À beira de estar em causa a viabilidade do país, a notícia dominante sobre o que o Governo negociará com a TROIKA nesta avaliação é a do “método” do corte de quatro mil milhões de euros.
Arquivo mensal: Fevereiro 2013
A falta que faz não ter o CDS na oposição para nos revelar os culpados disto
Todos os dias cerca de 20 pessoas ligam para o 112 a pedir ajuda, muitas com ideias suicidas por não suportarem a falta de dinheiro para alimentar os filhos, cabendo aos psicólogos do INEM dar-lhes argumentos para viver.
Uma perguntinha aos senhores da troika
Se as empresas portuguesas fizessem como fazem algumas (pelos vistos, muitas) empresas dos evoluidíssimos, competentíssimos e honestíssimos países do Norte que vendem gato por lebre, aumentando assim brutalmente os seus lucros e a riqueza dos respectivos países, se calhar os senhores não teriam aterrado hoje em Portugal com a missão de nos virem dar lições de economia e de moral, pois não?
Gente séria é outra coisa
20 meses de passadismo depois:
Eduardo Catroga defende que se deve fazer a dispensa de funcionários públicos e a revisão das regras para a idade da reforma. O economista não vê outro caminho para produzir uma poupança permanente de muitos milhões de euros, assunto que estará na agenda da sétima avaliação da “troika”. O economista que negociou o memorando de entendimento em nome do PSD sustenta ainda que o país está obrigado a adequar as despesas às receitas correntes. Não há mais espaço para soluções extraordinárias e por isso é incontornável reduzir os gastos com pessoal.
30 dias antes de meterem a bocarra no pote:
«As medidas que agora aparecem são melhores para os portugueses» do que as do PEC4, afirmou, recordando contudo que «é um programa de austeridade, que é preciso por causa de seis anos de Governo socialista, que levou o país à beira da bancarrota».
Eduardo Catroga critica a atitude do Governo que se «apresenta como vítima e como vencedor de uma negociação que foi sobretudo negociada pelo maior partido da oposição». «O PSD deu um grande contributo para este processo. Portugal vai ter uma grande oportunidade para fazer as medidas que se impõem, para dar esperança», disse ainda.
«Tivemos uma reunião altamente frutuosa com a troika, que percebeu a nossa atitude diferenciadora, de defesa do Estado social. O PEC 4 ataca pensões, não falava em reduzir o gordo estado paralelo…»
Eduardo Catroga disse ainda que «houve uma adesão a este princípio de que o PSD, se for Governo, fica com autonomia para propor um novo mix de políticas, se por acaso aparecerem amanhã [quarta-feira] surpresas de medidas penalizadoras para os portugueses».
Afinal, quando é que descobriram que o Relvas é um traste?
O principal argumento dos que defendem que contra Relvas vale tudo, até suspender a democracia, é que ele é um traste. Pois é, mas já era um grande traste bem antes ter chegado ao poder e de se saber em que condições obteve a licenciatura, ou de se saber do que é capaz quando um jornalista se atravessa no seu caminho, ou não? É que se é verdade que o Governo mentiu descaradamente e tem feito exactamente o contrário do que prometeu, também é verdade que há coisas que não foram surpresa nenhuma. O Relvas nunca disfarçou o que é, para quem tivesse dúvidas, a forma como fez campanha contra Sócrates foi mais do que reveladora, mas, nessa altura, as pessoas da esquerda pura e verdadeira não se indignaram com aquela forma de fazer ‘política’, pelo contrário, o Relvas era um aliado precioso na luta contra o demoníaco Sócrates. Claro que o resultado dessa luta seria exactamente dar o poder a Relvas e aos amigos. Mas, aparentemente, os apoiantes da esquerda pura e verdadeira só conseguem pensar numa coisa de cada vez e por isso não conseguem antecipar as consequências das suas acções. Agora apoiam o movimento “Que se lixe a troika”, esquecidos de que Sócrates, aquele que ajudaram a derrubar, foi o primeiro a mandar lixar a troika e a alertar para as graves consequências da sua vinda. Alguém o ouviu? Não. O Relvas e os amigos diziam coisas muito mais interessantes, o que terá justificado a última coligação negativa, a responsável por termos de levar com o traste do Relvas como ministro.
Passados dois anos, finalmente, fartaram-se de os ouvir, e como é óbvio têm todo o direito a protestar. Mas de caminho, perguntem ao Jerónimo e à dupla do BE por que razão não conseguem calar o Governo, mas por falta de argumentos. Questionem o que se passa nos debates quinzenais, por exemplo, onde o Relvas costuma estar presente e de onde pode sair sempre sorridente, pois nunca de lá sai verdadeiramente derrotado.
Ah, esqueci-me que só conseguem fazer uma coisa de cada vez e agora têm um ministro para silenciar.
Perguntas simples
Quando é que Manuel dos Santos, o dirigente socialista que para defender Seguro disse que o PS é responsável “pela actual situação do País” e “por a direita estar a governar Portugal”, vai denunciar as mentiras de Carlos Carvalhas a respeito de Sócrates e do PEC IV?
Revolution through evolution
Trustworthy Mating Advice Deepens Bond Between Straight Women and Gay Men
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Giving Equal Rights To Women Could Be Solution To Worldwide Food Insecurity
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Scientists Make Older Adults Less Forgetful in Memory Tests
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Identifying Trends in 60 Years of Oscar Speeches
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How To Kill An Asteroid? Get Out A Paint Spray Gun, Says Texas A&M Space Expert
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A Diet of Resistant Starch Helps the Body Resist Colorectal Cancer
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Researchers Find Appointed Justices Outperform Elected Counterparts
Lapidar
Exactissimamente
Um enigma desvendado
Já toda a minha gente o viu e reviu mas convém trazê-lo de volta para explicar o desaparecimento do Presidente da República durante a maior crise económica e social após o 25 de Abril. O Aníbal tem andado ocupado a espremer o “Spread it” com outras variedades para além da Nuttela e da compota, eis a verdade. Ainda há dias juntou “laranjal” com “vale tudo”. E espremeu.
A Joana explica como se faz:
Na coutada do universitário português
Sabemos que estamos perante um episódio que expõe constrangimentos sociais e culturais graves à cidadania quando até os magníficos Pedro Adão e Silva e Pedro Marques Lopes, já com quatro noites de repousado sono a favorecer a sua actividade racional, repetem que Relvas não devia ter sequer ousado aparecer numa universidade para participar num qualquer evento aberto ao público estudantil.
Essa será uma opinião nascida do senso comum, seguramente, até do bom senso, quiçá. Por isso tantos a expressaram por estes dias. Será uma opinião que fica em perfeita sintonia com o ambiente de um táxi e de um café, viveiros populistas. Será um ponto de vista sociológico, psicossociológico e psicológico, mesmo antropológico, que um jornalista poderá assumir num dado contexto. Será uma opinião que um comentador político de referência poderá veicular já correndo alguns riscos de perder credibilidade intelectual, pois o mesmo pressuposto valida a tese da suposta responsabilidade e coragem perante igual invocada adversidade e o páreo entre as duas linhas de argumentação dá inevitável empate. Mas é uma opinião absolutamente inaceitável num político. Porque um político que abdique da defesa heróica do Estado de direito democrático é um tirano ou cúmplice de tiranos.
Aparentemente, dizer-se que Relvas não tinha condições para discursar publicamente numa instituição de ensino superior, fosse lá qual fosse a matéria da prelecção, é tão-somente uma descrição dos seus tremendos defeitos como governante. E é, óbvio. Só que o preço a pagar é este: aceitar que o corpo discente das universidades portuguesas é constituído por meninos de quem se espera que façam birra e se comportem como alunos do Ensino Secundário num jogo da bola entre escolas, broncos incapazes de pensar, de investigar, de reflectir, de discursar, de argumentar, de usar a palavra e de deixarem os outros fazerem uso da sua palavra, especialmente se forem legítimos representantes do Povo. Aparentemente, também, este corolário já não incomoda quem se incomoda com a repulsa daqueles que ficaram tristes com a violência que se abateu sobre um ministro do XIX Governo Constitucional de Portugal.
Tudo isto lembra a doutrina da “coutada do macho ibérico”, cujo texto é pródigo em exaltações do bom senso:
III – Contribui para a realização de um crime de violação a ofendida, rapariga nova mas mulher feita que: a) Sendo estrangeira, não hesita em vir para a estrada pedir boleia a quem passa; b) Sendo impossível que não tenha previsto o risco em que incorre; c) Se mete num carro, com outra e com dois rapazes, ambas conscientes do perigo que corriam, por estarem numa zona de turismo de fama internacional, onde abundam as turistas estrangeiras com comportamento sexual muito mais liberal do que o da maioria das nativas;
Notícia de/da última hora
Foi encontrada esta madrugada numa cave de Belém por um segurança que fazia a ronda uma nova versão, com aparência de ser a genuína, da lei n.º 46 de 2005, que estabelece limites à renovação sucessiva de mandatos autárquicos. O diploma apresenta diferenças bastante esclarecedoras na redacção dos parágrafos 3 e 4 do artigo 1.º daquela lei, como adiante se pode constatar:
3- A presente lei não se aplica aos presidentes de/das câmaras municipais e aos presidentes de/das juntas de freguesia que se candidatem pelo PSD, nomeadamente nos casos de/do Luís Filipe Meneses e de/do Fernando Seara, os quais podem e devem exercer o número de/dos mandatos consecutivos que bem lhes aprouver.
4- Nem a presente lei nem qualquer outra norma jurídica portuguesa se aplica a autarcas do PSD de reconhecida idoneidade que tenham sido condenados a perda de mandato ou a pena de prisão, os quais estão autorizados a recorrer consecutivamente e sem qualquer limite de todas as sentenças e acórdãos de que tenham sido alvo, bem como a candidatar-se aos cargos autárquicos que lhes der na real gana.
Interrogado pelos jornalistas quando saía do palácio de Belém para ir passear o cão, Cavaco comentou:
– Dãããã!
Cavaco, escuta
Mundo mirabilis
GPS marado
Sem surpresa, lá vamos sendo informados, oficialmente, de que tudo o que estava previsto no OE 2013, afinal, era a brincar. Mas a brincadeira continua. Perante as previsões alarmantes relativamente ao desemprego e à recessão, Passos reafirma que o País “está na direcção certa”. Pois está, mas só se o destino for a Grécia.
Seja como for, é pena que ninguém pergunte ao primeiro-ministro o que terá de acontecer à economia e aos portugueses para que comece a ter dúvidas quanto ao caminho que estamos a percorrer. Com o desemprego em 17,5% vamos bem, para irmos mal terá de chegar onde? 20, 30, 50%? Mais ainda? E para a recessão, há algum limite? Não me parece. É como para a falta de vergonha na cara, também não há limite. Veja-se o ministro das Finanças, apesar do falhanço colossal das suas políticas, há dias falava da “credibilidade acumulada”. Imagine-se se as coisas estivessem a correr bem, a acumulação de credibilidade seria tanta que a Curiosity a poderia fotografar a partir de Marte.
Isto sim, é um servicinho bem feito
É a democracia, estúpido
Foi contigo que me mandou o velho cavaleiro Peleu
naquele dia em que da Ftia te mandou a Agamémnon,
criança que nada sabias da guerra maligna
nem das assembleias, onde os homens se engrandecem.
Por isso ele me mandou, para que eu te ensinasse tudo,
como ser orador de discursos e fazedor de façanhas.
Fala de Fénix a Aquiles, Ilíada, Canto IX, 438-43, Cotovia
*
Marx ainda gastou umas pestanas com o vanguardista Demócrito, o que mui bom proveito lhe fez, mas os seus trinetos não querem nada com a cultura clássica. Cheira-lhes a imperialismo, e imperialismo é obra de americano. Maneiras que se auto-excluem do convívio com os criadores das primeiras formas de democracia que este planeta viu nascer. Quão melhores as disputas bizantinas acerca da teologia marxista, isto para maiores de 60 anos, ou a calhauzada à montra burguesa e as provocações à bófia fascista, isto para menores de 30 anos. Entre os 30 e os 60, há muito restaurante para descobrir, muito vinho para beber, a revolução pode esperar.
Talvez esteja nessa actual aversão à paideia a explicação para um dos maiores enigmas eleitorais em Portugal e não só: porque não conseguem os partidos que prometem o céu na terra para os trabalhadores e miseráveis obter maiorias parlamentares? Que estará a falhar? Será apenas uma questão de tempo, estando nós cada vez mais perto de ter um primeiro-ministro do PCP ou do BE? Será que a mensagem ainda não chegou a todos os votantes? Será que anda alguém a boicotar a correcta recepção e entendimento das propostas nos neurónios dos cidadãos? Que se passa, afinal, que está a atrasar o fim da exploração do homem pelo homem, e da mulher pela mulher, ou qualquer outra das variantes exploratórias possíveis?
O episódio de Relvas no ISCTE permite a elaboração de uma nova hipótese. Para lá chegarmos, vamos começar por ouvir o João Semedo, pois nestas declarações se condensa o essencial do argumentário que tem sido repetido por tanta gente inteligente e bem-intencionada: uma voz da esquerda pura e verdadeira a educar o povo. E agora ponhamos em letra o seu remate:
A democracia é uma dinâmica que tem várias expressões. Tem a expressão eleitoral através do voto. Tem a expressão através das opiniões e da construção da opinião. Mas tem também uma componente de protesto, de revolta, de insubmissão. É isso que ontem vimos no ISCTE e eu julgo que isso faz parte da pluralidade das formas como a democracia se constrói e desenvolve.
Segundo a metade que mija de pé na liderança do Bloco, a democracia constrói-se e desenvolve-se sempre que a turbamulta consegue impedir com o seu berreiro que um dado alvo da sua antipatia não consiga usar da palavra. Estando assim estabelecido o princípio, Semedo está a convidar a malta do PNR, ou uma delegação do Aurora Dourada em trânsito para umas fériazitas no Algarve, a aplicar a receita em iniciativas do BE. É que razões não faltarão a essa rapaziada atlética para se entregarem ao protesto, à revolta e à insubmissão em nome da construção e desenvolvimento da sua peculiar concepção de democracia. Boa sorte, Semedo, e não te esqueças de levar o Betadine.
Mas o que me intriga é este recente monopólio do hooliganismo de plateia no que toca ao formato do protesto, tal como Semedo estipula e consagra. Seria de esperar – ingenuamente, sei bem – que os estudantes do ensino superior até começassem por agradecer a Relvas a extraordinária oportunidade que ele lhes estava a oferecer. Eis uma figura especialmente detestável de um detestável Governo que se presta a deslocar-se a uma instituição académica, a qual ainda por cima sempre foi conotada com ideais ou perfume de esquerda, para se expor ao interrogatório e comentário de uma audiência livre. Foda-se, senhores ouvintes. Para mais, essa figura vinha de um evento no dia anterior onde se tinha afundado num poço sem fundo de ridicularia e achincalho pela sua própria iniciativa. Seria de pensar – ingenuamente, sei bem – que algum estudante de Economia, Ciência Política, Sociologia, Gestão, Finanças e Contabilidade, Gestão de Marketing, História Moderna e Contemporânea, Gestão de Recursos Humanos, Informática e Gestão de Empresas, Arquitectura, Gestão e Engenharia Industrial, Engenharia de Telecomunicações e Informática, Psicologia ou Antropologia pegasse no seu telemóvel e marcasse uma reunião no bar para elaborarem à volta de umas minis um brilharete que desse boa fama ao ISCTE e a cada um deles. Que poderia ser? Deixa cá ver… hum… mostrar o rabo?… bom, dependeria do rabo em causa, claro, mas já foi feito… hum… cantar a Grândola?… divertido mas já cliché… hum… pedir a demissão e vaiar o senhor?… justíssimo, embora pobre face ao potencial da situação… Ah, heureca! Que tal ter um, dois ou três estudantes a pedir a palavra e a demonstrar perante Relvas e o País que eles são muito melhores do que o seu Governo? Ó Semedo, não seria este um protesto, uma revolta e uma insubmissão muito mais proveitosos para a construção e desenvolvimento da democracia? Espera, não te irrites. Perguntar não ofende. Se achares que não é, prontos, não é. Tu é que sabes, tu é que tens os livros lá em casa.
Relvas escapou de boa. Podia ter ido meter-se na cova dos leões e sair de lá debaixo de uma monumental gargalhada. Em vez disso, deu por si no curral dos burros. Muito zurraram e escoicearam esses asnos. E lá conseguiram o que queriam: fugir do confronto democrático. No final, sentiram-se vitoriosos. A sua inferioridade intelectual, política e moral perante Relvas tinha ficado escondida. Estavam prontos para outra. Quem será o próximo adversário que vão silenciar? É só escolher, alvos não faltam.
Estamos finalmente em condições de apresentar a hipótese explicativa dos sucessivos desaires eleitorais do PCP, BE e restantes corajosos revolucionários: ainda há um número demasiado grande de portugueses que prefere o ruído dos crápulas ao silêncio dos tiranetes – quando nos conseguirem calar a todos, só aí ganharão.
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Oferta do nosso amigo David Crisóstomo:
Órgão oficial do laranjal explica a realidade aos seus leitores
D. Carlos e a sua Igreja
A homossexualidade é julgada pelo Catecismo da Igreja Católica como desordenada e contra a lei natural, em caso algum podendo ser aprovada. Isto exclui, aparentemente, que seja tolerável um bispo homossexual. Muito menos um bispo pedófilo, como já se viu por esse mundo, mas não é disso que D. Carlos Azevedo é acusado na Visão de hoje, com direito a capa sensacionalista da cor do inferno. A denúncia é de homossexualidade, com “assédio” para carregar as tintas. “Querem-me destruir”, reagiu D. Carlos. É capaz de ser verdade.
O catecismo vigente diz também que os homossexuais devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza, evitando-se para com eles todo o sinal de discriminação injusta. Já lá vai, portanto, o tempo em que os “sodomitas”, incluindo os da Igreja, eram condenados à fogueira. Agora pedem-lhes que dominem a sua sexualidade “desordenada” e que, pela oração, reentrem no caminho da perfeição cristã, que é a castidade. Quantos o farão? Não há estatísticas.
Foram sempre tão frequentes as práticas homossexuais no seio do clero que um santo doutor da Igreja que viveu no século XI, S. Pedro Damião, lhes chamou o “vício dos clérigos”. Isso é dito no seu Livro de Gomorra, obra que dedicou ao papa de então e que hoje é por muitos considerada como a bíblia da homofobia. Mais tarde, a Inquisição atirou-se aos clérigos homossexuais, pelo menos a alguns, como gato a bofe. Uma história circunstanciada dessa perseguição pela Inquisição de Lisboa é agora tese universitária de uma historiadora brasileira, de seu curioso nome Verónica de Jesus, intitulada precisamente Vício dos Clérigos (2010), que se pode ler na net. Os numerosos clérigos “fanchonos” ou “sodomitas” do Brasil eram recambiados para Lisboa e aqui julgados pelo Tribunal do Santo Ofício. Vários arderam em autos da fé, outros foram açoitados e enviados para as galés. Para a Inquisição, o acto mais hediondo, a pior ofensa a Deus, equiparada pelo santo tribunal a regicídio, consistia em “depositar a semente no vaso traseiro do paciente”. Menos graves eram os “toques” e as “molícies”, que o leitor imaginará o que fossem. Os inquisidores, como os confessores, eram voyeurs e regalavam-se com pormenores pornográficos. Tudo era minuciosamente inquirido, descrito e classificado.
Falou-se há alguns anos no nome de D. Carlos para suceder ao patriarca de Lisboa. O bispo auxiliar de Lisboa destacava-se pela sua inteligência, cultura, currículo académico, cargos eclesiásticos importantes que desempenhou, mente relativamente aberta, bem-falância, atitude viril. Para não destoar dos seus colegas, na sua qualidade de porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa atirou-se ao governo de Sócrates com as acusações de falta de diálogo, anticlericalismo, mentalidade laicista, etc. Insistiu na treta de que não havia liberdade de educação em Portugal, porque o Estado não dava mais dinheiro à Universidade Católica. Apesar de discordar de tudo isso e de não ser católico, não me custava achar que o bispo D. Carlos tinha boas qualidades para renovar a Igreja em Portugal e para cativar as camadas cultas. Pelos vistos, nem todos achavam isso dentro da Igreja, onde também há inveja e ódios mesquinhos. Quando se apontou o nome dele para patriarcável, logo surgiu a denúncia de assédio sexual, vinda de um antigo aluno e actual responsável eclesiástico. Não sei porquê, mas isto soa-me ainda um bocado como se viesse do Santo Ofício: “É fanchono, condene-se”.
Não sei o que a Igreja vai fazer agora, mergulhada que está nas suas contradições. Provará D. Carlos irremediavelmente da intolerância que ainda existe na Igreja em matéria de sexualidade? Como é a sua Igreja, não poderá ter grande razão de queixa, coitado.
Terceiros excluídos
Gaspar anunciou hoje que o (seu) mundo mudou e que vai alterar a estratégia orçamental e económica. Perante isto, das duas uma: ou reconhece que a estratégia anterior falhou ou diz que só persistiu no erro porque considerou que tal era necessário para reforçar a posição negocial do país e, portanto, instrumentalizou o sofrimento de milhares de portugueses. Ou os portugueses foram vitimas de uma incompetência do ministro ou foram moedas de troca numa estratégia de negociação.
