Um gangue de jornalistas

O Público brinda-nos com uma extensão vocabular que primeiro se entranha, e depois se estranha: gangue. Porquê? Que aconteceu a quadrilha, a bando, a súcia, a corja, a grupo, a malta? Para onde foram os gatunos, os patifes, os malandros, os biltres e os vadios de Portugal? Malta que assaltava carrinhas de valores vai ser julgada em Gaia — não será mil vezes preferível à opção espúria do original? Este, que de original tem o mau gosto, veio da LUSA.

E assim temos como um gangue de jornalistas se juntou para roubar a Língua. Com esta diferença face aos malandros de Gaia: sabem-se impunes.

13 thoughts on “Um gangue de jornalistas”

  1. malta, nao. eu voto em “quadrilha”. alem da danc,a, dos cavalos e dos gatunos, lembra-me sempre os irmaos metralha.

  2. Isso soa-me a tradução / redacção muito mal feitinha… O jornalismo, que me perdoe quem se sentir atingido pelo meu generalismo assumido, anda mesmo pelas ruas da amargura. No outro dia queixava-me eu a um fulano ligado a um jornal sobre a falta de objectividade em determinadas notícias: “isso devia ter sido revisto por alguém da área, porque quem escreveu não faz a menor ideia do que está a falar”. Resposta: “sabes… agora já vem tudo feito das agências de notícias”… Pois, e assim continuam os malentendidos no mundo…

  3. As pessoas em Portugal têm demasiados problemas em assimilar na escrita palavras de origem estrangeira que já assimilaram na linguagem oral há muito tempo. Não vejo qualquer problema na palavra “gangue”. Toda a gente diz, por quê não escrever? A língua é uma coisa viva.

  4. Muito bem, Rodrigo. Essa atitude conservadora apenas tem um resultado: a criação de uma distopia, isto é, o cavar de um fosso entre o registo oral e escrito de uma língua. Que é necessário, é óbvio, mas que também costuma ser o primeiro sintoma de uma língua escrita que ignora por completo os seus falantes.

  5. Rodrigo, já assimilaste a palavra “gang” no registo oral? Mas em que contextos? Estou curioso. Se tiveres um minutinho, partilha aqui com o gangue.
    __

    Distopia? Oh, primo, eutopia. A opção pelo vernáculo quando o barbarismo é inútil ou erróneo.
    __

    A palavra “gangue” existe, é bom português; e recomenda-se… para traduzir “gang”. Simples e respeitador da vitalidade da Língua.

  6. a distopia, aqui, percebo como termo excessivo: nao ha qualquer tentativa de limitar liberdades. ha situacoes dispares. tomemos “skate” como exemplo. poderiamos dizer “patinete”. a palavra existe. mas neste caso a importacao faz sentido, pois trata-se de uma actividade desportiva importada, cuja divulgacao em ingles chegou ca antes ainda da propria pratica. e quem a usa sabe que esta a usar um termo ingles. ninguem ousaria escrever “sequeite”, para traduzir a dita, quanto mais nao fosse por receio do ridiculo. agora “gang” e’ bando, ou grupo. e, aqui, a traducao limita, inclusive, a palavra, pois a circunscreve ao sentido negativo. em ingles posso dizer “I’m going out with the gang”, querendo dizer os amigos, o grupo.
    ja’ eutopia, percebo como meta-utopia. assim, falta-lhe um italico: se e’ para haver perfeicao, entao que seja perfeita.
    :p

  7. Entendo que a palavra gangue, em português, encerra um significado que acrescenta mais qualquer coisa às palavras bando ou grupo, que também podem servir para colectivos de pardais ou de pessoas de bem. Gangue traz uma carga negativa, no sentido violento do termo, que as outras palavras não têm. Por isso, o seu uso faz sentido.

  8. “Sequeite” também me parece idiota, já que é uma palavra mal formada à partida – trata-se apenas da transcrição com sotaque lisboeta do termo em inglês mal pronunciado. Nada contra o uso de ‘skate’, no original inglês (desde que não nos estejamos a referir ao ‘patim’, que também é skate, em inglês). Mas e que tal permitir que surja a palavra “esqueite”, assim como aconteceu um dia com “esqui” (de “ski”). Patinete, no meu entender é outra coisa.

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