Misericórdia para os bandalhos

Esta peça é maravilhosa, muito obrigado CMTV. Nela ficamos a saber que Santana é, ainda hoje e desde sempre, um grande amigo de Sócrates. Mais: é fã. E que Santana é um daqueles raros políticos que abominam as insinuações sobre a vida privada, que nunca mas nunca as fez na sua carreira. Porém, em 2005, viu-se obrigado a lançar um cartaz onde a JSD perguntava à população se sabia mesmo quem era Sócrates porque, como explica em 2013, ao tempo ainda ninguém conhecia aquele secretário-geral do PS, apenas um dos ex-ministros e ex-secretários de Estado com mais notoriedade dos Governos de Guterres. E quanto às campanhas negras, elas são obra dos próprios socialistas, mais especificamente dos soaristas, revela Santana agitando as provas na mão. No entanto, se elas foram lançadas é porque não há fumo sem fogo, logo cada um que tire as suas conclusões… né, pessoal?…

Talvez os momentos mais elucidativos não só do homem, não só do partido onde é uma figura grada e histórica, mas de uma oligárquica cultura de conquista do poder onde vale tudo, sejam os relativos ao Freeport. Aí, Santana explica que o “caso Freeport” não podia ter nascido por sua iniciativa em 2004 pois os factos remontavam a 2001 e 2002. Sim, exactamente. E contemple-se, ao minuto 23, o sorriso de satisfação, o impante ar de gozo, com que jura não ter dado ordens a ninguém, que ele não abriu a boca. É impossível não acreditar no que nos está a dizer e será 300% seguro pôr as mãos no fogo por esta declaração, um clássico da literacia televisiva. Contudo, como José Carlos Castro insistisse numa linha de argumentação socrática, perguntando se Santana não era o único e directo beneficiário do lançamento das suspeitas e calúnias sobre o Freeport, o nosso guerreiro menino despachou a coisa chamando estúpido ao jornalista e garantindo que o caso Freeport acabou por ajudar Sócrates a conquistar a maioria absoluta. Genial!

A Misericórdia poderá acolher os bandalhos que quiser, e colocá-los no topo da instituição onde até poderão ser úteis à sociedade, sabe-se lá. Na política devemos abdicar de qualquer laivo de misericórdia para com estes bandalhos que emporcalham a cidade. Se nos restar algum respeito próprio, óbvio.

Pedro e a hermenêutica

Passos Coelho negou hoje o convite para salvar Portugal através desta fórmula:

Gostaria de dizer que tal convite nunca me foi dirigido.

Em ordem a conseguirmos descodificar o que pretende dizer, aqui vai outro exemplo da sua capacidade de expressão:

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, reafirmou ontem em Viana do Castelo que não irá “viabilizar as medidas do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC)” anunciadas sexta-feira e acusou o Governo de não “passar cartão a ninguém”.

“A oposição, reunida na véspera a discutir uma moção de censura no parlamento, não soube de nada. Eu próprio recebi um telefonema apenas na véspera a avisar que iam ser apresentas novas medidas de restrições. Os parceiros sociais que estiveram reunidos em concertação social com o Governo foram também surpreendidos”.

Para Pedro Passos Coelho “não é normal em democracia o desprezo pelas instituições e pelas pessoas” que o Governo tem demonstrado neste processo. “É uma falta de cultura democrática que temos que ultrapassar no futuro”, afirmou Passos Coelho.

“Nós honramos a nossa palavra”, garantiu Passos Coelho.

De facto, o carácter de Sócrates tem muito que se lhe diga

Ângelo Correia, numa declaração que ainda não foi desmentida por ninguém, afiança que isto aconteceu:

No segundo mandato, José Sócrates terá oferecido a Pedro Passos Coelho o lugar de vice-primeiro-ministro com a garantia de que não se recandidataria às eleições seguintes, mas o actual chefe de Governo declinou o convite.

Sócrates abdicava de concorrer a eleições só para garantir uma solução governativa que melhor defendesse o interesse nacional. Passos preferiu trair o interesse nacional provocando o resgate só para forçar eleições.

Catroga diz

.

Catroga diz que Sócrates devia estar a ser julgado em tribunal

.

Catroga EDP

O economista Eduardo Catroga afirmou hoje que a negociação do programa de ajuda externa a Portugal «foi essencialmente influenciada» pelo PSD e resultou em medidas melhores e que vão mais fundo do que o chamado PEC IV.

Numa declaração aos jornalistas, em nome do PSD, Eduardo Catroga considerou que a revisão da trajetória do défice foi uma «grande vitória» dos sociais-democratas.

Afirmou ainda que o PSD terá autonomia, se for Governo, para substituir eventuais «medidas penalizadoras para os portugueses» do programa de ajuda externa a Portugal por outras que cumpram os mesmos objectivos.

3 de Maio, 2011

Nós adoçámos a pílula amarga que era o PEC4. Portanto, diria que aquilo de mau que existe no programa da ‘troika’ é um aprofundamento do PEC4, aquilo que de bom existe são as preocupações sociais, as medidas viradas para o crescimento, competitividade e emprego. Portanto, aí ficou demonstrado quem é que influenciou positivamente a pílula amarga que o país é obrigado a suportar por culpa exclusiva dos governos do senhor José Sócrates.

O coordenador do programa eleitoral do PSD disse ainda que os social-democratas não defendem «em princípio» o aumento de impostos. «O presidente do PSD disse sempre que só em última instância [defenderia o aumento de impostos] para evitar o corte de pensões ou salários. Mas pensamos que isso não vai ser necessário», acrescentou Eduardo Catroga.

9 de Maio, 2011

O coordenador do programa eleitoral do PSD deixou no Fórum TSF a garantia de que os social-democratas não vão subir a taxa máxima do IVA, defendendo que é preciso respeito pelo bolso dos contribuintes. Não há aumentos na carga fiscal e no IVA, esclareceu Catroga. Declarações de um independente que pretende continuar a ajudar o PSD e o país, sem mais pretensões.

9 de Maio, 2011

Eduardo Catroga diz que os políticos e os jornalistas estão desviados da discussão das questões estruturais do país e que se andam a discutir «pentelhos».

O representante do PSD nas negociações com a troika acusou ainda os jornalistas de não discutirem «quais são as medidas do sistema de justiça, como é que vão reforçar o poder dos directores das escolas, como vão reforçar o ensino técnico-profissional que vai ser uma revolução, etc». No que toca à Função Pública, «vamos reduzir o Estado paralelo, promover serviço público, apostar nos recursos. Queremos dignificar os directores-gerais, espezinhados nos últimos anos pelos assessores.”

«A minha geração só fez porcaria nos últimos 15 anos»

12 de Maio, 2011

Eduardo Catroga, numa entrevista ao Público, publicada na quarta-feira, refere, a propósito dos dados das últimas sondagens: “Repare: o Hitler tinha o povo atrás de si até à derrocada, até à fase final da guerra. Faz parte das características dos demagogos conseguirem arrastar multidões. José Sócrates, honra lhe seja feita, é um grande actor, um mentiroso compulsivo, que vive num mundo virtual em que só ele tem razão”.

12 de Maio, 2011

Eduardo Catroga critica a atitude do Governo que se «apresenta como vítima e como vencedor de uma negociação que foi sobretudo negociada pelo maior partido da oposição». «O PSD deu um grande contributo para este processo. Portugal vai ter uma grande oportunidade para fazer as medidas que se impõe, para dar esperança», disse ainda.

«Tivemos uma reunião altamente frutuosa com a troika, que percebeu a nossa atitude diferenciadora, de defesa do Estado social. O PEC 4 ataca pensões, não falava em reduzir o gordo estado paralelo…»

3 de Maio, 2011

Catroga EDP

Ex-braço-direito de Pedro Passos Coelho nas negociações com a troika ganhará uma remuneração de 639 mil euros. Um ordenado mensal superior a 45 mil euros, que acumulará com uma pensão de mais de 9600 euros.

Catroga diz que não sabe quanto vai ganhar na EDP

Exactissimamente

Quando a direita tem medo de perder o poder, ela começa a induzir a sociedade a não gostar da política, começa a dizer mal da política. Temos de ter a coragem de dizer à juventude que, em vez de largar a política, deve entrar na política, para que o jovem venha a ser o político com que sonha. É preciso politizar a juventude. Se ninguém presta para você, entre você na politica.

Lula da Silva, Outubro de 2013, Portugal

Pelo design é que vamos

PS revoga corte das pensões quando for Governo

PS promete revogar cheque-ensino anunciado pelo Governo

Seguro promete revogar lei de reorganização das freguesias

PS revogará Lei do Arrendamento quando for Governo

__

Estes são alguns exemplos de compromissos assumidos pelo PS enquanto oposição. E nada impede que a lista vá aumentando, óbvio. Qualquer decisão deste Governo pode vir a ser alterada por outro Governo. Chama-se democracia ao sistema que permite tais avarias e consertos (com ou sem concerto). Mais, nada impede que qualquer partido faça o mesmo. Do Partido Ecologista “Os Verdes” ao Partido Nacional Renovador, passando pelo Partido Popular Monárquico e pelo Partido pelos Animais e pela Natureza, mais os restantes que existem ou venham a existir, seria de uma utilidade meridiana saber o que fariam com o Governo nas mãos. Da minha parte, fantasio lubricamente com o que seria a governação do PCP tendo os camaradas uma maioria absoluta para esfregarem nas fuças do capital e do imperialismo americano. A minha maior dúvida, neste cenário, é a seguinte: quanto tempo demoraria até o Comité Central perceber que sem uma polícia política a contra-revolução burguesa continuaria a adiar a libertação dos camponeses, operários e marinheiros?

O senso comum diz-nos que são poucos os eleitores que chegam ao ponto de sequer ler os programas dos partidos em que votam, quanto mais estarem a ler programas de partidos em que não votam só com o propósito de fazerem comparações ou descobertas. Os factores tribais, afectivos, irracionais, prevalecem sobre os racionais, a que se junta a dificuldade cognitiva para assimilar tanta e tão complexa informação despejada em períodos eleitorais e para resistir à pressão das retóricas inflamadas e dos populismos larvares ou opressores. Mas o benefício de conhecer o mais detalhadamente possível os programas dos partidos que se propõem influenciar as nossas vidas permanece intacto apesar desta realidade civicamente desoladora – especialmente para aqueles infelizes que não sabem o que fazer com a sua soberania e respectivos direitos e poderes.

Eis uma daquelas situações em que o problema se resolve pelo design. Basta que se forme um grupo de três ou quatro pessoas, sejam profissionais da imprensa ou espontâneos da sociedade, que comece a recolher as respostas de todos os partidos a todas as perguntas que os cidadãos queiram fazer-lhes e as tratem sistematicamente. Tu, partido, queres manter-nos no euro? Ficar na União Europeia? Pertencer à NATO? Como é que pretendes reduzir o défice? E aumentar o investimento? E diminuir o desemprego? E fazer crescer as exportações? E garantir as reformas? Quanto é que vou ganhar daqui a 1 ano, e 2, e 4 contigo a mandar nisto? Como é que vais resolver os problemas da Justiça? E os da Educação? E os da Saúde? Para cada pergunta, desde que considerada relevante, os partidos dariam a resposta que entendessem – fosse inequívoca, equívoca ou vazia. O trabalho deste grupo seria o de facilitar ao máximo a leitura comparativa das respostas e o de garantir a sua máxima actualização.

Imaginemos que um partido qualquer, mas partido tomado por filhos da mãe, entrava numa deriva demagógica insana e insanável. Por exemplo, prometia resolver os nossos maiores problemas sem dor, bastando apenas boicotar um acordo europeu que defendia o interesse nacional, cortar nas “gorduras do Estado” e ostracizar um certo indivíduo. E que depois ganhava as eleições, pois o povo ainda conserva o perigoso hábito de acreditar em pulhas e bandalhos. Ora, a simples consulta da tabela de respostas permitiria a lembrança diária de quanto cada um tinha sido, e estava a ser, enganado.

Eis uma das principais consequências da aplicação dos princípios do design, a forma como protegemos a democracia segue a função que nela queremos assumir.

Tudo isto para…

… o Catroga ir ganhar 46 000 euros mensais numa EDP vendida a outro Estado?

Estado da Nação

Com o programa da Troika, agravado com o que o Governo decidiu acrescentar-lhe de austeridade, nem o défice foi reduzido de forma substancial, como era o objetivo, nem o país ficou mais competitivo com as reformas laborais, ou estruturais, como quiserem, nem a dívida diminuiu; pelo contrário, aumentou como nunca até agora e no tempo mais curto jamais verificado. Com a economia quase moribunda e um desemprego brutal, Portugal está atolado. Em dívida e em dependência. E em pobreza. Perante isto, a rapaziada ao leme, agora de braço dado com a ministra Maria Luís, sem saber o que mais anda a fazer para além de baixar os rendimentos dos portugueses, continua a fazer tudo o que lhe ditam as entidades estrangeiras, que se estão olimpicamente borrifando para o estado de saúde dos habitantes deste país. A ideia da rapaziada será safarem-se com a invocação de uma responsabilidade solidária. Aplicado o programa de desmantelamento dos serviços públicos, que sempre projetaram porque era moderno, e sem saberem como governar verdadeiramente, esperam confiadamente que as instituições credoras, lideradas pela Alemanha, os amparem no «regresso aos mercados». No fundo, que tudo seja mascarado como recompensa pela sangria perpetrada. Podem vir a ter sorte, no que isso implica de dividendo político. A situação do país, porém, é tudo menos boa. Cheguei a ouvir esta perspetiva confirmada num debate há tempos na televisão em que alguém do PSD reconhecia que sim, que a situação era séria, mas se os credores a aceitavam, qual o problema? Era aproveitar.

E assim vamos. O programa cautelar será, pois, uma festa. Lembro, porém, que podíamos, sem festejos tétricos, ter seguido um “programa cautelar” há dois anos e meio sem deixarmos a economia de rastos nem pôr milhares de jovens em fuga. Mas não era a mesma coisa. Este mal foi muito melhor. O empenho de Catroga na campanha eleitoral, e ainda agora (como não?), nunca será esquecido.

Contribuições de Seguro para o consenso

Na sequência do meu post anterior, dou a palavra a Miguel Frasquilho, hoje na Comissão de Orçamento e Finanças:

Tenho que dar razão a Miguel Frasquilho: é exactamente isso que o governo anda a dizer. E sendo assim, com um governo, uma maioria, um presidente e um líder da oposição todos a remar para o mesmo lado, só nos resta mesmo abraçar a austeridade. No caso do PS, com uns abraços a quem chore. Sempre é uma vantagem.

JSD: da deslealdade.

Hoje, quando tudo apontava, ao fim de tempo demais, que o pl que permite a adoção do filho do cônjuge ou unido de facto também em casais do mesmo sexo (co-adoção) fosse a votação final global, houve uma iniciativa.

A JSD entendeu apresentar uma proposta de resolução para referendar a coisa e, já agora, a adoção por casais do mesmo sexo.

Diz a resolução que a co-adoção é fraturante, que não reúne consenso, que não foi suficientemente discutida e que a sociedade não está esclarecida.

Vejamos: a pl da co-adoção foi aprovada na generalidade; seguiu-se o trabalho na especialidade com um grau de intensidade, esclarecimento, riqueza e diversidade de que tenho memória rara; ao longo desses meses a JSD, e o seu presidente, nada disseram; imagina-se que davam algum crédito à sua colega de bancada (presidente do grupo de trabalho elogiado pelo cardeal patriarca) e a todas e todos que se dedicaram à democracia; foram ouvidas entidades de todos os quadrantes imaginários, gente com um papel importante nas várias áreas científicas e sociais a que pertencem e que foram, a pedido dos vários partidos, incluindo o PSD, portanto, dar o seu tempo e trabalho à tal da democracia; as audições foram fisicamente abertas, disponibilizadas ao país no site da AR, bem como toda a documentação disponibilizada; a cada passo, os membros do grupo de trabalho informavam o respetivo partido do estado da arte; o debate abriu-se à sociedade, sem a participação da JSD, é certo, mas a JSD deve ter dado conta da multidão de artigos de opinião, de debates na televisão e na rádio; o prazo do grupo de trabalho foi alargado; a co-adoção estava pronta para ser votada em Julho, mas houve um adiamento a requerimento da direita para que os Partidos tivessem mais tempo de reflexão; estamos a 22 de Outubro e amanhã a primeira comissão tem pela terceira vez na sua ordem de trabalhos o envio do diploma para votação final global.

Referendo? Porque é fraturante? Mas não era antes de a JSD desrespeitar meses de trabalho democrático? E o país não está esclarecido? Ou não está a JSD que começa a resolução referindo-se à adoção?!! Mas a co-adoção é fraturante por quê? E o CPMS? Houve referendo? E os projetos de lei prevendo a adoção por casais do mesmo sexo? Onde estava a JSD nessa altura a pedir referendos? E as petições que recebemos ao longo dos anos pedindo referendos sobre todas as questões ditas fraturantes? Foram acolhidas? A JSD lutou por elas?

Pois.

Será que o incómodo é ver liberdade e possibilidade de aprovação, donde largar a cartada desrespeitadora da democracia representativa à última da hora?

A partir de hoje, a JSD passa a ser a favor de se referendar direitos como o direito à maternidade e à paternidade e o direito ao desenvolvimento da personalidade? Ou só será a favor nos últimos dias do procedimento legislativo parlamentar conforme corra a coisa?

O que terá afligido a desatenta JSD ao ponto de ser evidente o desconforto transversal a todas as bancadas, a quem votou contra a co-adoção e a quem votou a favor da co-adoção, desconforto pela política do truque, da irresponsabilidade institucional e do desrespeito?

Terá sido o consenso, que quer transformar em falta de unanimidade (coisa diferente que não usa afligir democratas), a que se chegou no Grupo de Trabalho por exemplo no plano científico? No plano científico (psicologia, psiquiatria, pediatria) o balanço é mais do que sólido e consensual da parte das entidades que se dedicam à investigação e que analisaram a evidência disponível (sendo igualmente de sublinhar que em momento algum foi apontado qualquer resultado de investigação credível que demonstre um prejuízo para a criança decorrente de ser criada numa família homoparental). Mas quem sou eu? Talvez pedir ao líder da JSD que leia os textos e trabalhos como o levantamento feito pela Ordem dos Psicólogos.

Talvez pedir ao líder da JSD que não tenha por irrelevante que o Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa tenha escrito à 1.ª Comissão no sentido da aprovação do projeto. Antes disso convinha ler a decisão do TEDH que condenou a Áustria por não consagrar a co-adoção, já que, tal como nós, a consagra para casais de sexo diferente, no superior interesse da criança.

Talvez pedir ao líder da JSD que descubra quem é o Dr. Jorge Gato, investigador da Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, que estuda a matéria da homoparentalidade e que preparou uma exposição, que se doutorou na área, que faz diretamente trabalho de terreno na matéria. É ler os estudos.

Talvez pedir ao líder da JSD a humildade de ler o depoimento por escrito, favorável, do Dr. Mário Cordeiro.

É pediatra.

Talvez.

O Comunicado da Sociedade de Sexologia Clínica que se pronunciou favoravelmente também não magoa.

Talvez recordar que estão disponíveis os depoimentos favoráveis da
Conceição Nogueira, da Universidade do Porto (com investigação nesta área também); do Prof. Daniel Sampaio; do  Dr. João Seabra Diniz; do jurista de Direito da Família Prof. Pamplona Corte-Real.

Recordar o Instituto de Apoio à Criança, a ILGA e a AMPLOS (Associação de Mães e Pais pela Liberdade de Orientação Sexual)?

Depois, recordar a posição de todas as grandes associações americanas (da psiquiatria à pediatria) de que são associados profissionais portugueses e que estudam os “terríveis efeitos” paras as crianças provocados pela homoparentalidade, sendo que há 20 anos que se atualiza permanentemente a conclusão consensual, sim, consensual, de que nada há de negativo na homoparentalidade, que tudo há de positivo em oferecer um estatuto jurídico como o da co-adoção no interesse da criança, que a parentalidade não se resume “à natureza”, lógica que de resto levou a resultados trágicos.

Algum respeito por este trabalho implicaria sentido democrático, trabalho, ler, ouvir, uns e outros (as personalidades chamadas para defender o não a este regime, claro) e, finalmente, votar.

Mas chega-nos a triste epifania: ninguém pode ser assim tão sei lá o quê. A JSD leu isto tudo e o seu líder quer minorar as possibilidades de perder. Sacou de uma hipótese de referendo como quem saca de um cafezinho, pelo meio a democracia, pelo meio a verdade no discurso.

Em cima dele uma tentativa falhada e malfalada.

Espero votar na casa da democracia o projeto de lei que atribui deveres e o nome certo a quem já é, agora mesmo, pai ou mãe de alguém.

Se o projeto de lei chumbar, pois que seja por uma regra simples: mais votos contra do que a favor.

Tristes os que jogam feio contra isto.

 

A vitória completa da direita

A narrativa de direita sobre esta crise é simples e pronta a ser digerida por qualquer idiota. Reza assim, resumidamente: Portugal vivia há anos em despesismo descontrolado, um regabofe que vem desde o 25 de Abril, quando tirámos do poder uma gente que embora desagradável era poupada e de boas contas (ninguém lhes tira isso) e torrámos o dinheiro que tínhamos e não tínhamos – sobretudo o que não tínhamos – em brutas obras públicas, rotundas, fundações por tudo e por nada, escolas de luxo para formar jovens em sociologia da literatura arqueológica, piscinas em todas as aldeolas que tivessem um presidente da junta a querer ser eleito, e principalmente a satisfazer o estilo de vida dos vários grupos de interesse que entretanto se instalaram e se regalaram a viver no luxo às custas do estado e do dinheiro que este pedia emprestado aos prudentes bancos do norte sem cuidar se podíamos pagar tantos direitos que escrevemos na constituição.

Isto, em escrita assumidamente populista, é o que nos andam a vender desde 2009, quando se percebeu que a crise das dívidas soberanas era uma das maiores oportunidades para alcançar o poder e desfazer o odioso estado social para o qual a gente séria está farta de pagar impostos.

Veja-se então, a título de exemplo, este naco de prosa exemplar (bolds meus):

Portugal não pode regressar ao passado de dez anos, 20 ou 30 anos (…)

todas as opções políticas devem passar pelo crivo da sustentabilidade, seja na Saúde, na Educação, na Segurança Social ou nos investimentos (…)

Precisamos de um compromisso entre gerações e entre políticas públicas. Os direitos são fundamentais numa democracia, mas esses direitos têm de corresponder a uma sustentabilidade das políticas públicas. Não podemos pôr de lado o rigor e a disciplina a que deve obedecer a gestão dos dinheiros públicos. Propomos um limite para a despesa corrente primária, porque é fundamental, sobretudo no período de ajustamento

 

Nada teria de especial, estando perfeitamente integrado na narrativa que acabei de descrever, não fora um facto, digamos, desconcertante: o autor destas ideias é António José Seguro, o Secretário-Geral do PS, e supostamente adversário do governo que as implementa.

Temos então uma situação peculiar em Portugal: tirando protestos políticos e acusações espúriuas, ou seja, teatro político à parte, o líder da oposição concorda, ponto por ponto, com o líder do governo tanto nas causas da crise, como no diagnóstico das medidas, e finalmente na estratégia para o futuro. As diferenças, a existirem, serão pontuais e provavelmente completamente esbatidas por exigências externas. O que nos leva à conclusão de que nas próximas legislativas, um cidadão apoiante dos moderados do chamado bloco central tem à sua escolha a continuação das políticas do governo pelo actual governo, ou a continuação das politicas do governo por alguém que fará uma cara mais solene.

O que leva, finalmente, à seguinte interrogação: será António José Seguro de direita, estando infiltrado no PS (o que daria pelo menos uma explicação semi-plausível para o seu desaparecimento quando todos discutiam o OE2014)? Ou será António José Seguro um cobarde político que acha simplesmente mais fácil alinhar com ideias já enraizadas na sociedade, até por falta de oposição, para se fazer eleger Primeiro-Ministro pela via de menor desgaste e confronto possível?

Eu, pelo menos, sei a resposta. A narrativa de direita venceu. E neste caso, por falta de adversário.

Um país expulso de um orçamento

Lê-se o OE e falta lá uma variável: Portugal. Já faltava na receita da troica elevada a programa de governo de cariz religioso, o “ir além” do acordado, roubar dois subsídios e duas pensões, desígnio “insultado” pelo Tribunal Constitucional (TC). A religião insistiu nos alvos fáceis, e mais uma vez o roubo, rouba-se uma pensão e um salário, aos mesmos, os diabos, os funcionários públicos e os privilegiados, os pensionistas, gente que se chama “despesa do Estado”. Junta-se um colossal aumento de impostos que atinge todos e, em dose dupla, os tais roubados: o desígnio é novamente “insultado” pelo TC.

Corta-se no RSI, faz-se de uma prestação social uma “remuneração” e põe-se o “peso morto da sociedade” a trabalhar sem salário na Administração Pública, a tal que tinha funcionários a mais, pois, o que certamente será uma ideia mais vendável com esta medida que, no século XXI, reintroduziu a escravatura em Portugal. Alteram-se os regimes jurídicos das prestações sociais – não foi só cortar, foi humilhar – de maneira que o ónus de demonstrar tanta coisa que está demonstrada no sistema informático do Estado é do cidadão, presumivelmente aldrabão, e que perde os seus 200 euros ou 100 porque não entregou o papelinho de difícil decifração.

A receita da austeridade pela austeridade teve resultados desastrosos, como sempre teve noutras experiências históricas. Mas persistiu a ligeireza de quem defende a lei dos despejos, a extinção de juntas de freguesia, o aumento do preço de transportes, as falências diárias, sempre sem uma pálida ideia de quem é o cidadão que ficou algures sem amparo, enterrado na acumulação de medidas que não o deixam ver no horizonte a sua pertença ao Estado, a sua ida a uma consulta, a sua condição de pai de bolsos vazios, nada para ajudar os filhos, desempregados, emigrados, persistiu a ligeireza de quem ou é fanático ou não conhece o país real ou sabendo da desesperança não é empático ou, pior, de quem é tudo isso. As palavras mentirosas para dizer a verdade que tem o nome de “desemprego”, de “despedimentos”, de “cortes retroativos de pensões”, são palavras de uma estética agarrada a regimes de má memória.

Um dia, Vítor Gaspar deu a estratégia por falhada. Mas continuou-se. Sem reforma do Estado, sem projeto: uma prostituição intelectual. Ideias avulsas: flexibilizar ainda mais a lei laboral, sem um estudo a dizer que isso é coisa que gera postos de trabalho, mas porque sim, e aumentar ainda mais o período dos contratos a termo, o contributo do ministro “democrata-cristão”. Tal como na “mobilidade”, o TC tramou o Governo, porque está sempre, sempre, tudo bem até às decisões do tribunal cuspido pela comissão europeia sem um sobressalto de quem diz representar uma pátria.

Por tudo isto este OE nasce morto. É que Portugal não está lá inscrito. O Portugal que sacrificou mais de 5.000 milhões de Euros para uma consolidação transformada em recessão. O mesmo défice, uma dívida pública a subir e mais 54 mil desempregados. A reforma do Estado de Portas está nos 4.000 milhões de Euros de novas medidas de austeridade, presume-se. E então volta-se à carga aos diabos e aos dispensáveis: cortes nos rendimentos dos funcionários públicos e cortes retroativos de pensões, a partir de 600 euros, boas notícias, dizem, porque anunciam os que se safam, celebrando assim a miséria e a divisão incutida na sociedade.

Ouve-se gente a agarrar-se a banalidades: não há direitos absolutos; não há princípios constitucionais absolutos; o TC tem de ter em conta o contexto. É verdade e o TC frisou o contexto atual em todos os acórdãos que zangam “democratas”. Coisa diferente é dizer-se que o TC não pode declarar normas inconstitucionais seja em que contexto for, porque o princípio que alguma gente tem na cabeça é outro: estão convencidos de que a interpretação que o Governo faz, através de leis, do tal contexto e das medidas que tem por adequadas é um princípio supraconstitucional. Não é coisa nenhuma. Eu sei que tentam, mas o Portugal expulso do OE é uma democracia.

O país não merece isto. Merece uma política nova e palavras antigas, como respeito e dignidade.

No Público de hoje

Se isto é o mal menor, Pedro Tadeu

Comentando a entrevista de Sócrates ao Expresso, Pedro Tadeu escreve hoje no seu artigo de opinião no DN que o ex-primeiro-ministro foi vítima da teoria que defende, segundo a qual governar é quase sempre escolher o mal menor. Pois bem, segundo Tadeu, em 2011, os portugueses não elegeram Sócrates porque puseram em prática uma teoria semelhante e escolheram o mal menor, restabelecendo-se assim a harmonia universal que, pelos vistos, convém à sua consciência. Não duvidando que Pedro Tadeu votou escolhendo o Bem Maior, provavelmente o Partido Comunista, muito gostaria que o jornalista explicasse o quão menor mal foi a alternativa escolhida pela maioria dos portugueses. Muito conformado está este jornalista de esquerda. Mais do que isso. Parece que gosta. Ou antevejo um sorrisinho nervoso?

Eis, no seu esplendor, os últimos parágrafos:

Mas a “ética da responsabilidade” do político, o imperativo ditado pela medição previsível do que produz mais felicidade do que sofrimento implicava – acharam, nessa altura, todos os outros, unânimes – o derrube do Governo. O “chefe democrático que a direita sempre quis ter”, nesse dia, era o produto do mesmo “cálculo do mal menor” que tanto o inspira.

O estudante de Filosofia, sem ética da convicção e sem imperativo categórico, não devia, portanto, queixar-se do resultado final, lógico, da sua tese teórica.

A petição que adoraria assinar

Eis a maior petição registada em peticaopublica.com: Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP. Reuniu, até este momento em que escrevo, 136 673 assinaturas, mais de 40 000 acima da petição em segundo lugar, um populismo qualquer, e quase 60 000 acima da petição em terceiro lugar, uma animalidade qualquer. No texto peticionário, lê-se:

Nós, cidadãos e contribuintes portugueses, declaramos por este meio, que recusamos a presença do Ex-Primeiro Ministro José Sócrates em qualquer programa da RTP, televisão essa que é paga com dinheiros públicos dos contribuintes que sofrem do resultado da má gestão deste senhor. Recusamos liminarmente o branqueamento das acções deste senhor através da TV dos actos de despesismo e gestão danosa, que fez com este país andasse para trás, e não para a frente.

Não vamos agora começar a discutir se andar para a frente será assim tão mais melhor bom do que andar para trás, mas lá que há situações em que só os broncos continuam firmes no propósito de dar literalmente um último passo em frente, lá isso há. Nem vamos comentar a qualidade deste português genuinamente passista. O que podemos dizer com certeza absoluta é que a mole das petições elegeu como questão mais gravosa das suas vidas a presença de Sócrates na RTP, aos domingos, durante 20 minutos e sem cobrar nada por isso. E porquê? Por razões do foro moral e judicial. Esta multidão está convencida de que Sócrates é autor de “actos de despesismo e gestão danosa”. Pois bem.

Pois muito bem. Excelente. Pelo menos 136 673 bacanos deram-se ao trabalho de martelar o teclado para a catarse de se imaginarem a calar alguém que odeiam. São gostos. Mas. Isto é. Ora, não seria preferível gastarem as suas energias exactamente para a finalidade contrária, obrigar Sócrates a falar? Não seria do seu mais alto e primeiro interesse que Sócrates fosse obrigado a assumir a sua culpa? Por que razão esta turbamulta de gente séria não fez, nem fará, uma petição a exigir que Sócrates seja obrigado a ir à RTP discutir com representantes sérios da gente todo o seu passado como governante, um passado pelos vistos tão vergonhoso, tão escandaloso, tão asqueroso que até um galfarro acabado de entrar na JSD seria capaz de esmagar o verme nojento, o anticristo, tamanho o caudal das evidências?

Passos Coelho, Marques Mendes, Duarte Marques, por exemplo, já se manifestaram publicamente a favor do julgamento criminal de Sócrates & pandilha. Outras figuras do PSD e CDS, idem. Comentaristas do laranjal, ui. Então, de que estão à espera? Se a Justiça não actua, se os tentáculos socráticos são tão poderosos e perversos que até conseguem dominar um Presidente da República, um Governo, uma maioria parlamentar e uma procuradora-geral da República, os bravos têm de se chegar à frente. Vejamos, não seria possível reunir Marques Mendes, Abreu Amorim, Helena Matos, Medina Carreira e a Moura Guedes para a mãe de todas as discussões na TV, levando a que Sócrates tivesse ou de comparecer perante estes monumentos à inteligência, boa-fé e decência ou de fugir cheio de medo do confronto com a verdade como o cobardolas que é?

Bom povo da direita, que andas a sacrificar o teu precioso tempo para nos salvares do Estado social e da Constituição, se precisares de ajuda para escrever o texto dessa petição que levará Sócrates a ser massacrado na televisão e em directo, conta comigo.

Maria Luís, afinal o que interessa ter em conta?

Através do blogue Massa Monetária ficamos a saber lindas coisas sobre a profundidade da Ministra das Finanças no que respeita às matérias por que é responsável e que tanto condicionam a vida de toda uma população. É ler. Se isto não é uma vergonha, digam-me o que é.

Destaco, como aperitivo, a afirmação de que os multiplicadores não interessam porque a grande maioria das pessoas não sabe o que sejam.

Da quinta-coluna

Na rentrée, Passos deu o mote no comício aos Jotas com os conselhos de bom senso ao Tribunal Constitucional, Nessa altura, tivemos também a rábula pulha sobre os desempregados e a Constituição. Depois, a capa do Expresso com a chantagem do cheque da troika sobre o Tribunal Constitucional. Seguiu-se o spin internacional – via associated press e outros, veiculando a ideia de radicalismo do Tribunal Constitucional.

Na campanha das autárquicas, Passos veio associar o eventual chumbo de normas do Orçamento de Estado pelo Tribunal Constitucional a um segundo resgate. Entretanto, Portas e sus señoritos reforçam a ideia e dizem que tal implicará igualmente um pacto constitucional para retirar qualquer obstáculo às medidas da troika. De seguida, o “nosso” Durão subiu a parada com a ameaça do “caldo entornado” (como se vê dá imenso jeito ter um português na Presidência da Comissão Europeia, não é?). Agora, a crítica ao “ativismo político” do Tribunal Constitucional por parte de mais um obscuro funcionariozeco português de Bruxelas, daqueles que – tal com os estarolas radicais do Banco de Portugal – têm os seus ordenados protegidos do tsunami austeritário que está a destruir Portugal.

Tudo para condicionar a ação do Tribunal Constitucional, neste momento, o último garante da efetiva independência política de Portugal, a última sede de soberania de Portugal. Com um Presidente da República comandado por controlo remoto pelo Governo e instituições europeias, uma comunicação social em larga medida submissa e/ou condicionada pelos grupos económicos dominantes, com uma oposição liderada por uma nulidade genérica de marca branca, a população portuguesa, já de si com uma intervenção política passiva ou muito pouco informada, encontra-se num estado quase catatónico, conformada com o retrocesso civilizacional que os “senhores da televisão” lhes dizem ser o único caminho possível para finalmente podermos voltar a ser um “País de bem”, empobrecendo cada vez mais para conseguirmos pagar uma dívida cada vez maior.

Mais tarde ou mais cedo, Passos ou Marco António Costa, no seu estilo destrambelhado, ou Maduro, no seu estilo mais viscoso, atravessarão o que ainda falta (ainda falta?) do Rubicão Constitucional, com novas intervenções que colocarão definitivamente em causa o Tribunal Constitucional, coagindo de forma objetiva o livre exercício da sua ação e incorrendo mesmo num crime punível por lei. (Artigo 10.º da Lei n.º 34/87, de 16 de Julho “Crimes de Responsabilidade dos Titulares de Cargos Políticos”, Coacção contra órgãos constitucionais – 1 – O titular de cargo político que por meio não violento nem de ameaça de violência impedir ou constranger o livre exercício das funções de órgão de soberania ou de órgão de governo próprio de região autónoma será punido com prisão de dois a oito anos, se ao facto não corresponder pena mais grave por força de outra disposição legal).

O Tribunal Constitucional é, pois, neste momento, o último grande adversário antes de se conquistar Roma… Compete a todos os democratas que acreditam que Portugal deve continuar a ser um Estado de Direito independente denunciar estas pressões e ingerências brutais e inadmissíveis do Governo e das instituições europeias sobre o Tribunal Constitucional. Até porque, se o Tribunal Constitucional acabar por capitular, esta história, tal como em Roma, vai acabar mal, muito mal para todos nós…

__

Oferta do nosso amigo PG

Revolution through evolution

Female Doctors Better Than Male Doctors, but Males Are More Productive
.
War Is Not Inevitable; Psychology Research Should Promote Peace
.
How a Radical New Teaching Method Could Unleash a Generation of Geniuses
.
Einstein’s brain a wonder of connectedness
.
Generosity Is Its Own Reward
.
Cognitive therapy study hope for hypochondria patients
.
Which politician do you hate?

Continuar a lerRevolution through evolution

Receita para um idiota

Este orçamento consagra aquilo que já estava previsto na 7.ª avaliação, que é a convergência da Caixa Geral de Aposentações, mas ao mesmo tempo, aumenta as pensões mínimas sociais e rurais de um milhão de pessoas, que são aquelas que não aparecem na televisão, mas são as mais pobres“, sublinhou.

Paulo Portas reagia assim à manifestação de sábado em Lisboa, que concentrou em Alcântara milhares de pessoas, que exigiram a demissão do Governo, num protesto promovido pela Confederação-geral de Trabalhadores (CGTP-In) contra as políticas de austeridade.

Temos então que, se os mais pobres não se manifestam por terem sido contemplados com umas migalhas, o melhor é mesmo aplicar a receita a toda a gente.

COMO ACABAR COM MANIFESTAÇÕES

Receita: Reúne-se um país numa frigideira e assusta-se o mesmo com uma Troika e a falta de alternativa. Reduz-se a generalidade dos salários até níveis insuportavelmente baixos. Vai ao lume. Rega-se com sentimentos de culpa e, de vez em quando, reduz-se a temperatura com pequenos aumentos de miséria. E pronto, entretidos a sobreviverem, os cidadãos deixam-se cozinhar e são muito poucos os que saltam para fora para tomarem consciência do que se passa.