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Confesso: não faço a menor das ideias se o tárfico de influências é um crime garve, pouco garve ou muito garve.
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Confesso: não faço a menor das ideias se o tárfico de influências é um crime garve, pouco garve ou muito garve.
E haja alguém que traduza isto.

Armando Nogueira – «Por onde andarão tuas chuteiras?»
Morreu Armando Nogueira (1927-2010) o homem que, como jornalista, entre 1950 e 2006, esteve em 15 campeonatos do Mundo e 7 Jogos Olímpicos.
Jô Soares deve estar triste: eram amigos e os dois, com Roberto Mulayert, escreveram o clássico «A copa que ninguém viu» sobre o campeonato do Mundo de 1954 na Suíça. Devido às complicações logísticas, as notícias chegavam ao Brasil só no outro dia.
Armando Nogueira é um poeta da prosa. Algumas das suas mais brilhantes crónicas e poemas estão no livro «O voo das gazelas» de 1991, uma edição da Civilização Brasileira, com apresentação de Énio Silveira. Corria o ano de 1950, era Pelé um pirralho de 16 anos, acabando de marcar dois dos cinco golos do Santos ao América quando o jovem repórter Armando Nogueira lhe perguntou: «Quem é o melhor centro-avante do Brasil?» e ele respondeu com naturalidade: «Eu». Nova pergunta: «E o melhor meia-esquerda?» «Eu também» – respondeu ele com um sorriso. Era verdade. Anos depois o jornalista escreveu a mais célebre frase sobre Pelé: «Pelé já era melhor muita antes de ser e continua sendo, mesmo depois de ter sido». Sobre Rosa Mota em Seul ele escreveu:
«As avenidas, as calçadas, as pontes do rio Han, o chão desta cidade está contente de te ver passar, sereno vento da manhã. Rosa das ruas, que o Senhor proteja o teu corpo peso-pena. Engenhosa fragilidade a disputar com o tempo a glória de um instante.
Rosa Mota, os ventos do Olimpo sopram por ti. O sol do estádio é luz por ti. Rosa, para sempre de ouro». Grande poeta da prosa, Armando Nogueira, para sempre.
Em fase de enormes dificuldades e de exigência de sacrifícios aos portugueses, é incompreensível como se atingem estes valores remuneratórios. É uma imoralidade!
Um António aborrecendo outro António
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Como é que ganhar dinheiro a trabalhar pode ser uma imoralidade? O que Seguro diz é absurdo e só serve para obter um lucro demagógico. Caso contrário, que estabeleça o valor do salário e prémios do Mexia. Deve existir um número qualquer que lhe pareça moral. Qual é?
De seguida, uma vez estabelecido o valor, que se apresentem os critérios através dos quais se chegou a esse novo número. E, por fim, que se substituam os accionistas da EDP pelo Seguro, o qual chega e sobra para gerir aquilo a custos módicos.
Raul Brandão – aprende-se sempre com a História
Raul Brandão (1867-1930) não foi, nem nunca pretendeu ser, um historiador mas a verdade é que sem o seu livro «Vida e morte de Gomes Freire» não seria possível entender o estertor da monarquia absoluta em 1817. É nesse ano que Gomes Freire de Andrade (1757-1817) é enforcado e queimado em São Julião da Barra, sendo as cinzas lançadas ao mar. Mais tarde (1853) o governador da Praça de São Julião da Barra manda levantar um monumento em memória de Gomes Freire.
Relendo o livro «Vida e morte de Gomes Freire» com prefácio de Victor de Sá parei na página 111. Vejamos: «Vem então à tona, como sempre, a denúncia. Cartas anónimas para o intendente, cartas anónimas para D. Miguel Forjaz; mais cartas de gente que quer prestar serviços, mais papéis de gente que quer desfazer-se dum inimigo. É a vaza, é o costume secular, é a infâmia que sobe do fundo do charco e tolda tudo, suja tudo. Umas são reles, outras simplesmente ridículas. Um anónimo escreve que um Pedro Ferreira Mouro, morador defronte do Pátio das Vacas (Belém) «o combocou para ele com outros da sua fação combocase os meus amigos para fazer um lebantamento que nada lhes havia de faltar». Mouro não tinha nada em casa em Dezembro de 1816 morando na rua dos Cozinheiros e agora tem a casa bem movilhada, já puxa por peças». É «um fiel vassalo e portuguez verdadeiro» – a anónimo. Trata-se de uma carta anónima metida na caixa dos requerimentos de Francisco Leite, no Largo de S. Tomé em 29-5-1817.
Tudo isto que se passou em 1817 se repete melancolicamente quase duzentos anos depois: cartas anónimas, denúncias, infâmias, o lodo erigido como altar.
Uma delas, a de poder assistir ao canal Bloomberg, o qual nos chega sem legendas. Pois a experiência é desconcertante: os problemas do défice e da dívida também andam a deixar o Tio Sam à beira de um ataque de nervos, chegando a fazer comparações com a Grécia; apenas se diferenciando a conversa televisiva das nossas discussões nacionais nisso de os especialistas americanos não tentarem mandar areia para os olhinhos da audiência – dizem que o fenómeno é global, causado pela global crise.
Outra informação preciosa foi dada por Michael Lewis, a de que a grande especulação internacional estava agora a ser feita através das agências de rating, e pelos mesmos que tinham explorado a bolha do imobiliário nos EUA.
Muito se aprende em inglês.
Que pretendem as pessoas saber quando nos perguntam pelo Natal, Passagem de Ano, Carnaval, Páscoa, férias? Se gostámos, se foi bom? Raios. E se não tiver sido? E se a Páscoa acabou por ser uma merda, o Carnaval uma chachada, a Passagem de Ano um aborrecimento, o Natal uma tristeza e as férias um sarilho, que estão elas dispostas a fazer por nós? Têm abraços, filosofia ou dinheiro para nos consolarem?
Açores – Massa cevada não é massa sovada
Antigamente usava-se uma expressão curiosa nas Filarmónicas rurais da Estremadura de onde sou natural quando alguém se queria referir a um músico fracalhote: «Este só toca trompa e é de ouvido; não lê a pauta!»
«Tocar de ouvido» era apanhar assim «umas coisas no ar» e, como também se diz de alguém que lê mal os dossiers – «pela rama».
Tenho lido ultimamente coisas erradas que me parecem nascer da ideia de que se pode escrever «de ouvido». Tal como havia alguns músicos a tocar «de ouvido».
Vamos ao assunto: a Revista VIVER, editada pela Associação ADRACES (Associação para o Desenvolvimento da Raia Centro – Sul) com sede em Vila Velha de Ródão, publica um artigo sobre o culto popular do Espírito Santo nos Açores. O artigo em causa, assinado por Maria Eduarda Rosa, contém o seguinte parágrafo: «Cinco Mordomas dos Rosais de São Jorge levaram cinco meses a criar 120 bandeiras de tecidos diferentes para enfeitar este carro de bois que levou o pão do Espírito Santo (Massa Cevada) para o Império, em local bem próximo».
Ora bem… É óbvio que massa cevada não é o mesmo que massa sovada. Basta ver a definição do dicionário da Sociedade da Língua Portuguesa. Assim: «massa sovada – espécie de pão doce com ovos». Está na página 1002 do dito cujo dicionário.
O som de massa cevada (coisa que não existe) até é parecido com massa sovada (que eu comi em 1989 e cujo sabor não esqueço) mas coisas destas não devem acontecer. Sem esquecer que São Jorge é o nome de uma Ilha e Rosais o nome de uma freguesia.
Mais uma chapa 3 com guarnição, a centésima da era Carvalhal se contarmos com os golos marcados nos treinos. Esta vitória também serviu para calar todos aqueles que estiveram contra a contratação do genial treinador alegando que ele nunca seria capaz de ganhar ao Rio Ave em Alvalade. Tomem, embrulhem e levem para a terra.
Segue-se o Benfica. O lampiões já sabem o que os espera, melhor seria que perdessem por falta de comparência. Sempre evitavam o bailarico que está a ser preparado na genial cachimónia do genial Carvalhal, um leão ferido no seu engulho.
A posição da Igreja no escândalo da pedofilia é indefensável. Literalmente. Não tem como se defender e não devia esboçar a mínima defesa. Foi esse o sentido da homilia de D. José Policarpo na Paixão do Senhor, nesta sexta-feira, pese a ausência de referência directa à situação.
Policarpo era o reitor da Universidade Católica de Lisboa quando lá estudei no final dos anos 80 e parte dos 90. Lembro-me bem da reacção da comunidade académica aquando das notícias de abusos de menores e relações pedófilas adentro da Igreja surgidas nesses anos: nenhuma. E estávamos numa UCP, desaparecida entretanto para dar lugar à supremacia da Economia e Gestão, onde as Faculdades de Teologia e de Filosofia tinham presença e voz, já para não falar no prestígio e poder da Faculdade de Direito. Para cúmulo, testemunhei nesse tempo o modo como a Igreja lidava com um sacerdote abusador; as famosas transferências que, aparentemente, se limitavam a deslocar o problema. A lição era clara: a Igreja tinha de ser muito mais do que a sua disfuncional hierarquia, senão já teria desaparecido tão infames eram as contradições à vista.
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Luís Grave Rodrigues lançou um concurso para capas do Sol.
O nosso amigo reis traz notícias da Galiza que nos falam do nosso destino comum, e de como poderá ser cada vez mais comum.
Quando bato no Pacheco Pereira, sei que o estou a fazer. Estou convencido de que é uma das pessoas que fazem pior à democracia portuguesa. Não é bom ter uma pessoa que tenta ser a referência moral do regime, quando no fundo é uma pessoa que vive da polémica. A contrapartida é o tempo de antena. Um tempo que não é gracioso como o meu. É um tempo de antena profissionalizado.
Há um grupo no PSD a que chamo ‘geração Fox News’: uma simbiose entre os ex-leninistas e os miúdos muito conservadores que têm no Pacheco Pereira uma espécie de ídolo.

Abelaira na Wikipedia – quem foi o «artista» que fez aquilo?
Ouvi dizer: «Procura Abelaira na Wikipedia. Vais ter uma péssima surpresa!». E foi. Na biografia não há o til em Ançã nem o nascimento – 1926. Duas vezes na mesma frase usam a expressão «participou activamente» para mais à frente explicarem que se estreou «como autor de romances» com «o romance A cidade das flores». Grave é a afirmação de que, depois da década de 30, «passou a utilizar a ironia» ele que nasceu em 1926 e tinha 4 anos em 1930 publicando o primeiro livro em 1959. Depois não explicam que o júri da Sociedade Portuguesa de Escritores, que em 1965 premiou Luandino Vieira, integrava, além de Abelaira, Fernanda Botelho, Manuel da Fonseca, Gaspar Simões e Pinheiro Torres. Mas falta dizer que Abelaira foi presidente da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores, que foi colaborador de O Jornal, que o nome completo do Jornal de Letras é também de Artes e Ideias, que Abelaira é autor de textos teatrais como A palavra é de oiro, O nariz de Cleópatra e Anfitrião, outra vez além do livro de contos Ode quase marítima de 1978. O seu livro Enseada amena ganhou em 1966 o Prémio de Romance da Imprensa Cultural. Mas o ponto máximo do delírio é quando referem personagens com «aversão à política de esquerda» e «contra o Plano Marshall». Ora bolas! Então se para Caeiro da Mata «o meu país não precisa de ajuda financeira externa» e para Costa Leite (Lumbrales) «não interessa ao país enfileirar no número dos famintos do dólar» como pode este artista dizer que as personagens de Abelaira (1959) combatem o Plano americano quando essa ajuda só existiu até 1951 e se ficou em 54 milhões de dólares para créditos documentários do trigo da FNPT. Ora bolas!
Este blogue vende saúde. Queres comprar?
Henrique Monteiro é patético. Um gajo que trata Sócrates por tu, que diz ter estado com ele hora e meia ao telefone, e que se diz pressionado exclusivamente por essa situação, é patético. Pressionado foi o Primeiro-Ministro, a parte fraca. Um político perde sempre contra a comunicação social, tenha ele a posição que tiver na hierarquia do Estado, para mais se esta disparar a partir da fortaleza Balsemão.
Que ganhou Portugal com a devassa à volta da licenciatura de Sócrates? Valeu a pena levar o caso para a Procuradoria? Acaso o Monteiro dos jornais tem dificuldade em entender que a exploração política dessa suspeição justifica todos os esforços do visado para conter os danos e anular a ameaça? Ir para a Comissão de Ética nomear a ocorrência telefónica como uma pressão do Primeiro-Ministro exibe uma ausência de sentido do ridículo. O mesmo Sócrates com quem se bebeu copos e disse caralhadas, o mesmo com quem se conviveu civilizadamente no passado, talvez até se tenham trocado confidências, transformava-se no Primeiro-Ministro opressor porque cada um tentou convencer o outro das suas razões. É assim a pressão em Portugal, conversas de homem para homem, vejam só.
Seguiu-se o telefonema do primeiro-ministro – e, de facto, foi bem pior do que eu contei na Comissão de Ética: além de me ter pedido para eu não publicar o texto em causa, o telefonema decorreu no meio de berros exaltados por parte do chefe do Governo.
90 minutos de berros exaltados? Afinal, as corridinhas não servem só para a propaganda, também promovem uma saúde pulmonar admirável. E que lhe ias dizendo tu, Monteiro? Ou ficaste calado o tempo todo devido à pressão auditiva?
És patético.
Que faz com que a direita portuguesa seja um pardieiro de caluniadores, dos mais reles de que há memória? Pacheco, Mascarenhas e Helena Matos, para só referir três casos a merecer estudo, não têm equivalente no PS. No Bloco e no PCP há vários que também reduzem a sua intervenção política à produção ininterrupta de suspeições de natureza criminal ou moral. Daí a santa aliança entre reaças e comunas, ranhosos e imbecis, ressabiados e ressentidos.
Este episódio em que Helena Matos ataca Inês de Medeiros é paradigmático: uma cidadã com poder mediático utiliza o espaço público para denegrir a imagem e o bom nome de uma cidadã com responsabilidades políticas. O que leva a Helena para a perversão do contrato cívico com a comunidade é o regime de impunidade e diluição ética que caracteriza a praxis da falsa direita nacional. Falsa porque não tem sequer capacidade para tomar consciência da gravidade dos seus erros, quanto mais assumir responsabilidades pelo que faz.
Teve muita graça, pois, ver Carlos Abreu Amorim ensaiar uma rápida e displicente ajuda à Helena, só para receber originais boas-vindas ao elenco opinativo do DN.
A hipocrisia asinina da falsa direita portuguesa é uma das principais causas do atraso económico e da degradação das instituições. Vivem para a insídia, são cínicos anafados e broncos.