Ventura e Montenegro são aliados. O acordo que fizeram implica que uma eventual maioria parlamentar desta direita (com a IL) será conseguida através da exploração do racismo, xenofobia e autoritarismo pelo Chega enquanto o PSD trata de normalizar essa prática de forma a tornar socialmente aceitável virmos a ter Ventura como ministro de alguma coisa.
Esta a única lógica que explica não só a inesperada direcção de voto PSD para que o seu grupo parlamentar apoiasse a candidatura do Chega a uma das vice-presidências da Assembleia da República como ainda a inacreditável pressão de Montenegro sobre Augusto Santos Silva para obter um resultado que nem sequer conseguiu junto dos seus próprios deputados.
Ou então isto – Constitucionalista Bacelar Gouveia e ex-ministro do PSD Gomes da Silva rendidos ao Chega – onde o fedor a conluio de figuras gradas do PSD com a escória proto-fascista é insuportável.
Há surpresa nesta obscenidade mas ela desaparece de imediato. Montenegro é o passismo sem Passos, e o passismo inventou Ventura precisamente para que ele viesse a ter o papel que tem no sistema partidário. Teremos de beber este cálice até ao fim, exercendo tolerância zero junto de quem desonra a herança de Sá Carneiro.
