Síria: quatro não alinhados e um moderador

Para se ter uma perspectiva diferente da versão oficial ocidental sobre Alepo e a Síria, deixo aqui o link para um programa de debate (intercalado com breves reportagens) que ontem, dia 15, passou no canal francês LCI (La Chaîne Info). Dura um pouco mais de uma hora. É preciso perceber francês e ter uma certa paciência com os anúncios iniciais e a meio. Mas vale a pena ouvir os participantes que, não parece, mas foram convidados pelo moderador. Infelizmente, não arranjei maneira de colocar aqui a imagem com ligação direta ao vídeo.

 

Alep seule au monde

 

12 thoughts on “Síria: quatro não alinhados e um moderador”

  1. Lucas Galuxo: Olha-se para o mundo actual e a primeira coisa que se vê é mesmo que os russos estão cercados militarmente pelo imperialismo americano. Vê se pescas links mais giros.

  2. Penélope, não são precisos links. Pega num mapa e espeta um alfinete vermelho a cada conflito instigado pelo Ocidente nos últimos 40 anos. Desenhaste um círculo.

  3. Só agora tive tempo para ver e ouvir (na íntegra, o que espero tenha sido igualmente o teu caso) o debate para que remete o link, Penélope, e o que me espanta é que tenham sido necessários quatro franciús medianamente bem informados e um “moderador” meio aparvalhado para te meter na cabecinha algumas dúvidas sobre as “verdades” oficiais das ocidentais e civilizadas praias onde costumas molhar os pezinhos. Aqui o maluco do Joaquim Camacho anda dizendo o mesmo há pelo menos uns dois ou três anos, no Aspirina e em todo o lado onde outros malucos se dispõem a perder uns minutos a lê-lo ou ouvi-lo, mas, no que te diz respeito, a resposta que tive foi sempre de contestação aberta, ainda que sem argumentos dignos desse nome, ou no mínimo de descrença.

    Mas se queres ouvir alguém a falar claro sobre o que se passa na Síria, e nomeadamente em Aleppo, sugiro-te que gastes 18 minutos a ouvir esta jornalista canadiana. Acrescenta aos depoimentos dos franciús a mais-valia da sua reiterada presença em Aleppo, e noutras partes da Síria, nos últimos anos e até nas últimas semanas, bem como a vantagem acrescida de o domínio do árabe lhe permitir falar com as populações sem a necessidade de intermediários. Julgo que já a referi aqui no Aspirina, mas esta intervenção é mais completa e elucidativa. Faz, obviamente, parte de uma espécie em vias de extinção, a dos verdadeiros jornalistas:

    https://www.youtube.com/watch?v=TjHniRRgOao&feature=youtu.be

  4. O que precisas agora de tentar perceber, Penélope, é o motivo (ou motivos) da guerra na Síria, porque estas coisas não costumam surgir do nada, do género “Ora vamos lá a matar-nos uns aos outros, à falta de melhor para fazer!”. Também já aqui referi tais motivos, bastamente documentados mas muito habilmente afastados da discussão nos grandes meios de comunicação, que se limitam, caninamente, a ecoar a voz do dono ou, neste caso, a calar as vozes dissonantes. Aproveitando esta tua recente e feliz abertura de espírito, vou repeti-los resumidamente, com o precioso auxílio de artistas de outras geografias.

    1 – Alguns anos antes do início da guerra, a Arábia Saudita e o Qatar propuseram à Síria que desse o seu acordo à passagem pelo seu território de um gasoduto que levaria gás saudita e principalmente qatari para os mercados europeus.

    2 – Os sírios, que planeavam, em colaboração com o Iraque e o Irão, a construção do seu próprio gasoduto, para levar aos mesmos mercados europeus gás iraniano, iraquiano e sírio, responderam negativamente à proposta saudita e qatari.

    3 – Desagradados com a perspectiva de concorrência, e sabendo que a alternativa que lhes restava era o transporte do gás por via marítima, com custos acrescidos na liquefacção e no fretamento ou aquisição de navios especializados, Arábia Saudita, Qatar e outros países do Golfo estimularam e depois aproveitaram reivindicações legítimas de alguns sectores da sociedade síria, através de manifestações em algumas cidades. Muito rapidamente, infiltraram essas manifestações, a princípio pacíficas, com terroristas islamitas que, com provocações sabiamente distribuídas e aplicando eficazmente todas as alíneas de manuais sobejamente sufragados pela prática, as transformaram quase desde o início em levantamento armado camuflado de luta pró-democracia. A manobra beneficiou desde o início da parceria oportunista da Turquia e da prestimosa colaboração e apoio militar, logístico e moral dos sipaios Hollande, Cameron e Obama, salivando obscenamente por generosos contratos de venda de armamento e cumprindo caninamente os desejos das petrolíferas americanas, britânicas e francesas que habitualmente esfregam a peida nas alcovas dos gatos gordos do Golfo.

    Podes ver a coisa bem resumida aqui, com bonecos e a cores, no Jimmy Dore Show, que refere um artigo de Robert F. Kennedy Jr. (um façanhudo putinista, calculo eu):

    https://www.youtube.com/watch?v=NjOr2YzrZDY&feature=youtu.be

    4 – O objectivo é claro como água: desmembrar a Síria em “bantustões”, alguns deles controlados por terroristas sunitas amigos, e fazer passar o famigerado gasoduto qatari e saudita por esses bantustões sunitas, a caminho dos mercados europeus.

    Também já aqui fiz referência a uma intervenção de Roland Dumas, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros francês de François Mitterrand, que prova que a “guerra civil” síria já estava em preparação dois anos antes do seu início, quando não tinha sequer havido qualquer manifestação de contestação a Bashar al-Assad. Roland Dumas só comete um erro, que é o de atribuir a preparação da golpaça apenas a Israel, que neste caso até tem uma participação reduzida. São menos de dois minutos, vale a pena ver e ouvir:

    https://www.youtube.com/watch?v=jeyRwFHR8WY

    Quem tiver ouvidos que ouça, quem tiver olhos que veja! Tudo se resume a esta fórmula simples.

  5. Quanto ao que o Lucas Galuxo tenta dizer-te, se achas que o John Pilger não é suficientemente giro, resta-lhe a consolação de ser, a nível mundial, um dos poucos jornalistas que ainda restam dignos desse nome. Mas se o que queres são links giros, toma lá este:

    https://www.youtube.com/watch?v=_6ykJi0hu6E

    E depois podes assobiar para o lado, se quiseres, já que isso, felizmente, deixa a realidade exactamente igual àquilo que é.

  6. Excelentes materiais, Joaquim. Muito obrigado.

    Se Trump conseguir cumprir a sua promessa de não intervencionismo, e resistir ao torpedeamento diário dos Mainstream Media e das maquinações da CIA e seus afilhados, a derrota de Hillary Clinton marca o ponto de viragem na escalada bélica que se dirigia rumo ao Day After nuclear. Causa horror ver a inteligentzia europeia rastejar atrás dessa via venenosa.

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