O charme improvável de Celeste

No pacote de seis premiados por este governo com um enorme tacho na EDP , figura a doutora Celeste Cardona. Esta senhora deve ser extremamente competente e versada, ou algo de muito meritório deve ter feito em prol do seu partido, o CDS, ou não seria tão encaminhada para os mais variados cargos nos últimos 10 anos. Ela própria se deve surpreender. E orgulhar. Não é qualquer um que é sistematicamente a escolha natural. Depois de ministra da Justiça no governo de coligação de Durão Barroso, saltou para a Administração da CGD e agora para o Conselho Geral e de Supervisão da EDP, a par de Catroga, Teixeira Pinto, Braga de Macedo e Ilídio Pinho, todos prestadores de altos serviços. Dir-se-ia que o CDS não tem mais ninguém a quem recompensar para preencher a sua quota-parte nos super-lugares partidários? Perguntar não ofende.

Sportinguismo impedido de entrar no Sporting

O Público é um jornal que não respeito, porque não se respeita a si próprio, mas esta situação ofende-me, até porque tenho as quotas em dia há mais de 30 anos: PÚBLICO impedido de entrar em Alvalade

Godinho Lopes borrou a pintura e a nódoa não irá sair. Já agora, as infames imagens do corredor que mostram elementos de claque em poses de claque foram bem escolhidas por algum bacano de uma qualquer agência de publicidade ou design bacana. O problema foi terem sido aprovadas pela Direcção. O clube assume assim não perceber um caralho de sportinguismo, o que é um bocadinho bizarro tendo em conta que insiste em ostentar o nome Sporting Clube de Portugal.

Impressionar na maçonaria, brilhar no Opus Dei, seduzir na Loja Tony Carreira

Why Are Older People Happier?
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The Trait Of Humility Predicts Helpfulness
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How Moms Talk Influences Children’s Perspective-Taking Ability
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Spain’s first gay retirement home passes its first hurdle
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“Bingo!” Game May Help Seniors with Cognitive and Perceptual Deficits
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NASA Wants to Power Robots With Microbes
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Dogs Gauge Intention By Human Communication Style
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Couch potato or elite athlete? A happy medium keeps colds at bay
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Blogging May Help Teens Dealing with Social Distress
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Moderate Red Wine Drinking May Help Cut Women’s Breast Cancer Risk, Study Suggests
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School Pupils Learn About Practical Philosophy
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With Just One iPad, Teachers Improve Classroom Lessons
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Daily Show and Colbert Report Viewers Are “Deep,” Research Suggests

Vinte Linhas 713

Nuno Artur Silva e Fernando Venâncio – ou as livrarias esquecidas

Vivo em Lisboa desde Setembro de 1966 e sempre que uma livraria desaparece sinto que fico mais pobre. Só um exemplo: a Parceria A. M. Pereira foi o local onde conheci mais pessoas importantes por metro quadrado. Por exemplo: José Palla e Carmo, Ruben A., Natália Correia, Luiz Pacheco, Romeu Correia. Soube agora que a Livraria Portugal na Rua do Carmo foi vendida e vai mudar de ramo.

Desde sempre me lembro de comprar livros os mais diversos (também livros escolares para os meus filhos) naquela livraria e fui assinante do seu Boletim Bibliográfico. Uma das últimas conversas que tive com o Fernando Venâncio foi no rés-do-chão desta livraria. É uma tristeza tal como já foi o desaparecimento da Romano Torres em São Mamede, da Diário de Notícias no largo das Duas Igrejas, da Guimarães na Rua da Misericórdia sem esquecer a Bocage na Calçada do Combro. Uma livraria que fecha faz da cidade uma coisa mais escura e bem menos iluminada.

Outra coisa passou-se com uma reportagem na Revista do Expresso de 7-1-2012 com o título «Nuno vai aos livros». Nuno Artur Silva vai a seis livrarias mas só cinco aparecem nas fotografias e no mapa da cidade. A livraria que ficou de fora no resumo da reportagem chama-se Letra Livre e fica na Calçada do Combro nº 139. Aparece no texto mas não no mapa nem nas fotografias de Tiago Miranda.

Não bastava já haver livrarias à venda no centro histórico do Chiado como a Portugal que até vai mudar de ramo, aparece horas depois uma livraria a ficar escondida numa reportagem do Expresso. Um mal nunca vem só.

Quanto é que os chulos terão gastado só em telemóveis?

Tribunal intimou Gaspar a detalhar despesas com cartões de crédito e telemóveis.

O Supremo Tribunal Administrativo intimou o Ministério das Finanças a entregar à Associação Sindical dos Juízes (ASJP) as despesas do último Governo de José Sócrates com cartões de crédito e telemóveis, assim como as respetivas autorizações para a sua utilização e os beneficiários dos mesmos. A decisão do STA foi tomada no passado mês de dezembro e já não passível de recurso.

Fonte

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Esta é uma das heranças mais interessantes da ousadia do anterior Governo em ter pensado que conseguia reformar a Justiça, ou tão-só tocar nos privilégios da corporação. Os magistrados muito se devem ter rido com a ingenuidade. Seguiram-se as violações selectivas do segredo de Justiça para entregar aos jornalistas da gente séria, as tentativas de criminalização de governantes e esta exigência nunca antes vista em Portugal e cuja intenção é, mais uma vez, difamatória. O sindicato dos juízes quer mostrar que são eles quem manda na República. Se a exigência for avante, abrir-se-á um precedente extraordinário de consequências imprevisíveis. Mas esta é também uma excelente ocasião para os demagogos, ou fanáticos, da transparência virem apoiar, e celebrar, a ASJP na sua perseguição aos governantes, aos políticos e, portanto, aos cidadãos.

Partido da oposição, procura-se vivo ou morto

Era giro vivermos num país onde um partido da oposição, um qualquer, não descansasse até obter as seguintes respostas.

Esta história da maçonaria só serviu para uma coisa: para se deixar de falar da maior rebaldaria, de uma rebaldaria gigante, que se passa nos serviços secretos portugueses, no SIS e no SIED e tudo o mais. Porque isto serviu para que nós não falássemos no seguinte:

Porque é que o Sr. Primeiro-Ministro, depois de saber aquilo que soube, manteve as pessoas nos seus cargos? Porque é que as pessoas que denunciaram os procedimentos errados, e toda essa rebaldaria que se passava no SIS, foram afastadas e os tipos que foram responsáveis por esses disparates se mantiveram? Porque é que o Jorge Silva Carvalho, um indivíduo que se mostrou que, alegadamente, andou a traficar segredos de um lado para o outro, esteve a poucas semanas, por um fio, de ser o director-geral do SIS e do SIED, um tipo que fazia este tipo de situações? Porque é que o Ministério Público não faz nada? Do que é que está à espera? Porque é que ninguém actuou em relação à fiscalização? O que é que é feito da sindicância aos serviços de informação, depois do Marques Júnior e do Jorge Bacelar Gouveia terem dito coisas do género “Bom, a gente quando quer saber alguma coisa daquilo, telefona para lá e diz que vai lá no dia seguinte ver os computadores…”? Como é que o Primeiro-Ministro conseguiu pactuar com os relatórios internos que não passavam de histórias da carochinha?

Pedro Marques Lopes

E não carecia de ser um partido com representação parlamentar. Podia ser o MRPP, ou o MEP, ou o PPM. Ou partidos ainda mais esconsos, como o Partido Humanista, ou o Partido Trabalhista, ou o Partido Liberal-Democrata. Até partidos já desaparecidos, mas ressuscitados para esta causa, como por exemplo o Partido Comunista Português (reconstruído), ou o Partido da Solidariedade Nacional, ou o Partido da Gente. Raios, até um fantasma que invocasse ter militado na União Nacional Republicana, ou na Federação Anarquista da Região Portuguesa, ou na Cruzada Nun’Álvares servia.

Patriotismo de Portas, uma descoberta dos últimos 6 meses

Paulo Portas pediu também a todos os portugueses para que assumam o seu patriotismo.

«Portugal enquanto nação só pode ultrapassar a crise com uma atitude: Não tenhamos espírito de fação, tenhamos uma atitude nacional. Não procuremos grupos ou partidos, sejamos cada um de nós a praticar o patriotismo todos os dias», afirmou o líder popular e ministro dos Negócios Estrangeiros.

«Vamos sair desta situação juntos enquanto nação», sublinhou Paulo Portas.

2011, 7 de Janeiro

Paulo Portas desenvolveu uma tese que já tinha ensaiado há alguns meses em debates quinzenais: a de que Sócrates é um problema e não a solução. “O senhor é passado, já não recupera. Quem nos trouxe a esta crise não nos tira. Ponha a mão na consciência e tenha um gesto de humildade, saia senhor primeiro-ministro”, exortou Portas.

2010, 15 de Julho

Um livro por semana 270

«Não escrevo para vender livros – Fotobiografia de José Marmelo e Silva» de Arnaldo Saraiva

José Marmelo e Silva (1911-1991) não foi tão referido pelos jornais como os seus confrades Alves Redol e Manuel da Fonseca no ano do centenário mas não deixa de ser também um grande escritor português. Esta fotobiografia tem um título que nos chega ao arrepio do ar do tempo. O autor de «Sedução» («audacioso, simples, enérgico e irregular») nunca escreveu para vender livros como algumas (cito Júlio Conrado) nulidades televisivas da nossa época.

Marmelo e Silva nasceu no Paul, no Moinho das Lages, tal como recorda num apontamento de 1980: «O moinho ao rés da água. /Os animais ao rés do chão. /Nós no andar de cima. /Recordo os sonos infantis da tarde./Ao despertar os pesadelos diluíam-se». A vida na sua terra, conhecida pelas procissões, romarias e canções que ficaram nas fitas magnéticas de Michel Giacometti, Lopes Graça e Rodney Gallop, terá levado o autor a um desejo tenaz de superação daquela aridez de granito, da miséria e da resignação da sua gente. Os seus anos de estudo no Seminário do Fundão, do qual terá sido expulso por ter na sua posse o livro «O crime do Padre Amaro», deram origem a uma nota na reedição de «Adolescente Agrilhoado» de 1967: «O internato era naquele tempo uma usina de revolta e desespero. Eu e o Vergílio ousámos trazer a público o nosso testemunho entre amargurado e combativo. E quem sabe se este não contribuiu um pouco ou em muito para a re-humanização educativa dos internatos!».

Sendo impossível resumir um trabalho de 135 páginas num pequeno texto como este, aqui se regista uma carta de Carlos de Oliveira a Marmelo e Silva sugerindo-lhe uma aproximação à Editorial Estúdios Cor: «Não estranhe a entrada intempestiva desta carta pelas portas dentro. É que julgo salutar o aparecimento doutros «Depoimentos», doutros «Adolescentes», neste país de génios em 400 páginas pelo menos e quanto mais confusas melhor».

(Edição: Centro de Estudos José Marmelo e Silva, Design: João Machado)

A chatice da espera

Devido a alterações técnicas que escapam à nossa intenção, há uns dias que alguns comentários passaram a ficar retidos para aprovação prévia. Tal acontece de forma aleatória e não traduz qualquer acção da nossa parte. O mesmo utilizador pode conseguir comentar imediatamente e logo depois ver o comentário seguinte a bater na trave. Da nossa parte fica a garantia de que eles poderão demorar alguns minutos ou horas a serem publicados mas não ficarão esquecidos no armazém.

Crato, enfia o oxímoro na paideia

Estamos a trabalhar para que a Ciência em Portugal seja cada vez melhor, para que haja cada vez mais cientistas e mais jovens interessados na Ciência.

Crato, 16 de Dezembro

Ministro diz que orçamento reduzido da Fundação para Ciência e Tecnologia é “adequado”

Crato, 4 de Janeiro

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Para além das pulhices, canalhices e filhas-da-putice que caracterizaram a estratégia dos partidos da direita contra Sócrates e quem o apoiasse, os publicistas da gente séria tinham, e continuam a ter, especial gozo em atacar tudo o que cheirasse a inovação e tecnologia. Por isso vimos o frenesim com que o programa Magalhães foi achincalhado, tendo-se vilipendiado todos os seus fundamentos e objectivos, desde a licitude dos acordos de produção à validade pedagógica e valor comercial. O mesmo para o investimento nas energias renováveis. O mesmo para o fabrico de carros eléctricos. O mesmo para a remodelação do parque escolar. Nada que o Governo PS fizesse na área do desenvolvimento podia ser recebido como um contributo para o bem comum, era necessário cobrir de lama os projectos e as centenas ou milhares de pessoas envolvidas nas diferentes fases, nos diferentes institutos e instituições, nas diferentes partes do nosso país e da nossa sociedade. Os direitolas não suportam o talento alheio, é-lhes especialmente doloroso constatarem pela obra de terceiros a bela bosta que são.

O tragicamente curioso, e supinamente avacalhante, foi observar a colagem dos imbecis do PCP e do BE a esta fúria anti-científica, anti-cultural, anti-civilizadora. Para os imbecis o que mais importava, o que só importava, era ver o PS destruído, por isso alinharam em júbilo nas campanhas difamatórias, saindo logo para a rua de archotes na mão à procura dos corruptos socialistas e suas negociatas diabólicas com os capitalistas e imperialistas. O racismo ideológico do PCP e do BE serviu às mil maravilhas os propósitos da direita mais decadente que Portugal conheceu depois do 25 de Abril.

Vinte Linhas 712

Esta é que era a Rita que eu conhecia

Há tempos foi publicado no «Aspirina B» um post sobre as patacoadas ditas por três pessoas no programa televisivo de Herman José. Uma delas era Rita Ferro mas não esta com quem convivi na Revista Ler. Era outra: posterior, repetitiva, bocejante. Nos anos de 1997 a 2001 falei muitas vezes com a Rita Ferro que está na foto. No jornal O MIRANTE fiz entrevistas a figuras das Artes, das Letras e do Desporto no Ribatejo. Uma dessas entrevistas foi com Luiz Pacheco e está referenciada no livro «Puta que os pariu!» de João Pedro George. Visitei Rita Ferro em Vale de Óbidos e São João da Ribeira. Conheci os filhos Marta e Salvador. A mãe (Pauline) como estrangeira tinha dificuldades e chamava «grade» a uma caixa de madeira. Conheci a sua irmã Mafalda em Lisboa num dia em que lhe dei boleia.

Esta Rita Ferro diferente da que eu conheci entre 1997 e 2001 limita-se a reproduzir o digest da manha do Correio da Manhã. Aquela patacoadas contra José Sócrates surgem na TV com o sarro das tabernas em cujas mesas esse periódico circula. Quem diz tabernas diz barbeiros humildes. O sarro é o mesmo. Poderiam ter falado do PR que tem amigos na prisão e outros a caminho da dita cuja. E que não se lembra de ter feito a escritura da casa. Ou do BPN onde o nosso dinheiro (pago 133 euros por mês e paguei 350 no Natal) vai tapar buracos. Agora são uns padres de Fátima que se dizem enganados pelo BPN e nós, gente como eu que trabalha e desconta há 45 anos, foi enganada por quem? E o dinheiro das pensões dos bancários que nem o Salazar conseguiu sacar dos Bancos sai com passos perdidos e portas fechadas para tapar buracos do Orçamento Geral do Estado. É uma roubalheira mas isso a Rita Ferro de hoje não coloca em cima da mesa. A Rita da foto acima não deixava escapar. De certeza.

O sempre admirável PCP – desta feita pela voz de Bernardino Soares

Já recuperei o ritmo respiratório normal após ouvir no habitual debate no Telejornal de Mário Crespo o Deputado Bernardino Soares mentir e, com isso, caluniar.
Já sabemos que temos uma extrema-esquerda que ataca preferencialmente o PS e subsidiariamente o PSD/CDS, coligação governativa que, de resto, deve àquela estar no poder a arruinar o país. Mas adiante.
Desde que se leu a primeira versão do OE houve gente que, sem esforço, viu nalgumas normas inconstitucionalidades flagrantes. Nesses tempos, como se diz na bíblia, tive pessoalmente a oportunidade de ser entrevistada por Mário Crespo, num dia que parece secular, em que fundamentei a inconstitucionalidade de normas, como as respeitantes ao corte de subsídios dos servidores públicos e das pensões. Mais acrescentei que a gravidade era tal que se justificava uma palavra por parte do Tribunal Constitucional (TC).
Ali, como noutros “lugares”, defendi sempre que Cavaco deveria suscitar a fiscalização sucessiva, após ter denunciado uma violação do princípio da equidade fiscal.
Expliquei também a evidência de ser mais favorável uma fiscalização preventiva do que uma sucessiva, já que na primeira o TC não está sujeito à pressão do anúncio nacional e internacional da entrada em vigor do OE. Não obstante, sempre defendi que os deveres morais não dependem de estatisticas de vitória, pelo que desde a primeira hora afirmei que estaria disponível para tentar reunir as assinaturas necessárias para uma fiscalização sucessiva, caso, repito, se verificasse a esperada inconsequência de Cavaco.
Tudo isto, portanto, tem barbas. E não é uma graçola. Estamos a falar de direitos fundamentais, da vida concreta das pessoas.
Naturalmente, esperei institucionalmente que passasse o prazo constitucional previsto para Cavaco tomar a opção de envio do OE para o TC.
O prazo passou e tratei, tal como outros, de fazer o que prometera há séculos.
É fácil? Não. Dá trabalho, o TC pode sentir-se pressionado pelas circunstâncias e forçar uma fundamentação desviada, mas é um poder dos Deputados individualmente considerados. Isto é, a Constituição prevê poderes dos grupos parlamentares, em certas matérias, e noutras, como nesta, deixa à consciência dos Deputados, os quais, chegando a 23, podem enviar o OE para o TC. Este poder está pensado para não ser de grupo, de clube, antes para permitir que se juntem, se for o caso, Deputados de Partidos diferentes que convergem no juizo de inconstitucionalidade que fazem sobre certas normas. É tão banal quanto isto: se um Deputado está profundamente convencido de que uma norma que atinge cidadãos viola a lei fundamental fica quieto? Não. Verifica se mais alguém pensa como ele. É um poder/dever.
Isto em nada prejudica a fiscalização política, diária, da execução do OE.
O que faz o PCP? Lava as mãos. Primeiro diz que não quer o TC a fiscalizar as normas que tem por inconstitucionais, depois, com azedume, diz – eles falam a uma só voz, como se sabe – que vão ver o requerimento do PS – os Deputados do PS que trabalhem e eles depois dão uma vista de olhos – e logo decidem, finalmente temos Bernardino Soares no Mário Cresco em tom ameno a matar moralmente quem, ao contrário dele, foi sempre coerente: o ideólogo comunista alinhou na tese do seu interlocutor do PSD segundo a qual quem quer que o TC intervenha está apenas a fazer política contra a direcção do PS e mais acrescenta que a nossa incoerência é tanta que não pedimos a fiscalização preventiva do OE, coisa possível, afirma: bastariam 46 Deputados do odioso PS.
Quando não se domina uma matéria, cala-se a boca. Quando se abre a boca em tom acusatório sabe-se que se está a mentir e a caluniar. Só o PR pode pedir a fiscalização preventiva do OE. Vou repetir: só o PR pode requerer a fiscalização preventiva do OE. O único caso em que 1/5 dos Deputados pode pedir tal fiscalização refere-se às chamadas leis orgânicas.
O OE, como o ilustre Bernardino Soares sabe, não é uma lei orgânica.
Ele que vá ler os artigos 166º, 168º e 278º da Constituição, antes de tentar, do alto da sua inércia perante inconstitucionalidades que dão cabo da vidas pessoas, encontrar incoerências em quem, ao contrário dele e dos seus camaradas, tem a mesma posição e a mesma promessa desde o dia em que o projecto de OE nos chegou às mãos.
Tiques de pequeno líder.

Notas para uma classificação pessoal de bloggers

Ter ideias. Saber defendê-las. As ideias mais imbecis são dignas de respeito se bem defendidas e fundamentadas. Saber transmiti-las, ou seja, saber escrever. Quanto mais simples, melhor. Prosa demasiado elaborada só prova que a ideia por trás dela não vale um chavo. Ser cortês com os outros. Não entrar em ataques pessoais, pelo menos não directamente. Não fazer pouco da figura física, nem indirectamente. Nunca, nunca perder a calma – não lhes dar essa satisfação. Não responder aos outros com citações de outros autores – quem precisa de citar é porque não consegue dizer aquilo pelas suas próprias palavras, ou seja, não percebeu nada e é um burro que leu umas coisas. Não mandar os outros ler livros pelas mesmas razões. Um argumento que inclua “os carros novos que vejo por aí” ou “os políticos corruptos” identifica imediatamente o autor como uma mente simples que lê o Correio da Manhã no café manhoso da esquina e ouve antentamente o fórum TSF. Citar Eça só prova que quer pertencer ao clube dos cultos e cínicos da vida, mas não pertence. Demasiada poesia prova que é uma tia do Estoril cujos miúdos já cresceram, se é que alguma vez existiram. Ninguém está interessado na viagem de merda que fizeste, muito menos nas fotos, a não ser que tenhas ido de mota ou de Lamborghini. E não foste. Quem te pergunta que livros é que lês está a tentar pôr-te a pata em cima, não respondas. Usar mais do que dois pontos de exclamação por ano prova que és uma pessoa facilmente impressionável. Palavras em maiúsculas só provam que não teriam o mesmo efeito em minúsculas, ou seja, não sabes escrever e argumentar. Comentários moderados provam que tens medo do que os outros pensam de ti. O nível dos teus comentadores é o teu, mesmo que não o admitas. Se o teu livro valesse alguma coisa, não precisavas de o andar a promover no teu blogue, os outros faziam-no por ti. Não o fizeram, pois não? Publicar musica clássica ou ópera só prova que dás mais importância ao facto de a ouvires do que à própria musica. Se aspiras a ser um intelectual de esquerda dás ao teu blogue um nome tirado de um filme francês, é meio caminho andado. Se percebesses alguma coisa de mercados financeiros estavas rico. E não estás. A malta que percebe não tem tempo para andar a escrever em blogues, estão demasiado ocupados a ganhar dinheiro.