Na coutada do universitário português

Sabemos que estamos perante um episódio que expõe constrangimentos sociais e culturais graves à cidadania quando até os magníficos Pedro Adão e Silva e Pedro Marques Lopes, já com quatro noites de repousado sono a favorecer a sua actividade racional, repetem que Relvas não devia ter sequer ousado aparecer numa universidade para participar num qualquer evento aberto ao público estudantil.

Essa será uma opinião nascida do senso comum, seguramente, até do bom senso, quiçá. Por isso tantos a expressaram por estes dias. Será uma opinião que fica em perfeita sintonia com o ambiente de um táxi e de um café, viveiros populistas. Será um ponto de vista sociológico, psicossociológico e psicológico, mesmo antropológico, que um jornalista poderá assumir num dado contexto. Será uma opinião que um comentador político de referência poderá veicular já correndo alguns riscos de perder credibilidade intelectual, pois o mesmo pressuposto valida a tese da suposta responsabilidade e coragem perante igual invocada adversidade e o páreo entre as duas linhas de argumentação dá inevitável empate. Mas é uma opinião absolutamente inaceitável num político. Porque um político que abdique da defesa heróica do Estado de direito democrático é um tirano ou cúmplice de tiranos.

Aparentemente, dizer-se que Relvas não tinha condições para discursar publicamente numa instituição de ensino superior, fosse lá qual fosse a matéria da prelecção, é tão-somente uma descrição dos seus tremendos defeitos como governante. E é, óbvio. Só que o preço a pagar é este: aceitar que o corpo discente das universidades portuguesas é constituído por meninos de quem se espera que façam birra e se comportem como alunos do Ensino Secundário num jogo da bola entre escolas, broncos incapazes de pensar, de investigar, de reflectir, de discursar, de argumentar, de usar a palavra e de deixarem os outros fazerem uso da sua palavra, especialmente se forem legítimos representantes do Povo. Aparentemente, também, este corolário já não incomoda quem se incomoda com a repulsa daqueles que ficaram tristes com a violência que se abateu sobre um ministro do XIX Governo Constitucional de Portugal.

Tudo isto lembra a doutrina da “coutada do macho ibérico”, cujo texto é pródigo em exaltações do bom senso:

III – Contribui para a realização de um crime de violação a ofendida, rapariga nova mas mulher feita que: a) Sendo estrangeira, não hesita em vir para a estrada pedir boleia a quem passa; b) Sendo impossível que não tenha previsto o risco em que incorre; c) Se mete num carro, com outra e com dois rapazes, ambas conscientes do perigo que corriam, por estarem numa zona de turismo de fama internacional, onde abundam as turistas estrangeiras com comportamento sexual muito mais liberal do que o da maioria das nativas;

Fonte

35 thoughts on “Na coutada do universitário português”

  1. Que a TVI tenha tido a peregrina ideia de pôr o Relvas a falar sobre jornalismo, revela bem a subserviência, ou estupidez dos nossos meios de comunicação.

    O Relvas que tem CENSURADO todos aqueles que discordam dele, o Relvas que põe um vendedor de cerveja seu amigalhaço a dirigir a RTP, revela bem qual é a opinião que ele tem sobre a comunicação social , e do papel do jornalismo LIVRE.

    Que um grupo de estudantes se tenha manifestado, e que o Relvas não tenha tido a coragem , de esperar pelo fim dos protestos , para então ler os papelinhos que os assessores lhe escreveram para a ocasião, e tenha FUGIDO com o rabo entre as pernas, escoltado por uma dúzia de gorilas, revela bem o estofo da personagem,

    Que parte do PS tenha acorrido em defesa do homenzinho, roça o ridiculo.

    Mas patético foi ouvir por exemplo Lobo Xavier do CDS e Pacheco Pereira do PSD, a defender o direito à manifestação, e António Costa do P “S” verberar o protesto, ASSIM NÃO VAMOS LÁ.

  2. pois , só que nos “estados de direito ” os ministros apanhados no copianço e tal , aldrabices nos cv , demitem-se. partes logo de uma premissa errada , que isto é um estado de direito , logo o teu raciocino psicobiológico e mais não sei quê , foi feito com meio neurónio.

  3. ganha juízo pá! ninguém violou o relvas antes ou depois e até gostou do que se passou na véspera que repetiu a dose todo pimpão para dar uma de fanfarronice. desta vez não aguentou o balanço, desistiu de ler o papel e o descontrolo foi geral até conseguir encontrar a porta de saída. há coisas mais importantes do que o merdas do relvas e tu continuas a imitá-lo na esperança de te saires melhor. não desesperes e mantém o controlo da coisa, o arsénio carlos já aderiu ao lixamento da troika, o sis tamém e a coisa brevemente está desacreditada para tua satisfação.

  4. Primeiro atirar pedras numa manifestação foi atitude de arruaceiros, depois cantar o Grandola ao Relvas é próprio de energumenos, qualquer dia não podemos dizer nada porque isso pode perturbar OS RELVAS e o normal funcionamento da democracia e só os politicos encartados e os doutores e os comentadores de serviço nas suas mesas redondas e nos seus coloquios para inglês ver é que se podem exprimir. Não façam da democracia e da liberdade aquilo que ela não é.Os Relvas deste mundo terão sempre onde se exprimir e expôr os seus discursos redondos e a sua ignorância. A censura e a repressão parte sempre do Poder sobre o povo e não do povo sobre o poder. Chega de conversa para entreter.

  5. “Primeiro atirar pedras numa manifestação foi atitude de arruaceiros…”

    claro que foi e tamém é crime

    “… depois cantar o Grandola ao Relvas é próprio de energumenos…”

    claro que não e não é crime

    misturar as duas coisas é incorrecto, apesar de não ser crime.

  6. estroinice a precisar de paideia. soberba a tua analogia: contribuição da vítima para ser efectivamente uma vítima e aliviar o peso do crime – é o crime por direito, o direito ao crime. ou então o crime que faz parte da praxe.

  7. As pessoas que se têm manifestado nas ruas, contestando este ou o anterior governo, têm merecido o mais vivo repúdio do nosso Valupi e dos altos dirigentes do PS. Digo isto assim mesmo, porque em todas as manifestações houve provocações, insultos, excessos, falta de bom senso, irreverência e tentativa, sob qualquer forma, de inibição da acção dos governantes eleitos. E se nem todos insultaram, pelo menos foram efectivamente coniventes com o insulto, permanecendo ao lado de quem o fazia. O Valupi e os puristas da democracia que se escandalizam com as manifestações ruidosas e polvilhadas de insultos chegam ao extremo de acusar os manifestantes de reprimir a liberdade de expressão dos governantes. É caricato e trágico ver estes puristas acusar o povo de reprimir a liberdade dos ministros. E logo governantes que detêm o poder absoluto da governação e os microfones deste mundo e do outro para se expressarem em perfeita segurança e chegar a todo o país. Esses puristas, na ânsia de mostrar que são democratas “pra caralho”, atiram para trás das costas a traição intolerável dos governantes que violaram flagrantemente as promessas feitas (e tudo faz crer que o fizeram deliberadamente, obedecendo a um plano bem delineado e bem escondido dos eleitores). Estes puristas nem se dão conta que a sua atitude de condenação da revolta popular significa o conluio efectivo com os que estão “rir-se” da democracia. Não houvesse o recurso último do TC e a Constituição que estes puristas da democracia dizem defender, ja estava feita num farrapo. Até dói, este espectáculo deprimente de ver gente como Santos Silva ou António Costa repudiar a revolta popular, que surge nem sempre de forma ortodoxa, como acontece em todos os movimentos de genuína revolta. Eles não percebem, tão batidos que são na política, que os episódios com Relvas são pequenas aflorações de uma revolta latente generalizada, de gente desesperada? Esses senhores não andam pelas ruas? Vivem em alegre bate-papo uns com os outros nos corredores dos intervalos do poder? Estão-se cagando para os suicidios dos desesperados, para os alunos que abandonam a universidade por falta de recursos, para os doentes que não têm dinnheiro para os medicamentos, para os que emigram com o coração a sangrar? Eu começo a não perceber bem onde estão os filhos da puta.

  8. “Eu começo a não perceber bem onde estão os filhos da puta.”

    deve ser por isso que metes no mesmo saco os pedreiros da assembleia e os grandoleiros do iscte.

  9. O Valupi gastou até agora nove “posts” a defender o (consulado do) Relvas, apelidando-o de democracia, depois de, ao longo de ano e meio, ter escrito sobre este mesmo consulado e personagem o que o Maomé não disse do toucinho. Certamente, por se lembrar da célebre citação de Voltaire – em defesa da opinião daqueles que o criticavam – veio aqui em defesa do ministro mais odioso deste odiado governo, num sacrifício de meter dó. Como se o ministro em questão não possa falar as vezes que quiser e onde quiser, a maior parte das vezes para só dizer disparates e ameaçar os cidadãos com a arrogância de um taberneiro. Acontece que, mesmo nos países onde a democracia não começou propriamente ontem, os ministros são vaiados, por vezes impedidos de falar, chegando a levar com bolos e outros objectos da culinária local. Se o Valupi não fosse tão pacóvio, e tivesse algum “Mundo”, sabia que estas coisas acontecem a políticos em todo o lado, pois quem anda à chuva molha-se. Mais: os políticos que não cumprem o contrato democrático pelo qual foram eleitos, habilitam-se a que lhe aconteçam coisas semelhantes e não raramente vemos cenas destas em sociedades bem mais democratas que Portugal.
    A única explicação para tal fixação (anal?) é de gostar de ser insultado por um dos maiores vigaristas da cena política portuguesa e achar bem porque, segundo o conceito valupiano de democracia, levar no cú, de quatro em quatro anos, dá ao partido socialista a oportunidade de praticar o mesmo acto quando chegar ao poder.
    Valupi, és patético.

  10. Pedro, não me admira que comeces a não perceber bem onde estão os filhos da puta. Não me admira mesmo nada. Entretanto, insistes em falar de coisas que eu não escrevi e que o Santos Silva e o António Costa não disseram. Mas talvez sejas feliz assim, a delirar. A parte chata é essa dos filhos da puta, mas prontos.

  11. Valupi,

    Continuas com toda a razão (facto suficientemente excepcional para ser assinalado) neste particular. Esses anormais vão acabar por me fazer gostar do Relvas…

    Tenho muita pena mas, por detras dos gritos histéricos em torno da licenciatura de Relvas, eu vejo aquilo que mais caracteriza a tacanhez do espirito luso : não sabem, não querem saber, têm raiva a quem sabe.

    Não tenho grande vida social mas, se considerar um periodo longo, va la os ultimos 24 meses, penso ter conversado com largas dezenas de pessoas, entre eles : médicos, juizes, advogados, escritores, altos funcionarios, dentistas, investigadores, historiadores, jornalistas, economistas, diplomatas, etc Alguns com percursos profissionais altamente impressionantes.

    Ora bem, não me ocorre uma so dessas conversas onde tenha vindo a lume a questão de saber se eles têm, ou não uma licenciatura, ou como a obtiveram, em quanto tempo e se realmente se trata de um canudo autêntico. E’ provavel que alguns não tenham graus universitarios, ou que os tenham obtido tarde, ou por equivalência, etc.

    E dai ? Foda-se e dai ?

    Quem não percebe a perfeita imbecilidade da questão dos titulos universitario pode ter passado 25 anos a estudar numa ou em varias universidades de prestigio, e mesmo ter saido de la com os mais impressionantes diplomas que, a meus olhos, demonstra apenas que não aprendeu rigorosamente nada…

    Irra que isso da cabo de mim.

    E se da cabo de mim é, em primeiro lugar, porque gosto muito da universidade e que a frequentei o suficiente para saber que, em principio, é um sitio onde se aprende a evitar fazer figuras tão tristes.

    Boas

  12. é por isso que a humanidade caminha para o abismo mental: nas pequenas coisas, no gesto, falha redondamente. e os desvios ao padrão, os que seguem a linha do gesto que faz toda a diferença, são desconsiderados. esta realidade é triste – mas não o suficiente para ordenar um desiste. nunca.

  13. “… penso ter conversado com largas dezenas de pessoas, entre eles : médicos, juizes, advogados, escritores, altos funcionarios, dentistas, investigadores, historiadores, jornalistas, economistas, diplomatas, etc Alguns com percursos profissionais altamente impressionantes.”

    não tá mau, nem um canalizador, para

    “Quem não percebe a perfeita imbecilidade da questão dos titulos universitario…”

  14. “Entre outros”

    Claro que no mesmo periodo de 24 meses conversei também, com imenso proveito, com canalizadores, bombeiros voluntarios, guardas florestais, marceneiros, vendedores de jornais, ignatzes, condutores de autocarro, empregados de restaurante, actores de cinema, enfermeiros e serventes de pedreiro…

    Alguns deles também tinham percursos profissionais notaveis e também não veio à baila a questão das suas habilitações académicas.

    Boas

  15. Caro Ignatz,

    Acho que percebo a critica (?), mas parece-me injusta. Referi as profissões (ou algumas delas) que a maior parte das pessoas associam com a posse de um canudo. Não o tivesse feito, o meu comentario seria bastante menos legivel, ou não ? Não vejo nele qualquer outra forma de “hierarquia”…

    Boas

  16. os socialistas não podem aceitar determinados comportamentos,quando os criticaram e bem anteriormente quando no poder.quanto a relvas,ir a uma faculdade, para falar de jornalismo é um gesto simplesmente pornografico.

  17. Os jovens não lêm estes blogs de adultos.

    Um dia destesapareceu um jovem na casa dos 18/20, na SIC Radical a “sonhar” que adorava ter sido estudante no 25 de Abril.

    Perguntou-lhe o pivot se gostava de aturar o Salazar

    O rapaz até lhe brilhavam os olhos.

    Penso que este rapaz sim, acompanha algumas esquerdas que dizem “No meu tempo” e continuam a cantar o Vila Morena, embora no Norte confundam Vila com Bira por causa da pronuncia do norte.

  18. Primeiro, nunca ouvi, no anterior governo, um ministro ou o PM a queixar-se das manifestações ou a sugerir que as manifestações eram actos contra a democracia e contra o estado de direito. Sempre ouvi exactamente o contrário, o discurso foi sempre aquele que o alberto martins, que até era ministro na altura, agora repetiu na oposição com as afirmações relativamente às quais o valupi se insurgiu quando iniciou esta série de posts.
    Segundo, mesmo que se tivessem “queixado”, compreendia-se, como agora se compreende quando qualquer membro do governo se queixa das manifestações.
    Agora que os maiores defensores do relvas e da sua suposta liberdade de expressão (tão ameaçada, credo) sejam socialistas inteligentes e sérios (como o santos silva ou o assis) é que é de um ridículo e de uma patetice inimaginável perante a brandura do que se passou e se tem passado em Portugal.
    Se os trabalhadores fazem greve, é normal que o patrão se queixe dos prejuízos que está a sofrer; agora que outros trabalhadores critiquem os companheiros pelos prejuízos que o exercício do seu direito à greve está a provocar ao patrão é que já não é tão normal.
    Mas o santos silva, o assis, o valupi e o vital moreira podem sempre fazer uma brigada e ir para a próxima manifestação pedir aos manifestantes para não chamarem gatuno ao passos coelho porque isso é contra o estado de direito e a democracia porque atinge o direito à honra e ao bom nome do primeiro-ministro. É patético, mas também uma demonstração que quando os conceitos não estão bem apreendidos fica tudo baralhado quando se reage na hora.

  19. kjung, mas talvez também possas considerar patético estares a falar de coisas que Santos Silva, Assis, Vital Moreira e outros não disseram. Talvez também possas considerar patético não entenderes o que está em causa no episódio do ISCTE e que não se confunde com o direito aos protestos nem com a sua frequência.

  20. Val, é sempre uma hipótese, mas para mim foste tu que confundiste os planos. O pessoal que foi para o iscte protestar não estava interessado em discutir com o relvas. Tu podes achar que a melhor estratégia era essa, discutir com ele, argumentar, convencer o auditório. Mas a intenção deles não era essa: era protestar, mostrar-lhe a raiva e o desprezo que ele suscita, boicotar-lhe a intervenção. Não é isto legítimo em estado democrático? É, mesmo quando extravasa as fronteiras da legalidade e quando a autoridade democrática tem legitimidade para fazer cessar tais protestos. Foi sempre esta dinâmica, de exercer direitos, de forçar fronteiras, conjugada com os mecanismos da democracia representativa, que fez as sociedades democráticas. Não tem nada a ver com liberdade de expressão do relvas.

  21. kjung, estás a declarar que a única forma possível de expressar a raiva e o desprezo que um qualquer político suscite a alguém é levar esse político presente num dado evento a perder o direito à palavra. Gostava que me lembrasses em que outra ocasião, das milhões de ocasiões em que se fizeram protestos em Portugal, tal aconteceu. E também gostava que nos revelasses se não te sentes um bocadinho patético por não conseguires entender que uma coisa não implica a outra – caso contrário, a lógica deveria ser levada às últimas consequências, acabando de vez com a possibilidade de esses políticos de quem não se gosta poderem falar fosse onde fosse.

  22. quando um aluno, ou uma turma, quer protestar em uma universidade contra um professor incompetente-nódoa que mais não faz do que constituir um bloqueio no percurso académico do aluno, ou da turma, e da academia não vai a uma aula sua insultá-lo e inibi-lo de ter voz, a voz é o seu instrumento de trabalho que formalmente evidencia a aula como cumprida – o aluno, ou a turma, protesta de uma outra forma – ou apanha com um processo por indisciplina e desrespeito. o protesto terá de ser, nunca deixando de existir, outro, de resto mais capaz e proveitoso para a parte mais interessada. é isto.

  23. Dou-te já um exemplo de uma manifestação em que um político foi impedido de falar através de um boicote pacífico, nessa altura compreendido e aplaudido por toda a gente: depois de ser conhecido o caso das equivalências, o político relvas apresentou-se num estádio de futebol onde jogava uma seleção portuguesa e pretendeu fazer um discurso como se nada se passasse com ele. A multidão rompeu num coro de assobios; o político relvas insistiu, mas não teve mais que meter a viola no saco e calar-se.
    É que nunca houve nada tão baixo como o relvas, tão indigno e que perante a reprovação geral se recusa demitir com o beneplácito do pm. não é um caso de não se gostar de um político. é de não serem suportáveis, em democracia, relvas a ocupar o poder. Uma hipótese é esperar até às próximas eleições; outra é discutir e argumentar com ele; outra é demonstrar-lhe o repúdio e a indignação geral e forçá-lo ou a demitir-se ou a esconder-se. Todas as hipóteses são legítimas, próprias de estado democrático, comuns nas democracias.
    Olinda, podia dar dezenas de exemplos nas universidades, em democracia, de aulas boicotadas. Evidentemente, em casos extremos. o relvas é um caso extremo. Obviamente, os manifestantes incorrem em ilegalidade, podem ser accionados, mas um juiz decente, num caso como o do iscte, não teria mais que os mandar em paz.

  24. kjung, trouxeste um exemplo em que um político não foi impedido de falar, apenas não terá sido escutado por alguns. Tens de te esforçar mais um bocadinho.

  25. Valupi, faz ao KJung o mesmo reparo que me fez: O Val, o Assis, o Costa, o Santos Silva e agora o Vital Moreira não se insurgiram contra os protestos populares mas contra o comportamento arruaceiro no Club dos Pensadores e no ISCTE, que impediu Relvas de expor livremente o seu pensamento. Eu não sei o que mais poderá ser dito para vos fazer compreender que, com o vosso repúdio, estão a deitar pela pia abaixo a “água do banho e a menina”. Claro que a “porcaria da água do banho” são os insultos, o boicote do discurso, a “grândola” cantada abusiva e provocadoramente no sagrado lugar da “casa da democracia”, a AR. Em muitas outras democracias, além de insultos, também há ovos pôdres na cara dos políticos contestados, montras partidas, carros incendiados, polícias feridos etc. Um verdadeiro coktail de “merda” grossa. Como a democracia dispensava esta sujeirada! Para tal, a democracia teria de ser constituida por cândidos anjos em vez de uma raça de sujeitinhos que se cagam e mijam constantemente e com a mesma facilidade com que fazem poesia e filosofia. Em suma, Valupi, onde há democracia há merda, mas os puritanos, como vocês aparentam ser, pensam que nela só cabem os “candidinhos”. E depois, meu Caro Valupi, ou eu estou muito enganado, ou vocês só ergueram o protesto quando Relvas foi a vítima, porque não me recordo de vos ter ouvido um pio, quando os cantores da Grândola interromperam Passos Coelho e o santissimo plenário da AR. Explique aí por quê.

  26. o mérito, o esforço, até o sacrifício, está em sermos sempre melhores do que aquilo que se apresenta como pior – por pior que cheire. e a isto chamo dignidade.

  27. ok, val. Já percebi. Se o relvas tivesse iniciado o discurso perante os assobios, fosse ouvido por alguns e não ouvido pelos restantes e ao fim de dois minutos se calasse, como foi forçado a fazer da outra vez, para ti, tudo bem. Aí o alberto martins já não perdia a tua admiração.
    Vê-se quem é que tem de se esforçar mais um boadinho.

  28. Pedro, tu podes continuar a discorrer acerca dos teus delírios até que o Inferne gele que não virá daí especial mal. Mas enquanto não fores sequer capaz de perceber que Passos Coelho não foi impedido de usar a palavra na Assembleia como os factos o documentam, enquanto Relvas o foi como os factos o documentam, não vale a pena perder mais tempo contigo.
    __

    kjung, finalmente começas a perceber. Custa, mas chegas lá se continuares a tentar.

  29. Ora vamos lá ver o que está em causa, no episódio do ISCTE. Miguel Relvas retirou-se por uns meses, depois dos escândalos em que se viu envolvido e por insuficiente capacidade de articular um discurso de auto-defesa. Inspirado em cados precedentes, gisou depois um plano para sair do imbróglio com a honra mais ou menos lavada: iria desaparecer o ministro adjunto de Passos Coelho da circulação mediática, por uns tempos, que “olhos que não vêem, coração que não sente”. Haveria depois de voltar, mais imponente que nunca, em acontecimentos públicos devidamente orquestrados. Só que o plano começa a correr-lhe mal à nascença; porque Relvas, um tipo irreflectido, sempre cheio de pressas, não respeitou o período de nojo que a gravidade dos factos imputados lhe impunha. O que, no caso de Paulo Portas, demorara anos a dar fruto minimamente comestível, no caso de Relvas gerou, em apenas alguns meses, uma maçã pífia e envenenada por exageros de adubo.

    Sai-se então, de peito feito, ao Clube dos Pensadores (!) e ao Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (!!). Se a coisa lhe corresse bem tomaria logo ali, de equivalência, o prestígio dos pensadores e dos cientistas sociais (!!!). Armado de sound-bytes diversos e de papeleta com elegante discurso, abriu o peito às balas. Havia um mundo a reconquistar.

    E foi assim que todos vimos ao vivo, na TV, uma encenação mediática a colapsar estrondosamente, ante os protestos da multidão. Vêm agora dizer-nos que está em causa o princípio democrático das liberdades de expressão. Já não pode o bom homem ser deixado em paz, a fazer a sua encenação para poder continuar depois, muito democraticamente, a ludibriar-nos por mais dois anos mas de forma estranhamente kafkiana, pois o povo bem vê que não pode ser o que este governo, em cena, diz que é.

    Tendo-lhes corrido mal a encenação, resta a vitimização. Só que o discurso de Relvas não acabou censurado. Durante o resto do dia passou na TVI: na forma escrita e, ao mesmo tempo, lido por um locutor. Enquanto o povo tem que gritar para exercer a liberdade de expressão o político — mesmo tendo fugido do palco, incapaz de confrontar quem já esgotou pachorra para o ouvir — não precisou de estar presente nem de usar a voz para transmitir a sua mensagem. Por que é que se lamentam? Não os vejo a levantarem-se a favor dos seus votantes traídos, cujos protestos magnanimamente desprezam e ignoram.

  30. “Tendo-lhes corrido mal a encenação, resta a vitimização”

    Precisamente, meus caros, precisamente…

    E imaginar que a encenação pudesse ter corrido bem para o Relvas é, quanto a mim, levar os alunos do ISCTE em muito pouca conta. Se assim fosse, deveriamos considerar que os alunos do ISCTE são afinal muitissimo mais burros do que aquilo que demonstraram…

    Boas

  31. Num Estado de Direito o Ministro Relvas e o Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho estariam presos por crimes de corrupção. Teriam direito a uma cela de um criminoso comum.
    Continuar com este discurso de que há criminosos de primeira e criminosos de segunda não é intelectualmente honesto. No entanto, esta tentativa de continuar a defender o indefensável mostra que os apoiantes dos poderes começam a mostrar um certo desespero.

    Espero que em breve este governo seja posto na rua e os seus elementos possam ser julgados pelos crimes em que estão envolvidos!

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