Archive for Agosto, 2007
Na rua das sete viúvas
Travessa do Fala Só
À noite tiram as luvas
E vão jogar dominó
Depois de lavar a loiça
Fica um pano a tapar
Um barulho que se oiça
O encontro é o lugar
Das sete viúvas na rua
Sete viúvas no espaço
A luz é dada pela Lua
O encontro é o abraço
Na rua de sombras tortas
À noite pára o trabalho
Depois [...]
O Público brinda-nos com uma extensão vocabular que primeiro se entranha, e depois se estranha: gangue. Porquê? Que aconteceu a quadrilha, a bando, a súcia, a corja, a grupo, a malta? Para onde foram os gatunos, os patifes, os malandros, os biltres e os vadios de Portugal? Malta que assaltava carrinhas de valores vai ser [...]
Tinha jurado a mim mesmo que o não iria maçar com a tal opiniãozinha. Por uma questão de pudor. Mas quando larguei a obra, entrou-me na cidadela uma suspeita, por alguma porta da traição.
Deixou-me num desalento. Com a compostura da forma, com a pertinência do tema, com a estrutura bizarra, com o hibridismo do género, [...]
As copas dos choupos estacaram a escutar o fim do dia. Acima do rubor no horizonte ha’ nuvens. Duas vogam em sentidos opostos, misterios do vento, viração. Uma e’ compacta, robusta. A outra fragil, longilinea. Ambas de chumbo e de cobre.
Mudam, torcem-se, no caminho. O encontro na retina de quem olha. Entram uma na outra, [...]
Posto de conversa com Jorge Carvalheira, descobriu Daniel de Sá, num recuncho da sua manjedoira, este manuscrito. Não sendo todos os nossos leitores destros furões (mas alguns são-no), puxámos o valioso texto para aqui. Eis:
SenhorHesta verdade he puvriqua e bem sabida que asy como a sargento que sube de segundo a prymeiro loguo lhe outhorga [...]
Nas terras do Alentejo
É tudo tão asseado
As casa e os corações
Sempre tudo anda lavado
Popular - Baixo Alentejo
Nesta tarde de nevoeiro
Onde o olhar se espreguiça
Vem do lado do Barreiro
O som de uma campaniça
Vem do lado do Barreiro
Passa por cima do Tejo
Mas o som chega inteiro
Como no Baixo Alentejo
Oiço o coro já se arrasta
No fundo da [...]
Porque o futebol e’ uma cultura de massas (ganha-se muita), Moutinho nao vai do estadio para a sucata. Nada se perde e tudo se transforma: sera’ desmontado e vendido ‘a peça.
Isto nao contextualiza o titulo, bem sei. Precisava, contudo, de assinalar a bondade do rapaz. E’ optimo - sobretudo de costas.
susana
Detenhamo-nos um instante nessa quinta-feira, 2 de Junho de 1994. São nove e meia da manhã. Eduardo Prado Coelho barra concentrado o seu croissant, de olhos distraídos no Libê, quando se apercebe do ronronar do fax. Aquilo acontece mais vezes, editores e outros amigos não o deixam meia hora ínscio da imprensa nacional.
Eduardo aguarda pois, [...]
Ele detestava blogues. É voz corrente que não os lia. Custa a crer.
Certo é que os blogues nunca o ignoraram. Hoje menos que nunca.
Como este. E este. E este. E até este.
E o Público disponibiliza todas as crónicas dos últimos anos.
A frase primitiva é benesse dos deuses, há-de ser verdade, se o disse um francês. Aparece à hora mais acidental, e fica a iluminar o que obscuro andava, a ruminar saída na treva original. Umas vezes é primeira. Porém outras a última será, mas sempre definitiva e terminal.
Depois é dar as outras ao papel, que [...]
Ontem li, no Público, a crónica dele. Tinha graça, mas já não a força de antanho. Vi-o em Maio, na Fnac do Chiado. Ao despedir-me, abracei-o. Era a primeira vez na vida, eu sentia que era também a última.
Neste lugar, que é um bocadinho meu, fica a recordação do homem que disse de mim coisas [...]
Tu entras nas minhas passwords. Não te esquecerei tão cedo.


Intervenções cirúrgicas