É óbvio que apenas a existência duma maldição pode explicar a sucessão de episódios caricatos ou infelizes que preenchem a carreira de Queiroz depois de ter sido campeão do Mundo Sub-20. Como agora neste jogo, com golos falhados como só se vê nas praias da Costa da Caparica. E tudo começou numa segunda parte em Alvalade. Chovia que se fartava.
Arquivo mensal: Setembro 2009
E qual é a tua opinião, João Miranda?
João Miranda acha que Vital Moreira pode ser dado como exemplo de maledicência. Vital atreveu-se a falar do BPN em período de campanha para as Europeias. E falou nele com o propósito de censurar o silêncio do PSD a seu respeito, não para fazer associações de carácter criminal, político ou moral. O que Vital expressou foi a sua indignação face à cobardia cívica do PSD. Como resultado, recebeu um coro de censuras, incluindo de elementos do próprio PS. É este o exemplo que Miranda acha comparável com a campanha de destruição de carácter e suspeitas conspirativas, com insídias nunca antes vistas, que dura desde 2007 sem qualquer demarcação das figuras gradas do PSD.
Ora, para memória futura, seria do maior interesse conhecer a resposta do Miranda a esta pergunta: na tua opinião, o PSD tem alguma responsabilidade criminal, política ou moral no caso BPN?
Pulhice histérica
Tudo se paga
José Sócrates é responsável pelo caso TVI. Não falo de ‘pressões’ ou de ‘censura’: o homem pode ser autoritário, mas não é suicida. Falo do historial político e até económico que Sócrates foi construindo na sua relação com o canal.
O historial político é simples: um ódio cego aos seus jornalistas e, em especial, ao ‘Jornal’ das sextas. O que naturalmente implicava que qualquer abalo nesse ‘Jornal’ acabaria por lhe desabar sobre a cabeça. Como, na verdade, desabou. A três semanas das eleições. Um erro de ‘timing’? Uma falta de sensibilidade da administração da TVI? Talvez. Mas convém lembrar que, em matéria de ‘sensibilidade’, Sócrates não teve nenhuma quando enterrou um certo negócio com a PT para salvar a pele no pequeno palco da política doméstica. No mundo real, nada se esquece, tudo se paga. E não se tratam os rudes com paninhos de renda.
*
Este histérico diz que Sócrates tinha um ódio cego aos jornalistas da TVI. Este histérico não diz que Sócrates apenas se defendeu de ataques soezes contra o seu bom nome e protestou contra a exploração imoral de um processo judicial em curso para causar prejuízos políticos e pessoais, em momento algum tendo atacado os jornalistas da TVI por serem jornalistas ou da TVI. Este histérico, pois, é um pulha.
Este pulha acaba a dizer que o caso TVI é uma vingança contra Sócrates, por causa do negócio que ele teria impedido quando foi acusado de o ter promovido. Este pulha não diz quais são as suas fontes de informação, mas mostra-se satisfeito com o resultado alcançado. Este pulha, pois, é um histérico.
A carne toda no assador
Marcelo Rebelo de Sousa entrou em cheio na campanha negra ― disse que a TVI suspendeu o Jornal de Sexta para agradar ao PS. Ou seja, até aqueles que não acreditaram na acusação absurda de haver mão socialista no episódio, vão agora admitir que a versão alternativa é igualmente imoral e chocante: o PS, mesmo que passivamente, provoca decisões em terceiros que atentam contra a liberdade de expressão. Não se pode escapar, declara o isento Professor, a culpa é socialista. Assim se consagra a estratégia de boicote à democracia através das suspeitas, calúnias, difamações e demais pulhices que emporcalham as eleições e têm como fim impedir o debate das propostas e esconder a miséria do programa, lista de deputados e direcção social-democrata. É o único recurso da direita decadente, e conta com a cumplicidade do PCP e BE; os quais têm ganhos directos em cada voto que o PS perca para eles, para a abstenção ou para o PSD e CDS.
E fico a arder de curiosidade. Não haverá algum jornalista em Portugal capaz de perguntar a este senhor doutor como soube daquilo que diz saber? Contaram-lhe ou está a supor? Se lhe contaram, quem foi? Se está a supor, como chegou a essa suposição? Não admite outros factores? Não pode uma empresa tomar decisões, felizes ou infelizes, certas ou erradas, competentes ou incompetentes, que se expliquem apenas por circunstâncias internas? Não lhe suscita nenhum comentário as declarações de Moura Guedes publicadas antes da decisão? É tudo assim tão simples, neste universo da relação do casal Moniz com a TVI e accionistas, que apenas a dimensão política mereça ser invocada? Acima de tudo, se a intenção era a de agradar ao PS, por que razão fizeram algo que prejudica gravemente Sócrates e favorece toda a oposição, em especial o PSD? Como é que o celebrado especialista político legitima a obscena contradição lógica que propaga e reforça?…
Marcelo tem muitos anos disto, muitos anos a virar frangos.
Vinte Linhas 404
«Boca de palhaço» do Batman é outra coisa – aqui é muito pior
Faz agora 43 anos (9-9-66) que comecei a trabalhar e a descontar para o Estado. Dos 600 escudos 16 foram para o «fundo de desemprego» de onde nunca tive nem poderia ter nada para mim. Sendo bancário não podia ir para a Segurança Social.
Toda a minha vida foi hipotecada a uma ideia: comprar uma casa bonita com vista para o Tejo e para a Serra da Arrábida mediante empréstimo bancário a 25 anos. A casa foi armazém do «Mosquito» e da revista «Távola Redonda». Vivo no Bairro Alto desde 1966 e acabei de pagar a casa em 2005. Se eu morrer de súbito (sou doente crónico) o que tenho para deixar à família é esta casa. Por isso reajo com veemência aos atropelos que nos fazem aos moradores aqui no Bairro Alto.
Agora corre o chamado boato urbano de que grupos de assaltantes fazem o golpe da «boca de palhaço» baseado no filme Batman. Desses não tenho eu medo. Tenho medo é dos trambolhos da EMEL que se colocam de cócoras perante a Câmara e da Câmara que se coloca de cócoras perante os trambolhos dos Sapadores Bombeiros. Tenho medo é da Junta de Freguesia que nada faz para defender os moradores e da Polícia Municipal que vem bloquear e multar automóveis à minha rua mas entre a entrada do Bairro e a minha rua passa por restaurantes que roubam lugares de estacionamento para colocarem assadores, carvão e mesas. E de brasileiros mal encarados que perante as reclamações de quem quer dormir respondem em vernáculo pataxó: «Si quer dórmir, sinhóra toma uma pílula!» Ao pé destes trambolhos o golpe da «boca de palhaço» é uma brincadeira. É um boato urbano. Estes são piores. Muito piores.
Ajudem o João Caetano Dias
João Caetano Dias fez uma colectânea de afirmações a propósito do escândalo que o PSD protagonizou nos saudosos tempos de Santana Lopes. Qual a finalidade? Só pode ser uma: está a equiparar duas situações. E para quê? Para justificar as reacções do PSD ao sucedido com Moura Guedes. Nesse caso, temos que JCD considera:
– Que a factual interferência do Governo PSD equivale à factual ausência de interferência do Governo PS.
– Que uma rubrica de opinião equivale a um programa de difamação.
– Que matérias de jornalismo político equivalem a matérias de pseudo-jornalismo.
– Que a boa-fé de uma crítica opositora equivale à má-fé de uma deturpação da Justiça.
– Que um incómodo político genérico equivale ao ataque ao bom nome pessoal.
Só esta baralhação explica que JCD não careça do contributo da verdade, não precise de provas ou indícios, nem sequer de módica objectividade, bastando-lhe o que um conjunto de pessoas próximas, da cor, sente. Obviamente, está a precisar de ajuda. Até corre o risco de vir dizer, um destes dias, que há escutas no Blasfémias.
PSD faz queixa à Comissão Nacional de Conspirações
Foi hoje entregue por Aguiar-Branco, ex-ministro da Justiça no Governo de Santana Lopes, uma queixa na CNC contra incertos. Os factos dizem respeito ao que se passou nesta quinta-feira, onde uma conspiração lançada pelo PSD foi abafada por outra lançada na TVI. Aguiar-Branco afirmou que este não é o tempo para se andar a desperdiçar teorias da conspiração, pois estamos em pleno período eleitoral, já para não falar da crise. Quanto à conspiração afectada, que envolvia Alexandre Relvas, o social-democrata explicou que esta conspiração vinha a ser preparada com todo o cuidado, desde o Outono passado, com produção dispendiosa, posto que implicou uma complexa coreografia onde pessoas próximas do Gabinete de Sócrates terão estado em contacto com pessoas próximas do dr. Alexandre. Só em ensaios, terá sido gasto 75% do orçamento.
Aguiar-Branco exigiu garantias de viabilidade mediática para as próximas conspirações, sob pena do PSD não ter nada para comunicar ao eleitorado. A este respeito, e visivelmente indignado, perguntou se ainda valerá a pena divulgar que um carro cuja matrícula continha as letras PS o perseguiu durante 20 minutos entre Ranha de Baixo e Cabeça Gorda, logo após a tomada de posse do Governo socialista em 2005.
É só fumaça
Eduardo Cintra Torres fez o favor de reunir num texto alucinado algumas das principais razões para se votar PS nestas eleições. Até citou a crespopatia de ontem. É também contra esta campanha que emporcalha toda a democracia que se luta neste momento. A liberdade não vai ficar refém dos Torres, Crespos, Medinas, Zé Manéis, Mouras Guedes, freeport-dependentes, bpnizados e artistas do gesso que servem o actual PSD.
O fumo pode ser denso, mas as águas estão cada vez mais cristalinas.
Suspeita do dia
Vinte Linhas 403
As gralhas não têm bilhete de identidade
O meu amigo Eugénio Alves é o editor da revista «Tempo Livre» editada pelo INATEL mas pelos vistos não tem tempo para rever (ou mandar rever) os textos que edita nas suas páginas. Num texto da revista deste mês («A telenovela portuguesa nasce na Abrunheira») fala-se de «Vila Faia» e de «Origens», as duas primeiras telenovelas portuguesas. Passamos por cima do «nasce» num texto de memórias.
Primeiro problema: se a telenovela portuguesas nasceu na Abrunheira as gralhas não se sabem onde nascem. Só sabemos onde poisam.
No texto do cabeçalho aparecem dois cinemas que existiam em 1982 com nomes patuscos: Cantil e Atar. Se no caso do primeiro cinema podemos presumir ser o Castil já do segundo se torna mais complicado. Atar, Atar, assim de repente não estou a ver. Será o quê? Outra gralha muito engraçada é no nome do escritor Luís de Sttau Monteiro que surge na página 41 da revista do INATEL como Status Monteiro. De facto uma gralha assim tem outro estatuto.
Mais à frente surge outro problema mas aí já não se trata de gralha «propriamente dita» mas sim de um lapso – faltou a palavra «portuguesas» no fim da frase. Vejamos «Muita água correu sob as pontes mas aqui fica o que foi o principio de tudo em matéria de telenovelas». Se vos disser que ainda há pouco tempo safei em cima da hora uma gralha que colocava «Focinho» em vez de «Pocinho» como terra natal do escritor Francisco José Viegas, percebe-se melhor que elas andam por aí e que elas, as gralhas não têm bilhete de identidade. Só sabemos onde poisam. Não sabemos onde nascem.
Intermitência
“O Diogo disse-me que te viu a beijar uma senhora que ele nunca tinha visto antes”, diz-me, revolta e angústia, C. “Achas isso bem? Achas”, pergunta-me, desesperada. “Claro que não. É absolutamente vergonhoso”, respondo, assertivo. “É imperdoável que um filho meu seja um queixinhas”, finalizo, antes de, magoado, me refugiar no quarto.
Stupids Hall of Fame
1.
Hoje, Portugal e a democracia portuguesa estão de luto.
Aguiar-Branco
2.
Parece evidente que se trata de um acto de censura a três semanas das eleições. É uma ordem socialista através do seu aliado, a Prisa.
Paulo Portas
3.
A avaliação sobre a decisão de suspensão do Jornal Nacional da TVI e a subsequente demissão apresentada pela Direcção de Informação desta estação não é separável do conhecido e notório incómodo que, quer o Governo quer o primeiro-ministro, vinham demonstrando face aos conteúdos e critérios dominantes na edição deste serviço noticioso nas noites de sexta-feira.
PCP
4.
O que tivemos hoje faz-nos lembrar um episódio que ocorreu durante o Governo PSD e CDS-PP na mesma estação de televisão que levou ao afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa porque os seus comentários incomodavam o Governo da altura. As pressões foram imensas e resultaram exactamente no seu afastamento.
Helena Pinto
5.
Para além disso, há uma dose considerável de estupidez política neste gesto rancoroso: os socráticos acabam de oferecer aos leitistas a cabal confirmação do seu principal argumento eleitoral – a asfixia democrática – a pouco mais de 15 dias das Legislativas. Mentes brilhantes, sem dúvida, mas muito pouco atreitas ao sentido elementar da Liberdade…
Carlos Abreu Amorim
6.
Com o governo Santana Lopes pressionou-se para suspender um comentador.
Com o governo Sócrates pressiona-se para suspender programas.
Helena Matos
7.
Sinceramente, não percebo o que terá levado o SIMplex a pensar que o cancelamento do Jornal Nacional poderia prejudicar Sócrates. Imaginem que eu cheguei agora de Marte.
João Miranda
8.
O problema não é Manuela Moura Guedes. O problema é saber se por trás da suspensão do Jornal de sesxta-feira está o que parece estar.
Daniel Oliveira
9.
Se Sócrates, derrotado nas europeias, travestido de uma candura e humildade falsas nunca antes vistas nele, desgastado perante um país que não lhe perdoa a arrogância e as perseguições corporativas, enxovalhado por uma colecção de promessas e intenções não concretizadas, vexado publicamente por causa de um conjunto inacreditável de bizarrias e originalidades do seu passado, em risco sério de perder o poder nas próximas eleições, ainda tem força para, mesmo que por via indirecta, fazer rolar a cabeça de Manuela Moura Guedes, imagine-se o número de cabeças que não rolarão caso ele vença as eleições e se queira vingar…
Vasco Lobo Xavier
10.
Só se fossem muito estúpidos é que me tiravam do ar!
Manuela Moura Guedes
*
Prémio especial:
É preciso um levantamento da sociedade civil a favor da liberdade de expressão. José Sócrates conseguiu a coisa extrema de limitar a liberdade de expressão em Portugal 35 anos depois do 25 de Abril. É absolutamente espantoso que em 2009 tenhamos que voltar a empunhar a bandeira da liberdade de expressão.
Paulo Rangel
Disputatio – II
PCP e BE têm a papinha feita. Existem biltres, reaccionários e desempregados com fartura. É para eles que se fala, é a eles que se promete tudo e mais alguma coisa. Esta tarefa não exige grande esforço. E tranquiliza. Por isso os chefes da esquerda imbecil começaram, prosseguiram e acabaram o debate deixando no ar esta nova interrogação para a política nacional: não seria melhor fundirem-se? É que nada vos separa, para lá dos rancores familiares que, veja-se, até conseguem esconder quando vos convém.
O discurso da esquerda imbecil dirige-se àqueles que acreditam no roubo como modelo económico. Tens fome? Vamos roubar umas galinhas a quem as andou a criar. Com sorte, também há vinho. E charutos. Onde estão eles, os ricos? Olha ali um, chama o bando. É por isso que falam do lucro das empresas como outros falam da sarna. Se há lucro, algo de errado aconteceu. É muito mau haver lucro, prova que o povo foi roubado. Solução? Apagar as provas do crime, dissolver o mal e entregar os lucros aos novos accionistas, o povão. Isto resulta? Resulta durante um certo tempo, é o que a História regista. Durante um certo tempo a classe dirigente vai distribuindo um pouquinho por muitos para garantir a posse de muito para um poquinho. Depois, o sistema entra em falência porque deixam de existir condições para obter lucro, só para o esbanjar.
O modo febril como Jerónimo e Louçã falam dos bancos devia chegar para se perceber o resto. E o resto é ainda pior.
Comunas e reaças
E porque não hás-de ser tu a votar no Jerónimo?
Pergunta do nosso amigo M da M
*
Entre outras razões, nunca votaria no Jerónimo por causa desta declaração:
Repara, amigo M da M, que o teu Jerónimo diz que Sócrates faz voz grossa para mim, que trabalho, e pia fino perante os poderosos. Logo depois, hoje, o PCP declara o seguinte a respeito da TVI e suas decisões:
Em comunicado, o partido diz que a confirmar-se que o fim forçado do programa se destina a favorecer os “interesses políticos e eleitorais do partido do Governo”, isso seria um factor “da maior gravidade”, tanto no plano da liberdade de imprensa como do “ambiente e condições do debate eleitoral”.
Ora, amigo M da M, a suspensão do Jornal de Sexta prejudica gravemente o PS e favorece toda a oposição. Não há nada que lá pudesse ser dito que não tenha sido dito até agora ou que não possa ser dito noutros órgãos de comunicação social. Nada de nada. Assim, esta é uma situação que o PSD até pagaria para que acontecesse, pois a sua estratégia consiste exclusivamente nesses objectivos de não discutir política, fazer campanha para a destruição de carácter e intoxicar a opinião pública com teorias da conspiração. E dai o estado de puro êxtase em que os ranhosos agora se encontram, finalmente com alguma bandeira para agitar. E que faz o PCP? Alia-se à direita reaccionária, cujos métodos canalhas suscitam o mais imediato e inequívoco repúdio para qualquer democrata. Assim, concluo que quem pia fininho perante os poderosos é o Jerónimo pastor de carneiros.
Suspeita das 5 da tarde
Suspeita do meio da tarde
Suspeita da tarde
Re-Dixit
Suspeita do dia
Vinte Linhas 402
A vida é simplesmente um mau quarto de hora feito de momentos esquisitos
Dou um passeio pela Baixa e sou solicitado no Rossio a dar indicações a dois jovens estrangeiros sobre onde fica o Largo do Carmo. Tudo bem. Falamos do «25 de Abril» cuja cena principal foi aqui com Salgueiro Maia e Marcelo Caetano nos papéis principais. No Largo da Misericórdia sou abordado por um simpático casal de holandeses que procura o Príncipe Real. Aproveito para lhes mostrar o miradouro de São Pedro de Alcântara e o jardim anexo que foi recentemente recuperado. Adoram o local de prometem voltar amanhã. Perguntam-me se sou professor, respondo que não sou mas mudo de conversa e digo que já estive no seu país em 1977 – Amsterdam, Delft, Rotterdam, Alkmar, Scheveningen, Den Hague e não só.
Estou quase a terminar a minha caminhada nocturna depois da digestão mas, de repente, descubro uma figura humana minha conhecida dos jornais desde 1988. Apanhámos muita chuva e muito sol juntos em jogos de futebol dos chamados escalões jovens. Tenho o roteiro completo do país desportivo a esse nível. Chamo-lhe «sobrevivente» e volta-se de imediato. Ele estava no Brasil no dia daquele voo da Air France e esteve quase a mudar o seu voo (anterior ao voo da morte) para estar mais algum tempo na praia. Ainda bem que não cedeu a essa tentação. Teria desaparecido no oceano como os outros. Dou-lhe um abraço. Circula alguma emoção entre nós. Pouco falamos e pouco temos para dizer. A vida é muito complicada. Schopenhauer disse um dia que «A vida é um sonho e a morte o despertar» mas penso mais em Óscar Wilde – «A vida é simplesmente um mau quarto de hora feito de momentos esquisitos». Ou isso.