Pós-verbalismo

Jantar com 20 pessoas. Média de idades de 30 e poucos anos. Depois da paparoca, metade do grupo fica a tirar fotografias entre si, a outra metade agarrada aos telemóveis a jogar.

Não se trata de decadência porque a decadência seria sempre mais interessante.

12 thoughts on “Pós-verbalismo”

  1. Terrível, meu Caro Val !
    As pessoas desaprenderam de falar e, pouco a pouco, vão-se esquecendo de pensar.
    Mas este era mais para lhe desejar um Bom Ano e para lhe agradecer informação epensamento que aqui proporcionou em todos os dias do ano que está a findar. Continuee,pf.
    Obrigado
    Jnascimento

  2. Já me aconteceu, embora no meu caso fosse mais agarrado ao Twitter. Uma tristeza, confesso. Felizmente, o meu Android entregou a alma ao criador, o que me obrigou a viver uns tempos com um velho Nokia versão dumbphone. Já tenho um novo, lindo, o orgulho do proletariado chinês e da classe média suburbana de Montain View, Califórnia, mas sinto-me curado agora.

    (e o que não revelas: eras dos que estavam a tirar fotos ou a jogar?)

  3. Oh-oh, não se passa só com a gente mais nova. Não há muito tempo mandei [literalmente :)))] um “rapaz do meu tempo”, que encontrei numa reunião de amigos, arrumar a maquineta onde a todo o custo insistia que eu visse a nonacentésima fotografia tirada em lugares fantásticos, num movimento vertiginoso que me estava a dar ouras e a fazer-me sentir mal perante o resto das pessoas que estavam na sala.

    Vega9000, tenho para mim (gostaste da expressão?) que o Val tirava fotos a quem estava a jogar e jogava com quem tirava fotos. Será?

    Um ano bom, tanto quanto possível.

    :)))

  4. Próspero:
    “A crise reflecte-se por todo o lado. Este ano até os anúncios natalícios demoraram a chegar, batendo finalmente certo com a quadra ao invés de sermos obrigados a assistir a pais natais na telinha quando ainda estamos com os calções molhados da praia.
    E pergunto-me: como será quando acontecer a enxurrada de SMS e emails em cadeia, de empresas a meros conhecidos, dos amigos do peito aos amigos virtuais, desejando boas entradas?”
    Estou de acordo com o artigo escrito no jornal Sol por Luís Filipe Borges que retirei os dois parágrafos transcritos em cima. Sempre que se aproximava o fim do ano havia um corrupio quer em postais, blogosfera, SMS e outros mais, a ver qual a melhor frase, brejeirices ou piadas sobre o ano que estava a sair ou a entrar. Neste a disposição anda por baixo, como quem diz, bateu no fundo. Ninguém acredita em ninguém.
    Quando temos no governo, quem nos aldraba diariamente, como nos devemos sentir? É como se diz! Quando na montra é assim o que será o armazém. E, esse armazém é representado por Passos Coelho, homem que jurava ser de palavra e que só ouvíamos da boca dele a verdade. Ainda chamavam Pinóquio ao outro! Onde andam os jornalistas e Manuela Ferreira Leite? Não têm um pingo de dignidade.
    Quando nos é dito que o próximo ano vai ser pior que o de dois mil e onze qual a alegria para receber dois mil e doze? Quem o for celebrar é por sadismo, oportunismo, ou os que beneficiaram com a desgraça dos Portugueses. E foram muitos, desde agiotas, corruptos, amigalhaços dos governantes. Não há almoços e pintelhos grátis. Tudo é cobrado neste mundo.
    O ter-se à frente do governo, um tratador de lixo, tenho respeito por quem bem desempenha esta nobre missão, – não é o caso do nosso primeiro – nunca teve jeito para nada, a não ser mentir. Nunca teve um ofício. Até aos quarenta anos andou a romper os cueiros nos bancos da escola e universidades, a sugar o oxigénio e os bens alimentícios que outros produziam. A viver à custa do papá – este disse aquando da campanha eleitoral que se não elegessem o filho o povo era estúpido – agora percebo o que queria: era cobrar os juros e deixar de alimentar pançudos – como se diz e bem na minha terra – era o que pai via nele. Só quem votou nele é que não viu a encomenda que nos estava reservada. As encomendas regra geral vêm embrulhadas, não se pode descortinar o que lá vem dentro, quanto a Passos Coelho todos sabiam o que nos ia calhar em sorte (desgraça). Quando a cepa é fraca a uva fraca é.
    Por isso não tenho apetência pela vinda do novo ano. Vejo nisso o caminhar do condenado para a forca. Se fosse possível um sono profundo durante dois mil e doze, mas… depois deste vem outro igual. Em lugar de mudar de ano por que não mudar de governo. Vamos pensar nisso enquanto é tempo.
    Reafirmo como bem diz Luís Filipe Borges: morte do próspero.
    Val bom ano para si.

  5. helder, nunca fui.
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    Jnascimento, obrigado nós pela tua amável presença.

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    Olinda, assim farei.
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    Vega9000, eu mantive uma neutralidade que faria a inveja da Suíça.
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    mdsol, essa é mais uma das pragas que a tecnologia trouxe, os assaltos com arma fotográfica. Essas potenciais sessões de tortura que estavam consignadas ao espaço caseiro nas visitas anuais são agora frequentes na via pública e em plena hora do dia.
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    Manuel Pacheco, não te esqueças que temos eleições a cada 4 anos, pelo menos. Isso pode ser uma motivação extra para saudar 2012, sem o qual nunca se chegaria a 2015, ou 14, ou 13. A realidade é sempre mais engenhosa do que a nossa imaginação.

  6. olha, Jnascimento, do que me lembrei. podemos dizer assim: obrigada pai natal por seres tão querido e nos dares um pai Val. ai que gostei tanto disto que escrevi, sério. :-)

  7. que engraçado, na mouche! Acho que ainda é cedo para desejar bom ano de 2012, mas agora vai o primeiro que isto nunca se sabe :)

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