A factura

Vejo uma vespa ao olhar a tua cintura
Da grande janela do café, pastelaria
Cansado já de esperar, estou à procura
De ouvir de novo tua voz em harmonia

Com os sons desta cidade debruçada
Sobre o Tejo tão povoado de navios
Com restos da neblina da madrugada
Já infiltrados nas palavras e nos fios

Vejo uma vespa ao olhar a tua cintura
Há uma leveza de ave nos teus passos
Que eu procuro desenhar nesta factura
Entre a luz dos olhos e os teus braços

Testemunho do encontro nesta mesa
A factura permanece na minha mão
Escrevo nela este poema de surpresa
Para provar que a ternura tem razão

3 thoughts on “A factura”

  1. andei aí uns tempos um pouco afastada do aspirina, e este seu poema escapou-me. é tocante, enternecedor.
    esperando que não se amofine, vou fazer o mesmo exercício/sugestão que já outros fizeram antes de mim, pois penso que melhoraria o ritmo:

    Vejo uma vespa ao olhar tua cintura
    Da grande janela do café, pastelaria
    Cansado de esperar, estou à procura
    De ouvir de novo tua voz em harmonia

    Com os sons desta cidade debruçada
    Sobre o Tejo tão povoado de navios
    Com restos da neblina madrugada
    Infiltrados nas palavras e nos fios

    Vejo uma vespa ao olhar tua cintura
    Há uma leveza de ave nos teus passos
    Que eu procuro desenhar nesta factura
    Entre a luz dos olhos e teus braços

    Testemunho do encontro nesta mesa
    A factura permanece em minha mão
    Escrevo nela este poema de surpresa
    Para provar que a ternura tem razão

  2. Quando tudo parecia perdido, dito de outra maneira, havia um silêncio ensurdecedor à volta do poema apareceu a Susana a ler de modo qualificado o mesmo poema. Só por esse encontro valeu a pena tê-lo escrito. Um leitor basta; se for qualificado – melhor ainda. Obrigado, Susana.

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