Miscelânea

Fathers Spend More Time With Children Who Resemble Them, Study Suggests

Media Tend To Doomsay When Addressing Environmental Issues

Beautiful People Are More Intelligent I *

Men sexually harass women because they are not sexist I *

Popularity is In Your Genes

Doctor’s Compassion May Help Cure Colds Faster

Pride: Deadly Sin or Social Lubricant?

Swearing Reduces Pain **

House Cats Know What They Want And How To Get It From You **

Why Do Dogs Sniff Each Other?

Cross-Cultural Differences in Creativity

Can Gaming Slow Mental Decline in the Elderly?

Why Handsome Men Make Bad Husbands I ***

Why handsome men make bad husbands II ***

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* Óbvio
** Muito óbvio
*** Demasiado óbvio

Vinte Linhas 377

«Todas as nossas filarmónicas perdidas…»

Hoje domingo dia 12 de Julho de 2009 pelas 11 horas da manhã aconteceu uma coisa quase mágica. Debaixo daquela árvore do Príncipe Real que dá muita sombra e onde gostavam de parar dois que a Terra da Verdade já lá tem (Agostinho da Silva e Eduardo Guerra Carneiro) surgiu a Filarmónica Frazoeirense de Ferreira do Zêzere para tocar durante 30 minutos várias peças musicais debaixo daquela sombra.

Nasci perto de uma «casa do ensaio» e sou bisneto, neto, sobrinho, sobrinho-neto e primo de filarmónicos rurais. Lembro-me bem de ver grupos de homens chegarem dos trabalhos do campo e, depois de comerem em casa qualquer coisa à pressa, irem para a «casa do ensaio» ás vezes com o pó da terra preso aos vincos das calças. E lembro-me bem de achar (já nessa altura) quase mágico esse encontro luminoso entre o pó da terra e a pureza perseguida dos sons lidos nas linhas das pautas nas estantes de madeira.

(Tantas estantes de madeira que o meu avô fez para malta amiga com bocados que sobejavam das portas e das janelas, ainda hoje devem servir e ele já morreu em 1979…)

Depois passei a tarde no Rossio onde as doze filarmónicas foram chegando via Rua Augusta para tocarem o hino respectivo e depois uma peça em conjunto – «Lisboa à noite». Por fim um grupo formado com elementos das mais diversas paragens do país (de Vila Real de Santo António a Crestuma, de Seia a Alcácer do Sal) foi dirigido pelo maestro Délio Gonçalves. Diz um poeta meu amigo (e tem um livro com um título assim) que a nossa vida é as Filarmónica que vamos perdendo. Esse poeta chama-se Mário Machado Fraião e está certo. Hoje foi um dia mágico: as filarmónicas vieram de novo.

Re-Intermitência

 

 

 

 

 

 

 

 

Carregar no botão e olhar o ecrã. Mulheres despidas a seduzirem homens nus. E depois homens despidos a dominarem mulheres nuas. A certeza de que é tudo, apenas, uma questão de poder a dois. De um lado, estão os que são dominados. E do outro estão os que são dominados.   

O navio de George Clooney

Louçã — que quando for primeiro-ministro irá nacionalizar a GALP e EDP (para começo de conversa), arrastar os banqueiros por uma trela, proibir os despedimentos e, portanto, acabar com o desemprego em Portugal, e ainda substituir o capitalismo global por uma outra coisa que leu num livro que tem guardado lá em casa — é um piadista. Um piadista que se imagina chefe da oposição, e que se deita e acorda a pensar em Sócrates. A soberba apela à facécia:

Os assessores de comunicação, que lhe sugeriram este título de um filme de George Clooney, esqueceram de lhe dizer que n’A Tempestade Perfeita o navio de George Clooney naufraga, e não há nenhum sobrevivente.

Sócrates tinha usado a expressão tempestade perfeita como metáfora do conjunto de crescentes crises que marcaram a legislatura, começando com a crise orçamental e culminando na crise económica internacional que se abateu como um cataclismo. Louçã goza o prato. Ele olha para o Governo e vê inimigos, não concidadãos. Nada do que essas pessoas tenham feito, decidido, viabilizado, promovido, apoiado pode ser bom porque… veio deles, dos gajos do poder. A natureza do poder é radicalmente simples nas ideologias extremistas: se é dos outros, é diabólico; se é nosso, é santo. Por isso a cena do naufrágio aparece especialmente deleitosa para os bloquistas, precisamente porque ninguém se salva. A violência mal contida com que Louçã invariavelmente discursa, que o faz ser um exímio representante da moral presbiteriana, adoçou o tom apenas para projectar um desejo de morte. Daí a explosão de risota na sala. O prazer de imaginar Sócrates, ministros, secretários, assessores, dirigentes partidários e militantes a afundarem-se sem possibilidade de salvação, desaparecendo no abismo oceânico, encheu de entusiasmo os apoiantes de um Portugal onde os Reis de Espanha, ou o Presidente de Angola, não têm dignidade para serem recebidos no Parlamento. São estas as águas para onde nos querem levar, cantando e rindo.

Entretanto, e não sendo obrigatória a utilização de um assessor, haja alguém que diga ao Louçã que ele nunca será um Clooney. Demasiado canastrão.

Cineterapia

Annex - Fonda, Henry (Grapes of Wrath, The)_10
The Grapes of Wrath_John Ford

Alguns dos melhores seres humanos que viremos a conhecer nesta vida estão nos filmes de John Ford. Sabemos que são os melhores por este único e infalível critério: fazem-nos chorar. Chorar com ou sem lágrimas, com ou sem choro, que em cada um as águas da alma têm carreiros só delas. Mas chorar, derreter os gelos da indiferença, soltar o cântico de fontes e riachos, regar a terra onde sementes de esperança foram lançadas muito antes do começo do tempo. Chorar na partida e na chegada. Na travessia, no caminhar, no devir. Chorar de tristeza, chorar de alegria.

Este filme abre com uma estrada. Um homem aproxima-se de um cruzamento. Vem da prisão, vai para casa. Estás prestes a descobrir que já não tem casa, que o mundo se tornou numa prisão para si e para a sua família. Ele nunca mais sairá da prisão, da encruzilhada. A sua mãe, sim.

Suspeitar que o realizador mais importante na elaboração da mitologia militar e nacionalista norte-americana, aquele que se descreveu profissionalmente dizendo que só fazia coboiadas, o criador de John Wayne como ícone da direita ultra-conservadora, fosse simpatizante comunista apenas lembraria aos imbecis do maccartismo. E lembrou, por causa deste filme ser uma lição de economia. Explica como catástrofes naturais levam a catástrofes económicas. Indigna-se com a tirania e violência inumana do sistema bancário. Desmonta a manipulação laboral do patronato. Defende o direito à greve como meio de alcançar remunerações justas. Denuncia os preconceitos da classe média. Ilustra a pobreza extrema, pobreza de fome, que se viveu nos EUA durante a década de 30, quando à Depressão se juntou um fenómeno ecológico devastador para a agricultura de alguns Estados. É um filme que está mais actual hoje do que toda a produção cinematográfica já estreada este ano ou a estrear. É mais do que um filme, é um meta-documentário.

Jane Darwell chegou ao cinema com 40 anos. É a quem Ford entrega o coração da obra-prima, do fresco humanista intemporal. Todos os momentos anteriores, todos os actos de vilania e generosidade, de abjecção e heroísmo, vão dar ao seu discurso final. Onde uma mulher revela a um homem o que é o povo. E o filme acaba como começa, numa estrada.

Gruppo Musicale Assurd ou A voz da Terra

Uma concertina e três pandeiretas fazem do quadrado negro do palco o redondo branco de uma eira.

A luz do campo na noite da cidade.

A voz das mulheres precipita o resto: faz subir do rés do pó a força da voz da Terra.

Essa mesma Terra que, a exemplo das mulheres, multiplica a vida numa sucessão de sementeiras e colheitas.

Neste palco negro os bailarinos e as vozes das mulheres do grande Sul lembram que a vida nasce de uma apoteose líquida de lágrimas, de água e de sangue.

Chegam de Itália e talvez não saibam que Fernando Pessoa nasceu neste largo de São Carlos, que os sinos da Basílica dos Mártires são os sinos da sua aldeia e que nos seus poemas as ceifeiras cantam, as pobres ceifeiras.

Os rapazes parecem recém-chegados de uma viagem breve ao outro lado do Adriático – uma cidade croata onde o preço da carne é mais baixo.

Depois entram na aldeia e apaixonam-se por aquelas raparigas da planície, levantam-nas no ar como quem segura uma bandeira, um pendão, uma imagem sagrada, todos os dias repetida na grande procissão da vida.

Entre cereais invisíveis, entre gestos de trabalho transparente, entre casamentos sonhados, a única verdade é a do amor. A única certeza é a dum vendaval de dúvidas. A única medida é amar sem medida.

A chuva de aplausos no final não veio apagar a memórias desses sons belos e terríveis, gritados em força, altura, extensão e timbre.

Eles, esses sons inesquecíveis, seguem lado a lado no eléctrico com os passageiros atónitos pela dádiva de uma alegria aqui tão orgulhosamente convocada.

É a voz da Terra para sempre guardada na memória de quem viveu estes momentos de canto e dança, entre uma concertina e três pandeiretas, numa eira recriada num palco negro no largo de São Carlos.

És um ponto, Pacheco

Sócrates é muito mais importante para a nossa vida de hoje do que Dias Loureiro e o “negócio” que ele tentou ocultar para aparecer como facto consumado é muito mais perigoso do que as aventuras dos offshores de Porto Rico.

Vale a pena ler este texto todo, de que cito apenas a frase obscena. Faz parte da contínua, espectacular, campanha de destruição do carácter de Sócrates, na qual o Pacheco é um dos mais activos e virulentos agentes. Foi a esta miséria que se reduziu a estratégia da oposição à direita desde o fracasso de Marques Mendes; o qual tem agora, face ao que aconteceu ao seu partido depois de ter saído, o distinto mérito de ter ensaiado uma qualquer alternativa. Até o PCP e BE se aliam ao PSD e CDS para denegrir a pessoa em vez de respeitar a função, como acontece no caso BPN. O que se tem dito contra Constâncio não passa de um flanqueamento a Sócrates. A intenção é a de que um alvo de suspeitas que põem em causa a sua honorabilidade apareça à opinião pública como protector de alguém considerado culpado, assim reforçando as suspeitas que lhe têm sido lançadas. Pretende-se deixar a imagem de que o Governador do Banco de Portugal foi, de alguma forma, co-responsável pelos actos danosos dos responsáveis da SLN e do BPN. E que na origem dessa passiva, ou activa, cumplicidade estaria uma incompetência técnica ou falha ética. Caso se atinja o objectivo de colocar na supervisão o mal maior, estará feito um decisivo branqueamento das causas que levaram à nacionalização do BPN. A diminuição moral de Constâncio, ou o descrédito do Banco de Portugal, tem directos beneficiários: os prevaricadores que lucraram e deram a lucrar.

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Vinte Linhas 375

O erro crasso do plumitivo ou destaque pelas piores razões

Um amigo meu, moço escritor, rapaz dado a blogues e filósofo do quotidiano, costuma dizer que os jornais oferecidos devem ser lidos de outra maneira. Na verdade eles são especiais em tudo: não nos custam nada, são entregues em mão com um sorriso à porta do Metropolitano e, por isso, não se devem comentar os seus erros por mais crassos que sejam. Mas eu, que costumo ouvir as advertências do meu amigo, neste caso sou incapaz de resistir a um olhar igual embora eles sejam diferentes.

Desta vez é este o caso. Hoje, dia 9 de Julho de 2009, foi publicada uma local no «Destak» onde se anuncia: «Cascais Cool Jazz Fest – Joshua Redman abre hoje as hostes». Nada mais errado… Uma hoste é uma força armada embora também se possa considerar uma multidão, um bando ou uma chusma. Mas neste caso o que o plumitivo queria dizer e escrever era «abre hoje as hostilidades». E isto porque «abrir as hostilidades» é um assalto ou um ataque e, num certo sentido, os músicos atacam as notas da pauta. Foi isso que o plumitivo do «Destak» pretendeu dizer mas falhou redondamente. Hostes não são hostilidades. Tal como ameixas não são abrunhos. Diz o povo e tem razão. Tem sempre razão.

Mas também existe a expressão «animar as hostes». Está no «Dicionário de Expressões correntes» (Editorial Notícias) do meu amigo Orlando Neves e que significa «diz-se de alguém que transforma uma situação aborrecida em alegre». Antes do concerto há silêncio; o início do concerto anima as pessoas, logo as hostes, a multidão, a chusma. Mas é outra coisa – Hostes não são hostilidades. Abrir não é animar. Ponto final.

Verdadinha – Não por aquilo que nós dizemos

AL – Na resposta que o Governo deu à crise, que aspectos é que poderiam ter sido tomados por si também, se estivesse no Governo?…

MFL – Não! Teria tido exactamente a oposição oposta daquela que o… Tenho dito isso imensas vezes, tenho feito propostas à Assembleia da República, tenho dito isso em intervenções, no sentido de que, o combate que foi feito à crise, por parte deste Governo, é um combate que, do meu ponto de vista, está a ir no sentido errado. Está a piorar e não a melhorar. E isso é visível nos resultados. Porque com tanta medida tomada, com tantas acções tomadas, com tanto dinheiro que é anunciado, alguns efeitos devia ter. E nós vimos que, por exemplo, o desemprego não tem parado de aumentar. Então, é porque a política está errada. Porque as políticas avaliam-se não por aquilo que nós dizemos sobre as políticas, porque normalmente quem defende as políticas gosta sempre delas, e está convicto de que elas são correctas. Agora, a verdade é que se estivessem correctas dariam efeitos benéficos: estão a dar efeitos que não são benéficos. E se não estão a dar efeitos… Se estão a dar efeitos que são benéficos, há que mudar de política. […]

A Manela sabe que a política são resultados, não paleio. É por isso que não perde tempo a falar de propostas, ideias, soluções, até porque não as tem. Mas mesmo que tivesse, admitamos recorrendo a supercomputadores, não valia a pena falar nelas porque ainda não existiriam resultados, toma e embrulha. São os resultados que contam, esqueçam a trabalheira das operações, dos cálculos, do pensamento. Vide o desemprego: se aumenta, a política está errada. Haverá coisa mais simples de entender pelos simples do que este simples raciocínio? Seguindo a implacável lógica, se o desemprego começa a subir em todo o Mundo, sem excepção, por causa de uma tal de crise como há 80 anos não se sofria, isso apenas quer dizer que as políticas de todos os países estão erradas. E que, muito provavelmente, a culpa do que acontece em cada um desses países é também do Eng. Sócrates. Dela é que não é, com certeza, pois tem dito imensas vezes que com isto da crise as coisas estão piores, não melhores. Espera… o quê, há uma epidemia de gripe? O número de atingidos não pára de aumentar? Nesse caso, as coisas na saúde estão a piorar, não a melhorar. E terá de ser o PSD a mudar a política da gripe, porque os socialistas nem um reles vírus, que é um bicharoco tão pequenitotes, conseguem obrigar a não infectar a gente. Espera… o quê, vai chover e ventar? Bom, estes socialistas, realmente…

A Manela não mente. Verdade verdadinha.

Por alguém, não é?

[…] O Cristiano, no fundo, não é?, quem o conhece bem, sabemos que é um bom rapaz, não é? […] Vai ser muito importante para ele os primeiros meses, não é? Os primeiros dois, três meses, vai ser muito importante. […] É o dia, acho que é o dia e a noite, não é? Em Manchester, na Inglaterra, os restaurantes fecham, ah, os restaurantes, uh, às 8 da noite, 9, tão… já está tudo na cama, não é? Em Madrid às 8, 9 da noite ainda os restaurantes estão fechados, não é? […] Tem boa pinta, é solteiro, e de certeza absoluta que vão-lhe começar a sair duas ou três namoradas, não é? […] E vão tentar saber como é que é o quarto, como é que é a casa dele, para poderem falar depois, não é? […] A melhor coisa que lhe podia acontecer a ele, agora, era apaixonar-se lá… por alguém, não é?

Futre preocupado com Ronaldo

*

Cristiano Ronaldo, famoso também pela vida regrada que levou em Manchester, onde às 9 da noite já estava na cama com duas ou três atletas (algumas delas ainda não profissionalizadas, participando nos encontros com estatuto amador), derivado da problemática dos horários da restauração em Inglaterra, vai enfrentar as casas de pasto madrilenas na certeza de ir perder. Perder tempo, precioso tempo de sono, porque antes das nove ninguém janta naquela terra, nem Rei nem estrelas galácticas. E agora é fazer as contas: mesmo que Ronaldo saia do Santiago Bernabéu às 7 e vá logo para a porta do restaurante para ser o primeiro a entrar, antes das 11, com sobremesa e cafés, mais um dedo de conversa e dois autógrafos, não está despachado. Depois terá de apanhar transportes, chegar a casa, lavar a roupa do treino e ver um bocadinho dos noticiários desportivos. São duas da matina quando consegue enfiar os cornos na palha. Com treinos logo ao começo da manhã todo o santo dia, Futre tem boas razões para estar preocupado.

Mas Futre vai muito mais longe, e serve aos ouvintes uma tese antropológica. É a resposta à vexante questão freudiana: que querem as mulheres? Olha, querem falar de arquitectura e decoração de interiores, revela um ilustre filho do Montijo que estudou o fenómeno. O mulherio presta-se a qualquer ignomínia, até a fingir interesse nas balelas de futebolistas ouvidas em bares manhosos, só para poder invadir as suas casas e espiolhar os quartos, salas, casas de banho e arrecadações. Assim que registam os pormenores naquelas belas e pérfidas cabecinhas, as fêmeas desaparecem misteriosamente a meio da noite. E desatam a telefonar umas às outras a contar o que descobriram. E a rir, rir, rir. Este perigo é real, é de Madrid e pode dar cabo da carreira ao nosso menino. Porque se chega ao balneário alguma informação relativa aos naperons em ponto cruz que o Cristiano tem no quarto, ou se o pessoal começa a falar dos reposteiros com sanefa que ornamentam a sua sala, perderá de imediato o respeito dos colegas. E alguns até deixarão de lhe passar a bola em condições.

Pelo que a profilaxia está na paixão. O amor protege, acaba com o falatório. Quem ama não anda a expor o gosto do amado em cadeiras e cadeirões, toalhas e toalhetes. Acima de tudo, aqui revelando uma ousadia moral só ao alcance de um grande driblador de preconceitos, Futre deixa em aberto o género, quiçá a natureza, do alvo dessa paixão. Basta que seja alguém. Mulher, homem, anjo, demónio, semideus, titã, gnomo. Ou ele próprio, não é?

Balada triste do Bairro Alto

Meu Bairro, terra queimada

Campo de batalha perdida

Minha lágrima tão isolada

A quem não respeita a vida

Viver era uma aventura

Hoje o medo é distribuído

Sacos cheios de amargura

Passam, não deixam ruído

São Bombeiros Sapadores

Câmara, Junta e E.M.E.L.

Que se curvam os senhores

Para nos darem taças de fel

Quando os dísticos trocados

Veio a E.M.E.L. ao lugar

E fomos todos burlados

Passar não é estacionar

Bairro Alto é Tarrafal

Onde a vida amaldiçoa

E a Polícia Municipal

Devia ser de Lisboa

E não de certos senhores

Que ocupam um espaço

Comos se fossem favores

Nascidos no velho abraço

Quando passa a carrinha

Em frente a este lugar

Fecham os olhos em linha

Só pensam em bloquear

Nos muros dos Calafates

Há lugares não há vontade

Sapadores dos disparates

E bombeiros sem verdade

Irmãzinhas do Convento

Que vivem do outro lado

Os lugares são o tormento

Se fica tudo bloqueado

Rua dos Mouros mentira

Há espaço e ainda sobeja

O bombeiro ainda retira

Um lugar que se deseja

Junto a um respirador

Onde não vive ninguém

Para o pobre sapador

O lugar é mais além

Travessa da Boa Hora

Perdemos oito lugares

Ninguém veio rua fora

Compensar os populares

Meu Bairro, terra queimada

Mapa dos tristes sarilhos

Ali viveu despreocupada

A geração dos meus filhos

EMEL, Bombeiros e Junta

Mais Câmara Municipal

São origem da marabunta

Numa cidade só de mal

Onde o bem era o preceito

Sardinheiras na varanda

Agora queimam a eito

A vida de quem cá anda

Elisa Ferreira, anda cá

Anda cá que o nosso amigo Acácio Lima pediu-nos para te entregar esta carta.

Sugiro que seja lida até ao fim, pois tem um ps que falará ao coração (ou às tripas) do PS.

E ainda acrescento que, caso Alegre esteja com este número, sobre o qual versa a epístola, a cobrar a eventual reentrada na lista de deputados, isso ficará como uma grande borrada do Rato. Espero estar a passar por imbecil com a mera suposição do cenário.

Carta aberto ao Sr. Mário Nogueira na esperança de que ele consiga reduzir o PS a menos de 10% dos votos

Sr. Mário Nogueira,

Todos sabemos que os xuxas andaram a fazer exames de caracacá só para enganar o povo e o Prof. Cavaco com as putas das estatísticas. Mas, como os senhores bem denunciaram, e o Dr. Eduardo Cintra Torres aposto que saberá explicar muito melhor do que eu a tramóia, esses exames da mentira foram elaborados no gabinete da ministra-sinistra com recurso a computadores Magalhães que ainda tinham aqueles erros de português num dos jogos, que eles lá no ministério nem isso quiseram corrigir tão ruins são. Também há quem diga que os exames foram feitos por professores, mas professores ameaçados de perseguições e escarretas para eles, família e animais de estimação caso os alunos começassem para aí a chumbar como merecem. Porque, e isto é um facto, Sr. Mário Nogueira, os putos não sabem nada de nada, coitadinhos. Eu opto pela primeira explicação, porque me parece mais prática, mas prontos.

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Vinte Linhas 374

«Guia dos direitos da Criança» em 3º edição

Dezanove anos depois da primeira, surge a terceira edição deste «Guia» (Temas e Debates / Círculo de Leitores) de Ana Perdigão e Ana Pinto com o apoio de Cristina Andrade e José Soares. O pano de fundo é o Instituo de Apoio à Criança.

Trata-se de um livro de 372 páginas que reúne textos legislativos de modo organizado e permitindo a todos os profissionais que trabalham nas áreas da infância e da juventude estarem mais habilitados a decidir sempre de acordo com o superior interesse da criança. No que diz respeito aos juízes sociais reafirma o óbvio (participação dos cidadãos na administração da justiça) e explica a sua inserção (o julgamento é feito por um juiz que preside e por dois juízes sociais) mas nada diz (nem talvez fosse da sua conta) sobre o pagamento que os mesmos juízes sociais recebem: 3,99 euros por audiência de julgamento ou por qualquer outra diligência. O Governo actualizou há pouco os honorários das defesas oficiosas (21 unidades de conta a 25,50 euros cada) o que dá grosso modo 530 euros mas os juízes sociais (afinal tão importantes para colocarem um pouco de bom senso nas decisões dos tribunais) continuam a receber 3,99 euros. Ora como para irem ao Tribunal de Menores no Parque EXPO gastam 3,16 euros. Sobejam apenas 83 cêntimos o que é simplesmente uma afronta. Uma vergonha mas não para os juízes sociais porque ao colocarem a fasquia tão baixa os senhores do «direito» (que nada tem a ver com «justiça») estão a desejar que os juízes sociais se afastem, deixando o terreno livre a juízes jovens e sem experiência de vida. E quem perde são sempre as crianças. E o seu superior interesse que nada nem ninguém deve armadilhar.

Esmagador

Santos Silva esmagador é a norma. Ele tem as informações, a boa-fé e a literacia. Não precisa de mais para anular opositores que não comungam destes mínimos. Num Prós & Contras em que estava só contra 4, acabou fresco e a malhar forte e feio em adversários reduzidos à impotência. Desconcertante.

Morais Sarmento é aflitivo. Não faz a menor ideia da imagem de fragilidade e confusão que passa à audiência ao tentar raciocinar em directo. Representa muito bem o PSD pós-Cavaco, e por isso tem feito parte do núcleo duro do partido desde Barroso. É também por comparação com ele, e figuras como Aguiar-Branco, que se louvam as qualidades de Paulo Rangel; ou seja, a suposta excelência da estrela em ascensão nasce, afinal, de não ser politicamente indigente como os colegas de partido.

Luís Fazenda é um tractor ideológico. Inútil conversar com este mecanismo, o seu rumo está traçado e há uma batalha da produção demagógica para vencer. Deve deitar-se todas as noites com o sentimento do dever cumprido. Coloca a cassete com cuidado na mesinha de cabeceira e adormece em paz.

Carlos Carvalhas chocou-me pela sua caducidade. Desconheço se há algum quadro clínico que a explique, ou se é fenómeno natural. Seja como for, o PCP ficou muito mal representado.

Nuno Melo é um bronco. O bronco queque, beto, cagão, armado ao pingarelho, rebentando de vaidade e acinte. Fiel sucessor de Portas, é mais um coveiro do CDS.

Isto da decência é para poucos

Quem não está no index do Pacheco não existe no universo da comunicação, e mais além. Eu estou, safei-me, até abri uma garrafa de água com gás para celebrar: superficialidade e ignorância. Só não sei em que categoria profissional fui incluído; mas se ele me deixar escolher, será esta: candidato a político com pseudónimo.

E depois comovi-me com a sua invocação da decência, um valor que associamos ao Pacheco por antonomásia. São muitos os exemplos de decência que lhe recordamos no tratamento dado a certas pessoas e certas questões. O mais recente, e mais eloquente, exemplo do idiossincrático tipo de decência que cultiva ocorreu na censura a um jornal por não gostar de um título. O jornal ousou ser livre, perdeu uma entrevista como represália. Pacheco teve aí a decência de mostrar do que é capaz. Será indecente esquecer.

PSD reage ao iluminismo do PS

Os eleitores conhecem Sócrates e o seu projecto: mais organização, mais fiscalização, mais educação, mais qualificação, mais investigação, mais produção, mais exportação, mais qualquer coisa ão. Foi este o programa da legislatura que finda dentro de poucos meses, não há razão para alterar seja o que for. Com certeza, está em discussão o mérito e viabilidade desses objectivos, se eles foram alcançados, como e quando, custos e benefícios, o diabo a sete. Mas não se discute terem sido esses os objectivos, eis o que fica inegável. Como símbolo desta política, o computador Magalhães. Reúne valências tecnológicas, educativas, produtivas e comerciais que representam o que de melhor o Governo planeou e executou. Contudo, o que brilha atrai a ralé. E assim vemos os mais rasteiros da oposição rasteira a apontar para ele. Tentam destruí-lo, fazer-lhe mossa ou salpicar de merda. A luz deixa-os expostos, aos rasteiros, safam-se melhor na escuridão.

O PSD já encontrou a fórmula para combater a racionalidade que o Executivo, perigosamente, tem vindo a promover desde 2005: Rasgar e romper. Ou seja, e como diria o deputado José Eduardo Martins arregaçando as mangas, vai tudo co’caralho. É do Sócrates? Rasga. É do PS? Rompe. É dos socialistas? Tritura. Não vai restar um tijolo que tenha sido encomendado pelo anterior Governo. Purga radical.

Estamos perante a reedição do movimento Sturm und Drang, com a curiosidade de alguns dos dirigentes do PSD darem ares de terem presenciado esses tempos setecentistas. E tal como as figuras literárias de outrora, também os sociais-democratas de agora surgem raivosos e vingativos. Vai ser a loucura.