Pára-quedistas, matulões e matulonas em Vila Franca

A inauguração do Museu do Neo-realismo em Vila Franca de Xira teve a precedê-lo um conjunto de «eventos» mais ou menos pós-modernos que pelo seu teor insólito me surpreenderam. Não estava nada à espera de ouvir os nomes dos escritores e artistas plásticos do movimento neo-realista gritados por umas meninas que, num primeiro andar, assim distraíam as pessoas que aguentavam ao sol a possibilidade de entrarem no Museu.
Tudo bem: na EXPO 98 era assim para entreter o pagode com palmas enquanto os eventos não começavam. Atiraram bonecos de plástico com pára-quedas e a seguir desceram dois homens em cordas na frontaria do edifício. Depois não percebi a guarda de honra feita por dois jovens atletas de esgrima que devem ter sofrido muito debaixo daqueles quentes fatos. Ao meu lado desmaiou uma menina que estava fardada tipo Hospedeira de Portugal a dar as boas vindas aos convidados. Com boa vontade lá apareceu um copo de água e um pacote de arroz. Pobre pequena que não vai ter saudades de tamanha multidão.
Lá dentro foi o ainda mais inesperado. Dois matulões faziam pesos e halteres ao lado dos quadros famosos do movimento neo-realista. Ao mesmo tempo diversas matulonas passeavam os seus fatos de lycra e as suas botas pretas numa espécie de tentativa de produzir torcicolos aos convidados. Uma delas usava um minúsculo chapéu-de-chuva. Lembrei-me logo de Catherine Deneuve e de Françoise Dorelac dançando em «Os chapéus-de-chuva de Cherburg».
Não percebi nada, mas deve ser da idade. Não vou ter tempo de perceber. Já tenho 56 anos, por isso estou na segunda parte da vida. E sei que não vai haver prolongamento.

22 thoughts on “Pára-quedistas, matulões e matulonas em Vila Franca”

  1. “Afinal o Coelho confessou que recebeu várias prendas do Américo: garrafões de 5 litros de Azeite de Estremoz. Já é um indício. Mais tarde irão chegar ao xadrez e ao apartamento!”

  2. “A única ocupação do Ministro das Finanças é cobrar impostos, fazer o tradicional empréstimo para salvar o país da bancarrota e tratar da sua reforma para quando sair.”

  3. Vasco Pereira da Costa, actual director regional da Cultura, é um magnífico poeta. Eis o início e o final de um poema a que chamou “Matateu”. (Não é sobre o Sebastião Lucas, trata-se de um emigrante na Califórnia.)
    “Herdou áfricas na pele e no olhar
    e a malta ao vê-lo jogar a bola no liceu
    vá de o chamar
    o Matateu.
    /…/
    Numa rua de Sacramento encontrei o Matateu
    (onde o interior esquerdo do poderoso remate?)
    À queima-roupa disparou que envelheceu
    e que já não há segunda-mão para o desempate./…/
    No Estádio da Sorte rasteirado! roubaram-lhe a bola
    – e o árbitro fechou os olhos à malandrice.
    Saudades da nossa tera? – Em barda!
    E molham-se os versos do que ele me disse.

  4. Claudia,
    conheces tu o Alves Redol? Há um em cada esquina, tens a certeza? Conheces Vila Franca de Xira? Pois não parece. Mentes descaradamente. Já reparaste que cada frase tua, cada comentário teu é um disparate!? Uma aleivosia que incomoda e um veneno? Ora vai à tua triste vidinha e deixa as figuras de prestígio em paz.
    Sou uma pessoa calma, mas ando um bocado farto de ti. Destoas, sabes? Vê se mudas de estilo.

  5. Conheço Vila Franca. Já estive lá duas vezes em trabalho e o que me chamou a atenção é ver referências ao Alves Redol por toda a parte, tirando é claro as referências à tourada e à festa do Colete Encarnado (sempre em menor proporção). Vila Franca parece só ter conhecido um escritor: Alves Redol. E vive desse passado como Portugal vive do umbigo dos descobrimentos.

  6. Estou a referir-me evidentemente aos bustos, aos monumentos em Vila Franca. Alves Redol, Alves Redol, Alves Redol. No Porto, não vejo Garret, nem Camilo em tudo quanto é esquina. Deve ser por termos um fartote de escritores bons que já nem damos importância.

  7. Há pessoas calmas que são muito intolerantes. Essa do “destoas” é feia, ó Gil. Pode-se chamar tudo a uma pessoa, mas dizer-lhe que destoa é querer riscá-la com base na acusação de ser diferente. “Vê se mudas” ainda é pior. Há aí um big brother escondido com rabo de fora.

  8. claudia,
    Só posso dizer que continuo a achar lamentável aquilo que escreves. Tudo o que escreves. Estiveste em Vila Franca de Xira duas vezes, e viste logo Alves Redol «em cada esquina». Fantástico! E repudias isso, embora não corresponda à verdade? Não faças também comparações analfabetas entre a cidade de Vila Franca e a cidade do Porto. Não vês a dimensão de uma cidade e a da outra? Percorre o Porto, já que lá moras, e tenta ver os bustos dos seus ilustres (no caso escritores). Não vês nenhum? É porque és cega, claudia. Ou não queres ver.
    Tudo o que sai da tua cabecinha cheira a quem está de mal com a vida. Mas se não te exprimes assim, só saem do teu teclado banalidades tão infantis, que dás pena.
    Diz-me tu qual é a aldeia, vila ou cidade que não se orgulha dos grandes vultos que lá nasceram!? Pode mesmo ter sido apenas um e valido por mil. Não devem ser lembrados, perpetuados? Escritores como Alves Redol são o ex libris das terras onde nasceram. Já foste a Coimbra? E já foste a Vila Viçosa? E a Sines? E a Sagres? E, e, e? E olha que são poucas as estátuas ou bustos ou seja lá o que for que se vêem por aí. Todos os nossos Grandes mereciam muito mais. Mas é por haver pessoas como tu, míopes e ridículas, à frente de certas autarquias no nosso país que não se dá a devida divulgação e valor aos vultos que o mereciam por direito próprio.

    Estou mesmo a ver a bela resposta que me vais dar. E é logo contigo que perco o meu tempo…

    Direito a destoar,
    Não escrevi a palavra «destoar» como sinónimo de «riscar» a claudia, e muito menos «vê se mudas» por outro motivo que não fosse alertá-la para o estilo de escrita – talvez mais Luís XV – com que se exprime.

  9. Conheces mesmo Vila Franca de Xira, Cláudia?

    Já que falas em tantas estátuas e bustos de Alves Redol (estás mesmo noutra terra qualquer, do teu imaginário…), conheces pelo menos o Alves Redol, “despido”, de Lagoa Henriques?

  10. Estes gajos do sul andam a chatear-me… Imaginário ou não, Vila Franca é uma cidade branca, ecléctica, com certos sítios autênticos cafarnaum para atletas do estacionamento. Prefiro a cidade do norte na qual me encontro, é cinzenta à maneira londrina, é salgada como um verso de Sophia, é verde como o vinho das suas terras interiores. Não me falem em Vila Franca de Xira. Dêem-me brisas frescas, sff.

  11. oh cláudia, tu andaste certamente a banhos na piscina de Madame Sarrabal: essa prosa poética sofre de pé de atleta! as humidades é uma coisa lixada

  12. Brisas frescas, claudia!? Queres brisas mais frescas do que as brisas que vêm das extensas lezírias de Vila Franca, com o Tejo mesmo à beirinha? Não sabes do que falas nem o que dizes. Precisas de crescer, de conhecimento, de cultura. Vila Franca de Xira é uma das cidades mais características de Portugal.
    Quanto ao Porto é cinzento, à maneira de Londres…Snob e ignorante…É só isso que sabes dizer da cidade Invicta, tão velha, tão digna e tão linda!? Não mereces morar lá.

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