Vinte Linhas 719

Bairro Alto – o magoado adeus de Joel Neto

Numa crónica publicada no «Notícias Magazine» de 15-1-2012, Joel Neto despede-se do Bairro Alto, local que conhece há vinte anos e onde trabalhou e residiu nos últimos sete anos.

Citemos: «à medida que vou percorrendo as rua e ruelas que amei e cumprimentando os velhos e os junkies que me conhecem pelo nome, já não é a arquitectura que me salta à vista, nem sequer a dimensão humana da malha citadina, nem tampouco o fado e os fadistas, os jornais e os jornalistas, ícones do Bairro de que, de resto, há cada vez menos exemplos. O que me salta à vista é a sujidade, os mau cheiro, os gritos histéricos das adolescentes ainda sem idade para ir à mercearia quanto mais para sair à noite – e, naturalmente, as multas, as muitas multas, as muito mais multas do que aquelas com que era suposto uma cidade soalheira castigar os seus amados habitantes pelo simples facto de a habitarem».

O Bairro Alto precisa de pessoas que ergam a voz dos que não falam porque ninguém lhes dá importância mas estamos com azar. Há tempos morreu um jornalista do Diário de Notícias que estava a inteirar-se de tudo. Agora é outro jornalista que abandona o Bairro, cansado de barulho infernal, urina nas portas do automóvel, ausência de medidas da CML e da Policia Municipal contra os abusos das leis que até existem e a prepotência da EMEL que recebe dos moradores um certo valor anual em euros mas não só não garante os lugares como ainda multa mesmo os que estacionam (pobres deles…) ao lado dos muros onde não vive ninguém.

Doloroso também é ler a maneira como Joel Neto termina a sua crónica sobre um restaurante simpático (valha-nos isso) na Rua do Norte nº 95: «o melhor á aproveitar agora porque, assim que o calor regressar, o Bairro Alto volta a transformar-se num grande WC ao ar livre».

6 thoughts on “Vinte Linhas 719”

  1. tamém lamento a morte do teu amigo que foi atropelado por uma multa da emel. bué de sódavel mijar ao ar livre, experimenta mijar da varanda para cima do tejadilho do citroheim, vais curtir uns sons tipo buraka sewer system e inalar uns amióticos baita nices, o berdadeiro éter da liberdade. se precisares de padrinho para o duelo com o filho da rita, dispõe.

  2. O JCF devia era mijar-te em cima, criatura nojenta, que nunca mais cresces e te tornas homenzinho.

    E tens idade para isso!

  3. esse baixo alto, que não conheço, deve ser do tipo ribeira do porto – a porcaria e a malina abafam a beleza da arquitectura e da tipicidade. fico triste.

    (mas haver comida boa já é uma flor no deserto) :-)

  4. Trabalhei no Bairro Alto no tempo das varinas, dos fadistas, das putas, das tascas, das tabernas, do bagaço, das noitadas, dos fadunchos, da censura (que também morava no Bairro Alto), dos ardinas, dos jornais, de muitas coisas mais. Também se mijava na rua, havia um cheiro pestilento, enfim, era o Bairro Alto. O Bairro Alto sem esses predicados nunca seria o Bairro Alto.
    Como, por exemplo numa dessas casas de meninas onde elas eram apresentadas uma a uma pela patroa e, no final, esta fazia as devidas considerações, dizendo, por exemplo: – A menina Julieta meche-se muito bem na cama.
    Um amigo meu foi lá uma vez e no final das apresentações (éramos estudantes) ele disse que não tinha dinheiro mas deixaria lá ficar o BI como caução. Resposta da patroa:
    – Oh! menino! Aqui não há fodas de identificaçâo.

  5. ó D. caralhete do zeca galhão, o teu amigo esqueceu-se de te mencionar na parte «putrefação», pá.

    E tu ó evaristo, deves achar-te grandinho, deve ser à conta das mijas que levaste em cima, mas devem- te ter afogado o cerebro, meu, senão não defendias o torto do D. caralhete. Passa cá pelas minhas bandas, que eu não te mijo em cima pá, eu sou tradicional eu faço como os antigos, mijo no balde, abeiro-me da janela e digo «água vai», mas avisa quando passares, que aí é que ficas gigante, ó prima dona.

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