O João Galamba maça-o? Vá queixar-se para o Observador

E aproveite para pedir à TVI que corte o pio ao deputado do PS. A avaliar pela recente postura do director de informação do canal, Sérgio Figueiredo, é bem possível que lhe dêem ouvidos.

O João Galamba a debater o orçamento na televisão e a desmontar as falácias da direita parece que “maça” o Vasco Pulido Valente, agora contratado pelo Observador para expelir pesporrência e fel aos domingos, num jornal onde estes ingredientes já se encontravam concentrados em doses maciças, indigestas e, quer-me parecer, contraproducentes, nas pessoas dos seus azedos colunistas. Só mesmo a menção de João Galamba me levou a abrir a crónica, que, vamos lá a isto, encerra assim o assunto:

“Quinta-feira na TVI, Pedro Pinto [o jornalista] foi uma desgraça. Por que raio protegeu ele o abominável Galamba? São ordens da estação? Representa esse demagogo de feira o PS oficial ou directamente o governo? Seria bom que isto se esclarecesse ou que se impedisse o indivíduo de uma vez para sempre de maçar as pessoas.”

(in Observador)

Um duelo, já. Calma, não com ele, evidentemente. Mas esperem, duelos já era. Ministério Público já, para esclarecer tão dilacerante dúvida. A Joana, onde pára a Joana?

O Vasco gostaria de beber o uísque descansado enquanto escuta o ramerrame dos avençados da direita, a toda a hora a debitarem aldrabices frente às câmaras. Isso é que era vida! Em vez disso, leva com um homem de esquerda, jovem e a falar bem,  e fica fulo. Vai daí, do alto da sua exímia educação e com grande espírito democrático, chama-lhe “abominável” e pede que o despeçam.

Pois é. “Não existe intervalo algum entre as pessoas estarem fartas de Vasco Pulido Valente e perceberem que estão fartas dele” (cito com uma enorme liberdade o próprio). É imediato. VPV foi contratado para dizer mal, que é a sua especialização. Mas não da direita. Essa é a dona do jornal. O João Galamba está, claro, mais uma vez, de parabéns.

 

31 thoughts on “O João Galamba maça-o? Vá queixar-se para o Observador”

  1. no tempo do sócras dava manif à porta do parlamento, a bruxa chamava-lhe asfixia democrática e o afilhado rangel grunhia umas cenas no parlamento. agora não passa nada, nem um procuradorzeco investiga quem lhe paga a vinhaça para o gajo insultar a oposição. lá vamos, cagando & rindo.

  2. Oh, meus caros! Sejam pacientes!
    Pois o que é que esperavam de semelhante criatura? E desse tal jornalzeco? A questão é que as pessoas de bem nem deviam andar por tais caminhos: nem do jornal nem do cronista. Pura e simplesmente são gente radical, de extrema- direita, e estão cheios de raiva. Eles bem vão ladrando. Mas a “geringonça” segue o seu caminho e vai bem, até muito bem. Eles que ladrem à vontade.

  3. tenho que confessar que a mim também me maça. parece uma bicha histérica. a vozinha de queque irrita-me até mais não. por isso mudo de canal asim que vislumbro o betinho histéricozinho .

  4. O ermita quando não percebe de um assunto e na falta de argumentos desata nos ataques pessoais e a margem do tema . Pibs , (disse pibs e não pubs) , deficits estruturais , economia são coisas que não assistem ao baptizado Correia Guedes ( embora corra o risco de ele amanhã vir a escrever que até leu o capital de Marx ( em alemão , claro) .

    Depois trata a deputada do bloco de esquerda com má educação já caracteristica de um idoso ressabiado e com problemas na prostata.

  5. VPV, é quase sempre bom Penélope.

    Nota, um. Penélope, se necessário for reafirmo que eu te leio. Prova, detalhada: os ou as Aspirinas não era/m assim como quem o director de informação aqui do Aspirina B?

    23 OUTUBRO 2016 ÀS 13:11 POR ASPIRINAS (?!), PENÉLOPE 6 COMENTÁRIOS

    Nota, dois. Stalin, ermita deve ser eremita; o tal [h]ermitage leva h mas é verdade que fica lá para os teus lados.

    Hermitage
    https://www.hermitagemuseum.org/

  6. Mas não aceitam a denominação “geringonça”?
    pela qual respondem e com a qual fundam blogues?
    Não se queixem, deram-lhe esse poder, como antes ao aceitar o epitepo ” picareta falante” no trato com o ex-PM. Isto diz muito do dominio do símbolico pela direita e da aceitação desse dominio pela esquerda que na realidade demonstra a falta de aptidão para o poder, o real, o da inscriçao. Subjuga-se sempre ate se encontrar na confortavel posiçao de desvantagem reactiva.E até no teatralizado nas tv’s e nas redes sociais, onde precisa de se equalizar com a direita para existir. É a tal mediana.

  7. Penélope, isto é literariamente excelente (para lá de outras considerações que tenhamos, e que devem ficar no ocaso ou responder-se à altura).

    Segunda-feira.
    Quando a dra. Mariana Mortágua, no fim de uma vulgaríssima conferência sobre o neo-liberalismo, incitou as massas (150 pessoas?) a demolir a capitalismo, uma certa direita perdeu a cabeça. Apareceu gente a falar em revolução, em comunismo e até em marxismo. Parecia que a simpática jovem, como diria o meu avô, tinha deitado labaredas pela boca; e não tardou de facto que ela propusesse o “imposto Mortágua”, como quem assalta o Palácio de Inverno. Admitindo que a menina não tinha uma tão maléfica intenção e sabe, embora enevoadamente, do que está a falar, convém fazer notar à direita indígena, para sua tranquilidade e saúde, que anda a sonhar com fantasmas. A dra. Mariana Mortágua não ameaçou a ordem estabelecida com a luta de classes, com a classe operária ou sequer com os terríveis trabalhadores do Bloco. Já educada nas frustrações do tempo, ficou por uma referência melancólica à inexplicável existência de pobres e de ricos, como um romântico versejador de 1830, à maneira de Enjolras e outros galãs de Vítor Hugo. Mas se “Les Miz” é um óptimo musical não consigo sinceramente ver o dr. António Costa a guiar o povo às barricadas. Além disso, hoje as ruas são alcatroadas.

  8. Eric

    Ermita ou eremita são ambos correctos e usados basta consultar qualquer dicionário.

    Já agora uma visita ao Hermitage( a place where a religious person lives on their own, away from the rest of society) não lhe fazia mal . A ignorancia , já a minha avó me dizia, é muito atrevida .

  9. Eric

    Quando o ermita e idoso Vasco Valente Correia Guedes ( o único português inteligente ) trata a deputada do bloco de esquerda por menina e simpática está de facto incomodado com o que a deputada disse ou com a sua já proveta idade e com as consequentes incapacidades que daí advêm ? Este sujeito não é mais que um Bamatabois que se tornou execravel porque foi rejeitado por uma prostituta .

  10. Stalin, repete cem vezes er[e]mita com e e prove[c]ta com c e sentir-te-ás uma pessoa melhor.

    Pois, eu achei essa referência mais uma homenagem bonita ao seu avô de quem ele herdou o pseudónimo. Coisas, lá está.

  11. «A ignorancia , já a minha avó me dizia, é muito atrevida.», juro que vi agora mas o teu dicionário está marado. Ignorância grafa-se com acento circunflexo, passam a trezentas vezes com zz.

  12. Eric

    Ermita – Insistir no erro não é bom .” e se não receio o erro é porque estou sempre pronto a corrigi-lo” Bento de Jesus Caraça .
    Siga o exemplo dos homens bons e ficará aliviado.

    Herdou o pseudónimo ? Quer ter a bondade de me explicar como é que se herda um nome fictício de um avô ?
    Acento circunflexo – apenas uma consequência do teclado anglófono e automático do iPad . Ainda bem que reparou . Já agora dispenso o tratamento na segunda pessoa do singular. Não tenho memória de termos comido no mesmo prato de sopa . Tenho no entanto a ligeira esperança que apesar do cicunflexo tenha aprendido . Ficaria perplexo se isso não acontecesse e a solução seria colocá -lo com orelhas de burro virado para a parede.

  13. Stalin, um minuto para tu.

    «Quer ter a bondade de me explicar como é que se herda um nome fictício de um avô »?, esta pergunta é a sério?! Um nome fictício. ..? Fake ou fuck, …? Ipad? E nessa prosa grafa-se Bento de Jesus Caraça, ou para tu é CARAÇAS?

    Em conclusão, que direi seguramente melhor: que não tenho memória de termos comido no mesmo prato de sopa [hum, fala-se de m., da sopa dos pobres ou isto é literatura?! mas se não é uma m. nem é literatura fica onde geograficamente, ali a meio da Almirante Reis?], VÍRGULA, nem de termos andado na mesma escolinha isso é certo.

    Fui.

  14. Para tu mais 30 segundos, desenterra-te que eu sou um gajo fixe e percebo que as noites estão frias.

    O seu avô materno era jacobino e partidário de Afonso Costa. Privou com ele?
    Muito. Eu tinha 23 anos quando morreu.

    Foi a esse avô que foi buscar o nome Pulido Valente?
    O meu nome civil tem uma cacofonia e duas sibilantes: Vasco Correia Guedes. É feio!

    Quando adoptou Pulido Valente?
    Aos 16, 17 anos, quando comecei a escrever. Fazia todo o esforço para ter uma prosa fluente e foneticamente boa, portanto ia logo contra o nome. Comecei a escrever artigos para os jornais da universidade e aquilo irritava-me.

    Fui, mesmo.

  15. “Por que escolheu morar neste bairro?

    Era barato e a construção é boa. Eu e o porteiro, um homem extraordinário de grande coragem e de grande carácter, fomos as primeiras pessoas a habitar este prédio. Já cá estamos há 25 anos.”

    ò marmitagem, esqueceste a 1ª. pergunta da entrevista, a relação com o porteiro explica muita coisa.

  16. Jovem Eric , …?! Nem de proveta nem de prove[c]ta idade, no meio.

    Nota. Stalin, passaste a noite mais confortável? Que tal, cool?
    (não precisas de)

  17. Canina Eric ,

    Então não foste mesmo?
    Bem me parecia .
    Quando tu vais já eu venho.

    Good night, sleep tight, don’t let the bedbugs bite”.

  18. Assinado: Stalin, vulgo o Canino (mas de Veludo que sempre é homenagem a Luiz de Guimarães e aos ex-camaradas checoslovacos… pura literatura, ambos os dois).

    Nota. Para além de tentar fazer de tu um homem melhor, nesta espécie de missão civilizadora, vais aprendendo umas cenas e ainda evito resfriados que podem ser fatais. Dá graças que não uso recibos verdes, o que é a tua sorte.

    HISTÓRIA D’UM CÃO

    Eu tive um cão. Chamava-se Veludo:
    Magro, asqueroso, revoltante, imundo,
    Para dizer numa palavra tudo
    Foi o mais feio cão que houve no mundo

    Recebi-o das mãos dum camarada.
    Na hora da partida, o cão gemendo
    Não me queria acompanhar por nada:
    Enfim – mau grado seu – o vim trazendo.

    O meu amigo cabisbaixo, mudo,
    Olhava-o … o sol nas ondas se abismava….
    «Adeus!» – me disse,- e ao afagar Veludo
    Nos olhos seus o pranto borbulhava.

    «Trata-o bem. Verás como rasteiro
    Te indicarás os mais sutís perigos;
    Adeus! E que este amigo verdadeiro
    Te console no mundo ermo de amigos.»

    Veludo a custo habituou-se à vida
    Que o destino de novo lhe escolhera;
    Sua rugosa pálpebra sentida
    Chorava o antigo dono que perdera.

    Nas longas noites de luar brilhante,
    Febril, convulso, trêmulo, agitado
    A sua cauda – caminhava errante
    A luz da lua – tristemente uivando

    Toussenel: Figuier e a lista imensa
    Dos modernos zoológicos doutores
    Dizem que o cão é um animal que pensa:
    Talvez tenham razão estes senhores.

    Lembro-me ainda. Trouxe-me o correio,
    Cinco meses depois, do meu amigo
    Um envelope fartamente cheio:
    Era uma carta. Carta! era um artigo

    Contendo a narração miuda e exata
    Da travessia. Dava-me importantes
    Notícias do Brasil e de La Plata,
    Palava em rios, árvores gigantes:

    Gabava o steamer que o levou; dizia
    Que ia tentar inúmeras empresas:
    Contava-me também que a bordo havia
    Mulheres joviais – todas francesas.

    Assombrava-me muito da ligeira
    Moralidade que encontrou a bordo:
    Citava o caso d’uma passageira…
    Mil coisas mais de que me não recordo.

    Finalmente, por baixo disso tudo
    Em nota breve do melhor cursivo
    Recomendava o pobre do Veludo
    Pedindo a Deus que o conservasse vivo.

    Enquanto eu lia, o cão tranquilo e atento
    Me contemplava, e – creia que é verdade,
    Vi, comovido, vi nesse momento
    Seus olhos gotejarem de saudade.

    Depois lambeu-me as mãos humildemente,
    Estendeu-se a meus pés silencioso
    Movendo a cauda, – e adormeceu contente
    Farto d’um puro e satisfeito gozo.

    Passou-se o tempo. Finalmente um dia
    Vi-me livre d’aquele companheiro;
    Para nada Veludo me servia,
    Dei-o à mulher d’um velho carvoeiro.

    E respirei! «Graças a Deus! Já posso»
    Dizia eu «viver neste bom mundo
    em ter que dar diariamente um osso
    um bicho vil, a um feio cão imundo».

    Gosto dos animais, porém prefiro
    essa raça baixa e aduladora
    Um alazão inglês, de sela ou tiro,
    Ou uma gata branca sismadora.

    Mal respirei, porém! Quando dormia
    E a negra noite amortalhava tudo
    Sentí que à minha porta alguem batia:
    Fui ver quem era. Abrí. Era Veludo.

    Saltou-me às mãos, lambeu-me os pés ganindo,
    Farejou toda a casa satisfeito;
    E – de cansado – foi rolar dormindo
    Como uma pedra, junto do meu leito.

    Preguejei furioso. Era execrável
    Suportar esse hóspede importuno
    Que me seguia como o miserável
    Ladrão, ou como um pérfido gatuno.

    E resolvi-me enfim. Certo, é custoso
    Dizê-lo em alta voz e confessá-lo
    Para livrar-me desse cão leproso
    Havia um meio só: era matá-lo

    Zunia a asa fúnebre dos ventos;
    Ao longe o mar na solidão gemendo
    Arrebentava em uivos e lamentos…
    De instante em instante ia o tufão crescendo.

    Chamei Veludo; ele seguia-me. Entanto
    A fremente borrasca me arrancava
    Dos frios ombros o revolto manto
    E a chuva meus cabelos fustigava.

    Despertei um barqueiro. Contra o vento,
    Contra as ondas coléricas vogamos;
    Dava-me força o torvo pensamento:
    Peguei num remo – e com furor remamos

    Veludo à proa olhava-me choroso
    Como o cordeiro no final momento,
    Embora! Era fatal! Era forçoso
    Livrar-me enfim desse animal nojento.

    No largo mar ergui-o nos meus braços
    E arremessei-o às ondas de repente…
    Ele moveu gemendo os membros lassos
    Lutando contra a morte. Era pungente.

    Voltei à terra – entrei em casa. O vento
    Zunia sempre na amplidão profundo.
    E pareceu-me ouvir o atroz lamento
    De Veludo nas ondas morimbundo.

    Mas ao despir dos ombros meus o manto
    Notei – oh grande dor! – haver perdido
    Uma relíquia que eu prezava tanto!
    Era um cordão de prata: – eu tinha-o unido

    Contra o meu coração constantemente
    E o conservava no maior recato
    Pois minha mãe me dera essa corrente
    E, suspenso à corrente, o seu retrato.

    Certo caira lém no mar profundo,
    No eterno abismo que devora tudo;
    E foi o cão, foi esse cão imundo
    A causa do meu mal! Ah, se Veludo

    Duas vidas tivera – duas vidas
    Eu arrancara àquela besta morta
    E àquelas vís entranhas corrompidas.
    Nisto sentí uivar à minha porta.

    Corrí, – abrí… Era Veludo! Arfava:
    Estendeu-se a meus pés, – e docemente
    Deixou cair da boca que espumava
    A medalha suspensa da corrente.

    Fôra crível, oh Deus? – Ajoelhado
    Junto do cão – estupefato, absorto,
    Palpei-lhe o corpo: estava enregelado;
    Sacudi-o, chamei-o! Estava morto.

    Luiz Caetano Pereira Guimarães Junior, ou Luiz Guimarães (1845-1898)

  19. eu detesto o galamba. as suas actitudes demonstram bem o desespero dele para ganhar protagonismo e subir no partido. que nojo de pessoa!
    quando aparece mudo de canal
    anónima, a verdadeira

  20. As armas e os Barões assinalados
    Que da Ocidental praia Lusitana
    Por mares nunca de antes navegados
    Passaram ainda além da Taprobana,
    Em perigos e guerras esforçados
    Mais do que prometia a força humana,
    E entre gente remota edificaram
    Novo Reino, que tanto sublimaram;
    E também as memórias gloriosas
    Daqueles Reis
    que foram dilatando
    A Fé, o Império, e as terras viciosas
    De África e de Ásia andaram devastando,
    E aqueles que por obras valerosas
    Se vão da lei da Morte libertando,
    Cantando espalharei por toda parte,
    Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
    Cessem
    do sábio Grego e do Troiano
    As navegações grandes que fizeram;
    Cale

    se de Alexandro e de Trajano
    A fama das vitórias que tiveram;
    Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
    A quem Neptuno e Marte obedeceram.
    Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
    Que out
    ro valor mais alto se alevanta.
    E vós, Tágides minhas, pois criado
    Tendes em mi um novo engenho ardente,
    Se sempre em verso humilde celebrado
    Foi de mi vosso rio alegremente,
    Dai

    me agora um som alto e sublimado,
    Um estilo grandíloco e corrente,
    Por que de vossas águas Febo ordene
    Que não tenham enveja às de Hipocrene.
    Dai

    me üa fúria grande e sonorosa,
    E não de agreste avena ou frauta ruda,
    Mas de tuba canora e belicosa,
    Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
    Dai

    me igual canto aos feito
    s da famosa
    Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
    Que se espalhe e se cante no universo,
    Se tão sublime preço cabe em verso.
    E, vós, ó bem nascida segurança
    Da Lusitana antiga liberdade,
    E não menos certíssima esperança
    De aumento da pequena Cristan
    dade;
    Vós, ó novo temor da Maura lança,
    Maravilha fatal da nossa idade,
    Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
    Pera do mundo a Deus dar parte grande;
    Vós, tenro e novo ramo florecente
    De üa árvore, de Cristo mais amada
    Que nenhü
    a nascida no Ocidente,
    Cesárea ou Cristianíssima chamada
    (Vede

    o no vosso escudo, que presente
    Vos amostra a vitória já passada,
    Na qual vos deu por armas e deixou
    As que Ele pera si na Cruz tomou);
    Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
    O Sol, logo
    em nascendo, vê primeiro,


    o também no meio do Hemisfério,
    E quando dece o deixa derradeiro;
    Vós, que esperamos jugo e vitupério
    Do torpe Ismaelita cavaleiro,
    Do Turco Oriental e do Gentio
    Que inda bebe o licor do santo Rio:
    Inclinei por um pouco
    a majestade
    Que nesse tenro gesto vos contemplo,
    Que já se mostra qual na inteira idade,
    Quando subindo ireis ao eterno templo;
    Os olhos da real benignidade
    Ponde no chão: vereis um novo exemplo
    De amor dos pátrios feitos valerosos,
    Em versos divulg
    ado numerosos.
    Vereis amor da pátria, não movido
    De prémio vil, mas alto e quási eterno;
    Que não é prémio vil ser conhecido
    Por um pregão do ninho meu paterno.
    Ouvi: vereis o nome engrandecido
    Daqueles de quem sois senhor superno,
    E julgareis qual é
    mais excelente,
    Se ser do mundo Rei, se de tal gente.
    Ouvi, que não vereis com vãs façanhas,
    Fantásticas, fingidas, mentirosas,
    Louvar os vossos, como nas estranhas
    Musas, de engrandecer

    se desejosas:
    As verdadeiras vossas são tamanhas
    Que excedem
    as sonhadas, fabulosas,
    Que excedem Rodamonte e o vão Rugeiro
    E Orlando, inda que fora verdadeiro.
    Por estes vos darei um Nuno fero,
    Que fez ao Rei e ao Reino tal serviço,
    Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero
    A cítara par’eles só cobiço;
    Pois polos Doz
    e Pares dar

    vos quero
    Os Doze de Inglaterra e o seu Magriço;
    Dou

    vos também aquele ilustre Gama,
    Que para si de Eneias toma a fama.
    Pois se a troco de (Carlos, Rei de França,
    Ou de César, quereis igual memória,
    Vede o primeiro Afonso, cuja lança
    Escura faz qualquer estranha glória;
    E aquele que a seu Reino a segurança
    Deixou, com a grande e próspera vitória;
    Outro Joane, invicto cavaleiro;
    O quarto e quinto Afonsos e o terceiro.
    Nem deixarão meus versos esquecidos
    Aqueles que nos Reinos lá da
    Aurora
    Se fizeram por armas tão subidos,
    Vossa bandeira sempre vencedora:
    Um Pacheco fortíssimo e os temidos
    Almeidas, por quem sempre o Tejo chora,
    Albuquerque terríbil, Castro forte,
    E outros em quem poder não teve a morte.
    E, enquanto eu estes canto

    e a vós não posso,
    Sublime Rei, que não me atrevo a tanto

    ,
    Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
    Dareis matéria a nunca ouvido canto.
    Comecem a sentir o peso grosso
    (Que polo mundo todo faça espanto)
    De exércitos e feitos singulares,
    De África as
    terras e do Oriente os mares.
    Em vós os olhos tem o Mouro frio,
    Em quem vê seu exício afigurado;
    Só com vos ver, o bárbaro Gentio
    Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
    Tétis todo o cerúleo senhorio
    Tem pera vós por dote aparelhado,
    Que, afeiç
    oada ao gesto belo e tento,
    Deseja de comprar

    vos pera genro.
    Em vós se vêm, da Olímpica morada,
    Dos dous avós as almas cá famosas;
    üa, na paz angélica dourada,
    Outra, pelas batalhas sanguinosas.
    Em vós esperam ver

    se renovada
    Sua memória e obras va
    lerosas;
    E lá vos têm lugar, no fim da idade,
    No templo da suprema Eternidade.
    Mas, enquanto este tempo passa lento
    De regerdes os povos, que o desejam,
    Dai vós favor ao novo atrevimento,
    Pera que estes meus versos vossos sejam,
    E vereis ir cortando
    o salso argento
    Os vossos Argonautas, por que vejam
    Que são vistos de vós no mar irado,
    E costumai

    vos já a ser invocado.
    Já no largo Oceano navegavam,
    As inquietas ondas apartando;
    Os ventos brandamente respiravam,
    Das naus as velas côncavas inchando
    ;
    Da branca escuma os mares se mostravam
    Cobertos, onde as proas vão cortando
    As marítimas águas consagradas,
    Que do gado de Próteu são cortadas,
    Quando os Deuses no Olimpo luminoso,
    Onde o governo está da humana gente,
    Se ajuntam em consí
    lio glorioso,
    Sobre as cousas futuras do Oriente.
    Pisando o cristalino Céu fermoso,
    Vêm pela Via Láctea juntamente,
    Convocados, da parte de Tonante,
    Pelo neto gentil do velho Atlante.
    Deixam dos sete Céus o regimento,
    Que do poder mais alto lhe foi
    dado,
    Alto poder, que só co pensamento
    Governa o Céu, a Terra e o Mar irado.
    Ali se acharam juntos num momento
    Os que habitam o Arcturo congelado
    E os que o Austro têm e as partes onde
    A Aurora nasce e o claro Sol se esconde.
    Estava o Padre ali, sub
    lime e dino,
    Que vibra os feros raios de Vulcano,
    Num assento de estrelas cristalino,
    Com gesto alto, severo e soberano;
    Do rosto respirava um ar divino,
    Que divino tornara um corpo humano:
    Com üa coroa e ceptro rutilante,
    De outra pedra mais clara
    que diamante.
    Em luzentes assentos, marchetados
    De ouro e de perlas, mais abaixo estavam
    Os outros Deuses, todos assentados
    Como a Razão e a Ordem concertavam
    (Precedem os antigos, mais honrados,
    Mais abaixo os menores se assentavam);
    Quando Jú
    piter alto, assi dizendo,
    Cum tom de voz começa grave e horrendo:

    «Eternos moradores do luzente,
    Estelífero Pólo e claro Assento:
    Se do grande valor da forte gente
    De Luso não perdeis o pensamento,
    Deveis de ter sabido claramente
    Como é dos Fado
    s grandes certo intento
    Que por ela se esqueçam os humanos
    De Assírios, Persas, Gregos e Romanos.
    «Já lhe foi (bem o vistes) concedido,
    Cum poder tão singelo e ao pequeno,
    Tomar ao Mouro forte e guarnecido
    Toda a terra que rega o Tejo ameno.
    Pois co
    ntra o Castelhano ao temido
    Sempre alcançou favor do Céu sereno:
    Assi que sempre, enfim, com fama e glória.
    Teve os troféus pendentes da vitória.
    «Deixo, Deuses, atrás a fama antiga,
    Que co a gente de Rómulo alcançaram,
    Quando com Viriato, na inimiga
    Guerra Romana, tanto se afamaram;
    Também deixo a memória que os obriga
    A grande nome, quando alevantaram
    Um por seu capitão, que, peregrino,
    Fingiu na cerva espírito divino.
    «Agora vedes bem que, cometendo
    O duvidoso m
    ar num lenho leve,
    Por vias nunca usadas, não temendo
    de Áfrico e Noto a força, a mais s’atreve:
    Que, havendo tanto já que as partes vendo
    Onde o dia é comprido e onde breve,
    Inclinam seu propósito e perfia
    A ver os berços onde nasce o dia.
    «Prome
    tido lhe está do Fado eterno,
    Cuja alta lei não pode ser quebrada,
    Que tenham longos tempos o governo
    Do mar que vê do Sol a roxa entrada.
    Nas águas têm passado o duro Inverno;
    A gente vem perdida e trabalhada;
    Já parece bem feito que lhe seja
    Mostr
    ada a nova terra que deseja.
    «E porque, como vistes, têm passados
    Na viagem tão ásperos perigos,
    Tantos climas e céus exprimentados,
    Tanto furor de ventos inimigos,
    Que sejam, determino, agasalhados
    Nesta costa Africana como amigos;
    E, tendo guarnecida a lassa frota,
    Tornarão a seguir sua longa rota.
    Estas palavras Júpiter dizia,
    Quando os Deuses, por ordem respondendo,
    Na sentença um do outro diferia,
    Razões diversas dando e recebendo.
    O padre Baco ali não consentia
    No que Júpi
    ter disse, conhecendo
    Que esquecerão seus feitos no Oriente
    Se lá passar a Lusitana gente.
    Ouvido tinha aos Fados que viria
    üa gente fortíssima de Espanha
    Pelo mar alto, a qual sujeitaria
    Da Índia tudo quanto Dóris banha,
    E com novas vitórias vencer
    ia
    A fama antiga, ou sua ou fosse estranha.
    Altamente lhe dói perder a glória
    De que Nisa celebra inda a memória.
    Vê que já teve o Indo sojugado
    E nunca lhe tirou Fortuna ou caso
    Por vencedor da Índia ser cantado
    De quantos bebem a á
    gua de Parnaso.
    Teme agora que seja sepultado
    Seu tão célebre nome em negro vaso
    D’água do esquecimento, se lá chegam
    Os fortes Portugueses que navegam.
    Sustentava contra ele Vénus bela,
    Afeiçoada à gente Lusitana
    Por quantas qualidades via nela
    Da an
    tiga, tão amada, sua Romana;
    Nos fortes corações, na grande estrela
    Que mostraram na terra Tingitana,
    E na língua, na qual quando imagina,
    Com pouca corrupção crê que é a Latina
    Estas causas moviam Citereia
    E mais, porque das Parcas claro entende
    Que há

    de ser celebrada a clara Deia
    Onde a gente belígera se estende.
    Assi que, um, pela infâmia que arreceia,
    E o outro, pelas honras que pretende,
    Debatem, e na perfia permanecem;
    A qualquer seus amigos favorecem.
    Qual Austro fero ou Bóreas na espessura
    De silvestre arvoredo abastecida,
    Rompendo os ramos vão da mata escura
    Com ímpeto e braveza desmedida,
    Brama toda montanha, o som murmura,
    Rompem

    se as folhas, ferve a serra erguida:
    Tal andava o tumulto, levantado
    Entre os Deuses, no Olimpo consagrado.
    Mas Marte, que da Deusa sustentava
    Entre todos as partes em porfia,
    Ou porque o amor antigo o obrigava,
    Ou porque a gente forte o merecia,
    De antre os Deuses em pé se levantava:
    Merencório no gesto parecia;
    O forte
    escudo, ao colo pendurado,
    Deitando pera trás, medonho e irado;
    A viseira do elmo de diamante
    Alevantando um pouco, mui seguro,
    Por dar seu parecer se pôs diante
    De Júpiter, armado, forte e duro;
    E dando üa pancada penetrante
    Co conto do bastão no s
    ólio puro,
    O Céu tremeu, e Apolo, de torvado,
    Um pouco a luz perdeu, como enfAs armas e os Barões assinalados
    Que da Ocidental praia Lusitana
    Por mares nunca de antes navegados
    Passaram ainda além da Taprobana,
    Em perigos e guerras esforçados
    Mais do que prometia a força humana,
    E entre gente remota edificaram
    Novo Reino, que tanto sublimaram;
    E também as memórias gloriosas
    Daqueles Reis
    que foram dilatando
    A Fé, o Império, e as terras viciosas
    De África e de Ásia andaram devastando,
    E aqueles que por obras valerosas
    Se vão da lei da Morte libertando,
    Cantando espalharei por toda parte,
    Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
    Cessem
    do sábio Grego e do Troiano
    As navegações grandes que fizeram;
    Cale

    se de Alexandro e de Trajano
    A fama das vitórias que tiveram;
    Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
    A quem Neptuno e Marte obedeceram.
    Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
    Que out
    ro valor mais alto se alevanta.
    E vós, Tágides minhas, pois criado
    Tendes em mi um novo engenho ardente,
    Se sempre em verso humilde celebrado
    Foi de mi vosso rio alegremente,
    Dai

    me agora um som alto e sublimado,
    Um estilo grandíloco e corrente,
    Por que de vossas águas Febo ordene
    Que não tenham enveja às de Hipocrene.
    Dai

    me üa fúria grande e sonorosa,
    E não de agreste avena ou frauta ruda,
    Mas de tuba canora e belicosa,
    Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
    Dai

    me igual canto aos feito
    s da famosa
    Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
    Que se espalhe e se cante no universo,
    Se tão sublime preço cabe em verso.
    E, vós, ó bem nascida segurança
    Da Lusitana antiga liberdade,
    E não menos certíssima esperança
    De aumento da pequena Cristan
    dade;
    Vós, ó novo temor da Maura lança,
    Maravilha fatal da nossa idade,
    Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
    Pera do mundo a Deus dar parte grande;
    Vós, tenro e novo ramo florecente
    De üa árvore, de Cristo mais amada
    Que nenhü
    a nascida no Ocidente,
    Cesárea ou Cristianíssima chamada
    (Vede

    o no vosso escudo, que presente
    Vos amostra a vitória já passada,
    Na qual vos deu por armas e deixou
    As que Ele pera si na Cruz tomou);
    Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
    O Sol, logo
    em nascendo, vê primeiro,


    o também no meio do Hemisfério,
    E quando dece o deixa derradeiro;
    Vós, que esperamos jugo e vitupério
    Do torpe Ismaelita cavaleiro,
    Do Turco Oriental e do Gentio
    Que inda bebe o licor do santo Rio:
    Inclinei por um pouco
    a majestade
    Que nesse tenro gesto vos contemplo,
    Que já se mostra qual na inteira idade,
    Quando subindo ireis ao eterno templo;
    Os olhos da real benignidade
    Ponde no chão: vereis um novo exemplo
    De amor dos pátrios feitos valerosos,
    Em versos divulg
    ado numerosos.
    Vereis amor da pátria, não movido
    De prémio vil, mas alto e quási eterno;
    Que não é prémio vil ser conhecido
    Por um pregão do ninho meu paterno.
    Ouvi: vereis o nome engrandecido
    Daqueles de quem sois senhor superno,
    E julgareis qual é
    mais excelente,
    Se ser do mundo Rei, se de tal gente.
    Ouvi, que não vereis com vãs façanhas,
    Fantásticas, fingidas, mentirosas,
    Louvar os vossos, como nas estranhas
    Musas, de engrandecer

    se desejosas:
    As verdadeiras vossas são tamanhas
    Que excedem
    as sonhadas, fabulosas,
    Que excedem Rodamonte e o vão Rugeiro
    E Orlando, inda que fora verdadeiro.
    Por estes vos darei um Nuno fero,
    Que fez ao Rei e ao Reino tal serviço,
    Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero
    A cítara par’eles só cobiço;
    Pois polos Doz
    e Pares dar

    vos quero
    Os Doze de Inglaterra e o seu Magriço;
    Dou

    vos também aquele ilustre Gama,
    Que para si de Eneias toma a fama.
    Pois se a troco de (Carlos, Rei de França,
    Ou de César, quereis igual memória,
    Vede o primeiro Afonso, cuja lança
    Escura faz qualquer estranha glória;
    E aquele que a seu Reino a segurança
    Deixou, com a grande e próspera vitória;
    Outro Joane, invicto cavaleiro;
    O quarto e quinto Afonsos e o terceiro.
    Nem deixarão meus versos esquecidos
    Aqueles que nos Reinos lá da
    Aurora
    Se fizeram por armas tão subidos,
    Vossa bandeira sempre vencedora:
    Um Pacheco fortíssimo e os temidos
    Almeidas, por quem sempre o Tejo chora,
    Albuquerque terríbil, Castro forte,
    E outros em quem poder não teve a morte.
    E, enquanto eu estes canto

    e a vós não posso,
    Sublime Rei, que não me atrevo a tanto

    ,
    Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
    Dareis matéria a nunca ouvido canto.
    Comecem a sentir o peso grosso
    (Que polo mundo todo faça espanto)
    De exércitos e feitos singulares,
    De África as
    terras e do Oriente os mares.
    Em vós os olhos tem o Mouro frio,
    Em quem vê seu exício afigurado;
    Só com vos ver, o bárbaro Gentio
    Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
    Tétis todo o cerúleo senhorio
    Tem pera vós por dote aparelhado,
    Que, afeiç
    oada ao gesto belo e tento,
    Deseja de comprar

    vos pera genro.
    Em vós se vêm, da Olímpica morada,
    Dos dous avós as almas cá famosas;
    üa, na paz angélica dourada,
    Outra, pelas batalhas sanguinosas.
    Em vós esperam ver

    se renovada
    Sua memória e obras va
    lerosas;
    E lá vos têm lugar, no fim da idade,
    No templo da suprema Eternidade.
    Mas, enquanto este tempo passa lento
    De regerdes os povos, que o desejam,
    Dai vós favor ao novo atrevimento,
    Pera que estes meus versos vossos sejam,
    E vereis ir cortando
    o salso argento
    Os vossos Argonautas, por que vejam
    Que são vistos de vós no mar irado,
    E costumai

    vos já a ser invocado.
    Já no largo Oceano navegavam,
    As inquietas ondas apartando;
    Os ventos brandamente respiravam,
    Das naus as velas côncavas inchando
    ;
    Da branca escuma os mares se mostravam
    Cobertos, onde as proas vão cortando
    As marítimas águas consagradas,
    Que do gado de Próteu são cortadas,
    Quando os Deuses no Olimpo luminoso,
    Onde o governo está da humana gente,
    Se ajuntam em consí
    lio glorioso,
    Sobre as cousas futuras do Oriente.
    Pisando o cristalino Céu fermoso,
    Vêm pela Via Láctea juntamente,
    Convocados, da parte de Tonante,
    Pelo neto gentil do velho Atlante.
    Deixam dos sete Céus o regimento,
    Que do poder mais alto lhe foi
    dado,
    Alto poder, que só co pensamento
    Governa o Céu, a Terra e o Mar irado.
    Ali se acharam juntos num momento
    Os que habitam o Arcturo congelado
    E os que o Austro têm e as partes onde
    A Aurora nasce e o claro Sol se esconde.
    Estava o Padre ali, sub
    lime e dino,
    Que vibra os feros raios de Vulcano,
    Num assento de estrelas cristalino,
    Com gesto alto, severo e soberano;
    Do rosto respirava um ar divino,
    Que divino tornara um corpo humano:
    Com üa coroa e ceptro rutilante,
    De outra pedra mais clara
    que diamante.
    Em luzentes assentos, marchetados
    De ouro e de perlas, mais abaixo estavam
    Os outros Deuses, todos assentados
    Como a Razão e a Ordem concertavam
    (Precedem os antigos, mais honrados,
    Mais abaixo os menores se assentavam);
    Quando Jú
    piter alto, assi dizendo,
    Cum tom de voz começa grave e horrendo:

    «Eternos moradores do luzente,
    Estelífero Pólo e claro Assento:
    Se do grande valor da forte gente
    De Luso não perdeis o pensamento,
    Deveis de ter sabido claramente
    Como é dos Fado
    s grandes certo intento
    Que por ela se esqueçam os humanos
    De Assírios, Persas, Gregos e Romanos.
    «Já lhe foi (bem o vistes) concedido,
    Cum poder tão singelo e ao pequeno,
    Tomar ao Mouro forte e guarnecido
    Toda a terra que rega o Tejo ameno.
    Pois co
    ntra o Castelhano ao temido
    Sempre alcançou favor do Céu sereno:
    Assi que sempre, enfim, com fama e glória.
    Teve os troféus pendentes da vitória.
    «Deixo, Deuses, atrás a fama antiga,
    Que co a gente de Rómulo alcançaram,
    Quando com Viriato, na inimiga
    Guerra Romana, tanto se afamaram;
    Também deixo a memória que os obriga
    A grande nome, quando alevantaram
    Um por seu capitão, que, peregrino,
    Fingiu na cerva espírito divino.
    «Agora vedes bem que, cometendo
    O duvidoso m
    ar num lenho leve,
    Por vias nunca usadas, não temendo
    de Áfrico e Noto a força, a mais s’atreve:
    Que, havendo tanto já que as partes vendo
    Onde o dia é comprido e onde breve,
    Inclinam seu propósito e perfia
    A ver os berços onde nasce o dia.
    «Prome
    tido lhe está do Fado eterno,
    Cuja alta lei não pode ser quebrada,
    Que tenham longos tempos o governo
    Do mar que vê do Sol a roxa entrada.
    Nas águas têm passado o duro Inverno;
    A gente vem perdida e trabalhada;
    Já parece bem feito que lhe seja
    Mostr
    ada a nova terra que deseja.
    «E porque, como vistes, têm passados
    Na viagem tão ásperos perigos,
    Tantos climas e céus exprimentados,
    Tanto furor de ventos inimigos,
    Que sejam, determino, agasalhados
    Nesta costa Africana como amigos;
    E, tendo guarnecida a lassa frota,
    Tornarão a seguir sua longa rota.
    Estas palavras Júpiter dizia,
    Quando os Deuses, por ordem respondendo,
    Na sentença um do outro diferia,
    Razões diversas dando e recebendo.
    O padre Baco ali não consentia
    No que Júpi
    ter disse, conhecendo
    Que esquecerão seus feitos no Oriente
    Se lá passar a Lusitana gente.
    Ouvido tinha aos Fados que viria
    üa gente fortíssima de Espanha
    Pelo mar alto, a qual sujeitaria
    Da Índia tudo quanto Dóris banha,
    E com novas vitórias vencer
    ia
    A fama antiga, ou sua ou fosse estranha.
    Altamente lhe dói perder a glória
    De que Nisa celebra inda a memória.
    Vê que já teve o Indo sojugado
    E nunca lhe tirou Fortuna ou caso
    Por vencedor da Índia ser cantado
    De quantos bebem a á
    gua de Parnaso.
    Teme agora que seja sepultado
    Seu tão célebre nome em negro vaso
    D’água do esquecimento, se lá chegam
    Os fortes Portugueses que navegam.
    Sustentava contra ele Vénus bela,
    Afeiçoada à gente Lusitana
    Por quantas qualidades via nela
    Da an
    tiga, tão amada, sua Romana;
    Nos fortes corações, na grande estrela
    Que mostraram na terra Tingitana,
    E na língua, na qual quando imagina,
    Com pouca corrupção crê que é a Latina
    Estas causas moviam Citereia
    E mais, porque das Parcas claro entende
    Que há

    de ser celebrada a clara Deia
    Onde a gente belígera se estende.
    Assi que, um, pela infâmia que arreceia,
    E o outro, pelas honras que pretende,
    Debatem, e na perfia permanecem;
    A qualquer seus amigos favorecem.
    Qual Austro fero ou Bóreas na espessura
    De silvestre arvoredo abastecida,
    Rompendo os ramos vão da mata escura
    Com ímpeto e braveza desmedida,
    Brama toda montanha, o som murmura,
    Rompem

    se as folhas, ferve a serra erguida:
    Tal andava o tumulto, levantado
    Entre os Deuses, no Olimpo consagrado.
    Mas Marte, que da Deusa sustentava
    Entre todos as partes em porfia,
    Ou porque o amor antigo o obrigava,
    Ou porque a gente forte o merecia,
    De antre os Deuses em pé se levantava:
    Merencório no gesto parecia;
    O forte
    escudo, ao colo pendurado,
    Deitando pera trás, medonho e irado;
    A viseira do elmo de diamante
    Alevantando um pouco, mui seguro,
    Por dar seu parecer se pôs diante
    De Júpiter, armado, forte e duro;
    E dando üa pancada penetrante
    Co conto do bastão no s
    ólio puro,
    O Céu tremeu, e Apolo, de torvado,
    Um pouco a luz perdeu, como enfAs armas e os Barões assinalados
    Que da Ocidental praia Lusitana
    Por mares nunca de antes navegados
    Passaram ainda além da Taprobana,
    Em perigos e guerras esforçados
    Mais do que prometia a força humana,
    E entre gente remota edificaram
    Novo Reino, que tanto sublimaram;
    E também as memórias gloriosas
    Daqueles Reis
    que foram dilatando
    A Fé, o Império, e as terras viciosas
    De África e de Ásia andaram devastando,
    E aqueles que por obras valerosas
    Se vão da lei da Morte libertando,
    Cantando espalharei por toda parte,
    Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
    Cessem
    do sábio Grego e do Troiano
    As navegações grandes que fizeram;
    Cale

    se de Alexandro e de Trajano
    A fama das vitórias que tiveram;
    Que eu canto o peito ilustre Lusitano,
    A quem Neptuno e Marte obedeceram.
    Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
    Que out
    ro valor mais alto se alevanta.
    E vós, Tágides minhas, pois criado
    Tendes em mi um novo engenho ardente,
    Se sempre em verso humilde celebrado
    Foi de mi vosso rio alegremente,
    Dai

    me agora um som alto e sublimado,
    Um estilo grandíloco e corrente,
    Por que de vossas águas Febo ordene
    Que não tenham enveja às de Hipocrene.
    Dai

    me üa fúria grande e sonorosa,
    E não de agreste avena ou frauta ruda,
    Mas de tuba canora e belicosa,
    Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
    Dai

    me igual canto aos feito
    s da famosa
    Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
    Que se espalhe e se cante no universo,
    Se tão sublime preço cabe em verso.
    E, vós, ó bem nascida segurança
    Da Lusitana antiga liberdade,
    E não menos certíssima esperança
    De aumento da pequena Cristan
    dade;
    Vós, ó novo temor da Maura lança,
    Maravilha fatal da nossa idade,
    Dada ao mundo por Deus, que todo o mande,
    Pera do mundo a Deus dar parte grande;
    Vós, tenro e novo ramo florecente
    De üa árvore, de Cristo mais amada
    Que nenhü
    a nascida no Ocidente,
    Cesárea ou Cristianíssima chamada
    (Vede

    o no vosso escudo, que presente
    Vos amostra a vitória já passada,
    Na qual vos deu por armas e deixou
    As que Ele pera si na Cruz tomou);
    Vós, poderoso Rei, cujo alto Império
    O Sol, logo
    em nascendo, vê primeiro,


    o também no meio do Hemisfério,
    E quando dece o deixa derradeiro;
    Vós, que esperamos jugo e vitupério
    Do torpe Ismaelita cavaleiro,
    Do Turco Oriental e do Gentio
    Que inda bebe o licor do santo Rio:
    Inclinei por um pouco
    a majestade
    Que nesse tenro gesto vos contemplo,
    Que já se mostra qual na inteira idade,
    Quando subindo ireis ao eterno templo;
    Os olhos da real benignidade
    Ponde no chão: vereis um novo exemplo
    De amor dos pátrios feitos valerosos,
    Em versos divulg
    ado numerosos.
    Vereis amor da pátria, não movido
    De prémio vil, mas alto e quási eterno;
    Que não é prémio vil ser conhecido
    Por um pregão do ninho meu paterno.
    Ouvi: vereis o nome engrandecido
    Daqueles de quem sois senhor superno,
    E julgareis qual é
    mais excelente,
    Se ser do mundo Rei, se de tal gente.
    Ouvi, que não vereis com vãs façanhas,
    Fantásticas, fingidas, mentirosas,
    Louvar os vossos, como nas estranhas
    Musas, de engrandecer

    se desejosas:
    As verdadeiras vossas são tamanhas
    Que excedem
    as sonhadas, fabulosas,
    Que excedem Rodamonte e o vão Rugeiro
    E Orlando, inda que fora verdadeiro.
    Por estes vos darei um Nuno fero,
    Que fez ao Rei e ao Reino tal serviço,
    Um Egas e um Dom Fuas, que de Homero
    A cítara par’eles só cobiço;
    Pois polos Doz
    e Pares dar

    vos quero
    Os Doze de Inglaterra e o seu Magriço;
    Dou

    vos também aquele ilustre Gama,
    Que para si de Eneias toma a fama.
    Pois se a troco de (Carlos, Rei de França,
    Ou de César, quereis igual memória,
    Vede o primeiro Afonso, cuja lança
    Escura faz qualquer estranha glória;
    E aquele que a seu Reino a segurança
    Deixou, com a grande e próspera vitória;
    Outro Joane, invicto cavaleiro;
    O quarto e quinto Afonsos e o terceiro.
    Nem deixarão meus versos esquecidos
    Aqueles que nos Reinos lá da
    Aurora
    Se fizeram por armas tão subidos,
    Vossa bandeira sempre vencedora:
    Um Pacheco fortíssimo e os temidos
    Almeidas, por quem sempre o Tejo chora,
    Albuquerque terríbil, Castro forte,
    E outros em quem poder não teve a morte.
    E, enquanto eu estes canto

    e a vós não posso,
    Sublime Rei, que não me atrevo a tanto

    ,
    Tomai as rédeas vós do Reino vosso:
    Dareis matéria a nunca ouvido canto.
    Comecem a sentir o peso grosso
    (Que polo mundo todo faça espanto)
    De exércitos e feitos singulares,
    De África as
    terras e do Oriente os mares.
    Em vós os olhos tem o Mouro frio,
    Em quem vê seu exício afigurado;
    Só com vos ver, o bárbaro Gentio
    Mostra o pescoço ao jugo já inclinado;
    Tétis todo o cerúleo senhorio
    Tem pera vós por dote aparelhado,
    Que, afeiç
    oada ao gesto belo e tento,
    Deseja de comprar

    vos pera genro.
    Em vós se vêm, da Olímpica morada,
    Dos dous avós as almas cá famosas;
    üa, na paz angélica dourada,
    Outra, pelas batalhas sanguinosas.
    Em vós esperam ver

    se renovada
    Sua memória e obras va
    lerosas;
    E lá vos têm lugar, no fim da idade,
    No templo da suprema Eternidade.
    Mas, enquanto este tempo passa lento
    De regerdes os povos, que o desejam,
    Dai vós favor ao novo atrevimento,
    Pera que estes meus versos vossos sejam,
    E vereis ir cortando
    o salso argento
    Os vossos Argonautas, por que vejam
    Que são vistos de vós no mar irado,
    E costumai

    vos já a ser invocado.
    Já no largo Oceano navegavam,
    As inquietas ondas apartando;
    Os ventos brandamente respiravam,
    Das naus as velas côncavas inchando
    ;
    Da branca escuma os mares se mostravam
    Cobertos, onde as proas vão cortando
    As marítimas águas consagradas,
    Que do gado de Próteu são cortadas,
    Quando os Deuses no Olimpo luminoso,
    Onde o governo está da humana gente,
    Se ajuntam em consí
    lio glorioso,
    Sobre as cousas futuras do Oriente.
    Pisando o cristalino Céu fermoso,
    Vêm pela Via Láctea juntamente,
    Convocados, da parte de Tonante,
    Pelo neto gentil do velho Atlante.
    Deixam dos sete Céus o regimento,
    Que do poder mais alto lhe foi
    dado,
    Alto poder, que só co pensamento
    Governa o Céu, a Terra e o Mar irado.
    Ali se acharam juntos num momento
    Os que habitam o Arcturo congelado
    E os que o Austro têm e as partes onde
    A Aurora nasce e o claro Sol se esconde.
    Estava o Padre ali, sub
    lime e dino,
    Que vibra os feros raios de Vulcano,
    Num assento de estrelas cristalino,
    Com gesto alto, severo e soberano;
    Do rosto respirava um ar divino,
    Que divino tornara um corpo humano:
    Com üa coroa e ceptro rutilante,
    De outra pedra mais clara
    que diamante.
    Em luzentes assentos, marchetados
    De ouro e de perlas, mais abaixo estavam
    Os outros Deuses, todos assentados
    Como a Razão e a Ordem concertavam
    (Precedem os antigos, mais honrados,
    Mais abaixo os menores se assentavam);
    Quando Jú
    piter alto, assi dizendo,
    Cum tom de voz começa grave e horrendo:

    «Eternos moradores do luzente,
    Estelífero Pólo e claro Assento:
    Se do grande valor da forte gente
    De Luso não perdeis o pensamento,
    Deveis de ter sabido claramente
    Como é dos Fado
    s grandes certo intento
    Que por ela se esqueçam os humanos
    De Assírios, Persas, Gregos e Romanos.
    «Já lhe foi (bem o vistes) concedido,
    Cum poder tão singelo e ao pequeno,
    Tomar ao Mouro forte e guarnecido
    Toda a terra que rega o Tejo ameno.
    Pois co
    ntra o Castelhano ao temido
    Sempre alcançou favor do Céu sereno:
    Assi que sempre, enfim, com fama e glória.
    Teve os troféus pendentes da vitória.
    «Deixo, Deuses, atrás a fama antiga,
    Que co a gente de Rómulo alcançaram,
    Quando com Viriato, na inimiga
    Guerra Romana, tanto se afamaram;
    Também deixo a memória que os obriga
    A grande nome, quando alevantaram
    Um por seu capitão, que, peregrino,
    Fingiu na cerva espírito divino.
    «Agora vedes bem que, cometendo
    O duvidoso m
    ar num lenho leve,
    Por vias nunca usadas, não temendo
    de Áfrico e Noto a força, a mais s’atreve:
    Que, havendo tanto já que as partes vendo
    Onde o dia é comprido e onde breve,
    Inclinam seu propósito e perfia
    A ver os berços onde nasce o dia.
    «Prome
    tido lhe está do Fado eterno,
    Cuja alta lei não pode ser quebrada,
    Que tenham longos tempos o governo
    Do mar que vê do Sol a roxa entrada.
    Nas águas têm passado o duro Inverno;
    A gente vem perdida e trabalhada;
    Já parece bem feito que lhe seja
    Mostr
    ada a nova terra que deseja.
    «E porque, como vistes, têm passados
    Na viagem tão ásperos perigos,
    Tantos climas e céus exprimentados,
    Tanto furor de ventos inimigos,
    Que sejam, determino, agasalhados
    Nesta costa Africana como amigos;
    E, tendo guarnecida a lassa frota,
    Tornarão a seguir sua longa rota.
    Estas palavras Júpiter dizia,
    Quando os Deuses, por ordem respondendo,
    Na sentença um do outro diferia,
    Razões diversas dando e recebendo.
    O padre Baco ali não consentia
    No que Júpi
    ter disse, conhecendo
    Que esquecerão seus feitos no Oriente
    Se lá passar a Lusitana gente.
    Ouvido tinha aos Fados que viria
    üa gente fortíssima de Espanha
    Pelo mar alto, a qual sujeitaria
    Da Índia tudo quanto Dóris banha,
    E com novas vitórias vencer
    ia
    A fama antiga, ou sua ou fosse estranha.
    Altamente lhe dói perder a glória
    De que Nisa celebra inda a memória.
    Vê que já teve o Indo sojugado
    E nunca lhe tirou Fortuna ou caso
    Por vencedor da Índia ser cantado
    De quantos bebem a á
    gua de Parnaso.
    Teme agora que seja sepultado
    Seu tão célebre nome em negro vaso
    D’água do esquecimento, se lá chegam
    Os fortes Portugueses que navegam.
    Sustentava contra ele Vénus bela,
    Afeiçoada à gente Lusitana
    Por quantas qualidades via nela
    Da an
    tiga, tão amada, sua Romana;
    Nos fortes corações, na grande estrela
    Que mostraram na terra Tingitana,
    E na língua, na qual quando imagina,
    Com pouca corrupção crê que é a Latina
    Estas causas moviam Citereia
    E mais, porque das Parcas claro entende
    Que há

    de ser celebrada a clara Deia
    Onde a gente belígera se estende.
    Assi que, um, pela infâmia que arreceia,
    E o outro, pelas honras que pretende,
    Debatem, e na perfia permanecem;
    A qualquer seus amigos favorecem.
    Qual Austro fero ou Bóreas na espessura
    De silvestre arvoredo abastecida,
    Rompendo os ramos vão da mata escura
    Com ímpeto e braveza desmedida,
    Brama toda montanha, o som murmura,
    Rompem

    se as folhas, ferve a serra erguida:
    Tal andava o tumulto, levantado
    Entre os Deuses, no Olimpo consagrado.
    Mas Marte, que da Deusa sustentava
    Entre todos as partes em porfia,
    Ou porque o amor antigo o obrigava,
    Ou porque a gente forte o merecia,
    De antre os Deuses em pé se levantava:
    Merencório no gesto parecia;
    O forte
    escudo, ao colo pendurado,
    Deitando pera trás, medonho e irado;
    A viseira do elmo de diamante
    Alevantando um pouco, mui seguro,
    Por dar seu parecer se pôs diante
    De Júpiter, armado, forte e duro;
    E dando üa pancada penetrante
    Co conto do bastão no s
    ólio puro,
    O Céu tremeu, e Apolo, de torvado,
    Um pouco a luz perdeu, como enf

  21. Stalin, se no princípio era o Luiz Guimarães, depois, como diz o outro, era a ooesia e agora é o ão.
    (sobre tu entendi tudo, acho)

    Nota. jpferra, cuidado: não aprendas o aeiou a partir destes bacanos que os seus teclados mentais andam marados, marra muito (estuda muito, queima as pestanas) e aparece por aqui depois da ceia do Natal. Não [e]stresses com o Stalin nem com Ignatz nem com o Valupi nem com a Penélope, ‘stá?

    Mc Phe Cachorrera Vem Chefe – Na Hora Do Estresse (DJ Teta)
    https://www.youtube.com/watch?v=K7-gmwY_uo4&noredirect=1

    Na hora do estresse, ela não se esquece
    chama de noite no face e é algo que te interesse
    Na hora do estresse, ela não se esquece
    chama de noite no face e é algo que te interesse
    Vai chefe , vem chefe cachorrera me enlouquece
    Vai chefe , vem chefe cachorrera me enlouquece
    As piranha do vuco desce, quando o pontinho sobe
    As piranha do vuco sobe, quando a batida desce
    Na hora do estresse, ela não se esquece
    chama de noite no face e é algo que te interesse
    Na hora do estresse, ela não se esquece
    chama de noite no face e é algo que te interesse
    Vai chefe , vem chefe cachorrera me enlouquece
    Vai chefe , vem chefe cachorrera me enlouquece

    É a literatura possível, aqui a culpa também é do Zé dos Bigodes.

  22. Adenda, em tempo. jpferra, olha aqui: «é quando ninguém quer saber a que horas é que chegaste», …? Conclusão, digo-te outra vez que deverás ter cuidado com os estudos, porque quem escreve assim será eternamente um… BURRO.

  23. Eric,
    Vá para dentro, vá.
    Olhe, plante uma árvore, escreva um livro , faça um filho .
    Em alternativa sempre pode dar sangue . Qualquer coisinha útil .

  24. “O meu nome civil tem uma cacofonia e duas sibilantes: Vasco Correia Guedes. É feio!”

    a mena mónica era outra cacofonia.

  25. Impagável! O gozo que me dá o João Galamba a esborrachar o cagalhão pulido valente, com o seu calcanhar reluzente…

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