Já sobre o primeiro ano do segundo mandato de Cavaco Silva em Belém, Marcelo discordou “dos que dizem que Cavaco fala, fala e não faz”.
O ex-líder do PSD lembrou que o Presidente da República “deu um tiro no Governo de Sócrates” no discurso de tomada de posse; “apoiou o plano de troika”; “deu a mão a Seguro e à UGT” nas conversações com o Governo” e “patrocinou o acordo da concertação social”.
Arquivo mensal: Janeiro 2012
Coisas que transpiram das reuniões do PS
Uma elite de carniceiros
Andamos desde a hilariante passagem de Menezes pela liderança do PSD a ouvir ininterruptas barbaridades das figuras gradas da direita partidária, uma torrente imparável de afirmações grotescas que expõem a decadência intelectual de uma elite que chega aos seus 50, 60 e 70 anos a conseguir condicionar o rumo da política nacional sem qualquer projecto que tenha sido validado nas urnas.
Prometeram o ginásio, a dieta, o spa. Mas onde realmente nos queriam meter era nos trabalhos forçados, no bloco operatório, no talho.
Balada da Rua Direita
(a Maria Alzira Seixo)
Rua Direita, mentira
Só trânsito pedonal
Em Vila Franca de Xira
Meu balanço pessoal
Rua Direita, mentira
No caminho do passado
Um slide que se retira
Da caixa posta de lado
Rua Direita, mentira
Entre Escola e Jardim
Hoje há quem me refira
Uma memória sem fim
Rua Direita, mentira
Tempo de Império e Fé
A festa que se respira
Na ermida de Alcamé
Rua Direita, mentira
Do preto e branco à cor
Na memória que se vira
Para o núcleo do amor
Rua Direita, mentira
Caminho de procissão
Entre a pauta e a lira
Chega o som ao coração
Rua Direita, mentira
Retrato dos finalistas
Há no grupo quem prefira
Os jornais e as revistas
Rua Direita, mentira
Cinquenta anos depois
Em Vila Franca de Xira
O passado faz-se em dois
A lei laboral: a palavra a quem sabe
Sabemos que constam do acordo com a Troika medidas tendentes a reduzir os custos para as empresas. Na impossibilidade de descida da TSU dadas as consequências catastróficas de tal medida para o saldo da segurança social (de que Sócrates tinha plena consciência, por isso a contestava) e o descalabro que provocariam as medidas compensatórias (aumento do IVA, por exemplo), este governo concentrou-se na facilitação dos despedimentos, permitindo às empresas novas contratações mais baratas (com a preciosa ajuda do aumento do desemprego), no aumento dos dias de trabalho por ano e na redução dos custos com horas extraordinárias, incluindo a redução do custo do trabalho aos sábados. Lembremos que estas medidas, houvesse ou não Troika, seriam tomadas de qualquer maneira, já que se enquadram no modelo económico defendido por este governo, que mal podia esperar. Dentro em breve, a Troika, embevecida, poderá até deixar de frequentar o hotel Ritz com a regularidade prevista. Passos receberá um prémio, seguramente, e o futuro será seu.
Mas as teorias da Troika não devem, nem podem, ser consideradas uma Bíblia, até porque têm uma única fonte de orientação, muito pouco poética/fantasiosa: a recuperação, pelos credores, dos montantes em dívida. Há quem entenda poder e dever discuti-las e contestá-las, gente que pensa e, sobretudo, que gostaria de se orgulhar do seu país.
Não conhecia nem nunca tinha ouvido este professor universitário de nome Luis Bento, mas tive prazer em ouvi-lo, ontem, na RTP Informação.
Diz ele, a propósito do acordo na concertação social, que a falta de competitividade das nossas empresas tem muito pouco a ver com a lei laboral, longe de ser a mais rígida da União Europeia, devendo-se antes a fatores como os custos da energia, os custos dos transportes, a má gestão (uma gestão que muitas vezes bloqueia no momento de dar o salto em frente) e, um fator que tende a ser esquecido, os custos de periferia.
Diz mais – que é insultuoso dizer-se que o acordo é benéfico para todas as partes quando haverá um flagrante agravamento das condições de trabalho; que o modelo de “desenvolvimento” assente na mão-de-obra barata não logrará qualquer sucesso a médio prazo, se tivermos em conta que até a própria China já começa a deslocalizar empresas para países vizinhos com custos laborais ainda menores.
Luis Bento, em tom sereno. Clicar para abrir o vídeo. Minuto 1.28.
Falhei com Cavaco, bolas..
Arejar é bom
Será desta?
Ter deixado de executar plenamente as suas funções presidenciais para proteger Dias Loureiro não chegou. Ter mentido a respeito da sua ligação ao BPN não chegou. Ter alinhado estratégias com um partido político para fazer oposição ao Governo não chegou. Ter usado os Açores para provocar um clima de alarme social contra governantes não chegou. Ter sido a eminência parda de uma golpada político-jornalística com a finalidade de perverter actos eleitorais não chegou. Ter insultado todos os candidatos presidenciais no discurso de vitória não chegou. Ter ido ao Parlamento numa ocasião solene para instigar à queda do Executivo não chegou. Ter feito tudo ao seu alcance para que o PEC IV fosse chumbado não chegou. Ter opiniões radicalmente contrárias dependendo de quem esteja no poder não chegou.
Talvez agora, por causa de 1300 euros, chegue. Chegue para ser vaiado pelos portugueses que tiverem o azar de se cruzarem com este miserável Presidente da República na rua.
Vinte Linhas 720
Alves Redol em Congresso – «O romancista nasce todos os dias»
«Horizonte revelado» é o título do Congresso Internacional sobre a obra de Alves Redol. Hoje dia 19-1-2012, as comunicações e conferências tiveram lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Amanhã e depois de amanhã (20 e 21 de Janeiro) o ponto de encontro é o Museu do Neo-Realismo de Vila Franca de Xira. A máquina do Congresso está em marcha graças ao grande esforço de: António Mota Redol, Carina Infante do Carmo, David Santos, Paula Morão, Violante Magalhães e Vítor Pena Viçoso.
PMA – um passo que o futuro não poderá ignorar
Hoje foram votados os prjectos de lei do BE e o que resulltou da feliz fusão entre o projecto da JS e um projecto da minha autoria. A intervenção do Pedro Delgado Alves, inspiradora a todos os níveis, disse tudo o que deveria ser o eco de um grito unânime de liberdade, de justiça e de igualdade na casa que tem o poder de concretizar esses princípios.
O projecto, apresentado numa bancada que tinha outro alternativo, é simples e resolve questões como as que tive a oportunidade de colocar à Deputada do PSD que defendeu o respectivo projecto: a) alguém tem a patente do que seja o modelo de família “aceitável”? b) quem, na AR, tem autoridade moral para negar a solteiras o direito à prociação? c) a razão de ser da exclusão de solteiras do acesso à PMA baseia-se ou não (sobretudo) no medo das lésbicas? d) O regime actual, e ainda mais explicitado pelo PSD, é ou não conivente com o sexismo e a homofobia, cujo historial escuso de documentar? e) sabendo que não estamos a inventar a roda, que a diversidade familiar já existe, não estender a parentalidade do filho da mulher que recorreu à PMA à sua companheira de facto ou à mulher com quem seja casada é defender a “família”? E se a mãe biológica morre? Deve o parlamento ignorar a inexistência de um vínculo jurídico análogo ao dos filhos de casais de sexo diferente?
E tantas mais perguntas devem ser feitas. Porque ouve-se o eco da justiça, da liberdade e da igualdade naquelas paredes, mas há ouvidos tapados ou crises agudas de falta empatia. Ainda assim, hoje, dia 20 de Janeiro de 2012, deu-se um passo: o projecto, que não era o projecto oficial do PS, teve ao seu lado a maioria do grupo parlamentar.
É verdade que ganhou a discriminação, tão bem retratada pelo comunicado da ILGA, mas, como diria o outro, nestas coisas deve, um dia, poder dizer-se de nós que se morreu tentando. Pelo meio, conseguindo. É o caso.
Esta votação não poderá ser ignorada.
Serious ass kissing
Era incontornável: Pedro Passos Coelho abriu o debate quinzenal com o tema que dominou esta semana – o acordo da concertação social – e distribuiu agradecimentos aos empresários e às organizações sindicais. Reservou, porém, um especial agradecimento para o Presidente da República, que “teve uma discreta mas importante intervenção” para que o Governo “tivesse conseguido alcançar este acordo”.
Leões no circo
Bojinov suspenso preventivamente e impedido de frequentar instalações
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Não podia ter corrido pior a Domingos o ataque à outrance que fez antes do jogo circense contra o Moreirense. Chegou ao ponto de lembrar um facto assassino para o orgulho leonino:
Em 30 anos, o Sporting ganhou três títulos e nos últimos oito ganhou um campeonato e uma Taça de Portugal.
Juntando esta atitude de confronto acintoso com a novidade de ter arranjado inimigos de estimação pelo lado do João Braga, um dos barões do clube, nem sequer a conclusão da sua 1ª época está garantida.
‘Pera, hoje é mesmo dia de bater no Cavaco, mas ontem também foi e amanhã será
Não vale a pena recriminar as agências de rating, o que nós devemos fazer é o nosso trabalho para depender cada vez menos das necessidades de financiamento externo.
Surpreendo-me como 27 chefes de Estado e do Governo se deixam condicionar politicamente por agências de rating e aceitam mesmo alguma chantagem de natureza política feita por agências de rating.
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*CS – Com Sócrates
**SS – Sem Sócrates
O inigualável artista da mentira
Já está
Foi entregue às 15h o requerimento de fiscalização dos preceitos do OE relativos a cortes de subsídios de funcionários públicos e de pensionistas, já atingidos por cortes de salários (já agora).
Normas, política, isto e aquilo.
Nada disso. Milhares de pessoas atingidas por uma selvajaria social que nem em momentos de crise económica a nossa Constituição permite.
Milhares de pessoas.
Grata a quem assinou o requerimento, respeitando em absoluto a liberdade de quem o não fez.
Bacoradas 2011 – Vencedores
1º
“Abstenção do PS vai ser violenta mas construtiva”
SEGURO 11.79% (54 votos)
2º
“Rejeitar o PEC IV é o princípio da saída da crise”
LOUÇÃ 10.48% (48 votos)
3º
“Eu já ouvi o primeiro-ministro dizer, infelizmente, que o PSD quer acabar com muitas coisas e também com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e isso é um disparate”
PASSOS 8.08% (37 votos)
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Este foi o inquérito com a maior participação de sempre – 458 votos no total, o que deve corresponder, pelas minhas contas, a cerca de 40 bravos que votaram 10 ou 11 vezes cada – e continuará aberto à votação até que o Sporting seja campeão ou que Relvas decida vender a Internet a uns compadres, o que acontecer primeiro. Todavia, estes são os resultados que a História irá registar e debater profusamente. Da minha parte, quero enaltecer a sageza, a justiça, de tais escolhas. Repare-se:
– No pódio, mas remetido ao desprezo possível, temos Passos Coelho e sua citrina honestidade intelectual. Presidente de um partido cujo programa político, de 2008 a 2011, consistiu essencialmente em repetir que o primeiro-ministro era mentiroso, irresponsável, corrupto e criminoso – igualmente o sendo qualquer outro indivíduo que com esse patife tivesse alguma ligação, fosse no Governo, no partido ou na sociedade, no presente, no passado ou no futuro; e nem sequer os filhos de Sócrates escapando às ofensas odiosas pela boca suja do braço-direito de Passos e actual Ministro dos Assuntos – fez a campanha eleitoral mais desvairadamente tratante de que há memória. Contudo, e pelos vistos, grande parte dos portugueses está a gostar do achincalho recebido, o que fica como uma aprendizagem inestimável para aqueles que não estejam de malas feitas para emigrar.
– Encafuado no segundo lugar, encontramos uma imbecilidade de Louçã. Este frase diz tudo acerca do estado de alucinação que rege as suas decisões políticas. Não admira, pois, que este seja o mesmo crânio que levou o BE para a triste figura de ser gozado pelo PCP aquando da moção de censura, e para o trágico desfecho de querer atacar o PS manipulando as fragilidades de Alegre, o que acabou por ser um decisivo factor para a reeleição de Cavaco e de tudo o que se lhe seguiu. Louçã, de resto, rivaliza com Jardim e Cavaco quanto à duração da sua liderança política, a qual está indelevelmente marcada pelo completo desperdício dos resultados obtidos em 2009, altura em que ultrapassou o PCP em mandatos parlamentares. O facto de, ao longo dos anos, ter perdido a alegria que prometia ser o tal pauzinho na engrenagem e se ter reduzido aos discursos moralistas, e às ambições megalómanas de vir a chefiar uma esquizóide esquerda grande, não é um acaso, pois não?
– E o grande vencedor é Seguro, com uma expressão que lhe assenta que nem uma luva. Porque ele não é outra coisa a não ser essa patareca abstenção violenta. Foi assim o seu percurso até chegar a Secretário-Geral, onde toda a eloquência estava concentrada nos seus silêncios e cada ambiguidade era uma explosão de violência. A sua relação disfuncional com o PS, vendo na instituição apenas o veículo da sua carreira, é o que explica as extraordinárias cenas protagonizadas no aplauso a Cavaco aquando do comício da tomada de posse, o frenesim da cobiça no sobe e desce do elevador do Altis em cima do anúncio da demissão de Sócrates, a perseguição aos seus camaradas por suspeitas de corrupção e o inominável apagamento de qualquer referência ao anterior ciclo governativo e ao modo como foi interrompido. É irónico, e fatal, que quem anda maniacamente a exigir transparência a tudo e a todos seja o político mais opaco que já passou pela liderança do PS. Eis um sarilho que diz respeito, em primeiro lugar, aos militantes e simpatizantes socialistas, mas que para o cidadão apaixonado pela política – e dado o PS ser o principal esteio do regime democrático – é fonte de graves inquietações.
Os foguetes e as canas
Ontem foi grande a festa e o foguetório do governo e seus apoiantes a propósito do acordo alcançado na concertação social. Quem, apesar dos tempos, vê os momentos de televisão das novas personagens saídas sabe-se lá de que toca, arrisca-se a ouvir Braga de Macedo na RTP Informação (como aconteceu ontem, ao fim da tarde) a dizer o seguinte (cito de cor):
“Este acordo (na concertação social) veio na hora H. Já devia ter acontecido há mais tempo, mas numa semana em que as agências de rating baixam as notações de vários países europeus, entre os quais a França, é importante mostrar o empenho de Portugal em fazer o seu trabalho e dar confiança aos mercados. Foi mesmo na hora H.”
Não sendo estas as palavras exatas, a hora H foi seguramente referida umas seis vezes durante a intervenção. Para este economista do PSD e próximo membro do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, a partir de agora o rating de Portugal vai ser sempre a subir. A revisão da lei laboral no sentido da flexibilização era o pormenor que faltava para inverter a situação de “descrédito” do país face aos mercados. Indiferentes a tanta fé, hoje, no mercado secundário, a rendibilidade exigida pela compra de dívida portuguesa a 5 e 10 anos voltou a atingir máximos (18,2% e 14,6% respetivamente), nada indiciando que vamos sair do lixo na próxima década. Chatice, Dr. Macedo. E logo agora que nos tornáramos tão sedutores para os investidores e nos armáramos de um escudo invencível contra os especuladores de tal maneira resistente que nem o provável incumprimento da Grécia nos poderia jamais afetar.
Acredite que eu até gostaria que a vida financeira e política fosse simples assim e que a situação económica internacional decorrente da globalização, do regresso dos nacionalismos, da apropriação dos Estados pela alta finança, etc., etc. exigisse apenas, dos países europeus, que fossem os bons alunos do diretório alemão e da Troika ou seguissem à risca a cartilha do liberalismo económico, baixando os salários, desregulamentando a economia e reduzindo/suprimindo o papel do Estado. Assim não é e essas vias só nos afundam. Com a austeridade e a perda de poder de compra, cada vez haverá menos dinheiro para pagar dívidas e respetivos juros. Atrelados ao euro, a resposta ou é europeia ou não é nenhuma. Se fosse a vocês, guardaria os foguetes para mais nobre ocasião e, por enquanto, trataria de apanhar as canas. Ou mandar apanhar, mais de acordo com a vossa assumida classe (para já, invisível a olho nu).
Já não é bem um jornal, transformou-se no pasquim do laranjal
Vinte Linhas 719
Bairro Alto – o magoado adeus de Joel Neto
Numa crónica publicada no «Notícias Magazine» de 15-1-2012, Joel Neto despede-se do Bairro Alto, local que conhece há vinte anos e onde trabalhou e residiu nos últimos sete anos.
Citemos: «à medida que vou percorrendo as rua e ruelas que amei e cumprimentando os velhos e os junkies que me conhecem pelo nome, já não é a arquitectura que me salta à vista, nem sequer a dimensão humana da malha citadina, nem tampouco o fado e os fadistas, os jornais e os jornalistas, ícones do Bairro de que, de resto, há cada vez menos exemplos. O que me salta à vista é a sujidade, os mau cheiro, os gritos histéricos das adolescentes ainda sem idade para ir à mercearia quanto mais para sair à noite – e, naturalmente, as multas, as muitas multas, as muito mais multas do que aquelas com que era suposto uma cidade soalheira castigar os seus amados habitantes pelo simples facto de a habitarem».
Pastéis de nata & pastéis de Belém
O primeiro-ministro afirmou hoje que o Presidente da República “teve uma intervenção importante” para o acordo alcançado entre o Governo e os parceiros sociais, que considerou ser “um marco decisivo” na história de Portugal.


