Mudar o passado

Nesta versão do Aspirina B pretendo ignorar o presente, lembrar o futuro e modificar o passado. O presente é falho de actualidade, nunca pára quieto. Será tratado como individuo mal-educado e irrecuperável. Só o futuro, porque motor imóvel, me dá tempo suficiente para justa contemplação. Quanto ao passado, serve para uma actividade que recomendo a todos: ser mudado. Não mudar o passado leva a que muitos se fiquem pelos seus vetustos claustros. Passeiam nos pátios interiores, abrem os braços, respiram fundo. Alguns correm em passo de corrida. Para se cansarem, apenas. E passam a efémera existência aborrecidos. Sem saberem do que se passa fora do convento. Mefistofélica armadilha.

Por exemplo, este blogue foi politicamente alinhado à esquerda desde o seu começo e até às saídas do Daniel Oliveira (o qual trouxe o Rui Tavares na algibeira), do Luis Rainha (1º fundador), do Nuno Ramos de Almeida e do José Mário Silva (que nunca chegou a sair pela simples razão de nunca ter realmente entrado, mas que se ausentou deliberada e ostensivamente). Todos eles insignes referências da blogosfera de esquerda. Contudo, os que ficaram (o Fernando, a que se juntou o Jorge Carvalheira, depois o TT, depois o meu primo regressado, e finalmente a Susana, já para não esquecer as visitas José do Carmo e Daniel de Sá) em nada se ocupam aqui de política partidária. Pura e simplesmente não escrevem sobre o assunto. Eu sou a excepção, mas eu não sou de esquerda. Nem de direita. Nem do centro.

Assim, que se mude o endereço e a ideologia. Estão ultrapassados.

17 thoughts on “Mudar o passado”

  1. Valupi,

    Eu não queria cometer a aleivosia de te arrastar para um dos dois lados que puxam a corda do Mundo. Mas há motivos para dar-te (o.k, oferecer-te) um título de Esquerda Honoris Causa.

    Porquê? Porque tens, e expandes, o que de melhor a Esquerda produziu: a liberdade do espírito. É uma categoria grandiloquente, mas que tu traduzes em minúsculos impulsos direitos ao discernimento alheio. Se nem sempre o subjugam, hão-de sempre lisonjeá-lo.

    Tudo o que assim estimula uma inteligência é libertador. E não foi sempre a Esquerda a propor-se libertar tudo quanto estivesse amarrado?

  2. JP,

    O corrector ortográfico e sintáctico da Priberam, o novinho em folha FLiP 6, o melhor do Mundo para o Português (adoptado no Brasil, na sua versão brasileira), aceita, do teu texto, «hein» e «pimba». Mas lá está: não conhece «porra». Como também não conhece «puta», e daí para baixo.

    Explicaram-me a razão, e essa vai soar-te como música de anjos.

    A colaboração com a Microsoft (que adoptou no Word o trabalho da Priberam) implicou a exclusão de tudo o que levasse a sinonimias, aos olhos americanos, rapidamente lascivas, ou licenciosas. Sim, que sinónimos indicar para «puta», para «porra»?

    A magnífica Priberam escolheu o que tu escolherias se tivesses que pôr também o pãozinho na mesa dos empregados.

  3. Os senhores que me desculpem, eu não queria interromper… mas é que me surgiu uma dúvida…
    Eu estava aqui a ouvir a vossa conversa e estava até a gostar e tudo mas depois não pude deixar de ouvir que o corretor sintático não conhece puta. Eu logo aí fiquei assim meio coiso, não sei se estão a ver.. mas pronto, não conhece não conhece, paciência. Agora quando soube que também não conhece porra, aí eu fui forçado a intervir! Porra?
    Por isso estas linhas. Vão perdoar, decerto, mas tenho que confessar. Um corretor que não conheça puta eu aceito, mas porra! Há limites!

  4. Um corretor que não conhece puta? Isso é o mais vulgar! Lá na Bolsa parece que são todos muito castos. Aquilo ou aquele que corrige, caro RVN, é um corrector. Já agora, corretor tem E mudo, corrector tem E aberto.

    Essa de que se não é nem de direita, nem de esquerda, nem de centro, em alguém como Valupi, que tem opiniões (políticas e outras), é intrigante. Talvez catavento? Quem tem posições e um mínimo de coerência nas ideias não pode fugir às coordenadas que o situam. Não me refiro a espectro partidário, que é muito redutor.

    Mas que ideia tão lisongeira para a Esquerda, FV, que a liberdade de espírito seja apanágio ou obra dela. É simplesmente falso. A liberdade de espírito pode brilhar ou apagar-se em qualquer quadrante político.

  5. Grato pelo esclarecimento, nikita. Estranho que não me tenha esclarecido também que o sintático tem ‘c’. Foi simpáctico. Sobretudo vindo de um corrector, ou seja ‘aquilo ou aquele que corrige’ com o ‘e’ todo aberto. Vê como eu aprendo rápido? Deus lhe pague, caro nikita.

    rvn

  6. Eu acho que o aspirina está a virar à direita, não me venham cá com tangas. E digo isto porque vocês mudaram de um endereço gratuito, blogspot, para um a pagantes, um dot com, onde mostram a mesma cena de antes! Parece mesmo que é para mostrar que há dinheiro com fartura, que podeis acender charutos com notas de 100! Esquerda caviar não era suficiente?!

  7. Não é minha missão catar os piolhos ortográficos do Aspirina, mas a grafia sintático, não sendo a defendida pela Academia, é aceitável, por ser a grafia brasileira e, sobretudo, por não acarretar confusão semântica, como no outro caso. Mas escusa de estar com essas merdas, rvn, que eu só pretendi brincar com o sentido literal do que escreveu. Perda de tempo! Dããã!

  8. Nikita, seu maroto! Com qu’intão tem um corrector sintático que conhece merdas, hein?
    Ora adeus! Tivesse eu um assim e era ver-me a brincar com o sentido literal o dia todo, ólarilas…

    rvn

  9. Fernando, aceito o galardão, com falsíssima modéstia. Mas só se tu reconheceres que a liberdade de espírito não é canhota. Nada do que importa se divide entre esquerda e direita, e é isto que importa lembrar.

    Primo, considero brilhante o modo como identificas o meu brilhantismo. E quanto ao teu ponto 3, faltam-me palavras para falar dele com a justiça que exige.

    Susana, tens de explicar melhor o que queres dizer. Lembra-te que és mulher, ser com dificuldades intelectuais iniludíveis.

    Rvn, estás perdoado, porra.

    Claudia, e fazes tu muito bem, se estiveres a fazer o mesmo que eu (que é, tão-somente, não me definir ideologicamente, mas assumir por inteiro a responsabilidade de me assumir politicamente).

    Nikita, tens de ler Aristóteles; mas, toma cuidado, não o leias com a cegueira com que lês a Ana Gomes, pois irias perder o teu precioso tempinho.

  10. Luís: só dizes parvoíces. Nem estávamos num blogspot (mas num weblog.com.pt) nem esse pretérito alojamento era gratuito.

  11. Se não estáveis no blogspot, estivésseis, ora que caralho! Esse é gratuito!
    Vós pagais para blogar e eu é que sou o meco?! Eu não pago para foder quanto mais para blogar! Ganhai juízo nessas cabeças caviarentas!

  12. Tens dúvidas, claudia? O cérebro destes chavalos está completamente banhado em caviar! Ainda bem que eu nunca provei essa merda dessa comida de ricos, nem nunca provarei, essas coisas são um perigo, eu, no máximo, como uns camaroeszecos uma vez por ano porque nunca se sabe…

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