A maravilha do cesto

Chamo desvario a tal
Servia toda, acho mal
Olmo, hera, diva casta
Halo doce, rima vasta
Ela chama vida, rosto
A acha vil, ar de mosto
Olha-me, vasa torcida
Vê amor, atas colhida

Ah, vadias, mole troça
Talha vida, só remoça,
Chamo revolta sadia
Dava malho, cortesia
Mesa, cilha, trovoada
Olho, Sé, mitra cavada
Tasco melhora vadia
Lá choves toda, Maria

Haste malvada, rocio
Tacha-me, valsa do rio
Caralho teso, má vida
Volta (ah!) a ser comida
Vá, sai, matreco, dá-lho
Dá, avia, torces malho
Hecto-amora validas
E o talho marca vidas

De cota maravilhosa
Cito velha dama rosa
Aviso: há cal da morte
Cada milha, voa sorte
Marcas de hálito vão
Soltavam hidra e cão
Há som, tarda, ecoa vil
Sovada, chora até mil

Vias-lhe toca, morada
Cortelha, mó avisada
Sorvem ácido, atalha
Atado servo, cimalha
Mata cheiros, alvado
Mia à velho castrado
Da malha tire sovaco
Sai, matador velhaco

Limo vasto é charada
E roça vista molhada
Há mão de costa rival
Adora macho estival
Retalha visco da mão
Trilha Evas com Adão
Eco-tralha dava o sim
À tesão calhorda vim

Mar ovo, chita seda lã
Rodo a chave, talismã
Há mosca e roda vital
Tesão chã doma rival
Calha vã doa o mister
Talhavas mão, cio der
A mocha desova, trila
Acto sem hora da vila

Nota: Tal como em edições anteriores, todas as linhas foram construídas com anagramas de um mesmo nome. Significa que peguei num nome e explorei combinações diferentes com as letras que o compõem, acrescentando acentos, cedilhas, pontuação. A primeira foi a nossa saudosa menina traquina, seguiram-se mais fêmeas lusas irreverentes. Desta feita, deixo uma ajuda: as palavras do nome encontram-se no texto, e preenchem este vazio:

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13 thoughts on “A maravilha do cesto”

  1. Fabuloso. Uma pessoa rê, relê, e não sabe que virtosidade mais admirar: se a da idioma, se a da Susana. Ainda por cima, a coisa dá um poema inventivo e malandro, com quase nenhuma falha no metrum.

    Não gosto especialmente do que escreve a M—a V—o da C—a. Mas é um gozo verificar que o nome dela dê… isto.

  2. obrigada, fernando.
    ainda tentei acertar a métrica, mas perdia variações “importantes”.
    a virtuosidade do idioma é realmente impressionante. não imaginas a quantidade de frases que deitei fora. algumas, variantes do que ficou (ex: segunda linha, «ser, todavia, acho mal» ou, cá em baixo, «mor vão, chita seda lã» – que ficaria melhor do ponto de vista da métrica). mas também muitas outras (várias disparatadas), como «coisa da velha morta/avó metralha», «casota melhora vida», «o chato salva ermida», «sádico toma-lhe vara», «cisto, mãe orvalhada», «vias-me toda, caralho», «olha, mais tarde cavo», «viram coelha do satã» e um longuíssimo etc. poderia ter continuado, que isto nunca mais acabava. centenas. virtude desta combinação, bem entendido; há nomes com pouco por onde pegar.

  3. Ó sinhores! Balha-me o meu anjinho da guarda! Atão não é que a dona susaninha deu-lhe agora para a desgracia!? É asneiredo de criar piolho, filhos! Ela é “loira cona salgada”; “caralho teso”; “tesão”..Uma menina tão educadinha, balha-a Deus! Até fico escanzifrada com tanta falta de bergonha. Como é que lhe aconteceu isso criatura, lebou uma traulitada, comeu o beneno dos ratos, foi biolada!? Ó sinhora, e ainda por cima deixou que o Balupi lhe fizesse o retrato da sua “coisa”!? (BadeRetro, que nem bos digo o nome!) Os sinhores podem ber no outro blog.
    Um bizinho meu, diz que foi por puxar pela mioleira, por causa daquela coisa dos onogramos. Talbez. Mas outra bizinha diz que não. Diz que a dona susana não tem é nada que fazer e atão, dá-lhe pró desimbargo do paleio. E ainda disse: «Tivesse ela de labar as escadas dos prédios onde bou, que só tinha tempo de dizer: raispartam a malbada da minha bida!»
    Hoje bou pôr uma belinha pela dona susaninha a São Luís, rei de França. Isso foi a minha patroa que me disse, porque tem muita deboção ao santinho. Bamos lá ber se ela bolta ao asneiredo dos tais onogramos, só com nomes de mulheriu.
    Bendo bem, ó dona susaninha, se botasse só nomes de homem, talbez não saísse tanta sem bergonhice, bolta, tenho razão…

  4. Ó anónimo, filhinho, atão tu não bês que não sou só eu a ficar escanzanalizada!? Até os sinhores da bodegosfera arremelgam as bistas para a “coisa” da nossa susaninha!? Tanta escanzanalização, bê tu, não pode passar em bão! Não me digas que tu és o Balupi, malandro…Olha queu bô aí e nem bais foder dar um ai, se te ponho as mãos, berás…

  5. ti zefa, e por acaso o RC saberá que andas a usar o portátil dele, ainda por cima usando a conta de e-mail da menina filipa frança?!

    quanto à devoção da tua patroa pelos santinhos, ela já é, pelo menos, mundialmente conhecida. sobretudo quando se trata dos populares.

  6. Como vocês são chatos, caraças! Tansos da merdice. A darem sempre na mesma tecla. Sabem lá se a ti Zefa – bem apanhada, por acaso – , o RC e a Filipa França são a mesma, «a tal» pessoa, que já enjoa citar o nome? Fosga-se! E depois, se for, que mal tem? Isto não é uma caixa de comentários livre, como vocês apregoam? Ou é preciso apresentar cartão de visita? Fechem a porta, porra, ou ponham correntes de segurança. Façam qualquer coisa, mas poupem-se e poupem-nos, caraças. Isso já é mania da perseguição. Se calhar, essa malta é toda amiga e anda a gozar à brava à vossa custa…

  7. mistério, bem pelo contrário, não tem absolutamente mal algum e, ainda por cima, traz muita alegria. só que, como entenderá, a caixa é livre também para nós. ou acha que no nosso caso a resposta deverá ser menos livre?

  8. Ai, rica menina! Susaninha! Bim agorinha ao cesto, sinhores. E não bi nem uma palabrinha daquelas feias. Botei as bistas também no que escrebeu o sinhor Ministério. Raio de nome do home! Bolta, a belinha deu resultado, Tá-se a bêr que o santinho oubiu o meu pedido. Agora isso do libre, não percebi patabina. Mas Deus libre a Susaninha de boltar às sem bergunhices do xifrudo!
    Bá à sua bidinha e arreceba recomendações da ti Zefa.

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