As páginas e páginas que o Correio da Manhã tem vendido com artigos sobre o Sócrates assentam num ódio inexplicável. Se dúvidas houvesse, e há muito que não há, a colunazinha assinada pelo Eduardo Dâmaso no CM de ontem, ao lado de páginas onde mais uma vez se repete a lenga-lenga do Ministério Público sobre o dinheiro de Carlos Santos Silva, que os juízes e toda a gente sabem ser do Sócrates, pois um engenheiro civil com negócios múltiplos e variados, no país e no estrangeiro, viveria na pobreza mais extrema não fossem os esquemas do amigo Sócrates, mas, dizia eu, a colunazinha do Dâmaso prova como nada do que o pasquim publica sobre esta matéria é minimamente objectivo e sem agenda.
Ora, para além do Sócrates, ou por causa dele, o Dâmaso odiava o Miguel Abrantes, do blogue Câmara Corporativa, e fica hiper-raivoso por saber que “Miguel Abrantes” era o pseudónimo de um senhor chamado António Peixoto, ex-funcionário do Ministério das Finanças, e que dizem ter sido remunerado a título particular pelo trabalho como bloguista político. Chama-lhe, então, “sabujo” (e ainda “cãozinho de guarda”). O termo é feio e ofensivo. Ó Dâmaso, a tua vontade era abatê-lo fisicamente, não era? Ou criares condições para? Porquê o ódio?
Ora, acontece que o autor do referido blogue era de uma competência, objectividade e qualidade que jamais observei em nenhum outro bloguer político. Não sei de onde saiu, nem onde o Sócrates ou algum seu amigo o desencantou, nem a sua história anterior como escrevinhador, mas o que é certo é que o Câmara Corporativa era imbatível em qualidade e eficácia. Era imperial. Fazia inveja. O Pacheco Pereira vivia obcecado.
E o que fazia de tão abjecto o “Miguel Abrantes” para deixar os direitolas de cabeça perdida? Divulgava notícias falsas? Mentia sobre a governação? Mentia sobre a oposição? Não, nada! Limitava-se a repor os factos quando eram por outros distorcidos, deixava a direita desorientada, apresentava números, documentação, citações, fazia humor quando era preciso, enfim, um profissional genial. Não sei se recebia dinheiro pelo trabalho. Se recebia, era merecido. Se há crime nisso, confesso que me surpreende.
Pessoas ligadas ao PSD confessaram espalhar notícias falsas e minar os programas de debate radiofónicos e nada lhes foi apontado. O Dâmaso não lhes chama “tralha”, como chama aos blogues anti-direita. Inúmeros bloguistas, que não pertencem à tralha e são gente fina e mesmo escorreita, transitaram para o governo do Passos. E o “Miguel Abrantes” é que é o “sabujo”?





