O DN decidiu, já há uns tempos, oferecer uma página regular ao diretor da revista espanhola Actualidad Económica, Miguel Ángel Belloso. O senhor é nitidamente de direita. Para ele, o Estado está sempre a mais e o mercado deve reinar, pois é o únco garante da «honestidade» dos seus agentes. Abstenho-me de comentar. Por nós, sabemos e pagamos bem o que o setor privado pode fazer de bom à comunidade. Tudo bem. Belloso dirige um órgão de comunicação social, é honesto e não precisa do Estado.
Apesar de não faltarem colunistas de direita na nossa imprensa, hordas deles, saídos das tocas muito recentemente, o novo diretor do DN tem todo o direito de convidar quem entende, de fora e do quadrante político que entender, para comentar a nossa atualidade. O problema está em artigos como o que hoje é publicado e que versa sobre a corrupção.
O artigo é escandaloso. Em primeiro lugar, porque se distribui em redor de uma foto de grande dimensão de José Sócrates, o que, além de provocador, é totalmente abusivo. Em segundo lugar, porque o autor afirma repetidamente e dá como adquirido que o ex-primeiro-ministro estimulou a corrupção enquanto esteve no governo e, não é demais concluir, era, ele próprio, corrupto, tanto mais que foi parar à prisão.
Que Belloso não goste de Zapatero é uma coisa. Que parta daí para declarar que os governos socialistas em geral, e em todo o lado, nomeadamente no país vizinho, propiciam a corrupção, já é outra bem diferente. Como se o PP não fosse um poço de escândalos nessa matéria e os empresários, os privados, não tivessem levado o mundo ao colapso. Mas que vá tão longe ao ponto de nos vir dizer, quase preto no branco, que Sócrates está preso por ser corrupto já não se admite. O que sabe Belloso?