Olhe, rico, vá o menino manifestar-se para a rua. Mas olhe que já tem os jornais

Qual é o último grito da moda entre a nossa direita mediática? É este lamento: “Que tempos estes, valha-nos deus, já nem os sindicatos protestam! Assim é difícil. Não há igualdade de oportunidades. Estou enfastiado, pois estou.”

Por estes dias, sentem-se vítimas da falta de solidariedade dos seus velhos aliados. E perguntam o que é feito daqueles bons velhos tempos em que os governos do PS eram minoritários e tinham líderes pouco carismáticos (estou a par, sim) ou eram minoritários pelo efeito de golpes sujos e começavam a ser derrubados pelas manifestações de rua, viam o processo agravar-se com os incentivos dados por Cavaco, veja-se bem, aos protestos de rua e depois era só um saltinho até ao derrube na Assembleia. Chamava-se a isso boas oportunidades e longe da direita falar em desigualdades.

Continuando nos factos. Até há pouco tempo, ouvíamos o PS a lamentar-se que só com maioria absoluta é que conseguia governar, pois nem a extrema-esquerda jamais aceitava juntar-se-lhe para uma solução governativa, nem a aliança com a direita (se fosse sequer possível) era conveniente democraticamente porque, com o tempo, constituiria um desgaste para os socialistas e significaria o reforço dos partidos da extrema-esquerda. Esta era a situação, que durou décadas. O lamento do PS tinha razão de ser e foi preciso Sócrates para abalar esta construção e conquistar uma maioria absoluta. É verdade que ainda não havia Costa e o seu gosto real por partir pedra à esquerda. Também nunca a direita tinha ido tão longe na falta de vergonha como de 2011 a 2015.

O lamento recente da direita, onde pontuam Tavares, Baldaia e toda a coluna da direita do Observador, além de muitos outros que não leio mas sei que existem e andam desesperados, é, portanto, mais uma das suas falácias. Cavaco Silva governou durante dez anos. Foi mesmo o governante que mais tempo se manteve à frente do executivo depois do 25 de abril (dez anos). Durão Barroso durou pouco, mas sabemos porquê e não foi de todo por “desigualdade de oportunidades”. Foi antes por uma grande oportunidade. Embora apenas para o chefe. Santana Lopes durou ainda menos e também sabemos, nós e os jornalistas (que andavam num virote surreal e nunca visto), muito bem porquê. Passos durou mais de quatro anos e sabemos por que razão foi travado. Foi uma razão de tal maneira ponderosa que, pela primeira vez, os partidos arqui-inimigos do PS sentiram a obrigação de mudar de agulha e transpor a enorme barreira que separava o fácil e confortável protesto da participação na responsabilidade da governação. Um milagre só possível graças ao massacre sobre os portugueses de quatro anos de directório alemão pelas mãos de Passos, Gaspar, Albuquerque e restante pandilha de submissos.

A direita anda amargurada e não tarda começa com os golpes sujos. Já está a ensaiar com o Fernando Medina. Não estou a vê-los na rua.

 

10 thoughts on “Olhe, rico, vá o menino manifestar-se para a rua. Mas olhe que já tem os jornais”

  1. TODOS se juntaram para deitar abaixo a “Geringonça”.
    Fizeram uma agenda e estão a segui-la à risca .
    Tem TODA a comunicação social tomada ( jornais, jornalistas, jornaleiros, comentadores ,etc.)
    Martelam as mentiras de tal forma que até eles parecem acreditar.
    São peritos na intriga entre os três partidos apoiantes do governo ( tarefa não muito difícil, convenhamos…)
    Tudo a correr bem portanto. Logo, só faltava a cereja em cima do bolo, que foram as declarações do velhaco do alemão, que aconteceram ontem, e que foram devidamente amplificadas, aliás mesmo a tempo das cortes de Albergaria .
    O orçamento ( em geral), as pensões muito mal explicadas ( muito fácil de criar confusão e mal estar com o assunto), a carta da UE em resposta ao orçamento enviado, o financiamento dos partidos, e muitas outras fragilidades de comunicação do governo e dos partidos que o apoiam , até deram aso a que o pantomineiro mor viesse dizer que com o orçamento do PSD isso não aconteceria….
    E não vejo resposta adequado e atempada do Governo ou dos outros partidos. … Porque já conseguem ter acesso a divulgação ? Por inação ? Por outra causa qualquer ? Não sei…
    Quanto a golpes sujos, vão com certeza aumentar ( M A Costa passou a nr 2, outra vez).
    E a sensação com que fico é que isto – a gerigonça – não vai durar muito ! A cabeça dos votantes está feita!
    Oxalá me engane!

  2. As televisões ( já não leio jornais ) seguem a agenda da direita . Os ” comentadores ” usam de forma descarada o discurso da direita . A antena 3 está tomada pela camarilha do observador . A esquerda tem de por cobro a isto .

  3. 27 OUTUBRO 2016 ÀS 12:33 às 15:20 como diriam os Xutos são [quase] nove horas de distância, mas compreendo a tua dificuldade Valupi. Eu emperrei no título, e por ali fiquei que me desculpe a Penélope (presumo que se refere a um artigo miserável do P. online, esse li-o na diagonal porque gosto de cenas laboratoriais e pressupunha um choradinho).

    Nota, um. Eu cheguei ao Aspirina B às 12:24, quase no momento esclareço.

    Nota, dois. Entretanto, parece-me claramente que a Penélope seguiu o meu conselho “literário” sobre a qualidade da prosa do VPV, e agora bate a bola à altura do JMT. Digamos que mais baixa, portanto.

    De Bragança a Lisboa
    São 9 Horas de distância
    Q’ria ter um avião
    P’ra lá ir mais amiúde
    Dei cabo da tolerância
    Rebentei com três radares
    Só para te ter mais perto
    Só para tu me dares

    E saio agora!
    E vou correndo!
    E vou-me embora!
    E vou correndo!
    Já não demora!
    E vou correndo p’ra ti…Maria!!

    Outra vez vim de Lisboa
    Num comboio azarado
    Nem máquina tinha ainda
    E já estava atrasado
    Dei comigo agarrado
    Ao ponteiro mais pequeno
    E tu de certeza à espera
    Rebolando-te no feno

    E saio agora!
    E vou correndo!
    E vou-me embora!
    E vou correndo!
    Já não demora!
    E vou correndo p’ra ti…Maria!!

    Seja de noite ou de dia
    Trago sempre na lembrança
    A cor da tua alegria
    O cheiro da tua trança
    De Bragança a Lisboa
    São 9 Horas de distância
    Q’ria ter um avião
    P’ra lá ir mais amiúde

    E saio agora!
    E vou correndo!
    E vou-me embora!
    E vou correndo!
    Já não demora!
    E vou correndo p’ra ti…Maria!!

    Maria!! Maria!! Maria!!

  4. o valupi anteriormente elogiava o sócras e dizia mal do costa, agora é o contrário. alguém tem explicação para isto?

  5. ò érica, é quando ninguém quer saber a que horas é que chegaste. a malta quer saber é quando te vais embora. desampara que já não há paciência para tanta parvoeira.

  6. No Portugal antigo, nos tempos da sociedade rural e do paroquialismo, era a “graxa” que dava “lustro” aos mais poderosos. Mais tarde surgiram os “lambe-botas”; e atualmente, é o tempo dos “lambe-cus”. A espécie não é obviamente um exclusivo do “habitat” lusitano. Mas não tenho dúvidas de que por cá ela germinou, floresceu e hoje multiplica-se a olhos vistos. Isto porque aqui encontra as condições ideais para a sua multiplicação. Os atuais lambe-cus são descendentes dos “lambe-botas”. Não deixa, no entanto, de ser curioso, e aparentemente paradoxal, que os lambe-botas (os pais dos lambe-cus) tenham sido tão combatidos, quase exterminados, com a restauração da democracia, e depois ressurgiram tão vigorosamente. À medida que o regime democrático se foi acomodando às suas rotinas burocráticas e, posteriormente, começou a ser corroído por dentro, eles brotaram das entranhas e estão agora por todo o lado. Digamos que a corrosão da democracia está em correspondência direta com o aumento dos lambe-cus. Porque será que isto ocorre e porque será que o país se tornou um “viveiro” tão fértil para esta espécie?

    Na era da escravatura e ao longo do feudalismo a subserviência era uma obrigação. A resignação era intencionalmente fabricada para uso caseiro de soberanos e poderosos. O escravo servia com zelo e dedicação no interior de palácios, fazendas e casas senhoriais, em ambiente mais ou menos despóticos. Nos tempos do salazarismo e do Estado-Novo os “lambe-botas” foram cultivados e cresceram dentro das hostes do regime, nas corporações, no interior das forças repressivas e junto dos grupos dominantes. O aparelho de Estado e a doutrina oficial impunham a obediência geral, pelo que o “lambebotismo” era intrínseco aos bastidores do poder.

    Por outro lado, com a chegada da democracia deu-se uma viragem. Houve uma espécie de “PREC” anti-lambebotas. Acresce que nessa fase os cus mais gordos e bem tratados saíram de cena, isto é, ou exilaram-se ou entraram numa espécie de clandestinidade. E isto também porque com a multiplicação do cidadão ativo e ciente dos seus direitos, estas duas subespécies tiveram grande dificuldade em prosperar. O cidadão pleno e emancipado, com a espinha dorsal no sítio, afirmava-se por si próprio e, durante algum tempo, os próprios lideres e dirigentes prescindiram dos lambe-cus e das suas manobras. Esse cenário foi, no entanto, passageiro. Rapidamente se começou a notar a grande resiliência desta camada de gente, que aliás, rapidamente renasceu das cinzas.

    Com a entrada na era da tecnocracia (anos oitenta, por aí…), o novo-riquismo apoderou-se das estruturas dirigentes, donde resultou o vazio da política e, em vez dela, cresceu a burocratização e os cargos de decisão reverteram-se nos principais locus de incubação dos novos lambe-cus. Do ponto de vista genético o lambe-cus é despojado de coluna vertebral, ao contrário dos seus antecedentes (os lambe-botas) que ainda tinham algum resquício de coluna, embora torcida e vergada aos seus amos. Na sua versão mais pura, o lambe-cus possui qualidades que lhe permitem detetar à distância onde se encontra o cú mais proeminente e atrativo para ser lambido. Alguns desenvolveram até uma língua bífida, especialmente elástica e hipertrofiada, o que lhes permite lamber vários cús ao mesmo tempo sem que os respetivos donos se apercebam da concorrência. Já quanto ao “caráter” é um atributo que, pelo contrário, se encontra atrofiado ou não existe sequer. O “ego” do verdadeiro lambe-cus só se faz notar quando algum cu poderoso dá sinais de querer ser lambido. É dotado de instintos caninos. Ele projeta-se totalmente na satisfação plena do seu dono.

    É verdade que alguns lambe-cus entram por vezes em desgraça, sobretudo quando, dominados por uma pulsão exibicionista denunciam em público os cus que andaram a lamber. Mas o seu habitat natural são as zonas subterrâneas do poder: as grandes corporações e grupos empresariais, os bastidores da política, dos municípios, das universidades, etc. Em todo o lado onde a cultura burocrática cresceu, os séquitos de lambe-cus proliferam e fazem fila. Muitos tiram benefício material e pessoal da sua atividade, podendo até enriquecer, sobretudo depois de terem ajudado os seus patronos a um enriquecimento milhões de vezes superior ao seu. Mas a sua verdadeira recompensa está no próprio ato de lamber. Sem essa prática, constante e repetida, a sua existência não tem qualquer sentido. Eles são a contraparte da vontade de bajulação de personagens “importantes” cujos enormes umbigos – e as lambidelas diárias – os fazem sentir-se muito mais importantes do que realmente são.

    Professor da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra

  7. Homens de pouca fé: a direita já teve a maioria de votos e perdeu-a! A direita já tem tudo na informação e vai perdê-lo! A direita já teve a Europa toda com ela mas já compromete se mostra a cara! A direita cada vez está mais feia e balofa! A direita,historicamente,sempre levou nos cornos! Arre mundo,e vamos tremer com o fantasma da direita? Medrosos,dêem um passo atrás!

  8. O Costa é que enrola direita e esquerda.

    Com esta do gerente da caixa, já calou tudo e todos, com um sorriso nos lábios.

    Mesmo que ponha lá o Vara, amigo do Sócrtaes, a maralha engole mesmo sem vaselina.

    Ganda Costa, aquilo é que é carisma.

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