Notícias do passado

Não sei em que vai dar a nova política do Governo de Atenas. Sei que a Grécia tem mais trunfos do que Portugal, dada a sua história e a sua situação estratégica. A transferência do país para a esfera de influência da Rússia é sempre uma ameaça que nem a Europa nem os Estados Unidos querem ver concretizada (provavelmente nem o povo grego). As razões de queixa históricas que a Grécia também tem contra a Alemanha são, além disso, uma faca sempre pronta a remexer a ferida da segunda guerra mundial. O que incomoda e ao mesmo tempo pressiona. Ninguém sabe o que vai acontecer. Varoufakis é uma carta pesada. Lúcido, bem falante, prestigiado, patriota e aparentemente determinado. No fundo e em resumo, desejo o maior sucesso ao povo grego que decidiu desafiar o status quo. Se firme e responsavelmente orientado, o novo governo pode levar a Grécia a mudar de vida. E falo de vida propositadamente. Recusar a morte é sempre, e particularmente neste caso, um ato heróico.

Assim, notícias como esta, relativa a Portugal, lida hoje nos jornais, já me soam algo estranhas, deslocadas, obsoletas e apenas possíveis com governos como o que temos:

Fundo Monetário Internacional exige tratamento de choque na despesa pública. Quer mais rescisões e requalificações.

Will they ever learn?

15 thoughts on “Notícias do passado”

  1. Mas ainda é preciso dizer que esta trapalhada toda das “dívidas soberanas” e das “troikas” é só o mecanismo para desmantelar o estado social e as leis laborais? Baixar salários, baixar pensões, baixar despesa e investimento social é tão só a forma como pretendem resolver mais esta crise do capitalismo. O resto são ferramentas para atingir esses fins e cenário para nos distrair do essencial. Se os Gregos não forem apoiados por outros parceiros europeus e falharem as negociações, bem podem esperar uma vitória desta maioria psd/cds nas próximas eleições. E não duvido de que vão voltar à carga para terminar o serviço, assim que tiverem a legitimidade renovada. Aguardem.

  2. Se a Sra. Merkel e seus seguidores estão dispostos a gastar milhares de milhões para endireitarem as contas públicas da Ucrânia, porque não o fazem com a Grécia?

    Não se esqueçam que a posição geográfica da Grécia também é estratégica! mais até que a Ucrânia.

    Quem não tem subsolo rico em petróleo só lhe resta vender por bom dinheiro a sua posição estratégica. A quem pagar mais…

    Até o Governo dos Açores entrou nessa lógica.

  3. “Se a Sra. Merkel e seus seguidores estão dispostos a gastar milhares de milhões para endireitarem as contas públicas da Ucrânia, porque não o fazem com a Grécia?”
    Quando o povo na Ucrânia acordar, 90% são mendigos.

  4. se calhar estão a faltar por cá políticos que encham de tal forma as medidas do povo – e encher as medidas do povo é encher o povo de esperança consistente – que obrigue a opinião pública a dizer à boca, ou ao dedo, cheia que não é o povo que é manso e cornudo.

    o PS está esgotado e a cair de podre e os políticos que o integram estão viciados na sua generalidade. é preciso uma lufada de ar fresco para mudarmos de vida e recusarmos a morte.

  5. A Rússia acabou com dois potenciais ditadores mundiais: Napoleão e Hitler.Quem quer adivinhar o futuro tem que olhar o passado. Já agora: todos sabem que a pequena Grécia teve mais mortos na 2ª Guerra Mundial que a Inglaterra e os USA juntos? Tudo tem uma explicação,se não estivermos de má fé.

  6. oh bécula! tu precisas é duma corrente de ar fresco que te provoque uma pneumonia, porque bronca já tu és.

  7. Nem a rússia, nem os usa, nem a inglaterra querem a moeda única,
    Agora compraram esta merda deste zorba, por tuta e meia.
    Mas Portugal que sempre seguiu os ingleses, bem podia ter feito o mesmo quando foi a entrada no euro.

  8. Estou com Penelope, pena o Costa ainda não ser como o Tsipras. Os portugueses também querem o ordenado mínimo em 750€, também não querem pagar impostos, querem nacionalizar o Espirito Santo e outros bancos, também querem a reforma aos 50 anos, querem também férias em hotéis pagas pela seg.social. Os alemães que são ricos que nos sustentem.

  9. Olinda, bocê tá cuberta de razãoe e o Ignatezes tá cuberto daquela cousa castanha quele anda çemprea apreguare.
    Ignateze, pracizas de transfuzãoe, pá, oube, a céticémia é iminente em tie, meu.

  10. fifi, vou começar a pedir-te licença antes de emitir a minha opinião. fazemos com seriedade à moda antiga, três quadradinhos para me decidires os comentários: sim; não; talvez. :-)

  11. desejo o maior sucesso ao povo grego que decidiu desafiar o status quo (…) Recusar a morte é sempre, e particularmente neste caso, um ato heróico

    The Labor Ministry’s new administration is preparing to take cautious steps in the context of broader planning for employment and enterprises, which will risk creating a shock in the domestic economy and employment market if the minimum salary is reinstated at 751 euros per month

    http://www.ekathimerini.com/4dcgi/_w_articles_wsite2_1_30/01/2015_546728

    Parece que a Alemanha não ficou convencida com o argumento da II guerra mundial (os turcos já estavam à espera para depois serem ressarcidos de parte da indemnização pelo que sucedeu entre 1919 e 1922).

  12. Ainda a propósito do inteligentíssimo argumento da segunda guerra mundial, não posso deixar de transcrever um texto da Helena Matos:

    A propósito das reparações alemãs com que alguns tentam obrigar a Alemanha a pagar a dívida da Grécia – na Europa a Grécia foi um dos países que mais ajudas recebeu no pós-guerra mas há quem faça por ignorá-lo – cabe perguntar se está em aberto o pedido de reparações por guerras pretéritas. Se for esse o caso temos as invasões francesas no século XIX além da nossa própria declaração de guerra à Alemanha em 1916. Recordo que os bens dos “súbditos inimigos” em Portugal foram confiscados, os homens rapazes foram internados em campos de concentração em África e em fortes militares como o de Peniche. Os “súbditos inimigos” eram os alemães – e claro que não havia nada de equivalente para confiscar aos poucos portugueses que viviam na Alemanha – mas o confisco também sobrou para uns turcos que andavam a vender tapetes por esse Portugal fora e que acordaram um belo dia mais os tapetes na condição de súbditos inimigos porque a Turquia era aliada da Alemanha. E assim neste atirar das dívidas para trás do tempo acabaremos a pedir indemnizações a Castela, a Roma, aos fenícios, quiçá à alforreca primordial.

    http://blasfemias.net/2012/10/29/a-proposito-das-reparacoes-alemas/

  13. oh pinto! largó tinto. foda-se… só me faltava ver aqui copy/paste da hiena de matos e link para o basófias onde o cunha censura tudo o que não seja farófias e alinhado com a seringa das farturas do regime.

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