Inteligência: ou se tem ou não se tem

Neste miserável ano de 2011/2012, em que um governo sem qualquer outra estratégia para o país que não seja a dos cortes cegos e do empobrecimento com vista a uma mão-de-obra barata assumiu o poder, vale a pena ler esta entrevista dada ao jornal i por uma destacada cientista/matemática portuguesa a trabalhar nos Estados Unidos, Irene Fonseca. Entre outras coisas, diz ela:

Ir para o estrangeiro tem sido aliás um apelo dos nossos governantes para enfrentar esta crise. Para si é um apelo que faz sentido ou fica angustiada com a eventualidade de o melhor de Portugal sair de Portugal?

Desculpe, não percebi a pergunta. Os governantes aqui encorajam os nossos a saírem?”

(…)”Nos EUA, há uma grande preocupação nossa e também da administração vigente com a investigação científica. Entre os cortes que têm sido feitos, a Nacional Science Fundation, tem sido poupada. Ao contrário, o nosso orçamento está a ser aumentado.”

(…) “Dou-lhe mais um exemplo: o Google foi um projecto sem calendário nem prazo financiado pela National Science Foundation e o resultado desse projecto é um instrumento que toda a gente usa. Era um projecto de três indivíduos que fizeram uma proposta, obtiveram financiamento e apresentaram resultados. Isto exige uma aposta do Estado. Claro que há um risco, mas há sempre qualquer coisa de bom que sai da investigação”.

Sem ciência, não há desenvolvimento. O objectivo de competir com a China ou com a Índia no tipo e nos custos de produção revela uma estratégia demissionária, classista, insensível e, além do mais, condenada ao fracasso. Alguém tem ideia de quais as áreas da ciência em que este governo gostaria de apostar para que o país possa figurar no mapa de países civilizados, para que exista uma via alternativa ao marasmo e para que não se perca o avanço conseguido nos últimos anos? Um governante como Passos que não dá o mínimo sinal de gostar (muito menos de se orgulhar) do seu país e da sua gente nem tem a inteligência suficiente para incentivar (incluindo financeiramente) o que de melhor há e o que de melhor se faz ou poderá fazer por cá não merece o lugar que ocupa. Aldrabão sem pátria, foi para o governo para pôr a ganhar dinheiro a maioria de empresários patos-bravos que vota PSD e que nunca deixou de por aí andar.

4 thoughts on “Inteligência: ou se tem ou não se tem”

  1. Penélope,
    Veja:
    Os pescadores resgatados ao mar e salvos de morte certa, por homens concretos pertencentes a uma organização concreta, definida, estudada e estruturada para fazer salvamentos precisamente nos moldes em que salvou tais pescadores, pois dizia eu, esses pescadores resgatados ao mar por homens concretos de uma organização concreta existente para salvar vidas de pescadores como os que salvou, pois tais pescadores salvos e, provavelmente, uma imensa prole de familiares e gente muito misericordiosa, vão agradecer a Fátima o facto de terem sido salvos de morte no mar.

    Como vê: para quê a ciência!

    Tudo tem um princípio, um fundamento, uma explicação inicial onde tudo se gera, mesmo quando a relação entre causa e efeito vive na sombra. E se vive na sombra mais poderosa é a relação e mais forte o laço que nos tolhe.

  2. José Neves: Se os melhores se forem, de quem falam as notícias? De Fátima, dos bispos, da caridade, dos pobrezinhos, da gente analfabeta? Tudo isto é assustador.

  3. É uma dor de alma o que refere aqui o José Neves. Este é o país a que alguém pretendeu dar um empurrão, e foi sacaneado por amigos?! e inimigos. Este é o país a que a direita mais imbecil conseguiu, mais uma vez, deitar a mão com recurso ao servilismo de uma abjecta comunicação social que nem o nome merece, para, na linha do que é a sua tradição histórica, manter os portugueses no desgraçado patamar em que ainda se encontam.

    Não resisto a deixar aqui o célebre poema-canção de Pedro Barroso – LONGE D’AQUI!
    “…de trinta em trinta anos, às vezes mais, cinquenta,… rumamos à tormenta, batemo-nos e vamos para a liça do futuro com a nossa força grande, antiga! Mas… contados pelos dedos, assuntos bem saldados, ficaram intenções, castelos abandonados, crianças sem saber, o sol para os reformados, remessas de emigrantes, ah!…e o mar! Que eles voltam, voltam sempre, cinzentos, sorridentes, cheirosos, influentes, de todos os quadrantes e por todas as frentes, com cupidez te amansam, com polimento avançam e e….zás!! Caíste!” Oiçam-no que vale a pena! http://www.youtube.com/watch?v=rg9qGi4G0qI

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