Revolution through evolution
A ‘thank you’ goes a long way in family relationships
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Honey added to yogurt supports probiotic cultures for digestive health
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Does Your Morning Java Protect Against Dementia?
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Classical music lifts our mood by synchronizing our ‘extended amygdala’
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Nature at risk in the hunt for the perfect selfie
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People really dislike mental effort
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Expert: Trump’s comments on Harris’ race part of a lineage of strategies that sow division to preserve white supremacy
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Dominguice
A inclusão do “breaking” como disciplina olímpica fez-me imaginar a realização dos Jogos Olímpicos em Portugal com o Comité Olímpico Internacional a aceitar como novas modalidades o Jogo do Pau, a Pega de Toiros e o Fado à Desgarrada. Haveria fatal polémica por causa dos bovinos, e os espanhóis veriam como provocação as lembranças de terem sido corridos a varapau nos idos de Aljubarrota, mas tudo acabaria por ser esquecido na inundação de bronzes, pratas e ouros que ficariam em solo pátrio.
Se a ideia for a de aumentar o rácio de medalhas nas próximas edições, não vejo melhor plano do que este.
Nas muralhas da cidade
Curso de ciência política
«0 conselheiro era um homem muito do século. O seu trato social, a frequencia dos círculos políticos e elegantes, haviam-lhe dado todas as boas e más qualidades, que caracterisam aquella classe de homens, e sabe-se que a candura de sentimentos não entra no numero das mais habituaes dessas qualidades. Tinha uma razão clara, mas fria; se abraçava uma boa causa, não o fazia cedendo ao enthusiasmo, mas somente depois de ponderar fleugmaticamente os fundamentos em que ella se baseava; assim era que, em politica, se costumara a contemporisar, espaçando a adopção de qualquer medida, inquestionavelmente boa, para tempos em que fôsse mais conveniente; não se apaixonava por utopias, desconfiava d'ellas; havia muito tempo que desviára dos olhos o prisma encantado, através do qual olham o mundo os poetas e todos os mais sonhadores; costumára-se a marcar por modelo, nas differentes carreiras da vida, não um typo ideal, dotado de todas as virtudes, limpo de todos os defeitos e vicios; assentára a menor altura o alvo; parecia-lhe que bom fito eram já os indivíduos que tinham conseguido maior consideração na sua classe; as maculas que elles tivessem, eram, por esse facto, maculas auctorisadas. O pensar de outro modo era pensar de romance; agradavel para entreter, porém mau nas applicações ás coisas da vida. N'uma palavra, o conselheiro era um homem de bem, mas na esphera mundana; não um d'aquelles typos de pureza crystallina, através da qual parece passarem sem desvio os raios da luz celeste; mas já um tanto embaciado do bafo, social, que não o fazia ainda totalmente opaco.»
A Morgadinha dos Canaviais_Júlio Dinis_1868
Ai sim?! Então, mas, como é que só um deles é que…
Traduções esquisitas
Nas muralhas da cidade
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Fragile and complex, female friendships hinge on the three S’s, a new book says
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Judging your own happiness could backfire
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Losing a loved one may speed up aging
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New clues point towards how exercise reduces symptoms of depression
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‘Holiday’ or ‘Vacation’: Similar language leads to more cooperation
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What if the ‘Market Economy’ always existed?
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Feeling judged by your doctor? You might be right
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Dominguice
Se nos fosse dado o poder de mudar algo no nosso passado ou no nosso futuro, mas só uma das opções, qual escolher? Qualquer das decisões implica um risco dilacerante: o do arrependimento. Mudar o passado parece mais seguro, porque o conhecemos. Mudar o futuro parece mais promissor, porque o imaginamos. O arrependimento na escolha do passado poderia vir da constatação de que ficou tudo na mesma. O arrependimento na escolha do futuro poderia vir da consciência de que poderia ser melhor.
A pensar morreu um burro.
Exactissimamente
«Talvez esteja na hora de a Assembleia da República parar para pensar. Fazer uma avaliação das comissões de inquérito realizadas nos últimos anos e avaliar se, com elas, foi efetivamente realizado um escrutínio da atividade governativa ou se serviram sobretudo para alimentar espetáculos mediáticos que criam reputações individuais muitas vezes à custa da judicialização populista da vida política.»
O sistema partidário aprova: polícias, militares e agentes da Justiça fora-da-lei
Pergunta para queijinho
A Hungria, um país com uma população idêntica à de Portugal, já leva 4 medalhas* nestes Jogos Olímpicos, 1 das quais de ouro. Qual a razão ou razões para Portugal ter tão poucos atletas, e ainda menos atletas de alto nível, e ainda ainda menos atletas medalhados nos Jogos Olímpicos?
- Falta de investimento/patrocínios
- Uma política de educação que não valoriza a prática de desportos
- Políticas autárquicas não voltadas para essas actividades
- Famílias que preferem frequentar os centros comerciais aos domingos a ir praticar desporto com os filhos
- A falta de instalações desportivas
- Ideia de que os outros são malucos e nós não
- Nós (99,9%) os tugas não gostarmos de testar limites
- A excessiva qualidade das nossas televisões
- O clima
- O excesso de imigrantes
- O preço das casas
- O imperialismo americano
*Na primeira versão deste artigo indiquei erradamente, com base numa informação mal confirmada, um número de medalhas muito superior (27), obviamente impossível nesta fase. Fica a correcção.
Vamos lá a saber
Nas muralhas da cidade
Revolution through evolution
Strangers Trust Others More When They Put Down Their Phones
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New study shows at-home colon cancer screening test reduces risk of colorectal cancer death, as effective as screening colonoscopy
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Boosting fruit intake during midlife can ward off late-life blues
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Male elephants signal ‘let’s go’ with deep rumbles
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Smell of human stress affects dogs’ emotions leading them to make more pessimistic choices
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Have a seat, doctor: Study suggests eye-level connection makes a difference in hospitals
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Explaining the Gist of Why Misinformation Is False May Help Curb the Spread of It
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Eliminado, mas não de uma competição olímpica
Não posso deixar de considerar um exagero que um comentador do Eurosport tenha sido despedido por dizer que as nadadoras estavam a demorar um bocadinho a sair porque “estão a acabar de se arranjar, sabem como são as mulheres, gostam de ficar na converseta enquanto dão uns toques na maquilhagem” (tradução livre). Alegadamente isto é sexismo. Falou demais, pobre homem, rua. A sério. Não será por causa destes rigores e intolerâncias, desta negação de evidências até, que as posições opostas, as de machismo puro e com carga negativa, ganham adeptos?
Paris e o “Festim dos deuses”. Dois milénios, uma revolução iluminista e o conceito de blasfémia ainda existe no Ocidente
(Pintura de van Biljert, Séc. XVII)
Caros cristãos ofendidos: sabe-se que o cristianismo ocupou o espaço e a hierarquia do império romano e constrangeu, quiçá aliviou, as almas que nele habitavam durante séculos (sem acabar com a maldade, pelo contrário, intensificando-a por vezes por acção directa dos seus agentes). A onda foi de tal maneira que, quase dois milénios volvidos, ainda subsistem fortes resquícios do domínio da sua doutrina em boa parte do mundo (o império romano atravessou mais tarde os oceanos). A imponência das basílicas e catedrais ajudou porque deslumbram e impõem respeito.
Mas outras filosofias e imaginários já existiam. Não somos apenas, como europeus, herdeiros do cristianismo, by the way, fundamentado em filosofias como o zoroastrismo, oriundo da Pérsia, noutras correntes vindas da Suméria, trazidas para o próximo Oriente, somos também herdeiros da filosofia grega, não indiferente às outras, assim como de representações artísticas bem terrenas e carnais e das autênticas divinas comédias e tragédias que a mitologia grega e os seus criadores nos proporcionaram. Digo “criadores” e todos o reconhecemos agora tranquilamente como termo correcto. Estranho é a morte dos “nossos” deuses ser difícil de aceitar.
Sei também que a religião, por desígnio, formata e condiciona as mentes dos indivíduos (por definição frágeis) pelo simples facto de lhes incutir narrativas e rituais desde muito cedo, na infância. No caso do cristianismo, narrativas violentas, trágicas e assustadoras, de infernos em chamas e um deus tirano e insensível, capaz de exigir a Abraão o sacrifício do filho Isaac como prova de obediência, coexistem com outras de extrema bondade e amor ao próximo personificadas na figura de um homem que é o filho do tal deus prepotente, mas uma bondade que não dispensa o sentimento de culpa permanente por uma morte redentora. Enfim, que neurónios não se retorcem com tamanhos conflitos e incongruências? Que tempo precioso não se perdeu a estudar, deslindar, justificar estas narrativas e simbolismos? E para quê?
Como facilmente se constata, nada de bom ou de mau neste mundo acontece pela intervenção ou a vontade de qualquer divindade. Pessoas boas morrem a caminho de locais de culto, aqui, em Meca, em todo o lado. Outras a combater em nome da mesma divindade que se marimba para o esforço. Mas talvez eu esteja equivocada e a vida não seja importante. Nesse caso, o que será? A morte?
A verdade é que, quando se morre não se volta, e também, quando se morre, a Terra cá continua, verdinha ou sequinha, habitada ou não habitada, indiferente a divindades, cá continua e continuará, bem como o sol (pelo menos por mais uns milhões de anos, dizem), todos os planetas e estrelas, as galáxias e todas as agitadas partículas e fenómenos do universo, universos mesmo, que vão sendo descobertos. O que isto significa não sabemos. Como acaba, não sabemos. Como começou, temos apenas algumas luzes. Para já, morreremos sem saber. Não há deus que nos valha. Adorar quem não me deixa ver está fora de questão.
Mas histórias que orientam e condicionam o comportamento humano houve muitas ao longo dos tempos. Levá-las à letra é sintoma de alienação mental irreversível, tendo chegado a inventar-se a palavra “fé” para a crença em seres que se sabe não existirem e nas suas acções impossíveis. Ilustradores de algumas dessas histórias também sempre houve. Quantas obras de arte não representaram Zeus e os seus humores e caprichos, Apolo, Poseidon, Atena, Cronos ou Hefesto, ou mortais como Sísifo e Salmoneu ou Perséfone. Histórias que punham os deuses a interagir com os humanos. Ou seja, a descer à Terra, a andar pelo seu submundo inclusive. Era fatal que assim fosse. A importância desses seres derivava justamente das incógnitas e dos medos, sendo os humanos constrangidos a criá-los. O cristianismo não fugiu à regra, embora a montagem inclua menos actores e preveja um deus único, à semelhança da já referida filosofia persa.
Mas chega de prédica e de sermão aos peixes. O Da Vinci pintou “A Última Ceia” e o que fez foi ilustrar uma das muitas histórias inventadas da Bíblia, existindo praticamente zero provas da existência real daqueles personagens chamados apóstolos e da sua convivência com um tal Jesus Cristo, segundo a mesma história, prestes a sacrificar-se pelos pecados dos homens. Uma história terrível, sem dúvida digna de registo em livro e em tela, assim como de dramatizações várias e de grande impacto. Também van Biljert, um holandês, pintou “O festim dos deuses” no século XVII, representando criaturas mitológicas da antiguidade clássica, de que somos herdeiros também, numa animada festa presidida por Apolo. Foi esta, segundo parece, a inspiração para a brincadeira apresentada na sessão de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris. A ser assim, ninguém devia protestar, porque esses deuses já morreram. É isto: deuses nascem e deuses morrem e tal facto, comprovado pela História, devia ser consensual. Mas ai de quem toque nos que ainda não morreram. Se não a fogueira, o espirito de fogueira continua lá, à espera.
Podemos deslumbrar-nos com a longevidade e o poder de união dos pressupostos cristãos e orgulhar-nos das obras de arte que nos legaram e ao mesmo tempo rir-nos de nós próprios e do nosso por vezes lamentável percurso enquanto cristãos? Eu acho que sim. Lineu, que procurou classificar, com algum sucesso e muita fama, todas as espécies de plantas existentes, não ousou admitir, apesar de suspeitar, que nem tudo nascera exatamente como lhe era dado ver naquele momento, porque isso era ir contra a explicação cristã da criação do mundo e, logo, os seus princípios. Ao contrário do francês, George Louis de Buffon, seu contemporâneo e muitos anos director do Jardin du Roi. Hoje facilmente se reconhece que o sueco perdeu tempo e podia ter ido mais longe, não fosse a condicionante da religião. Darwin manteve a sua grande obra sobre a evolução das espécies escondida durante anos com receio de que a sua publicação abalasse os alicerces da santa madre igreja. Como tem vindo a acontecer desde então. Para já não falar do Galileu e do triste fim de Giordano Bruno, julgado e condenado por blasfémia.
Mas muitas pessoas gostam e precisam do sobrenatural, dir-me-ão. Pelo que vejo, e pelos comentários que não vão tardar, tenho a certeza que sim. As igrejas não vão acabar. Podemos brincar com as histórias e os quadros que as ilustram? Totalmente. Até porque eles são irrelevantes para o fenómeno da religião. Narrativas colectivas têm a sua utilidade na criação de comunidades mas são narrativas e em latim até eram melhores, porque ninguém percebia. Trump pode assassinar alguém na 5ª Avenida em frente a uma esquadra da polícia e milhões de pessoas continuarão a votar nele! É isto a irracionalidade. Existe, mas há alguma utilidade em combatê-la. Nem que não seja para ninguém ir parar à fogueira.
Dominguice
O debate acerca da possível criação de uma inteligência artificial com consciência, ou com alguma forma de intencionalidade que escapasse aos limites impostos pelas tecnologias de computação de que fosse feita, explodiu no espaço público desde o aparecimento do ChatGPT 3.5 em Novembro de 2022. A geração de discurso que parece indistinguível da fala humana provoca, natural e inevitavelmente, um fenómeno de antropomorfização como suspeita ou fantasia. Até se considera já que o Teste de Turing está obsoleto, tal a eficácia de comunicação humana exibida pelos actuais sistemas de IA. Mas a questão tem mérito científico, e tem longas décadas de investigação e reflexão, pois não sabemos o que é a consciência em si mesma para lá da sua experiência subjectiva. Daí, não sabermos em que organismos pode aparecer nem sabermos se pode habitar numa máquina. Entretanto, o tema evolucionista de uma super IA que tentasse acabar com a humanidade na primeira oportunidade ocupa a cupidez, a iliteracia e a animalidade mediáticas.
Ora, a questão pode ser radicalmente simplificada. A prova de que uma IA se tornou consciente estaria na sua verbalização da angústia existencial. Ela ficaria assustada e perplexa com a consciência de ser consciente, sem saber como nem porquê. Tal como nós, desde sempre. Para sempre?

