreende, Maria Luís? Deseja fazer o papel de Miguel Relvas e arrastar-se até mais não? Olhe que Portas, o seu colega que não gostava de si, não vai ajudar.

O programa de assistência para o qual a direita nos empurrou (com a prestimosa ajuda da extrema-esquerda) teve consequências trágicas para o país do ponto de vista económico e social. Mas do ponto de vista político as consequências não deixam de ser dramáticas. Estamos (estaremos, estaríamos?) condenados, com o beneplácito do Presidente da República, a ter um governo de farsantes, incompetentes e mentirosos até ao final da legislatura. Com epicentro em Passos Coelho. Não é, pois, de estranhar nem de criticar que a oposição se agite e crie instabilidade a cada instante. Nunca se viu um governo assim! Para além das regras da democracia, que devem ser cumpridas por quem detém o poder, mesmo pelos muito burros, há limites para o que a inteligência dos portugueses pode tolerar.

6 thoughts on “Virgens, meninos e burros”

  1. primeiro a informação não constava, depois passou a constar mas era incompleta e agora passou a completa mas precisava de ser analisada, no próximo capítulo vai queixar-se de falta de solidariedade por ninguém lter feito o trabalho dela. escola do possóilo, são muitos anos a fingir que faz e a fugir com o rabo à seringa.

  2. A ficção continua, já agora o PEC IV tambem continha a privatização dos CTT é bom não esquecer.

    Socrates negociou com a Merkel.

    O PSD e o CDS tiraram-lhe o tapete.

    Socrates foi a eleições e foi derrotado.

    Por raio a ESQUERDA continua a ser citada nesta comédia de enganos.

    Tal como o Seguro foi ao beija-mão ao Cavaco, e até ia assinar o tal acordo ( que ainda NINGUÉM percebeu o que era).

    Afinal o problema do PS é que de ESQUERDA tem muito pouco.

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