Ver, não. E descrever?

A propósito do excelente post do Valupi aqui em baixo, hoje um cronista na rádio pública belga leu um texto engraçadíssimo. Desembocando, como seria de esperar, de modo divertido e assaz delirante, na política belga, Thomas Gunzig começa por questionar esse princípio de não se poderem ou deverem publicar imagens do Maomé. Interroga-se ele se uma descrição oral, visual, do profeta será igualmente ofensiva e qual é na realidade a diferença. Por exemplo, alguém que conte, reportando-se ao ano de 622 DC, que Maomé, um homem de 1 metro e pouco de altura, cabelos negros e barba rija, sobrancelhas abundantes, sandálias empoeiradas (uma unha encravada?), se dirigia apressado, e atrasado, para uma escola onde o aguardavam os alunos para uma pregação, etc., estará a cometer uma ofensa? É que, pela descrição, é fácil imaginarmos o desenho… Ofensa haverá, não é?

Na crónica, Maomé dá depois de caras com Deus/Alá, esse sim, pelo contrário, abundantemente retratado, e em poses bem furiosas ou ameaçadoras, segundo o Antigo Testamento, não tendo daí vindo qualquer hecatombe cósmica ou maldição (mais do que as de outro modo já existentes) – e é suposto Alá ser o superior hierárquico de Maomé. Enfim, a história depois prossegue (Deus, entretanto, para o cronista, era afinal a cara chapada do ex-primeiro-ministro belga Elio di Rupo e a partir daí o humor e o delírio seguem livre curso). A crónica pode ser ouvida aqui.

Isto para perguntar – Não podemos gozar? Sobretudo com o que desafia toda a racionalidade? Era o que faltava. O Thomas pensa o mesmo. Ainda bem.

8 thoughts on “Ver, não. E descrever?”

  1. A Europa é doente; A Europa desde Átila só sabe dar tiros nos próprios pés; A Europa não considera europeus os vizinhos íberos; A Europa virou gay, precisa tratamento psiquiátrico; O egocentrismo europeu cegou completamente;Só se consegue a paz, preparando a guerra e a europa deixou esse trabalho para os americanos e russos..
    A Europa se trambicou!

  2. oh reaça, tu nem com tratamento psi lá vais. estúpidez endémica é coisa que não tem cura e tende a piorar com o tempo, os mais violentos gritam umas merdas em árabe e fazem-se explodir e os passivos (ler: cobardes) ficam-se por comentários como o teu. relê o teu comentário e conta as asneiras que conseguiste arrumar em 6 linhas de texto. escusas de agradecer, não tenho espaço para coleccionar imbecilidades.

  3. o texto do Val chegava, cáspite! :-) mas sim, ainda bem que há mais mas não melhor.

    no entanto uma análise sociológica consegue encontrar variáveis exógenas que são, ou poderão bem ser, os nutrientes do ódio dos psicopatas e que passam precisamente por esta agulha – agulha para os terroristas, obviamente, e que são igualmente mais um ponto para a fogueira de uma eventual terceira grande guerra que – não nos esqueçamos -também parece estar na mira de algumas potências mundiais em retaliação desse mesmo ódio optimizado. o Boaventura explica bem.

  4. Ignatz, a Europa até para desencravar uma unha recorre à América (ex-jugoslávia), agora deixou-se enrolar com a Ucrânia para fazer a vontade aos américas.

    E até para ir para o iraque, o Bush convocou o inglês o espanholito e o portuguesito Durão aos Açores.

    Ignatz, as fronteiras de lampedusa e melila e grécia são uma cesta rota.

    Não se pode enfiar a cabeça na areia!

    Ignatz, fia-te na virgem!

  5. Os trapezistas, os domadores de leões, os cartoonistas pimba, têm profissões de risco.
    A páginas tantas a corda do trapézio parte-se, o leão fecha a boca quando não devia, o jihadista resolve virar mártir.
    É aí que fica em evidência o risco dessas profissões. Para quê procurar culpados? é só a realidade!

  6. Bamus todus guzare cum a panalope, quela num simporta.ó panelupe, boute disinhare cum cara de passus cuelhu, minha, e cum carapinha á anus çaçenta.

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