Disputatio – II

PCP e BE têm a papinha feita. Existem biltres, reaccionários e desempregados com fartura. É para eles que se fala, é a eles que se promete tudo e mais alguma coisa. Esta tarefa não exige grande esforço. E tranquiliza. Por isso os chefes da esquerda imbecil começaram, prosseguiram e acabaram o debate deixando no ar esta nova interrogação para a política nacional: não seria melhor fundirem-se? É que nada vos separa, para lá dos rancores familiares que, veja-se, até conseguem esconder quando vos convém.

O discurso da esquerda imbecil dirige-se àqueles que acreditam no roubo como modelo económico. Tens fome? Vamos roubar umas galinhas a quem as andou a criar. Com sorte, também há vinho. E charutos. Onde estão eles, os ricos? Olha ali um, chama o bando. É por isso que falam do lucro das empresas como outros falam da sarna. Se há lucro, algo de errado aconteceu. É muito mau haver lucro, prova que o povo foi roubado. Solução? Apagar as provas do crime, dissolver o mal e entregar os lucros aos novos accionistas, o povão. Isto resulta? Resulta durante um certo tempo, é o que a História regista. Durante um certo tempo a classe dirigente vai distribuindo um pouquinho por muitos para garantir a posse de muito para um poquinho. Depois, o sistema entra em falência porque deixam de existir condições para obter lucro, só para o esbanjar.

O modo febril como Jerónimo e Louçã falam dos bancos devia chegar para se perceber o resto. E o resto é ainda pior.

10 thoughts on “Disputatio – II”

  1. Estava ali a ler Limpeza de Sangue, do Pérez-Reverte, e achei piada a uma frase: Na Espanha do Século de Oro “os pobres pagavam impostos de que os ricos e religiosos estavam isentos”. Certas coisas não mudam e continuam sem incomodar algumas almas.

  2. concordo com tudo. pena que a esquerda moderna seja igual e espere que eu crie a galinha para me vir sacar os ovos. já dei para esse peditório , mudar o mundo através da política , agora estou mais com o alfredo younis ( vê lá a minha sorte , é meu vizinho) e com o Happé. pode ser que sejam também uma grande desilusão , mas pelo menos se alguém me desiludir , sou eu. não posso por as culpas em ninguém.

  3. “Depois, o sistema entra em falência porque deixam de existir condições para obter lucro, só para o esbanjar.”

    Não foi isso que aconteceu com o sub-prime?

  4. Olha, Olha… A «autoridade» em caricaturas do marxismo parece estar a defender uma uma «mundivisão» e uma «sociovisão» onde a redistribuição do rendimento é entendida como um roubo. Este modelo económico «visionário» tem, de facto, um nome, e é o modelo que defende que a cobrança de impostos deve ser mínima ou mesmo nula (pois é vista como um roubo, principalmente quando estão em causa os lucros dos bancos) e que o Estado não deve ter qualquer intervenção na economia: é o modelo neoliberal. Nada que já não se esperasse de um devoto do Pinto de Sousa, de alguém que apoia a «esquerda» que não é imbecil, mas sim a apenas «moderna», isto é, aquela que fez seus os princípios «modernos» e actuais da tecnocracia liberal dominante: a esquerda socretina.
    Aliás, se houvesse dúvidas àcerca do porquê do PSD estar tão à direita (como o Pinto desabafou noutro dia) aqui está a explicação há muito sabida (mas que apenas os sócretinos parecem ignorar): porque o PS também está mais à direita, sendo hoje um partido que em nada se distingue do PSD de sempre (é por isso que até o Cavaco keynesiano dos anos 80, estava mais à esquerda que o «novo-keynesiano» Pinto de Sousa dos anos 2000). Como, no que diz respeito à economia e às finanças, estão de acordo no essencial (e mesmo no acidental), resta-lhes parecerem diferentes pela via dos costumes: as causas fracturantes, que, mais do que fracturantes, são assim instrumentais.
    Mas como esta «autoridade» em filosofia que é o Valupi tem dificuldades em perceber o marxismo, mas também o que é o socialismo em geral, porque não vai estudar o que disse Kant àcerca da moralidade e imoralidade, em particular nos negócios? Pode ser que assim o «filósofo» de trazer por casa, perceba a diferença entre o que é legal e o que é moral, e como o que é legal (neste caso, o lucro) pode ser imoral, para depois tentar perceber, numa linguagem marxista, como o que é legalmente capitalista é apenas um reflexo dos interesses da classe que detém o poder. Percebido isto, tornar-se-à mais fácil perceber também porque é que gajos como o Dias Loureiro, o Coelhone, o Vara, o Pina Moura, e outros que tais, dão tão facilmente o salto da política para os negócios…

  5. Mais uma vez o meu comentário ficou no limbo (ou será antes no purgatório?) à espera de uma aprovação do Valupi… Estou mais inclinado para o purgatório, pois para o limbo só vão os inocentes e ingénuos (os sócretinos) que não cometeram o pecado de dizer mal do Pinto de Sousa…

  6. Nem mais! Também aconteceu o mesmo com a Reforma Agrária, em 75-77 (eu estava lá e vi): durou e agradou a todos enquanto houve trigo e azeite nas tulhas, assim se enganando dezenas de milhar de inocentes alentejanos, vítimas dos latifundiários e do Fascismo…

    Como diz Jerónimo (obrigado, grande z!), o que interessa quem nos governa (ou seja, o Futuro de Portugal!), quando está em causa a CDU ter mais ou menos um mandatozito?

    Pulha do caralho, é o que me apetece dizer (e não é que o disse mesmo?)!

    E mais: fica desde já cancelada a minha ida ao “Avante!” (que se fodam os 19 euros da e. p.!…).

    Camaradas, não abram bem os olhos até ao dia 27, olhem que depois será tarde demais…

  7. Não percebo nada de politica…deve de ser por isso que não sabia que havia esquerda inteligente…até hoje só dei de caras com a esquerda imbecil !

    Mas não é preciso ser de esquerda ou de direita para entender que este (des)governo se tem governado muito bem, nem tão pouco ser doutor em ciência politica para sentir que o governo rouba a quem tão pouco tem para dar…para dar a quem? A mim não é…

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