Archive for Novembro, 2007
Gildo está divorciado de Clara. Mas os dias de anos continuam sagrados. Vê-se isso nas melhores famílias. Ei-los, pois, que abancam, num restaurante lisboeta, com o filho único, Diogo. Com este jantar, vai o capítulo 9 de Deus chega no próximo avião.
*
Fomos festejar os anos da Clara a um restaurante da Graça, que fica sobranceiro [...]
Chamo desvario a tal
Servia toda, acho mal
Olmo, hera, diva casta
Halo doce, rima vasta
Ela chama vida, rosto
A acha vil, ar de mosto
Olha-me, vasa torcida
Vê amor, atas colhida
Ah, vadias, mole troça
Talha vida, só remoça,
Chamo revolta sadia
Dava malho, cortesia
Mesa, cilha, trovoada
Olho, Sé, mitra cavada
Tasco melhora vadia
Lá choves toda, Maria
Haste malvada, rocio
Tacha-me, valsa do rio
Caralho teso, má vida
Volta (ah!) [...]
Vejo o monte quando olho para ti.
Tu não sabes mas o teu olhar é uma porta aberta, um convite, uma sugestão de caminho. Olho-te na cidade e penso logo no campo, penso logo na brancura das casas, no azul das barras, no castanho das telhas.
Cheguei aqui cansado, vinha a transpirar, os pés pesavam toneladas e, [...]
Para prevenir distúrbios psíquicos, que aqui e ali parecem desenhar-se, aqui vai, vá lá, novo capítulo de Deus chega no próximo avião. Seja pelos meus pecados. Recorde-se que o revisor Gildo acabava de ler, numa noite em branco, um inédito de romance espectacular. O que temos, aqui, é a reunião semanal da editora. Com o inimigo à [...]
De «Lisbon Blues», colectânea de José Luís Tavares, este poema.
Isto aqui é o paraíso —
fazer uma mija contra a sebe,
sem que a bófia nos interpele,
embora o frio nos morda a pele
e mil dele eu te deva.
Alguém chamaria a isto vida.
Diógenes teria encontrado aqui
o seu homem. Goethe o proto-tipo.
Ovídio não lamentaria o seu exílio
— alta estima [...]
«Preciso de mais um capítulo. Como um adolescente precisa de um telemóvel. Ou como os telemóveis - as empresas que os produzem, bem visto - precisam dos adolescentes.» Isto escreveu-o Confúcio, o inestimável, o vivo, o nosso. Quem tem coração para deixar a aguar um púbere assim?
Eu sei. Não há-de chegar, para tanto insofrimento. Mas [...]
O nosso amigo Z enviou-me imagens produzidas por desejo e matemática. Segundo a explicação a acompanhar as imagens, trata-se de uma sucessão de frames de curvas parametrizadas em 3D, em convolução, afinadas para fazer lembrar vôos de pássaros. O processo foi numa parte dirigido, noutra corrigido pelas surpresas do resultado.
Cada pássaro é um segmento de [...]
Com este trabalho, encerra Jorge Carvalheira o que chama «contributo para a história da nossa civilização».
*
Era assim. Mas já dois séculos antes, mal tinha o Gama achado o caminho das Índias, houve entre nós outro monarca excelente e piedoso, que lá fora estipendiou os melhores mestres do moderno pensamento, para ilustração das escolas do reino, [...]
Desconfio que a celebração dos 250 anos do nascimento de Lequeu seja feito único em todo o Mundo. É uma suspeita nascida unicamente da minha imaginação; e, se estiver enganado, rogo para que me deixem ficar nessa ilusão. A quem não conheça, recomendo uma Cocanha antes de se entrar no armazém do artista. O seu [...]
Lerei eu alguma vez Rio das Flores, o recente romance de Miguel Sousa Tavares? Quem saberá dizê-lo? Também eu nunca digo nunca. Mas a vontade de me meter ao livro é, devo confessá-lo, basto reduzida.
Acabo de ler o comentário que do romance faz hoje, no Público, Vasco Pulido Valente. O conhecido cronista é um notável [...]
Vejo uma vespa ao olhar a tua cintura
Da grande janela do café, pastelaria
Cansado já de esperar, estou à procura
De ouvir de novo tua voz em harmonia
Com os sons desta cidade debruçada
Sobre o Tejo tão povoado de navios
Com restos da neblina da madrugada
Já infiltrados nas palavras e nos fios
Vejo uma vespa ao olhar a [...]
As mulheres com quem falo gostam muito de homens, adoram-nos. Tanto que não podem passar sem eles, quanto mais não seja como tema essencial das suas conversas. Invariavelmente, têm um desejo de arrasar. Enfim, de dar cabo deles. Não há aqui qualquer incongruência: faz tudo parte da sustentabilidade das relações. Não me comes viva, como-te [...]
Contra o prometido, ainda não é aqui que o motor de Deus chega no próximo avião engrena. Um pouco mais de paciência, pois, gente leitora. O que não torna desprezáveis as informações ainda assim fornecidas.
Para quem possa ignorá-lo: Moreanes é uma tranquila aldeia entre Mértola e Mina de São Domingos. Tinha, à época em [...]
(O José do Carmo Francisco pediu a guitarra. Aqui vai ela. O Fado da Meia-Noite existia mesmo, e a minha Mãe aprendeu a tocá-lo numa guitarra feita pelo meu avô. Não consigo encontrar ninguém actualmente que conheça essa melodia. Ter-se-á perdido, infelizmente.)
– Interessa é encher a barriga. – Disse António com um nó na garganta.
Elvira [...]
Um comentário no Público.pt, esta tarde. O pretexto é o apuramento de Portugal para o Europeu.
Realmente nao percebo esta mentalidade nacional, velhos do Restelo ingratos!!! Sempre que se avança um passo no nosso país aparece um medíocre tuga, xico esperto, a envenenar-nos para darmos dois passos para trás. Algures na nossa historia pusemos um gene [...]
Uma multidão audível, e já ameaçadora, à porta do Aspirina obriga-me a entregar mais este capítulo de Deus chega no próximo avião. Mas eu, prometo, resistirei.
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Às vezes desejaria ser um desses espíritos rasos, para quem o mundo é uma paisagem de enlevos, sem fronteiras nem conexões, de enlevos trazidos pelo vento, pelo vento arrumados, e [...]
(Como eu gosto desta minha personagem Elvira, deixo aqui um pouco mais do seu retrato. É de ter em atenção que a história se passa na viragem para o século XX. Foi sempre uma mulher com má fama na boca do povo. António era um rapaz muito querido, tocador de guitarra, já sem pai, de [...]
Soube por acaso que abriu uma livraria só de poesia na Rua da Rosa nº 145 em Lisboa. Além de livraria, o espaço também inclui um bar. Lá fui hoje beber uma taça de vinho branco à saúde de livraria e do bar, incluindo nos votos o Miguel Martins, poeta e contista, recém-chegado de Cabo [...]
O editor Manuel Alberto Valente, da ASA, fez anos e contou-o assim no blogue do Francisco José Viegas, «A Origem das Espécies», clicável aqui ao lado. Ao homem, os parabéns. Ao poeta, os ouvidos do mundo.
Soneto para os amigos no dia dos meus 62 anos.
Se aqui cheguei foi graças a vocês
Que me tiraram as pedras [...]
O quarto capítulo de Deus chega no próximo avião é o que vai aqui. De resto, não há pão para malucos.
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Era isso mesmo. Eu estava a precisar de falar com o Diogo. «Preciso de falar contigo», disse-me ele ao telemóvel ontem à noite. Combinámos ir jantar hoje. Voltei, há momentos, de pô-lo em casa.
O Diogo [...]


Intervenções cirúrgicas