Um livro por semana 270

«Não escrevo para vender livros – Fotobiografia de José Marmelo e Silva» de Arnaldo Saraiva

José Marmelo e Silva (1911-1991) não foi tão referido pelos jornais como os seus confrades Alves Redol e Manuel da Fonseca no ano do centenário mas não deixa de ser também um grande escritor português. Esta fotobiografia tem um título que nos chega ao arrepio do ar do tempo. O autor de «Sedução» («audacioso, simples, enérgico e irregular») nunca escreveu para vender livros como algumas (cito Júlio Conrado) nulidades televisivas da nossa época.

Marmelo e Silva nasceu no Paul, no Moinho das Lages, tal como recorda num apontamento de 1980: «O moinho ao rés da água. /Os animais ao rés do chão. /Nós no andar de cima. /Recordo os sonos infantis da tarde./Ao despertar os pesadelos diluíam-se». A vida na sua terra, conhecida pelas procissões, romarias e canções que ficaram nas fitas magnéticas de Michel Giacometti, Lopes Graça e Rodney Gallop, terá levado o autor a um desejo tenaz de superação daquela aridez de granito, da miséria e da resignação da sua gente. Os seus anos de estudo no Seminário do Fundão, do qual terá sido expulso por ter na sua posse o livro «O crime do Padre Amaro», deram origem a uma nota na reedição de «Adolescente Agrilhoado» de 1967: «O internato era naquele tempo uma usina de revolta e desespero. Eu e o Vergílio ousámos trazer a público o nosso testemunho entre amargurado e combativo. E quem sabe se este não contribuiu um pouco ou em muito para a re-humanização educativa dos internatos!».

Sendo impossível resumir um trabalho de 135 páginas num pequeno texto como este, aqui se regista uma carta de Carlos de Oliveira a Marmelo e Silva sugerindo-lhe uma aproximação à Editorial Estúdios Cor: «Não estranhe a entrada intempestiva desta carta pelas portas dentro. É que julgo salutar o aparecimento doutros «Depoimentos», doutros «Adolescentes», neste país de génios em 400 páginas pelo menos e quanto mais confusas melhor».

(Edição: Centro de Estudos José Marmelo e Silva, Design: João Machado)

9 thoughts on “Um livro por semana 270”

  1. imaginei uma pintura de um moinho gigante, parado, estilo noé, com tudo desordenado: a sesta no rés da água, eles são meras cabeças disformes no rés do chão e os animais, no andar de cima, excrementam a alcatifa que se destaca alta e felpuda. os pesadelos, manchas castanhas num fundo cinzento mate.

    (baptizo-o de internato) :-)

  2. porra! lá tá o bronco com complexos de não vender e vai daí arranja uma biografia vendável de um gajo que se lê para se colar. és um adesivo do caraças que não perde pitada para se autopromover à custa do trabalho alheio, assim foi quando tinhas profissão e assim é como reformado. deixa lá os outros e responde ao que interessa, alguma vez vendeste um livro? de caminho publica a entrevista que fizeste ao pacheco para o maralhal comentar e levares com mais umas bolas de trapo nas fuças.

  3. porra! lá tá o bronco com complexos de não vender e vai daí arranja uma biografia vendável de um gajo que se lê para se colar. és um adesivo do caraças que não perde pitada para se autopromover à custa do trabalho alheio, assim foi quando tinhas profissão e assim é como reformado. deixa lá os outros e responde ao que interessa, alguma vez vendeste um livro? de caminho publica a entrevista que fizeste ao pacheco para o maralhal comentar e levares com mais umas bolas de trapo nas fuças.

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