Fui jantar ao restaurante 560 e estava vazio. Ter sido a uma segunda-feira do final de Julho pode ter contado, mas é fraca desculpa e alguém tem de avisar os concidadãos. É que este restaurante surge estratégico para a salvação da economia portuguesa: todos os produtos que põe na mesa dos clientes, das entradas aos postres, são nados e criados cá na terrinha. Ou assim eles o dizem (daí o nome, 560, código dos produtos portugueses). Isto é, ir lá comer é o mesmo que estar a apoiar a nossa agricultura, pecuária, pesca e fruticultura. Saímos de barriga cheia e com o sentimento do dever governativo cumprido: salvámos postos de trabalho, aumentámos a riqueza nacional.
Deste conceito nacionalista podia esperar-se uma parolada qualquer, ou um espaço folclórico mais ou menos bem conseguido. Todavia, o caminho seguido foi outro, como se pode ver, e rever ainda melhor. Se as iguarias fossem da culinária japonesa, a decoração não teria de ser alterada nem sequer nos azulejos.
O meu plano é simples: voltar lá daqui a uns tempos e reclamar que o aumento de clientela a mim se deve, pelo que eles me devem qualquer coisinha como recompensa pela publicidade. Talvez achem graça à tanga e consiga cravar o café.



