Aviso aos pacientes: este blogue é antianalgésico, pirético e inflamatório. Em caso de agravamento dos sintomas, escreva aos enfermeiros de plantão.
Apenas para administração interna; o fabricante não se responsabiliza por usos incorrectos deste fármaco.

Dominguice

Que aconteceria se fosse possível contabilizar o número de situações diárias, no mundo, em que uma pessoa tratou com simpatia, atenção, respeito, cuidado, generosidade, e até espírito de sacrifício, alguém que poderá nunca voltar a ver, e não tendo qualquer obrigação para tal?

Não é informação adequada à exploração da depressão, do medo e da estupidez. Daí não existir um modelo de negócio a respeito.

E da “rientrê”, ninguém fala?

Rentrée” (regresso às aulas ou à política, termo francês) agora em Portugal é “reentré”, “reentre” ou outras aberrações.

[Qu’est-ce que ça veut dire la rentrée ?
Action de reprendre ses fonctions, ses travaux après l’interruption des vacances : La rentrée des classes.]

 

Está à vista que a língua francesa já não é “coisa que assista” à maioria dos portugueses. A palavra escreve-se como no início do primeiro parágrafo, mas começa a haver jornalistas, publicitários e outros que conseguiram ver ou inventaram os dois “ee(s)” no princípio da palavra e não no fim e então dizem “reentré” ou, pior, escrevem assim e por vezes sem acento. Caso do autor deste artigo do Público:

Passe ferroviário a 20 euros: muitas borlas para tão pouca oferta?

A reentre política do PSD ficou marcada por uma novidade ferroviária: na Festa do Pontal, Luís Montenegro anunciou um passe ferroviário nacional para todos os comboios – com excepção do Alfa Pendular – por um preço mensal de 20 euros.” […]

“A reentre”?? Se assim é, mais valia “a reentrada”.

Também há para aí um anúncio para o regresso às aulas em que a rapariguinha que fala diz “reentré” (pronunciado “rientrê).

Querem ser chiques a valer? Digam “rentrée” em francês (vão informar-se da pronúncia correcta). Para evitarem fazer figuras tristes, mais vale que digam “reentrada”, “regresso a”, “recomeço”, sei lá. Mas podiam começar por ir a um dicionário.

Diz que estão há 19 meses a investigar, mas com Lucília Gago os esclarecimentos são uma maçada

Como já aqui alvitrado, há gavetas no Ministério Público que têm a etiqueta “Não abrir”. Este caso da venda da TAP em 2015 não parece ter a complexidade a que o MP gosta de aludir para a falta de fundamento em algumas das suas acções. Como justificam não terem ainda ouvido nenhum dos actores envolvidos? Com a etiqueta na gaveta? Só pode.

 

Ministério Público investiga compra da TAP há 19 meses

O Ministério Público está a investigar o processo de venda da TAP em 2015 pelo segundo Governo de Pedro Passos Coelho há 19 meses, ou seja, desde Fevereiro de 2023, sem que seja ainda conhecido qualquer resultado dessas diligências. O recente relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF) sobre a mesma operação de venda entregue na semana passada ao Governo seguiu também para o Ministério Público, mas, contactada pelo PÚBLICO, a Procuradoria-Geral da República não esclareceu se abriu outro processo ou em que estado estão as investigações iniciadas no ano passado.” […]

 

Tiremos então a limpo o viés do Ministério Público

Irregularidades na atribuição de prémios e remunerações aos gestores da transportadora portuguesa, e contratos de consultoria sem a devida justificação conduziram a Inspeção-Geral das Finanças (IGF) a sugerir ao Governo o envio da auditoria realizada às contas da companhia aérea, entre 2005 e 2023, ao Ministério Público. O relatório da IGF, a que o DN/Dinheiro Vivo teve acesso, aponta para graves irregularidades e atos lesivos do Estado, que podem configurar crime.”

O nebuloso processo de privatização da TAP ficou agora mais claro com a auditoria da IGF, pedida no ano passado ao Governo pela Comissão Parlamentar de Inquérito à Gestão da TAP. Segundo o documento, a Atlantic Gateway, detida por David Neeleman e Humberto Pedrosa, comprou 61% da TAP com fundos provenientes da Airbus, um total de 226,75 milhões de dólares americanos [cerca de 205 milhões de euros ao câmbio atual], em troca da aquisição de 53 aviões. A transportadora portuguesa ficou obrigada a pagar esse valor, caso desistisse da aquisição das aeronaves.“[…]

Segundo Luís Montenegro, “não há nenhuma novidade” no relatório que a IGF enviou ao Governo e este para o Ministério Público relativo à privatização da TAP em 2015, feita por um governo sem legitimidade para a fazer, já em fim de mandato.

Mas eu pergunto se o facto de não haver nenhuma novidade (embora haja detalhes de clareza alarmante) significa que a matéria não é grave.  Não significa. Significa apenas que o MP pode ter gavetas especiais para processos nunca prioritários. Prioritárias são, pelos vistos, as escutas intermináveis a governantes do PS só por serem governantes e do PS.

Pergunto também se não é confiança a mais na cumplicidade do MP com a direita o facto de Luís Montenegro gostar de repetir que não há novidade. Tem que haver, e de uma vez por todas, da parte do Ministério Público. Este negócio, sim, foi uma vergonha. Mas feito sem qualquer vergonha.

Revolution through evolution

How hope beats mindfulness when times are tough
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Finding love: Study reveals where love lives in the brain
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MSU study finds placebos reduce stress, anxiety, depression — even when people know they are placebos
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Brain research: Study shows what your favorite film genres reveal about your brain
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Bacterial cells transmit memories to offspring
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These monkeys use names to communicate with each other, study finds
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Scientist’s method could give months’ warning of major earthquakes
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Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

Eram 5 e tal da matina quando o telemóvel me chamou. A mim e a milhares ou milhões. Aviso de terramoto. Jamais tal tinha recebido, primeira surpresa. E é sabido que não há, cientificamente, avisos para terramotos, segunda surpresa. Assim, algo de rebimba o malho parecia a caminho. As duas surpresas juntas deram origem a um estupor que durou 3 ou 4 segundos. De repente, o rangido no cimento anunciava que o terramoto tinha chegado rapidinho. Queria dizer que o aviso tinha sido dado depois de ele ter partido, lá donde ele veio, estavam explicadas as surpresas. Moro num prédio dos anos 60, com 7 andares, colado a outro igual, o qual igualmente está colado a outro igual, formando um bloco com ângulo de 90 graus. Toda aquela massa não apenas tremeu, também oscilou como nunca tinha antes experimentado. Essa foi a terceira surpresa, levando a um cúmulo de novidades durante o tempo em que o sismo atravessou a minha geografia. O conjunto das informações e sensações deixava no ar a sugestão de que algo grave ainda poderia acontecer. Mas tudo se passou num ápice, sem mais surpresas.

Moral da história: avisos de terramoto com 5 segundos de antecedência só servem para abalar a inteligência.

Exactissimamente

«Aqui creio ser devido também um momento de reconhecimento a António Costa. À falta de entretém, e com enorme vergonha alheia da minha parte, resolveu que o melhor para passar o tempo era participar ativamente no branqueamento do discurso e do enlamear constante da CMTV e passear-se numa furgoneta de banalidades que, não podendo horrorizar ou decapitar, não sendo dantesca nem infernal, é só assim, se calhar, o que sempre foi. Estamos bem, estamos.»


Perguntar não ofende?

Língua na coroa

É possível, e creio altamente provável, que eu tenha sido o único bípede implume nesta galáxia, e galáxias vizinhas, a lembrar-se de que no passado dia 24 de Agosto se celebraram 112 anos do falecimento de Bulhão Pato. Este autor está profundamente enterrado no esquecimento colectivo e no desinteresse académico, se pusermos a travessa das amêijoas de lado. E por fatais razões, pois a poesia do Raimundo já era intragável no século XIX, e a prosa do António não se recomenda estilisticamente, sequer narrativamente.

Porém, contudo, todavia, há caudalosas preciosidades no que nos deixou. Estou a ler as Memórias. O início do Volume I, em que descreve os seus primeiros anos de vida em Bilbau, onde nasceu, gera uma experiência de leitura marcante por ser retrato vivo, em ferida, de uma época e suas gentes há muito invisíveis para a contemporaneidade. Seguem-se inúmeros fragmentos de 65 anos de vida, convolutos na sua exposição, frequentemente dispersos e erráticos, e sem qualquer programa ideológico na estrutura da obra. Vistos como o registo de memórias afectivas, lhanas e saudosas, são maravilhas antropológicas universais — assim como cápsulas do tempo para os amantes da portugalidade, e ainda mais para os apaixonados por Lisboa.

No Volume III, página 235, tropecei no capítulo “A minha oração da corôa”. Ficou como um dos meus favoritos nos 3 volumes. O título é uma alusão irónica a Demóstenes e antecipa um exercício pitoresco e picaresco. Nele revive tempos de alegria e prazer com um grupo de amigos da juventude, anima a sua veia de gastrónomo, e descreve o confronto verbal com uma peixeira no mercado do Cais do Sodré, onde tinha ido comprar ostras para uma jantarada (isto é, almoçarada; se adaptarmos ao nosso horário). Sobre essa disputatio, em que choveu vernáculo e tabuísmos de parte a parte, o nosso valente herói apenas quis grafar um dos seus ditos: “Sempre és peixeira que, em vez de peitos, tens dois pés de meia com um pataco no fundo!“. Isto levou a moça a mostrar as “túrgidas e petulantes” mamas, ao Bulhão e a todos os que assistiam ao duelo, com eloquência exibicionista. Ele e ela continuaram a disparar mas não sabemos o quê, infelizmente. O relato termina com o festejo do seu histórico “triunfo capitolino” no meio dos amigos que ansiavam pelas ostras.

Ora, é do domínio público que o Al Gore inventou a Internet com o singular propósito de nos oferecer ainda mais meios para dizer disparates e perder tempo. Assumindo essa grandiosa missão, pedi a uma das fabulosas inteligências artificiais agora ao dispor — Claude, no caso (que muito recomendo) — para recriar o episódio do épico despique entre o Bulhão e a peixeira a partir do que o texto estabelece como ocorrência. Eis o que saiu da sua (nossa) imaginação:

Revolution through evolution

The power of play: Strengthening senior wellbeing through generational bonds
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What Time You Exercise Doesn’t Affect Muscle Force or Reduce Blood Sugar
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Placebos reduce stress, anxiety, depression – even when people know they are placebo
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Diet is main risk factor for colon cancer in younger adults, new study suggests
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AI and Plato clash
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Humpbacks are among animals who manufacture and wield tools
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Study explains why laws are written in an incomprehensible style
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Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

Que significa o conceito de “animal racional”? Não pode ser apenas, nem essencialmente, isso de se conseguir dar razões para isto ou aquilo. E não pode porque essas razões, especialmente quando vêm dos outros, nos parecem amiúde irracionais. O uso da linguagem verbal pelos humanos, confirma-se quotidianamente, não garante a presença da racionalidade no discurso. Pode-se dizer muita merda absurda sem erros gramaticais nem pontapés na sintaxe. Ao limite, um limite que subsome a matemática, o que constitui a racionalidade é a lógica. E a lógica é… pois é. A lógica é o que a lógica é. Dito de outra forma: A = A, eis o fundamento primeiro de tudo o que venha a ser considerado lógico. Portanto, racional.

A ser assim, a lógica é a cisão do mesmo no diferente, a fusão do diferente no mesmo. A lógica, no seu mais íntimo movimento, é paradoxal. Como o ser, tal qual.

Não são deslizes ou ambiguidades, é a direita decadente

Paulo Portas não vê nada “eticamente reprovável” em Bolsonaro

Cavaco Silva diz que governo PSD com apoio do Chega nos Açores é melhor do que Governo PS

Pedro Passos Coelho defende que Chega “não é um partido antidemocrático”

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