Vinte Linhas 375

O erro crasso do plumitivo ou destaque pelas piores razões

Um amigo meu, moço escritor, rapaz dado a blogues e filósofo do quotidiano, costuma dizer que os jornais oferecidos devem ser lidos de outra maneira. Na verdade eles são especiais em tudo: não nos custam nada, são entregues em mão com um sorriso à porta do Metropolitano e, por isso, não se devem comentar os seus erros por mais crassos que sejam. Mas eu, que costumo ouvir as advertências do meu amigo, neste caso sou incapaz de resistir a um olhar igual embora eles sejam diferentes.

Desta vez é este o caso. Hoje, dia 9 de Julho de 2009, foi publicada uma local no «Destak» onde se anuncia: «Cascais Cool Jazz Fest – Joshua Redman abre hoje as hostes». Nada mais errado… Uma hoste é uma força armada embora também se possa considerar uma multidão, um bando ou uma chusma. Mas neste caso o que o plumitivo queria dizer e escrever era «abre hoje as hostilidades». E isto porque «abrir as hostilidades» é um assalto ou um ataque e, num certo sentido, os músicos atacam as notas da pauta. Foi isso que o plumitivo do «Destak» pretendeu dizer mas falhou redondamente. Hostes não são hostilidades. Tal como ameixas não são abrunhos. Diz o povo e tem razão. Tem sempre razão.

Mas também existe a expressão «animar as hostes». Está no «Dicionário de Expressões correntes» (Editorial Notícias) do meu amigo Orlando Neves e que significa «diz-se de alguém que transforma uma situação aborrecida em alegre». Antes do concerto há silêncio; o início do concerto anima as pessoas, logo as hostes, a multidão, a chusma. Mas é outra coisa – Hostes não são hostilidades. Abrir não é animar. Ponto final.

7 thoughts on “Vinte Linhas 375”

  1. ò pá e tentar pegar por isso é simplesmente ridículo. Se queres embirrar embirra com algo de substancial. Deixa-te de tretas…

  2. Meu caro, quem pega em erros e os esmiuça cruelmente, e até ao tutano, merece (nem mais, nem menos) o mesmo tratamento. Travessão não é ponto final. E ponto final.

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