Moda campaniça

Nas terras do Alentejo
É tudo tão asseado
As casa e os corações
Sempre tudo anda lavado

Popular – Baixo Alentejo

Nesta tarde de nevoeiro
Onde o olhar se espreguiça
Vem do lado do Barreiro
O som de uma campaniça
Vem do lado do Barreiro
Passa por cima do Tejo
Mas o som chega inteiro
Como no Baixo Alentejo
Oiço o coro já se arrasta
No fundo da minha rua
Mas o coro não me basta
Quero ouvir a voz que é tua
Eu faço de cada poema
As cordas de uma viola
E escondo-me no cinema
Sempre que falto à escola
Julgo ver o teu olhar
Na linha do horizonte
Silhueta a atravessar
A estrada para o monte
São casa, são corações
Onde quero ser habitante
Procuro nestas canções
Chegar ainda mais adiante
Quero ouvir-te em directo
Sem recurso ao diferido
Quero um poema concreto
O título está estabelecido
O título está no teu nome
Os versos são os teus dedos
Os meus olhos têm fome
Do doce dos teus segredos

José do Carmo Francisco

11 thoughts on “Moda campaniça”

  1. Esta melopeia encantatória da redondilha popular tradicional é uma coisa do outro mundo.
    E só sobrevive no Alentejo, uma das duas únicas nações que existem em Portugal.
    Um dia destes, o JCF puxa da campaniça, conta-nos uma história das antigas, e deixa-nos derreados de encantamento.
    Desde que proíba o seu próprio coração de entrar na história. Porque esse é um doido impenitente!

  2. Ah José Francisco! Como se eleva a alma e se sente o coração a adoçar e a encher-se de harmonia suave, depois duma leitura destas! E uma energia nova se eleva e castiga as amarguras velhas e impertinentes.
    Terá decerto livro editado. Identifica-mo?
    J. Carvalheira não fala sério quando diz que o Alentejo é uma das ónicas nações que existem em Portugal?!

  3. Caros amigos: trata-se de um inédito pois integra o livro «As sete viúvas de Moura e outros poemas» ainda não publicado. Lembrei-me de o enviar ao F.V. por causa das imagens de Mértola no outro dia. Isto anda tudo ligado…

  4. jcfrancisco:
    Não se esqueça de divulgar por aqui, quando o livro «As sete viúvas de Moura e outros poemas» for publicado. Vou estar atenta.
    Grande abraço.
    Carmen Zita Ferreira

  5. Meu Caro José do Carmo Francisco
    Um verdadeiro alentejano das Caldas da Rainha. Que Santa Catarina protege quando ele sente poesia.
    Um abraço do amigo
    Daniel

  6. JC Francisco,

    Iniciante nos comentários no Aspirina, comecei pelo anonimato, mas considero-o indelicado e resolvi aboli-lo.
    Sendo que ainda não há livro publicado, vai continuar a presentear-nos com poesias do “As sete viúvas de Moura e outros poemas”, não é certo?

  7. Claro que tenho essa ideia mas vou enviando poemas ao Fernando Venâncio que depois considera e resolve (ou não) a sua publicação. Mas não é essa a palavra: trata-se de partilhar, nada mais. Tal como em 1961 num jornal de parede da Escola Técnica chamado «Velas do Tejo» em Vila Franca de Xira. Foi aí que tudo cemeçou.

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