pueril

As copas dos choupos estacaram a escutar o fim do dia. Acima do rubor no horizonte ha’ nuvens. Duas vogam em sentidos opostos, misterios do vento, viração. Uma e’ compacta, robusta. A outra fragil, longilinea. Ambas de chumbo e de cobre.
Mudam, torcem-se, no caminho. O encontro na retina de quem olha. Entram uma na outra, desfazem-se. Transformam-se e prosseguem, desdobradas, para nascente. Decompostas, seguem as rosas na frente, arrastando o peso plumbeo sem esforço. Vão leves.

susana

19 thoughts on “pueril”

  1. (lindo)
    de resto, sendo uma criatura pratica, quanto ‘as nuvens, leves ou nao, prefiro que vao; nao me restam muitos dias de ferias.
    Noto ainda, com agrado, exma mana, que fizeste um belo esforc,o para meter acentos e cedilhas. O post merece.

  2. Também fiquei atento aos acentos. E a sua heterodoxia acaba por se inscrever na singularidade do texto. Como se viesse a perder algo com a eventual correcção desse pormenor.

  3. z, obrigada, fulvo e anil e’ bonito.

    mana, idem e parece que os ceus se tem ocupado bem das tuas ferias.

    valupi, viração tinha que ter um til a adejar. e cedilha, ou virava cão…

  4. Ao ler o teu texto, lembrei-me de um céu, algures remoto, visto através das minhas duas ressequidas retinas, num dia outonal, visita incongruente naquele belo Jardim Botânico do Porto.

  5. luis, com ou sem cedilha, sem a cedilha nao vai la’.

    noveetal, ainda bem. :)

    ai, ai, claudia, cada palavra do teu comentario e’ uma nota de nostalgia. o oposto do texto comentado, vendo bem.

  6. Susana, é impressão minha ou a sua relação com a sua outrora comparsa feminina de comments Claudia já conheceu melhores dias, aliás comments? Estarei equivocado ou desde que conseguiu mudar de estatuto aqui no Aspirina e à medida que a Claudia foi tecendo, aqui e acolá e entre rasgados elogios, algumas críticas pontuais a certos exercícios de criatividade seus, as suas resposta foram endurecendo, num timbre de voz escrita e silenciosa de quem se sente constantemente perseguida, a menos que os comentários provenham de homens – os seus colegas de blogue – e estejam cheios de elogios? Ou será que é a jovem Claudia que tem vindo a mudar o seu próprio discurso precisamente devido ao facto de continuar excluída desta singular farmácia que apenas vende um estimulante medicamento, ao contrário da Susana, que certamente aqui terá entrado por méritos próprios, tendo assim provocado uma mudança de tom da sua parte? Desculpe a curiosidade…

  7. impressao sua, curiosa mente (prontuario de bolso, sera’?). nao me reconhec,o em respostas duras, embora possa acontecer que sejam lidas assim, nunca se sabe – vivemos num universo de interpretac,oes livres. a claudia e eu ja’ nos conhecemos ha’ muito e numa de simpatia reciproca, ouso afirmar. nem ela mudou de discurso, nem ela tem qualquer inveja, antes contentamento, como ja’ o manifestou. alias: inveja de que? (e ja’ agora: eu nao “consegui mudar de estatuto no aspirina”. e, por outro lado, continuo a ter o mesmo prazer em le-lo e comenta-lo, sempre um prazer maior, porque me e’ dado, oferecido.)

  8. ai, joao, e agora? toda a gente vai ficar a saber que ando a auto-elogiar-me. estou fodida. imagina se o joao pedro descobre.

  9. Aquela Curiosa Mente… Gosto do que a susana faz e não tenho pretensões a nada. Seria uma calamidade se entrasse no Aspirina, nomeadamente com as minhas oscilações de humor ( e quando acordo mal, é o fim da macacada).

  10. Além dos remendos in french, conserto autoclismos e comandos de tv, mudo lâmpadas esquisitas, lido com alarmes de acordar monstros dorminhocos. Ainda vá lá, não me sabia com tantos talentos escondidos. Ainda tiro especialidade para electricista ou picheleira, após a licenciatura em letras.

  11. Há muitos séculos, quando a estrutura clerical do cristianismo se valia de dogmas e crendices para sustentar seu poder, surgiu o conceito dos “sete pecados capitais”: aqueles considerados fundamentais, raízes de todos os outros. Em oposição a eles, foi criada a lista das “virtudes cardeais”, cada qual um contraponto ao respectivo desvio de caráter. Se, de um lado, havia algo de maniqueísta nesta concepção, por outro também servia como uma espécie de referência às diferentes faces do mal que se abriga no coração do ser humano depois da Queda e às atitudes antagônicas que correspondem ao perfil de quem se assume como “nascido de novo”.

    recomendo…

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