versa fiada

Júlio Magalhães tem uma relação especial com Marcelo e “a direcção não quer que o professor se vá embora da TVI”, explica ao JN uma fonte do canal de Queluz de Baixo

Já vi a expressão “uma relação especial” ser utilizada em muitos contextos (o amoroso é dominante), mas, neste, só pode significar uma coisa: Júlio Magalhães gosta de dedicar a parte final do seu telejornal a fazer de boneco, aceitando ser pago para isso. O professor é um palrador com ar simpático, não fora a política. Mas, de facto, todo o pivô que aceite sentá-lo à sua mesa na condição de abrir a boca duas ou três vezes, apenas para introduzir os temas da comentarice dominical, ouvindo passivamente e sem a mínima réplica (aparentemente como cláusula contratual) os frequentes dislates e basófias de Marcelo, está deliberadamente a deixar os seus créditos jornalísticos atravessar um troço arriscado. Foi o que aconteceu com Ana Sousa Dias e Maria Flor Pedroso (ainda que esta ensaiasse, de vez em quando, ligeiros contrapontos). Ambas recuperaram dessa travessia, mas lembrar-nos-emos sempre da figura que fizeram. Presumo que não haja na TVI quem mais se queira prestar a esse papel (?). Ou então a afabilidade de Júlio Magalhães ou a sua admiração por Marcelo casam tão bem com as pretensões deste último que lhe dão o direito de exigir a sua manutenção no papel. Sob pena (acabo aqui, recorrendo à técnica estilística do blogger Maradona).

(Nota: Vou passar a escrever segundo as regras do Novo Acordo Ortográfico. Profissionalmente, estou obrigada a isso desde 1 de janeiro. Além disso, também na escrita pessoal, não me causa qualquer repulsa. No texto supra, nem foi necessário alterar nada.)

Cabrão do Gordo

O acórdão do STJ com data de 15 de Dezembro considerou provado que o gestor, Leonel Gordo, de 46 anos, burlou o padre responsável do Instituto, entre 2004 e 2005. Convenceu-o a resgatar depósitos a prazo e aplicações para investimentos seguros e “quando por telefone” o padre lhe dizia que ía “levar depósitos, fazer transferências entre contas ou formalizar operações que aquele lhe propunha”, o bancário “quase sempre retorquia que não valia a pena estar a maçar-se com deslocações ao Banco, pois ele se deslocaria pessoalmente para concretizar tais operações”, refere o acordão.

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) condenou o BPN a devolver 3,584 milhões de euros com juros desde Abril de 2006, ao Instituto Missionário da Consolata, com sede em Fátima que, durante um ano, entregou essa quantia a um gestor daquele banco que prometia juros mais elevados do que os do depósito a prazo. O bancário utilizou antes o dinheiro para investir na Bolsa e perdeu-o.

Fonte

2011, um ano feliz

Aqui no Aspirina B, pelo menos. Senão, veja-se. Em Maio o Vega9000 juntava-se à malta como autor. Sendo já um blogger de mão-cheia noutros poisos, e uma presença marcante nas nossas caixas de comentários, veio espalhar entre nós a sua criatividade, excelente humor e entusiasmo cívico com plenos recursos de publicação e edição. É dele, e de longe, o maior sucesso de popularidade do ano – Pequenas arrelias do consumidor – com 19 referências no Twitter e 320 no Facebook. Uma maré de gente a aplaudir. Em Junho foi a vez da Penélope aceitar duplicar o contingente feminino, dando-nos a honra de se iniciar connosco nestas lides blogosféricas como autora. Sou fã da sua atitude frontal, da análise perspicaz e do estilo contundente. E em Setembro foi a vez de chegar a guida, também usual comentadora e desconhecendo por completo os bastidores de um blogue. Para além de, em 6 anos de existência, havermos finalmente atingido a paridade sexual na equipa de autores, um feito importantíssimo por todas as razões e mais duas, a guida têm-nos oferecido verdadeiras pérolas de uma crítica política original, onde a delicadeza é feroz e a ferocidade delicada. E se ainda lembrarmos que a Isabel Moreira começou a passear por cá os seus tão subidos conhecimentos, e a admirável paixão por isto de vivermos juntos e termos de nos governar como se fôssemos adultos, desde Dezembro de 2010, o que corresponde ao período pré-2011, podemos afirmar que o ano passado foi feliz do princípio ao fim e sem um único dia de descanso.

Este é também o momento para agradecer aos amigos que nos abraçaram com a sua simpatia e generosidade nestes tempos de celebração colectiva. Que façam a melhor festa de todas, aquela que não vem marcada no calendário nem pode ser planeada: a intempestiva, inefável, inconcebível fruição do mistério de ser.

(estes são os nomes daqueles que nos deixaram votos festivos, e é altamente provável que tenha deixado escapar alguém – as minhas antecipadas desculpas)

Teofilo M.
mdsol
a.r.
Dédé
Rita Vasconcellos
Morto de Riso
António P.
Marco Alberto Alves
edie
joão viegas
§
blablazada
Jnascimento
Manuel Pacheco
mais_outro
jpferra
reis
jose albergaria
Ana Paula Fitas
Kaos

Aspirinas é na pharmacia

No ano em que se generaliza o uso do novo acordo ortográfico, informo que pela parte que me toca continuarei a escrever utilizando a velha grafia. No entanto, não o faço por nenhum motivo cultural, nem de protesto ou sequer por convicção. A atitude justifica-se unicamente porque aprendi a escrever desta maneira, sai-me naturalmente, as regras do novo acordo são-me em grande parte desconhecidas e tenho uma imensa preguiça em aprendê-las. Logo, como não me apetece despender grande esforço em nova aprendizagem, o timing é o seguinte: quando me habituar a elas de tanto as ler, mudo. Quanto à “herança cultural”, desculpa de tanta gente se recusa a admitir que as suas razões são rigorosamente iguais às minhas, estou-me perfeitamente nas tintas. As heranças usam-se para construir coisas novas, e a cultura é o que fazemos e o que transmitimos com as ferramentas à nossa disposição, não as ferramentas em si.

Impressionar à borla, brilhar de graça, seduzir sem gastar um tusto

Study Assesses Pain Relieving Benefits From Music
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Using MP3 Players at High Volume Puts Teens at Risk for Early Hearing Loss, Say Researchers
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Aging Brains Match Youth in Some Mental Tasks
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Study Links Quality of Mother-Toddler Relationship to Teen Obesity
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Diet Patterns May Keep Brain from Shrinking
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Should you keep your New Year’s diet a secret?
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The Importance of Making Holiday Memories

Aonde é que eu terei errado, Deus meu?

Excelência

A resolução, para a qual nos convocou, dos problemas gerados pela actual situação do País, já que todos temos vivido acima, muito acima, das nossas possibilidades, criou neste pobre idoso um insustentável sentimento de culpa do qual passo a dar conta a V. Exª.

Então é assim. De imediato me dirigi ao leito aonde até à meia-noite conservei os olhos no tecto em profunda introspecção. Devo confessar-lhe que nada encontrei nos recônditos mais profundos do meu passado que apontasse para este amargo sentimento de culpa. Não tenho dívidas, nem telemóvel, a viatiura auto-própria na qual me locomovo tem quase vinte anos, 20. Tenho em dia as contas com o fisco. Nunca joguei na bolsa ou especulei em títulos ao abrigo de qualquer informação privilegiada. Consumo apenas produtos de marca branca, almoço na Junta de Freguesia e uso apenas lâmpadas de 20W. Aonde é que eu terei errado, Deus meu?

1 da manhã.
Inicio uma noite de voltas na cama. Ao meu lado a patroa começa a protestar à medida que se avolumam as minhas culpas e interrogações.

2 da manhã.
Começa a assaltar-me a dúvida se num dos meus passeios semestrais ao Guincho, onde fico a ouvir o relato enquanto a patroa faz o seu ponto-cruz, não terei sido visto por alguns dos que tanto trabalharam em prol dos país e de si próprios, pensando que este pobre idoso ía entrar no dito Hotel ou quiçá no Porto de Santa Maria.

O sentimento de culpa não me deixa dormir. Porquê eu? Não sou depositante do BPN ou do BPP, não conheço o Moraes, nunca falei ao Lima, não sou utente da Brisa, nunca me cruzei com o Amarral, só recebo uma reforma. A patroa ameaça fazer-me a cama no “ólio” de entrada onde temos um divã para quando nos visitam uns parentes afastados da provícia.

3 da manhã.
Levanto-me e vou ao WC, tropeço no gato, espremo a próstata, não consigo urinar. O sentimento de culpa reteve-me as urinas. SOCORRO!!!

4 da manhã.
A patroa cumpre a ameaça. Faz-me a cama com o respectivo resguardo para qualquer eventualidade.

5 da manhã.
Faço uma lista, aproveitando a iluminação pública que penetra numa das janelas, de medidas de ajustamento. Entre elas conta-se a redução a metade da comida, alimentando-me eu e a patroa em dias alternados. Aos domingos comemos os dois a mais o gato. Em caso extremo usaremos o granulado do bichano, depois de devidamente humedecido para não danificar as placas, numa nutritiva “omileti”.

6 da manhã.
Levanto-me. Não faço a barba e vou à Portela ver se apanho o voo que chega às 7 do Brasil para ir buscar o Ensonso e o Martelo que foram passar o réveillon a Terras de Santa Cruz. Devem ter discutido imeeeensas medidas de ajustamento… para nós, é claro.

No caso de os apanhar sempre poupam o dinheiro do táxi.

7 da manhã.
Não vieram, ou perderam o avião, ou já se foram embora. Que pena!!!

Excelência, não aguento mais este sentimento de culpa que me inunda o ser. Rumo à Igreja dos Santos Reis Magos do Campo Grande, paróquia do meu nascimento, a adorar o Santíssimo. Se Ele estiver exposto, pode ser que me fale. Se o não estiver, dado a sua omnipresença, com toda a certeza será o meu amparo. Se, por acaso, não me passar cartão, lavo a cara na pia baptismal e regresso a penates a Alcântara.

Poupe-me Excelência, não aguento esta culpa.

E.R.M. (Espero Real Mercê)

Oferta do nosso amigo jafonso

Inteligência: ou se tem ou não se tem

Neste miserável ano de 2011/2012, em que um governo sem qualquer outra estratégia para o país que não seja a dos cortes cegos e do empobrecimento com vista a uma mão-de-obra barata assumiu o poder, vale a pena ler esta entrevista dada ao jornal i por uma destacada cientista/matemática portuguesa a trabalhar nos Estados Unidos, Irene Fonseca. Entre outras coisas, diz ela:

Ir para o estrangeiro tem sido aliás um apelo dos nossos governantes para enfrentar esta crise. Para si é um apelo que faz sentido ou fica angustiada com a eventualidade de o melhor de Portugal sair de Portugal?

Desculpe, não percebi a pergunta. Os governantes aqui encorajam os nossos a saírem?”

(…)”Nos EUA, há uma grande preocupação nossa e também da administração vigente com a investigação científica. Entre os cortes que têm sido feitos, a Nacional Science Fundation, tem sido poupada. Ao contrário, o nosso orçamento está a ser aumentado.”

(…) “Dou-lhe mais um exemplo: o Google foi um projecto sem calendário nem prazo financiado pela National Science Foundation e o resultado desse projecto é um instrumento que toda a gente usa. Era um projecto de três indivíduos que fizeram uma proposta, obtiveram financiamento e apresentaram resultados. Isto exige uma aposta do Estado. Claro que há um risco, mas há sempre qualquer coisa de bom que sai da investigação”.

Sem ciência, não há desenvolvimento. O objectivo de competir com a China ou com a Índia no tipo e nos custos de produção revela uma estratégia demissionária, classista, insensível e, além do mais, condenada ao fracasso. Alguém tem ideia de quais as áreas da ciência em que este governo gostaria de apostar para que o país possa figurar no mapa de países civilizados, para que exista uma via alternativa ao marasmo e para que não se perca o avanço conseguido nos últimos anos? Um governante como Passos que não dá o mínimo sinal de gostar (muito menos de se orgulhar) do seu país e da sua gente nem tem a inteligência suficiente para incentivar (incluindo financeiramente) o que de melhor há e o que de melhor se faz ou poderá fazer por cá não merece o lugar que ocupa. Aldrabão sem pátria, foi para o governo para pôr a ganhar dinheiro a maioria de empresários patos-bravos que vota PSD e que nunca deixou de por aí andar.

5 de Junho já passou e correu mesmo bem, agora toca a unir esforços, até porque o povo tem mais é que sofrer depois de ter andado a votar naqueles criminosos que gastaram o dinheiro todo mal gasto em serviços públicos e apoios aos desfavorecidos e investimentos em educação, tecnologia e ciência, que nojo

Durante muito tempo vivemos a ilusão do consumo fácil, o Estado gastou e desperdiçou demasiados recursos, endividámo-nos muito para lá do que era razoável e chegámos a uma “situação explosiva”, como lhe chamei há precisamente dois anos, quando adverti os Portugueses para os riscos que estávamos a correr.

[…]

Somos todos responsáveis. Esta é a hora em que todos os portugueses são chamados a dar o seu melhor para ajudar Portugal a vencer as dificuldades. Trabalhando mais e apostando na qualidade, combatendo os desperdícios, preferindo os produtos nacionais. Deixando de lado os egoísmos, a ideia do lucro fácil e o desrespeito pelos outros.

[…]

Nenhum Português está dispensado deste combate pelo futuro do seu País.

Este é um tempo de união de esforços. De nada adianta dividirmo-nos em lutas e conflitos sem sentido. Não devemos desviar as energias daquilo que é essencial para enfrentar os desafios do presente.

Não é combatendo-nos uns aos outros que conseguiremos combater a crise.

Diz que é uma espécie de Presidente da República

Vinte Linhas 711

«Quantos livros desses é que vendeste?» perguntou o cabresto

Um dos sinais da crise, além das loucuras do governo de «passos perdidos e portas fechadas» é a quantidade de patacoadas ditas e parvoíces cometidas de modo transversal em toda a sociedade portuguesa. Ainda agora um senhorio (grande cabresto…) mandou o electricista mudar o temporizador da luz da escada. Para poupar, parecia. Mas não: uma senhora que ia colocar o lixo no rés-do-chão caiu e partiu o colo do fémur. Aqui no «Aspirina B» o sinal da crise é o aparecimento de um (ou talvez mais) cabresto a dar pinotes nas linhas dos comentários. A propósito do meu encontro com Fernando J. B. Martinho, o poeta que fez parte do Júri do prémio da APE em 1980, o grande bandalho, tentando tratar-me por tu, deu um coice e escreveu – «Quantos livros desses é que vendeste?».

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