Depois das declarações altamente elaboradas (para o que é costume) de Passos Coelho sobre Sócrates e a comunicação social, o Ministério Público deverá andar a estas horas a coçar a cabeça, sem saber o que fazer. Bem, a coçar a cabeça já andava, mas por outros motivos.
Eis as declarações:
Fonte: DN
Temos então que, para este traste, Costa cria as condições para a asfixia democrática, como dizia o outro. Se se estão a rir, estão a rir bem. É que o «asfixiado» é, neste caso, o homem contra o qual o PSD apontou todos os canhões do ódio de que dispunha no seu arsenal, envenenando a sociedade portuguesa a ponto de o Correio da Manhã, que «interpreta» o sentimento público, o começar a julgar feroz e impunemente, em criminosa promiscuidade com o MP, na tentativa de o destruir de vez. Mas isso era dantes. Agora, já chega.
O simples facto de Sócrates ter dito, em entrevista, que não chefiaria um governo se tivesse perdido as eleições foi a luzinha que o PSD avistou ao fundo do túnel. Mesmo sabendo nós que tal fórmula governativa não aconteceria principalmente porque o relacionamento de Sócrates com a esquerda radical e os comunistas sempre andou pela hora da morte (pois a urgência de correr com a matilha Passos & Companhia estaria lá), tal foi o bastante para o PSD, que andava aos papéis com a consolidação do entendimento à esquerda, a que chamou «geringonça» numa tentativa de achincalho, sem sucesso, desatar a defender a liberdade de expressão de Sócrates e até, pasme-se, o seu direito a defender-se perante a justiça (que o não acusa, é um facto) e não na comunicação social. Vale tudo, senhores! O post do Valupi foi certeiríssimo. Será que, só para derrubar António Costa e retomarem o poder, iremos assistir ao PSD a exigir que o Ministério Público acuse ou arquive de uma vez por todas o processo contra Sócrates?
Como não há de andar o Ministério Público, totalmente endrominado pelas estratégias políticas mais sórdidas da direita? Se anda mal, não tenho pena. Se anda bem, isso prova muita coisa e o desfecho não tem graça. O grau zero da política e o grau máximo da falta de vergonha é isto.
