Vinte Linhas 713

Nuno Artur Silva e Fernando Venâncio – ou as livrarias esquecidas

Vivo em Lisboa desde Setembro de 1966 e sempre que uma livraria desaparece sinto que fico mais pobre. Só um exemplo: a Parceria A. M. Pereira foi o local onde conheci mais pessoas importantes por metro quadrado. Por exemplo: José Palla e Carmo, Ruben A., Natália Correia, Luiz Pacheco, Romeu Correia. Soube agora que a Livraria Portugal na Rua do Carmo foi vendida e vai mudar de ramo.

Desde sempre me lembro de comprar livros os mais diversos (também livros escolares para os meus filhos) naquela livraria e fui assinante do seu Boletim Bibliográfico. Uma das últimas conversas que tive com o Fernando Venâncio foi no rés-do-chão desta livraria. É uma tristeza tal como já foi o desaparecimento da Romano Torres em São Mamede, da Diário de Notícias no largo das Duas Igrejas, da Guimarães na Rua da Misericórdia sem esquecer a Bocage na Calçada do Combro. Uma livraria que fecha faz da cidade uma coisa mais escura e bem menos iluminada.

Outra coisa passou-se com uma reportagem na Revista do Expresso de 7-1-2012 com o título «Nuno vai aos livros». Nuno Artur Silva vai a seis livrarias mas só cinco aparecem nas fotografias e no mapa da cidade. A livraria que ficou de fora no resumo da reportagem chama-se Letra Livre e fica na Calçada do Combro nº 139. Aparece no texto mas não no mapa nem nas fotografias de Tiago Miranda.

Não bastava já haver livrarias à venda no centro histórico do Chiado como a Portugal que até vai mudar de ramo, aparece horas depois uma livraria a ficar escondida numa reportagem do Expresso. Um mal nunca vem só.

9 thoughts on “Vinte Linhas 713”

  1. E a Guimarães, Poeta, do banqueiro da Leya, tem um “escrito” de vende-se!
    Um abraço e mais uma falta ao almoço.
    Jnascimento
    PS E o frio, Olinda ?

  2. Obrigado por assinalar.

    Não sabia e considero de facto uma tragédia. A livraria Portugal era das ultimas rendidas à ideia de que o papel de uma livraria que se preze é apresentar um fundo interessante. Muitos livros ter-me-iam passado completamente ao lado, não sucedesse estarem la numa estante, e por vezes durante varios anos.

    Mas é claro que a moda, agora, é dizer que a Internet tornou isso dispensavel.

    Sou utilizador da Internet (senão não estaria aqui), mas acho a afirmação uma parvoice.

    A verdade, relativamente à economia do livro, é que Portugal mostra não ter sabido aproveitar, em nada, a formidavel oportunidade que devia ser o aumento do nivel de educação da população, a que devia supostamente corresponder um aumento dos habitos de leitura.

    Estamos, parecendo que não, a falar do essencial, a saber o aproveitamento, ou não, desse bem chegado às populações graças ao 25 de Abril chamado… educação.

    Triste.

    Boas

  3. «Desde sempre me lembro de comprar livros os mais diversos (também livros escolares para os meus filhos) naquela livraria e fui assinante do seu Boletim Bibliográfico.»

    Registe-se, sem rodeios, o parágrafo supra e analise-se a carpintaria da escrita do Chiquo caralhete, que, em abundância, ofende a pontuação e expressão, para se autopromover, em vista da constância a que nos habitua neste pequeno espaço virtual. ehehehhehe

    ó safado, ça penças qui eu boue curijir-te táze bué da inganado.

  4. ai, Jnascimento, desse fica a ferver, olha que fogareiro imaginado, quando a prosa de vida se faz branco, ou de pé-quebrado, e tudo começa ali, num jardim, em linha de poema em prosa sentado. :-)

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