Arquivo mensal: Outubro 2012
Como se inverte e inventa a realidade a nível internacional
Atente-se no que diz esta notícia do Financial Times:
Temos então que, para esta agência, são as manifestações e o descontentamento popular a razão para o atraso do plano de ajustamento português e do regresso aos mercados. Não lhes ocorre, nem por um minuto, que os protestos e o descontentamento são, eles sim, o resultado do rotundo falhanço das medidas do Gaspar (abençoadas pela Troika) para corrigir o défice e reduzir a dívida, aposto que defendidas também entusiasticamente pelos iluminados das agências de notação financeira. Muito menos lhes ocorre que é totalmente legítimo reagir quando as expectativas são frustradas, as pessoas se sentem enganadas e empobrecidas e se constata que a receita aplicada não funciona. Que a reação é a consequência e não a causa!
Mais, esta e certamente as outras agências continuam a achar que as mexidas na TSU anunciadas há duas semanas (saberão eles sequer as modalidades concretas?) eram importantíssimas e iriam resolver a situação económica do país. Que dizer? Parece-me cada vez mais que estamos nas mãos de loucos a precisar de internamento. Pior, de criminosos a precisar de prisão.
Ah, quase me esquecia: já perceberam, vem aí novo resgate. Hello Greece!
A alternativa PS (1) – na orla do buraco negro
Todos os políticos, desde o tempo das cavernas, usam a falácia do “nós ou o abismo”, sendo normalmente uma ameaça relativamente inócua uma vez que por “abismo” entende-se, em condições normais, uma opção politica diferente. No seguimento, o mesmo se poderá dizer das várias ameaças de “eles vão destruir X” ou “desmantelar Y” ou “falir Z”, sendo que X, Y e Z são normalmente coisas que a maioria das pessoas considera pilares da sociedade acima de qualquer tentativa de destruição: o estado social, a segurança no emprego, os cuidados de saúde, etc. E que normalmente estão realmente a salvo. O que uns fazem, outros melhoram ou corrigem de acordo com a sua visão, e por assim em diante.
Em tempos normais, é isto que acontece. Mas não estamos em tempos normais.
Numa recessão à beira de se tornar uma depressão, como estamos, o abismo não é apenas uma hipótese no futuro distante, mas uma realidade que se pode materializar a curto prazo. Para muitos, cada vez mais, já se materializou. E tal como acontece às leis da física junto aos buracos negros, as leis normais da politica não se aplicam da mesma maneira em situações de extrema tensão social, quando um país se vê encostado à parede e o risco de explosão começa a ser real. Demasiado real.
E é aí que as ameaças cada vez menos veladas de Victor Gaspar de cataclismo eminente caso não se concretizem os seus planos entram.
O discurso severo do “temos que cumprir” tem agora mais de um ano. Serviu bem o governo durante esse período, já que a maioria da população interiorizou que, promessas quebradas ou não, sacrifícios teriam que ser feitos e que o seu nível de vida teria que baixar temporariamente para pôr a “casa em ordem”. Cumpriram sem reclamar muito, esperando resultados. Mas quando esses resultados foram o oposto daquilo que lhes disseram para esperar, e mais sacrifícios foram pedidos devido a essa falha estrondosa, esse contrato quebrou-se, e as manifestações de 15 de Setembro aconteceram. Há muitas e variadas leituras desse protesto. Para mim, foi um aviso que estamos na orla do buraco negro, e que a partir daqui as regras mudaram. Para pior.
Neste momento, o discurso da chantagem – ou aguentam com tudo o que pedimos ou é o abismo – ainda tem alguma força, sem dúvida. Tal como na Grécia, o medo é uma poderosa arma politica. Mas esse discurso está agora em directa contradição com a realidade que qualquer pessoa vê ou sente na pele. O que nos pedem já não são sacrifícios para ficarmos melhores ou para resolver alguma coisa. O que nos pedem agora são sacrifícios para não ficarmos ainda piores. Ou seja, escolher entre dois males.
É uma proposição muito, muito perigosa. E é perigosa porque extrema posições, tal como já vimos acontecer na Grécia, dando a escolher entre uma via, a da troika e do Euro, que conduz a um empobrecimento intolerável, e ao seu oposto exacto, proposto pela extrema-esquerda, de rejeição de tudo isso, que conduz exactamente ao mesmo resultado mas que se apresenta diferente, que pretende oferecer uma saída que a primeira já não oferece. Ainda não estamos nesta fase, mas já estivemos bem mais longe, e tanto o PSD como BE/PCP cavalgam agora alegremente o extremismo (Deixo um CDS perfeitamente perdido à parte, por agora)
Resta pois o PS, que até agora tem feito uma oposição pontual, excessivamente formalista e muitas vezes oportunista. É fácil ser oposição clássica agora, basta aproveitar as asneiras do governo, e elas são cada vez mais e cada vez mais evidentes. E a oposição clássica é muito menos eficaz nestes tempos e pode conduzir a resultados desastrosos. Para construir uma alternativa que nos faça sair deste ciclo extremista agora em plena preparação, para não ser apenas “outro partido da troika” – e as sondagens são um sério aviso – tem de ser mais, bem mais do que isso. Mas vai ter de o fazer e, mais importante, vai ter de o fazer sozinho. Caso ainda não tenha percebido, é altura de perceber.
Cala-te, Cavaco
Não atravessamos dificuldades unicamente para corrigir os erros do passado recente, mas também para encontrar um rumo de futuro.
Durante tempo demais, Portugal foi um país iludido pelo curto prazo, que de algum modo se deixou envolver pela espuma dos dias, vivendo o presente sem cuidar do futuro.
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Aconteceu uma cena nas Américas em 2008 que só compara com outra acontecida nas mesmas paragens 80 anos antes. Como os sistemas bancários podiam ir para o galheiro um pouco por todo o Mundo, a Europa decidiu que a resposta a essa crise seria a injecção de dinheiro no sistema, com a suprema finalidade de evitar que a recessão se transformasse numa depressão. Quando os responsáveis políticos ao tempo falavam da crise, era desta, a única que conheciam, a única que existia. Foi assim possível constatar que o ano de 2009 correu bem naquela parte em que não correu tão mal como se temia. Ao mesmo tempo, circulava uma inevitável interrogação quanto à política europeia a respeito dos défices que iriam inevitavelmente aumentar em consequência dessa resposta à crise. Alguns alvitravam que a política dos 3% iria ser revista ou, pelo menos, suspendida até que a crise tivesse sido debelada e fosse possível voltar a essa meta. Assim estava a União Europeia até ao começo de 2010 e queda da Grécia: foi então que “o mundo mudou”, a Europa invertia por completo a sua estratégia e lançava-se desenfreada nas políticas de austeridade. Passados 2 anos, ainda não encontrou outra solução e agora é a própria moeda que começa a estar em risco pelo alastramento constante do problema a cada vez mais países da Zona Euro. Esta crise das dívidas soberanas, embora decorrente da crise de 2007-8, era uma outra crise.
A crise das dívidas soberanas está a expor de forma cruel aquela que é uma característica essencial da União Europeia: a partilha da soberania – que o mesmo é dizer, a cedência de soberania local para a obtenção de soberania de grupo. Portugal tem sempre de negociar as suas políticas com os parceiros, pois existe um património comum. É esse o preciso sentido do PEC enquanto instrumento de protecção e uniformização das economias da UE. Numa outra vertente, esta crise de 2010 veio também expor a fragilidade política do projecto europeu, revelando discrepâncias radicais entre os interesses dos diferentes países. Temos assistido a um festival de cimeiras, medidas e declarações que nos deixa atónitos perante tanta impotência das instituições e Estados europeus e tanto desvario verbal dos seus principais responsáveis políticos.
Altura de regressarmos a Cavaco, essa espécie de Presidente da República. Disse ele, num discurso solene a comemorar o 5 de Outubro, que as actuais dificuldades nasceram de erros, e que esses erros foram recentes. Disse ele, em nome da República, que este país andou iludido pelo curto prazo e pela espuma dos dias, sem cuidar do futuro. Mas não nos disse que erros foram esses nem quão recentes tendo em conta que a Nação já vai com quase nove séculos de bailarico. Mas não nos disse quem é que iludiu este país, quem é que nos privou do futuro, ou se o fenómeno surgiu por geração espontânea no cocuruto de cada português.
De que, e de quem, fala este homem? De Sócrates, o anticristo? Das muitas cigarras e das poucas formigas? Como é que alguém que está na política desde 1980, que já foi primeiro-ministro durante 10 anos, que é o Chefe de Estado desde 2006, pode insultar e ofender tanta gente sem que ninguém, nem sequer um único cidadão, lhe diga na cara para se calar?
“Parole, parole, signor Draghi”
Há poucos meses, Mario Draghi anunciou que o BCE estaria disposto a comprar títulos de dívida dos países da zona euro em dificuldades (o que muito aliviou a pressão dos mercados), mas na condição de os países em causa formularem um pedido de resgate e assinarem com a Troika um plano de ajustamento. O país destinatário da mensagem era claramente a Espanha. Mas Portugal não podia deixar de figurar em cópia. Portugal não só pediu o resgate, como também já se encontra a “cumprir” o dito plano de ajustamento e tem sido oficialmente elogiado pela sua execução (a realidade cá dentro é outra, como sabemos). Elogiado, repito. Apesar disso, o que lemos (no Público) é que :
«Na conferência de imprensa, o presidente do BCE esclareceu que Portugal apenas poderá vir a beneficiar do novo e mais ambicioso programa de compras de obrigações anunciado pela autoridade monetária após ter conseguido obter, no mercado primário de obrigações de tesouro, o que caracteriza como “acesso total”. “O programa de compra de obrigações não é um substituto para uma falta de acesso ao mercado primário”, disse. »
Ora, assim, batatas, ou melhor, “patate”. Afinal, a intervenção do BCE só acontecerá depois de o país ter percorrido o calvário suficientemente duro do desemprego e da recessão e cumprido a pena pelos pecados cometidos (a que se deve acrescentar, presume-se, a venda ao desbarato de todas as empresas públicas), mas, como se isso ainda não bastasse, se já tiver regressado ao mercado primário. Uma nova condição, portanto.
Como medida de descompressão não está mal… Como sinal de independência do banco em relação à Alemanha, também estamos conversados. No fundo, este número do anúncio foi todo combinado. Ganhar tempo enquanto castiga é o único programa da Alemanha para a parte sul da zona euro, em concertação com o BCE, que se encarrega das manobras de diversão.
E o caso absurdo da Espanha? Rajoy (com quem não simpatizo minimamente) alega, e com razão, que o “programa de ajustamento” aprovado pelo seu governo é em tudo igual ao que a Troika lhes imporia, uma verdade que parece estar à vista. Draghi, pobre homem, confessou-se ontem pessimista com a economia da zona euro. Porque insiste então o BCE em fazer-se difícil, impondo condições patéticas?
Ainda no Público: «O apelo mais dramático ontem feito pelo presidente do BCE dirigia-se especialmente a Madrid, que tem vindo a adiar o recurso a este mecanismo, por não querer aceitar entrar em negociações com a troika para a aplicação de um plano de ajustamento. O Governo Rajoy defende que já tem em prática o seu novo plano e não precisa de outro, imposto pela troika.»
Tudo isto é de um ridículo sem fim.
Estado da coisa
Para além de ser uma manifestação do asco que a oligarquia tem pelo povo dizer-se que há feriados a mais neste país de mandriões e estróinas.
Para além de ser uma manifestação de profunda estupidez considerar que a abolição de feriados tem alguma consequência relevante para as contas públicas.
Para além de ser uma manifestação de humilhante leviandade abdicar da celebração do 1 de Dezembro e do 5 de Outubro na forma de feriado precisamente na altura em que o País está sob intervenção externa.
É ainda uma manifestação inesquecível da absoluta decadência da direita partidária portuguesa que tal atentado à comunidade que fomos e somos fique com as assinaturas dessas vergonhas de Estado que dão pelos nomes de Passos Coelho, Miguel Relvas, Paulo Portas, Vítor Gaspar, Paula Teixeira da Cruz, Aguiar-Branco, Miguel Macedo, Nuno Crato, Pedro Mota Soares, Assunção Cristas, Francisco José Viegas e Álvaro.
Explosão do Estado de direito – mais um exemplo para dar uma cara a este Governo
Tenho repetido várias vezes que certos princípios decorrentes de um outro – o do Estado de direito democrático – são, por boa prática política, tendencialmente respeitados.
Com este agir normal e esperado de quem nos governa, não são necessárias grandes discussões no plano constitucional acerca dos tais princípios.
Estou a referir-me ao princípio da tutela da confiança jurídica, ao princípio da segurança jurídica, que aconselham um Estado de bem a não emitir “decisões surpresa”, as quais podem, por exemplo, colocar em risco a planificação da vida de cada cidadão, a sua projeção possível e razoável no futuro, com os dados de estabilidade que o sistema jurídico lhe oferece.
Há aqui como que um contrato social, evitam-se leis retroativas em matérias melindrosas, mesmo que não penais, aposta-se num mínimo de estabilidade legislativa, sobretudo em áreas que interferem com a tal possibilidade que cada um de nós tem de projetar um amanhã.
Este Governo esquece tudo isto, em tudo. Se já escrevi sobre os pensionistas e reformados (casos de inconstitucionalidade evidente), bem como os cortes de subsídios (ou de salários a privados), que mais não são do que roubo de remunerações, há muitos outros casos para manuais futuros de como deitar por terra a mais ténue ideia de contrato social.
Veja-se o exemplo do fim da cláusula de salvaguarda do IMI. Que significa isto? Significa que o mesmo Governo que ainda há pouco, aumentando o IMI, criava por lei a tal cláusula que impedia que o IMI das casas que estão a ser reavaliadas no âmbito da avaliação geral dos imóveis subisse mais de 75 euros em 2013, face ao valor pago este ano, acaba de revogar a sua lei. Este “travão” vai manter-se apenas para as pessoas com rendimentos mais baixos, pelo que para a maioria dos proprietários dos 5,2 milhões de imóveis urbanos foi anunciada uma “decisão surpresa” que é uma uma subida explosiva deste imposto.
Acontece que estes milhões não são todos milionários, são gente que fez as suas contas “confiando” na recente alteração ao Código do IMI, agora rasgada de um dia para o outro, e pesou na decisão de ser proprietário o IMI antigo e a cláusula Travão.
Acontece que estes milhões têm nome e vidas diferentes, muitos estão a cair no desemprego, outros viram os seus salários reduzidos, todos foram sujeitos a um brutal aumento de impostos, pelo que muitos, mas muitos destes milhões não aguentam tantas surpresas. E mais esta.
Esperem para ver mais casas entregues aos bancos, mais miséria, caso em que nessa condição, a de miseráveis, estarão isentos de IMI, claro.
Um Presidente da República com medo do melhor povo do Mundo
(uma e outra e outra vez) Dizia ele…
Palavras não ditas
Caros jovens, ilustres cinquentões:
Alguns de vós compreendem agora finalmente que um partido de protesto, sem a herança histórica do PCP, além de inútil à democracia, não dura eternamente. Alguns de vós criticaram, e bem, a direção do partido por se ter aliado à direita em Março do ano passado para derrubar o governo anterior, com os resultados eleitorais e as consequências calamitosas para os portugueses por demais conhecidos. Alguns de vós sentem responsabilidade pela subida ao poder do maior bando de aldrabões, incompetentes, oportunistas, insensíveis, vendedores e vendidos de que há memória neste país, querendo redimir-se através de um grande gesto, procurando aliados. Alguns, pelo contrário, não sentem nada disso: intencionalmente os colocaram no poder, despudoradamente discutem agora alternativa(s), pelo que me pergunto, por esses, o que estou aqui a fazer. Alguns pensam convictamente, pretendendo arrastar outros para o radicalismo de sempre, que correr com a Troika é abrir as portas ao progresso do país. Alguns de vós perceberam sem dificuldade que o António José Seguro nunca conseguirá levar os socialistas à maioria absoluta, uma oportunidade, pois, para acederem a cargos de poder, numa eventual coligação. Muitos de vós, eternos revolucionários, simpatizam com quem, no PS, se mostra mais contestatário e inconformado. Muitos de vós têm ou mantêm um único objetivo estratégico, dividir o partido socialista e conquistar assim mais votos em futuras eleições. Esta será mais uma tentativa nesse sentido, com pouco juízo, diga-se. Muitos de vós simplesmente invejam e desejam o sucesso, até ver entre aspas, do Syriza, sobretudo do seu líder.
Pois bem, o facto é que também eu estou indignado (e descrente no Seguro). E interessado em ouvi-los. Sou um homem de esquerda.
(palavras que não constarão, e não por acaso, de uma hipotética introdução de um hipotético discurso de Mário Soares no próximo Congresso das Alternativas, onde o BE estará em força e predominantemente)
Nota à margem: Alguém ouviu, como eu, o Nicolau Santos dizer ontem na SIC N que não esteve na conferência de imprensa do Gaspar, porque parece que até os jornalistas esta gente já seleciona?
A estratégia de Portas
Carregando o fardo de ser visto como o “traidor” na questão da TSU, mesmo por quem não queria a TSU; carregando o fardo de ter ido à vida uma boa soma de anos de (re)construção da reputação do “homem novo”, longe do “Independente” e do Manuel Monteiro, que criou – “ele no fundo nunca mudou”, ouve-se; que faz Portas?
Não fala.
Nunca.
Aqui está ele, hoje, no debate das moções de censura.
Calado.
Não fala.
Só se sabe no fim quem encerra o debate.
Portas, como seria normal?
Não.
Pedro Mota Soares.
A estratégia é o silêncio? Não. Portas é demasiado inteligente para isso.
A estratégia são as novas “reuniões conjuntas dos dois Grupos Parlamentares”.
Nesse lugar, as bombas. Todas as que tenham de explodir. Mas nesse lugar.
Não por uma palavra sua.
“O tempo urge”
Exactissimamente
Muito mentem os socráticos, irra que isto é de mais
“Não só não tenho conhecimento como duvido que tenha existido algum acto de natureza ilícita ou menos transparente, em relação a esta ou a outras parcerias”, afirmou o ministro das Obras Públicas do último governo de José Sócrates na comissão parlamentar de inquérito às PPP, em resposta ao deputado socialista Fernando Serrasqueiro.
“É óbvio que se tivesse conhecimento de qualquer acto menos transparente teria imediatamente intervindo e todos os mecanismos tinham sido accionados”, garantiu o antigo governante, que na semana passada foi alvo de buscas domiciliárias no âmbito do inquérito crime às PPP.
António Mendonça duvida que tenha existido algum acto ilícito nas PPP
Em Portugal fazem-se excelentes cirurgias, especialmente se a tecnologia usada for alemã
Resultado entregue
E também a explicação de vermos este Governo a mandar os portugueses saírem de Portugal:
Passos candidato a primeiro-ministro:
Eu não estou agarrado ao meu lugar, não quero ser Primeiro-Ministro a qualquer preço. Mas ninguém no PSD quer ganhar mais estas eleições do que eu porque numa altura em que o País enfrenta, provavelmente, a última grande oportunidade nos próximos anos de inverter esta tendência de empobrecimento em que tem caído, Portugal tem crescido, nos últimos dez anos, em média 0,5%. O que significa que, se não inverter esta situação, os 700 mil desempregados que hoje tem crescerão para perto de 900 mil muito rapidamente – o que significa uma situação absolutamente desastrosa e caótica. Nós hoje só não temos 15% de desemprego em Portugal porque temos a maior taxa de emigração dos últimos 90 anos em Portugal. Portanto, ou vamos inverter esta situação rapidamente e as pessoas acham que é importante fazê-lo, e escolher um Governo que, de uma vez por todas, entregue este resultado e lute por ele, ou não temos isso e então o País terá escolhido o seu destino e eu assumirei a minha responsabilidade; é porque eu não fui suficientemente convincente. Mas estou muito determinado em entregar este resultado e não será por falta nem de preparação, nem por não escolher as pessoas com melhor perfil, nem de levar a maior isenção e abertura para o Governo, que a estratégia não será bem sucedida.
Governo prevê aumento da taxa de desemprego para 16,4% em 2013
Milagres de Vítor Gaspar
RTP: a Igreja lava as suas mãos?
O que diriam os bispos italianos, alemães, ingleses, franceses ou espanhóis se o governo resolvesse privatizar as televisões públicas dos seus países? A questão lá nem se põe, mas aposto que, se tal eventualidade surgisse, fariam uma santa guerra a propósito tão idiota. Mesmo no caso da água, que Berlusconi queria entregar aos privados, a Igreja católica italiana levantou uma onda de protesto, cujo curioso slogan era “A água é de Deus”. Mobilizaram-se os católicos, padres, bispos e até cardeais contra o plano do governo italiano, que acabou, aliás, rotundamente vencido num referendo nacional sobre o tema. Diga-se que Berlusconi, com as suas sete cadeias de televisão, nem sequer arriscou a ideia de privatizar a TV pública.
E por cá o que pensa a Igreja das privatizações anunciadas da RTP e das Águas de Portugal? Ninguém sabe. Paira um silêncio manhoso e pouco santo, hoje denunciado numa coluna do Público pelo cineasta António Pedro Vasconcelos, relativamente ao projecto de privatização da RTP. O que parece fortemente é que a Igreja católica portuguesa, desde que continue a ter os seus espaços nas estações de rádio e televisão privatizadas ou concessionadas a privados, não se importa nada com os planos do governo. Lava as suas mãos, como sugere Vasconcelos.
Marques Mendes, não se sabe se na qualidade de pequeno conselheiro de Estado omnipresente na política ou se na – até agora desconhecida – qualidade de católico, foi há dias a Fátima tranquilizar as hostes da Igreja. Segundo ali declarou, o tempo de emissão das confissões religiosas no serviço público de rádio e televisão “pode e dever manter-se”. E acrescentou esta coisa curiosa: “Esse debate ainda não foi iniciado, mas tem que ser feito e, na altura própria, essa componente de serviço público das confissões religiosas, tem de ser salvaguardado”. A ideia do pequeno conselheiro é a de que, com a Igreja posta em stand by, o projecto do governo passa sem novidade de maior. O desplante do fulano: agora não é a altura própria! Quis ele dizer: não estrilhem, mantenham-se quietinhos e caladinhos, que no final têm o rebuçado. Isto é, o prato de lentilhas, de que reza a Bíblia.
Não sendo católico, quero reconhecer na Igreja uma entidade cuja independência, espiritualidade, valores éticos e doutrina social representam valores estimáveis em qualquer sociedade plural. Quero reconhecer, mas ela não me deixa… Então a Igreja católica portuguesa, se não lhe forem ao tempo de antena, não tem nada a dizer sobre o projecto de transformar Portugal no único país europeu sem uma televisão pública generalista e sem um canal público vocacionado para programação cultural de qualidade? Então a Igreja está-se nas tintas para os planos borgianos-coelhinos de transformar a RTP-1 em mais um canal de novelas e tele-lixo e de extinguir a RTP-2?
Se não é Passos a dar a cara é porque são boas notícias
Hoje, finalmente, ficaremos a conhecer as medidas alternativas às alterações na TSU. Há alguma expectativa, mas a imprensa garante que haverá uma subida dos impostos. Só podem estar enganados. Uma subida de impostos é uma má notícia, mesmo mazinha, e o primeiro-ministro já nos garantiu mais do que uma vez que quem dá a cara pelas más notícias é ele. Não vamos agora pensar que, por causa das críticas de que tem sido alvo, ficou piegas e que mandou outro anunciar mais um pacote de austeridade. Por outro lado, não temos conhecimento de que Paulo Portas tenha dirigido mais uma carta aos militantes do seu partido a informá-los de que, afinal, a carga fiscal ainda não atingiu o limite e que, ao contrário do que pensava, subir os impostos até será benéfico para a economia do País. Portanto, podemos ficar descansados que nada de mau será anunciado pelo ministro das Finanças. Talvez nos diga que o Governo descobriu como cortar nas famosas gorduras do Estado. Ou quem sabe anuncie medidas que impulsionem o crescimento da economia. Tudo, menos más notícias.
Política de Verdade II, agora em rosa
«A manifestação que houve no dia 15 de setembro foi maioritariamente e esmagadoramente contra as políticas do Governo, mas há uma parte daquela manifestação que também é contra a forma como se faz política em Portugal. E o Partido Socialista tem que entender isso», declarou.
Por isso, defendeu o líder socialista, é preciso falar verdade e não prometer, como outros, soluções para tudo porque a crise portuguesa não se resolve com «uma varinha mágica».
Seguro, especialista-mor da manifestação de 15 de Setembro
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Qual é a forma como se faz política em Portugal? A resposta será múltipla, obviamente, mas permite constatar as similitudes entre Cavaco, PSD e Seguro. Tanto Cavaco como o PSD, de Ferreira Leite a Passos, reduziram a política à moral e a moral à calúnia. Na ausência de propostas políticas cujo mérito chegasse para conquistar o eleitorado, Cavaco e PSD anunciaram estar na posse da verdade. Vai daí, inevitavelmente, quem não concordasse com eles estaria a mentir. Foi assim que apareceram, concatenadas, as fórmulas “falar verdade aos portugueses”, presidencial, e “política de verdade”, partidária. O propósito, plenamente conseguido, era o de inundar o espaço público com campanhas alarmistas, paranóides e de assassinato de carácter a um ponto de saturação tal que toda e qualquer acção, declaração e posição de governantes, dirigentes, deputados, militantes e simpatizantes socialistas fosse vista como peça de uma diabólica conspiração para mentir aos portugueses. Entretanto, esta bicefalia em que os auto-proclamados proprietários da verdade são os mais mentirosos é um fenómeno já com milhares de anos de observação em todas as partes do Mundo onde habitam humanos. Até Jesus falou eloquentemente do assunto, embora não seja de esperar que Cavaco e PSD sintam alguma inibição à sua praxis à conta de tão esquisitos e vetustos escritos.