Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão. Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Archive for Outubro, 2007

1 + 1 = 3

Um mashup consiste, por antonomásia htmélica, na junção de duas canções aparentemente oriundas de universos musicais distintos numa só. Embora seja possível fazer remontar as raízes deste género bastardo da música pop à década de 50 (e ao conceito híbrido de «autor» da música folk), a verdade é que o formato atingiu o auge da […]

Professor

Há muito pouco Agostinho da Silva em vídeo na Internet. Ainda. Quando aparecer mais, ver-se-á como nele está consubstanciado um dos pilares da neo-modernidade portuguesa, o acesso pedagógico. O outro pilar está no Pessoa; críptico, iniciático.
Neste fragmento de um documentário, truncado à má-fila, há variedade suficiente para viver saudades. E matar esquecimentos.

Cobaias de teorias

Em sintaxe clubista: sou bem mais do Rui Tavares (e por isso um tanto isolado, nesta casa) que da Helena Matos.
Mas ontem a senhora - no debate dos dois sobre a inteligência dos desfavorecidos e sobre a escola pública, que hoje prossegue no Público - escrevia o que segue, e que é muito, e muito, […]

Musiquinhas deprimentes

Quando acabam as «Conversas» com Marcelo Rebelo de Sousa, corro para o aparelho e baixo o som. Para fixar algum pensamento mais útil, mais esclarecedor? Para trocar impressões com a companhia ouvinte? Não e não. Simplesmente para apagar o tune que ali vem. Deprimente a mais não poder.
Quem será o marau (virá no genérico?) que, […]

A inauguração do Museu do Neo-realismo em Vila Franca de Xira teve a precedê-lo um conjunto de «eventos» mais ou menos pós-modernos que pelo seu teor insólito me surpreenderam. Não estava nada à espera de ouvir os nomes dos escritores e artistas plásticos do movimento neo-realista gritados por umas meninas que, num primeiro andar, assim […]

Xavier

Gostaria que ficasse registado nos anais que hoje, entre as 14 e as 17 horas do dia 27 de Outubro de 2007, esteve-se marabilhosamente bem na cidade do Porto. Para além da temperatura amena e da total ausência de vento, a luz possuiu aquela rara qualidade descrita em alguns versos do Eugénio de […]

o que faz falta

Alguns sabiam que estavam em falta. Sim, sabíamos. Mas não sabíamos o que faltava. E o que faltava? Por mais um lapso dos serviços administrativos, a musa ausente. As senhoras, por compreensível inveja - natural, considerando a personalidade em causa –, esqueceram-se dela. Mas prontamente o mais curioso e dedicado recensor da autora reclamou, apontando a incompletude, e […]

Investigação metafísica

Viu passar esta coisa?

George, és tonto

George Steiner veio a Lisboa dizer umas banalidades senis sobre epistemologia, inaugurando a conferência A Ciência Terá Limites?, Gulbenkian. No Público, Luís Miguel Queirós faz o servicinho de ocasião, pontuando o relato com encómios ocos, aumentando a banalidade. E disto podemos recolher uma certeza: a banalidade está longe de chegar aos seus limites, sendo […]

Balada galega

Manuel María, poeta galego contemporâneo, termina assim a sua “Balada ós meus pequenos enemigos”:     
            Meu querido enemigo: agradecido estou
            a túa incompreensión, ó teu pequeno odio
            inofensivo, a tua língoa en miniatura,
            ó teu cativo leite que non coalla:
            así vas ben, tí descansas i eu tamén.

            Dificilmente conseguimos alcançar a perfeição de oferecer […]

Outra coisa irritante

É isso de os comentários não se colarem aos textos. Porque aparece alguém a dizer-nos quantos comentários há (obrigado, mas escuso de voltar a ser informado do que já sei ou do que não quero saber, nem se percebe que falta faça, seja a quem for, seja quando for, seja porque for) e, não contente, […]

Tudo pode ser simbólico. Depende do nosso olhar. Com uma vida inteira passada entre livros, Fernanda resolveu abrir uma livraria na Calçada do Combro, perto de outros alfarrabistas com nome na praça. Mas que praça? Uma praça que permite um apuro de 3 euros ao fim de um dia de trabalho. Três euros não pagam […]

casa em arrumações

O AspirinaB na Weblog estava pejado de fantasmas brincalhões. Era um fartote, pois era, mas nós não queríamos a casa assombrada. Mudámos. As senhoras dos serviços administrativos do Aspirina (como qualquer instituição que se preze, temos que manter as quotas paritárias) trataram da mudança de arquivos. Foram rápidas, as funcionárias, mas enganaram-se nos dossiers. Sou quase tão boa a pedir […]

provisões de outono comprimidas


Pode ser Pepsi?

Não. Isso nunca mo perguntaram. Porque também nunca pedi uma Cola. Mas tenho ouvidos, e sei, e não posso ignorar. 
Há todavia coisas, outras coisas, que não quero, por favor, voltar a ouvir. Aqui vão algumas. 
Faça de conta que a casa é sua.
O que tem que ser tem muita força.
Ah, no meu tempo…
Não é para fazer de ti […]

Como toda a gente sabe, não há pessoa mais indicada para escrever textos formais de agradecimento do que eu. Por isso, vou ser curto e delgado: muito obrigado Paulo Honey e muito obrigado Catarina Fields pelo apoio (eufemismo) que nos deram na migração do Aspirina para esta nova plataforma. Como é óbvio, nada disto seria […]

Mudar o passado

Nesta versão do Aspirina B pretendo ignorar o presente, lembrar o futuro e modificar o passado. O presente é falho de actualidade, nunca pára quieto. Será tratado como individuo mal-educado e irrecuperável. Só o futuro, porque motor imóvel, me dá tempo suficiente para justa contemplação. Quanto ao passado, serve para uma actividade que recomendo a […]

O sultão

A donzela, digo eu, terá os seus quinze anos. Vai sentada do lado da janela, enquanto masca a chicla ruidosa, num estalar de beiços. Sujeita-lhe a gaforina um par de óculos espelhados, de tartaruga pintada.
Ele vai sentado ao lado, um pé no banco da frente. Vai tão indiferente ao mundo, tão alheio à companhia, […]


sentem-se onde quiserem





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