Impressionante como a colunista do Observador abre fogo a propósito de tudo e de nada contra a Câmara Municipal de Lisboa. E o Governo nacional, evidentemente, que isto é tudo uma cambada. Imagina-se vítima de ocultação/sonegação de informações e parte do princípio de que ninguém em Lisboa quer dizer nada ao pagode, que se fala e fala e fala e anuncia e nada (de decente) acontece (!), que bom bom era ninguém pagar nada e a cidade ficar um mimo por intervenção divina ou por milagre de uma administração privada que nos poria a pagar exatamente da mesma maneira ou pior e com margem. Ou então, bom mesmo era a gestão entregue a Carmona Rodrigues outra vez. A sério. Ah, e tudo isto tem que ver com o modo de estar na vida das esquerdas. Convencidas de que só elas sabem fazer. E se só elas, Helena? Ai, pum! desmaiou.
Prossigamos. Vai haver uma Feira Popular para os lados de Carnide? Protesta: não sabe de onde vêm os 70 milhões de investimento anunciados e exige o nome e o NIF dos investidores, assim como a lista de compras, vendas e concessões por metro quadrado já. A distribuição exata dos postos de trabalho previstos. O número de carrosséis, rodas gigantes e montanhas russas e quem os vai instalar e o preço dos bilhetes. E quer que os moradores das imediações organizem manifestações ruidosas para fazer cair o executivo camarário por causa do ruído dos divertimentos, como fariam se a Câmara estivesse nas mãos dos amigos da Helena. É que, atenção, não sendo satisfeitas estas exigências, que mais ninguém ainda fez, o que é incompreensível, é tudo uma vigarice. Desde o Carmona Rodrigues e, presumo, do Santana Lopes do túnel, que a Câmara está entregue a vigaristas e incompetentes de esquerda, diz ela. Deve achar que a cidade está feia e pouco atrativa, querem ver?
Os obras da Segunda Circular foram suspensas em virtude de uma fraude não detectada anteriormente no concurso? Mas o que é isto? Rigor? Ela quer as obras já e mesmo assim! Depois, se se descobrisse um conflito de interesses estando a obra já em curso, ah, aí estaria a Helena a dizer que os socialistas são isto e aquilo e, no meio, as palavras corrupção e incompetência.
Mas afinal, ó Helena, dir-se-ia que nem tudo é conversa e há mesmo muitas obras em execução ou já executadas, adjudicadas sem qualquer problema ou esquema, e que tornam a cidade mais bonita e desfrutável. Pois é, a Helena não teve espaço, mas numa próxima oportunidade protestará porque a cidade está caótica. Possivelmente protestaria por haver carros e passeios estreitos a mais, ou passeios ocupados por carros, e em seguida também por haver carros a menos e pessoas a mais nas ruas em passeios demasiado largos.
Mas isto é um caso clínico. Esta história da Feira Popular, que vos parece? É isto normal?
Quanto às taxas. Voltemos às taxas.
E acalmemos a Helena, pelo menos com as taxas turísticas, que ela nem sequer paga. As outras são pagas praticamente em todo o lado – IMI, taxa de esgotos, etc. Em Bruxelas, por exemplo, paga-se ainda uma “taxa de chefe de família”, cuja designação nunca percebi. E há obras constantemente. E os muitos sítios feios da cidade têm agora alguma ou muita graça.
Paris – a taxa turística era 1,50 € em 2015, mas aumentou e tornou-se flexível em 2016
Berlim – 5% sobre o preço do alojamento
Amesterdão – idem, 5 % por pessoa e por noite
Barcelona – varia entre 0,65 € e 2,25 € em função do tipo de alojamento
Roma, Florença, Veneza, etc. – variável em função do alojamento, mas pode chegar aos 7% em Roma
Bruxelas – 7,5 € por noite.
A ira da Helena é profunda e não vai passar facilmente. Como sabemos? Porque ela partilha connosco os temores das suas noites em claro e os pesadelos de quando dorme, a saber: se fosse uma Câmara liderada pela direita, haveria uma revolta armada da esquerda contra a instalação em qualquer lugar de uma “instituição popular” do Estado Novo como é a Feira Popular. Bem lembrado, Helena. Bem visto. Há noites em que dormir descansada é perda de tempo.