Balada galega

Manuel María, poeta galego contemporâneo, termina assim a sua “Balada ós meus pequenos enemigos”:     

            Meu querido enemigo: agradecido estou

            a túa incompreensión, ó teu pequeno odio

            inofensivo, a tua língoa en miniatura,

            ó teu cativo leite que non coalla:

            así vas ben, tí descansas i eu tamén.

            Dificilmente conseguimos alcançar a perfeição de oferecer a outra face a quem nos bate, mas o desprezo teria quase o mesmo efeito. O orgulho, porém, é muitas vezes mais forte que o nosso desejo de paz. Ou até nos apetecem mesmo algumas guerras, para provarmos que somos capazes de enfrentá-las ou de atiçá-las. No entanto, e à semelhança do que de outro modo disse o poeta galego, as palavras do ódio não são nunca proferidas por uma língua eloquente.

12 thoughts on “Balada galega”

  1. Como seria possivel aos teus colegas neste blogue meterem as cabeças de fora sem o buraco providencial da tua braguilha com éclair traiçoeiro? Fecha o buraco ao menor sinal de coalho ou requeijão nos leitinhos das suas eloquências. Não vale guilhotinar sem chorar depois.

  2. Daniel, meu amigo:

    Sempre em forma, pelo que vejo.
    E oportuno, no que me diz respeito. Perdoarás mas hoje mesmo te vou citar, mai-lo teu galhego que sabe das coisas dos ódios.
    Bom rapaz e respeitador que sou, citar-vos-ei, pressupuesto.
    Boas linhas.

    rvn

  3. Ó RVN,

    E se te dissessem que «galhego» e «pressupuesto» [por supuesto?] é tão estranho ao galego como é ao português?

    Porque hás-de espanholar o que não o é, nem quer sê-lo?

    Abraço na mesma.

  4. fmv:
    Começando pelo fim: provavelmente porque me soou bem aos dedos, em primeiro lugar. Coisas que a gente faz quando não está com a preocupação de ajeitar a gravata, que o tio culto está a olhar..

    Mas, indo ao princípio, se me dissessem o que reza a tua pergunta, provavelmente pararia para pensar nas figuras tristes que faço de quando em vez, quando me atiro ás graças como gato a bofe sem olhar em volta. Matutada a coisa, escreveria finalmente umas linhas compostinhas e sem sal ao meu amigo Daniel e só despia a roupinha de ver-a-deus em casa, longe dos olhares da família.

    Mas aí, querido amigo, teria perdido eu a oportunidade de aprender contigo e tu a oportunidade de constatar e corrigir a minha ignorância. O que, diga-se, empobreceria bastante esta nossa noite de sexta feira. Não achas?

    Quanto aos abraços é pacífico: aceita também um dos fortes. Préçupuéstu.

    rvn

  5. Inês Leitão: muito, muito, muito obrigado.
    Zapatairo: uma das diferenças entre os animais irracionais e os seres humanos é que aqueles não costumam voltar aos lugares de que não gostam. Por isso sei que não lerá esta minha resposta.
    RVN e FMV: Este diálogo entre vocês foi mesmo a prova de que tenho alguma razão no meu pequeno texto.
    Obrigado.

  6. Lindo poema. Boa reflexão. Mas melhor assim:

    Meu querido inimigo: agradecido estou

    à tua incompreensão, ao teu pequeno ódio

    inofensivo, à tua língua em miniatura,

    ao teu cativo leite que não coalha:

    assim vais bem, tu descansas e eu também

    Perdeu-se o espírito, a alma, a intenção, o miolo, o fundamento, a língua, a música, o objetivo, a função galeg@s? Não, Manuel Maria também escreveu (e editou) assim:

    TERNURA

    Pouco importa que a ave da esperança
    ou a faísca amarela do desejo
    cruzem por nós como um salouco
    para converter-se em névoa
    ou sombra esvaída na lembrança.
    O que de verdade importa,
    amada e irrenunciável companheira,
    é a chama delicada da ternura
    coa que acendemos o lume
    no que queimamos a monótona
    tristura dos dias e onde arde,
    serena e mansamente, a árvore
    fiel e rumorosa da nossa própria vida.

    «A Luz Ressuscitada» AGAL 1984 I.S.B.N. 84-398-2305-3

  7. Boa tentativa de tradução, meu caro Vaga-Lume, mas com um mais que provável erro. Há dias eu disse ao FV que talvez voltássemos ao tema do Galego, por causa das influências no desenvolvimento da língua. É que duvido muito de que Manuel María tenha usado aquele “cativo” com o sentido que tem em Português. Tal como em Italiano (neste caso só há um significado), o primeiro significado de “cativo, em Galego, é “ruim”. Ora veja:
    “cativo -a adx. 1. De mala calidade, que vale pouco ou non ten boas calidades. Unha froita cativa. Un escritor cativo. SIN. malo, ruín. É cativa, non é moi guapa. 2. Privado da liberdade, que foi feito prisioneiro. Estivo tres anos cativo nos alxubes do castelo. Tamén s. Pedían a liberdade dos cativos. SIN. preso. 3. fig. Sometido a unha paixón, ós encantos de alguén, etc. Cativo do amor dunha fermosa dama. // s. 4. Rapaz de pouca idade. Xogos de cativos. SIN. neno, pequeno, pícaro. CF. meniño.”

  8. É por isso que eu defendo convicto que a dobragem em televisão e cinema é um dos maiores atentados que se podem fazer à cultura de um povo, qualquer povo. Sem beber na fonte não se conhece água pura. O mesmo assunto, meus amigos. Mesmo que possa parecer que não.

  9. “Afinal o Coelho confessou que recebeu várias prendas do Américo: garrafões de 5 litros de Azeite de Estremoz. Já é um indício. Mais tarde irão chegar ao xadrez e ao apartamento!” R.I.A.P.A.

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