USA Inc.

Tudo indica que Donald Trump se prepara para gerir o seu país como quem gere uma empresa. Na realidade, como quem gere todas as empresas norte-americanas. Aliás, como quem gere todas as empresas norte-americanas que estejam com ele. E ai das outras.

Assim, com a Rússia, podem fazer-se grandes e bons negócios. Logo, Putin é um amigo. Já era, aliás! Pelo menos para alguns espertalhões, os que sabem da poda. Não os míopes dos Obamas deste país. A política, a geopolítica, os aliados, a NATO, mas o que é que isso? Come-se? Aliás, compra-se? A NATO, por exemplo, é um bando de caloteiros. Ora, como eu dizia, negócios – business – e os russos que tratem do Médio Oriente, que estão mais perto. A gente vende-lhes o armamento que quiserem. Eles gramam. E nós facturamos.

A China, mas quem pensam estes “olhos em bico” que são? Produzem a preços inaceitavelmente baixos e inundam o mercado mundial, e sobretudo a América, com bonés, T-shirts, jeans, alhos e lâmpadas ao preço da chuva. Chuva de Xangai, clima do caraças. Mas dão-nos cabo dos salários e da indústria, como eu disse na campanha. Eu quero pagar mais aos meus trabalhadores. Só que não posso! Pois que os chinocas vão vender para o raio que os parta. Por aqui, porta fechada. Ai dizem que vão vender armas aos nossos inimigos? Ah, ah, mas que inimigos? Que é isso? Quem usa ainda inimigos?  Quem não quer fazer dinheiro?

E a OMC, quem são esses gajos? Têm hotéis? Donald Junior, vê se pões esses gajos a trabalhar para nós. Perdão, a facturar. Olha, a ONU também. Bando de inúteis. No Sudão estão a matar-se? Mas o que é que o Sudão tem para vender, além de areia? Estás-me a dizer que tem petróleo, mas só numa parte? OK, Ivanka, compra-lhes lá uns barris e constrói um hotel com vista para os campos de refugiados. Ou para os campos de guerra. Uns tantos da outra parte podem vir trabalhar nas cozinhas. Quanto à natureza dos hóspedes, no problem. Há ou não há quem goste de ver “walking deads“, afinal? Ali serão reais! Reais, estão a ver? Olha, na Turquia também pode ser interessante.

E é isto. É isto e pode ser mais. As chaminés a fumar na Pensilvânia e no Michigan que será uma alegria. America great again.

A 20 de janeiro, ponhamos os cintos de segurança que este tipo vai divertir-se à grande aos comandos.

25 thoughts on “USA Inc.”

  1. acho bem , até agora têm sido as sumidades políticas a tratar dos assuntos. o resultado está à vista. está na hora de mudar de modelo de gestão , deixa lá experimentar este , mais na ruína não ficamos.

  2. yo: Um país não é uma empresa e o mundo muito menos. Dizes que “mais na ruína não ficamos”, mas o problema é que não sabes. Há fortes probabilidades de ficarmos pior, ou seja, todos mortos.

  3. Trump pode ter muitos defeitos mas pelo menos vai acabar com a NATO e aceitar a Rússia (e Putin) como um parceiro internacional igual a todos os outros. É o fim do imperialismo e unilateralismo americano e já não é sem tempo!
    Quanto à China, Portugal devia aprender com Trump: não ao comércio livre com países que praticam dumping social! É necessário proteccionismo contra a China (e a Índia, entre outros) para proteger os nossos empregos.
    Finalmente, a OMC só serve para apoiar tratados do tipo TTIP que são a base do neo-liberalismo financeiro internacional. Mais uma vez, Trump está do lado certo.

  4. Tudo indica que Hillary Clinton se prepara para gerir o seu país como quem gere uma Fundação Clinton. Na realidade, como quem gere todas as Fundações. Aliás, como quem gere todas as Fundações que estejam com ela. E ai das outras.

    Assim, com a Arábia Saudita e o Qatar e o ISIS, podem fazer-se grandes e bons negócios. Logo, a monarquia genocida é uma amiga. Já era, aliás! Pelo menos para alguns espertalhões, os que sabem da poda. Não os míopes dos Trumps e demais deplorables deste país. A política, a geopolítica, os aliados, a Carta dos Direitos Humanos, mas o que é que isso? Come-se? Aliás, compra-se? A Constituição Americana, por exemplo, a 2.ª emenda, é um bando de caloteiros. Ora, como eu dizia, negócios – business – e a Arábia Saudita que trate do Médio Oriente, que está mais perto. A gente vende-lhes o armamento que quiserem e aceita todos e quaisquer refiguados. Eles gramam. E nós faturamos.

    A Rússia, mas quem pensam estes “bebedos de vodka” que são? Querem fazer comércio a preços normais e criar regras de mercado uniformes e que não levem milhões à miséria. Mas dão-nos cabo dos salários e dos jeff bezos e zuckerbergs e washington post e cnn, como eu disse na campanha e continuo a dizer sem me calar. Eu quero pagar mais aos meus deplorables. Só que não posso! Pois que os russos vão tentar execer a sua influência política e económica para o raio que os parta. Por aqui, porta fechada. Ai dizem que vão arrasar com o isis? Ah, ah, mas que isis? Que é isso? Quem é que considera o isis uma non existential threat? Quem não quer fazer dinheiro com o isis?

    E a indústria americana, quem são esses gajos? Têm bichas e paneleiros? Podesta, vê se pões esses gajos a no desemprego para nós. Perdão, de preferência fora do país, bando de bigots. Olha, a Constituição também. Bando de inúteis. No Yemen estão a matar-se? Há cristãos na síria a pedir asilo? Mas o que é que isso interessa? OK, Ivanka, aceita lá uns quantos, mete-os nos piores campos de refugiados e que se foda. Ou para os campos de guerra. Uns tantos da outra parte podem vir trabalhar nas cozinhas. Quanto à natureza dos hóspedes, no problem. Há ou não há quem goste de ver “walking deads“, afinal? Ali serão reais! Reais, estão a ver? Olha, na Rússia também pode ser interessante.

    E é isto. É isto e pode ser mais. A juventude enchaminar grandes canhões de ganza liberalizada será uma alegria. Viva o globalismo.

    A 20 de janeiro, ponhamos os cintos de segurança que este tipo vai divertir-se à grande aos comandos.

  5. Pode acontecer que a nomenclatura de Washington, Democratas e Republicanos, partidários do democracia só quando o resultado nos agrada, arranjem uma maneira de impedir a tomada de posse do Presidente escolhido pelos eleitores americanos, ou de o destituir rapidamente. De qualquer maneira, Trump ganha sempre. Cumpre, para os EUA e para o mundo, a função que José Sócrates cumpriu em Portugal e Dilma e Lula da Silva estão a cumprir no Brasil: a de destapar e iluminar com uma lanterna, para que todos vejam, a cara de todos os inimigos da democracia, dos que instrumentalizam as instituições judiciais e maningâncias mediáticas para obter dividendos políticos particulares e, neste caso, de todos os saudosos da Guerra Fria, a quem as centenas de milhar de cadáveres , da Krajina a Sirte, de Mosul a Homs ou a Sanaa, ainda não encheram a barriga.

  6. parece que andam a moderar os postos no spinnirina.
    o dr. valerico não aguenta mais tanta liberdade e queimou-se-lhe finalmente o fusível.
    lindo! ahahahah

  7. Mas que paleio mais parvo, Penélope. Queres que vá ali à farmácia da esquina comprar-te pastilhas Rennie? A propósito: quantas vezes já beijaste hoje o busto de Joseph McCarthy que tens na mesinha-de-cabeceira? Limpaste-lhe bem o pó, antes da osculação?

  8. Optimista incorrigível que sou, Penélope, tinha alguma esperança de que tivesses apenas sido atacada por uma qualquer “disfunção parvalhóide temporária”, mas a desgraçada realidade parece impor a substituição do “temporária” por “crónica”, ou mesmo, e ainda mais desgraçadamente, por “terminal”. Isto se eu, parvo que sou, fizer um esforço para acreditar na tua ingénua parvidade. Receio, porém, que a coisa seja mais grave e se trate, antes, de “desonestidade intelectual terminal”, resultante da raivinha cega de quem contou durante demasiado tempo com o ovo no cu da galinha, ou seja, com o regresso triunfal da harpia Killary Klingon à Sala Oval. Favas contadas!, pensavam eles de que, mas num deu memo, né?

    Estás farta de saber que o conceito de mccarthysmo é usado para caracterizar uma perseguição cega recheada de falsas acusações de subversão, traição e conspiração de que não são apresentadas quaisquer provas, com o objectivo de enfraquecer, limitar ou calar qualquer acção, expressão ou simples pensamento que não se enquadre naquilo que algumas luminárias decretam com arrogância dever ser a norma, o permitido, o consentido. Basta-te uma rápida consulta à bendita Wikipédia para confirmares que o espírito de cruzada do merdoso herói McCarthy ganhou há muito uma conotação muito mais ampla do que o simples e primário anticomunismo, mantendo apenas o indispensável carácter primário.

    E estás também farta de saber que as acusações de conluio, compadrio ou mancebia com os russos que, antes e depois da eleição, tomaram como alvo Trump ou qualquer bicho-careto que dele se aproxime a menos de três metros cavalga desavergonhadamente o mccarthysmo que enforma ainda, quase geneticamente, o espírito de milhões de americanos órfãos da Guerra Fria. “Às armas, que vêm aí os russos!” não passa de fotocópia avacalhada e oportunista de “Às armas, que vêm aí os comunistas foder-nos o abençoado american way of life!” Não foi certamente por acaso que a harpia chanfrada dos cornos Killary Klingon bolçou há tempos oportunística e destemperadamente, com finíssimo sentido de Estado, esta não menos finíssima pérola: “Putin is a KGB (sic) agent. By definition he doesn’t have a soul!” That’s the spirit, my dear Penélope!

    ( ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=8wJXJWL8XgY )

    Transcrevendo do meu velhinho “Longman Dictionary of the English Language”:

    “McCarthyism – fanatical opposition to elements held to be subversive (e.g. members of Communist parties), typically accompanied by the use of tactics involving personal attacks on individuals by means of widely publicized indiscriminate allegations, especially on the basis of unsubstantiated charges.”

    (“e.g.”, como certamente sabes, significa “por exemplo”, mas todos sabemos que um exemplo não enche o vasilhame)

    Podes, se preferires, optar por uma Rennie wikipédica, para te ajudar a digestão:

    “McCarthyism is the practice of making accusations of subversion or treason without proper regard for evidence.[1] It also means “the practice of making unfair allegations or using unfair investigative techniques, especially in order to restrict dissent or political criticism.”[2] The term has its origins in the period in the United States known as the Second Red Scare, lasting roughly from 1950 to 1956 and characterized by heightened political repression against supposed communists, as well as a campaign spreading fear of their influence on American institutions and of espionage by Soviet agents. Originally coined to criticize the anti-communist pursuits of Republican U.S. Senator Joseph McCarthy of Wisconsin, “McCarthyism” soon took on a broader meaning, describing the excesses of similar efforts. The term is also now used more generally to describe reckless, unsubstantiated accusations, as well as demagogic attacks on the character or patriotism of political adversaries.”

    ( tirado daqui: https://en.wikipedia.org/wiki/McCarthyism )

  9. quer dizer até parece que nos EUA pré Trump a coisa era muito diferente, Penélope, dessa que desenhaste aí em cima com lápis de riso. mas intriga-me – ou antes, agrada-me – o facto de, de repente, escreveres com a antiga ortografia. viva a Penélope! :-)

  10. A menina Olinda já esteve alguma vez nos EUA ou só conhece dos filmes americanos e dos comentários do enepa?

  11. Joaquim Camacho: Deliras. Tudo o que citas se pode aplicar a Putin, que referi no post, evidentemente, não por ser ou deixar de ser comunista. Isso é irrelevante para a minha caracterização do palhaço rico. Mas a Trump também se poderá aplicar, como em breve verás. Podes aproveitar para ler o que o Joe Strummer oportunamente aqui deixou.

  12. O Strummer deixou materiais publicados, agora, referentes a pessoas que morreram há mais de 30 anos. O desespero fará com que comecem a aparecer casos do tempo antes de Trump ter nascido.

  13. Olinda: Onde trabalhava era obrigada a escrever segundo o acordo, pelo que autorizei o piloto automático a fazê-lo por mim. Agora vejo que o caos impera por cá, e por alguma razão deve ser que não apenas a liberdade prevista pelas regras. De modos que aderi a esse caos, pois é certo que passei muitas mais anos da minha vida a escrever diferentemente das novas grafias. Talvez uma salsada assim conduza a uma revisão (de que já se fala) dos grandes disparates do acordo (que quase nenhum país CPLP respeita), ou mesmo da sua base, como a suposta harmonização que afinal desarmoniza – caso de vocábulos como “recepção” e outros que tais, cuja grafia era igual no português do Brasil e no português de Portugal e agora difere (e pouco importa como se pronuncia, porque isso levar-nos-ia longe de mais). Mas, se não me engano, mesmo na época do piloto automático eu mantinha, por exemplo, o c de “espectadores”, cuja supressão me provoca pele de galinha. Aliás, eu pronuncio-o.

  14. Só por desconhecimento do que foi o Mccarthismo e o que representou e representa na sociedade americana pode confundir uma critica a Trump com argumentos “Mccarthistas”. Alem do mais e uma inversão porque quem representa os valores xenófobos de Mccarthy e de uma certa America e precisamente Trump.

    A vergonha não prescreve.

  15. “Tudo o que citas se pode aplicar a Putin.”

    What??? Quando dizes asneira, Penélope, sou capaz de te criticar, mas quando escreves em aramaico deixas-me desarmado, não dá mesmo para entender patavina. Quanto ao artigo do Guardian que a outra luminária aqui deixou e cuja leitura me aconselhaste, pois segui o conselho e fiquei atónito. Parece que, afinal, o Trump elogiou um seu antigo advogado que era um notório panelêro (em ortografia alentejana, tanto antiga como moderna). Isso prova o quê? Que panelêro é ele também? Que, contrariamente ao que a propagando tem feito crer, é um firme e fervoroso apoiante da causa LGBT? A prosa que a luminária aqui deixa às 16.55, então, significa que os extraterrestres estão mesmo entre nós e eu precisaria de uma pós-graduação em ortografia galáctica, ou mesmo intergaláctica, para explicar ao ET a história, as línguas e as linhas com que se cosem os terráqueos. Sorry, mim num estar praí virado.

  16. Grande Lucas, folgo em verificar que cada vez mais gente bebe na RT e nos excelentes programas e jornalistas que lá trabalham. O que lixa as presstitutes que diariamente tentam encher-nos os olhos de areia, bem como os seus donos, é que a maior parte desses jornalistas nem russa é, a maioria é americana, canadiana, australiana ou inglesa. Esta Anissa Naouai, por exemplo, é americana. Claro que é tudo gente que mija fora do penico, motivo bastante para os grandes jornais e televisões, todos nas mãos de mafiosos de várias estirpes, não lhes darem trabalho. Desgraçadamente para eles, o que conseguiram foi empurrá-los todos para a RT, que lhes ofereceu de bandeja uma tribuna onde podem livremente mostrar a merda em que os mafiosos nos tentam afogar todos os dias.

  17. um grande beijinho, Penélope.:-)

    gajo curioso em saber coisas: nunca estive lá e nem sequer sonho com isso. sonho é com aspirinas, carago.:-)

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