Todos os artigos de Valupi

Lições do doutor putinista

«O caminho de escalada militar, em vez da via diplomática do calar das armas, irá sempre terminar numa desgraça maior do que aquela que pretende combater. Com a destruição da Ucrânia, ou pior ainda, se Putin for encurralado na escolha entre derrota ou subida ao patamar nuclear. Estamos a jogar póquer com o inferno. Os poucos que estudaram algo sobre a guerra nuclear, sabem que na primeira salva nuclear serão escolhidos países sem arsenal nuclear. Traduzo para português vernacular: se Putin tiver de escolher um alvo, Portugal é mais elegível do que a França ou a Grã-Bretanha, para já não falar dos EUA.»

Putinista pago pelo DN

Viriato Soromenho-Marques acumula ao ser doutorado em Filosofia, professor catedrático, Grande-Oficial da Ordem do Infante Dom Henrique, Grande-Oficial da Ordem do Mérito Empresarial e Prémio Quercus, a actual função de putinista pago pelo DN para alimentar a propaganda russa. É um exemplo de como os putinistas não são falhos de subida inteligência e sofisticado intelecto, tendo muito para ensinar aos infelizes que ainda não se converteram.

Atentemos nas lições do excelso doutor putinista:

O caminho de escalada militar” – Este vergonhoso caminho é o da Ucrânia e dos malditos países que lhe fornecem fisgas e pressões de ar para se defender. Na Rússia não há, nunca houve, nem haverá escalada militar. Isto porque Putin ama a paz. Foi assim que conseguiu invadir a Ucrânia sem escaladas militares, ensina o doutor putinista.

em vez da via diplomática do calar das armas” – Esta é a via que os ucranianos se recusam a aceitar, merecendo por isso tudo o que lhes está a acontecer e bem pior. Já Putin não está obrigado à via diplomática do calar das armas por uma óbvia e estupenda razão: ele não é ucraniano, é russo. Azarinho, ensina o doutor putinista.

irá sempre terminar numa desgraça maior do que aquela que pretende combater” – É o argumento que também foi utilizado para apelar à cedência a Hitler, quando este amigo começou a espalhar o seu amor pela paz nos anos 30. Mais vale aceitarmos a desgraça já consumada e entregar a Putin o que ele quiser, deixemo-nos dessas fantasias da liberdade, ensina o doutor putinista.

Com a destruição da Ucrânia, ou pior ainda, se Putin for encurralado na escolha entre derrota ou subida ao patamar nuclear.” – A Ucrânia vai ser destruída se continuar a ser ajudada para se defender, a sua salvação é render-se, garante. E Putin vai começar a disparar mísseis nucleares para todo o lado se tiver uma “derrota”. Ou seja, apesar de ser o invasor, Putin mesmo assim está disposto a iniciar uma guerra nuclear caso não o deixem ficar com o que lhe apetecer da Ucrânia, ensina o doutor putinista.

Estamos a jogar póquer com o inferno.” – O vício da jogatana, um vício exclusivamente ocidental, é que é a causa deste sarilho todo, não quem está pronto para abrir as portas do inferno. Cedam ao bluff, verguem-se à chantagem, ensina o doutor putinista.

Os poucos que estudaram algo sobre a guerra nuclear” – Não só foram poucos como não tiveram tempo ou pachorra para estudar o assunto com profundidade, ficaram-se pelo “algo”. E quem foram? O autor faz caixinha. Mas quantos foram? 3000, demasiados para acompanhar as suas opiniões mas afinal só 0.0000376% da população mundial? 300, imitando os espartanos de Termópilas em coragem e heroísmo? 30, número simpático para uma associação secreta dada a opulentos jantares? Ou apenas três, o Soromenho mais dois? O povo não está preparado para aceder a tais conhecimentos, ensina o doutor putinista.

sabem que na primeira salva nuclear serão escolhidos países sem arsenal nuclear.” – Apesar de o tal estudo ter sido restringido ao “algo”, mesmo assim deu para ficar a saber que num conflito nuclear há várias salvas, o que é estranhamente parecido com um bombardeamento convencional. Ainda mais curioso é a opção de se gastarem os primeiros mísseis onde não há nada que ameace o país atacante. Embora a lógica de tal estratégia escape à limitada inteligência do vulgo, seria temerário pôr em causa a sabedoria desses estudiosos e do seu precioso “algo”. “Do apocalipse nuclear sei eu e poucos mais”, ensina o doutor putinista.

Traduzo para português vernacular: se Putin tiver de escolher um alvo, Portugal é mais elegível do que a França ou a Grã-Bretanha, para já não falar dos EUA.” – Portantos, o número de países actuais varia entre 193 e 266. Destes, apenas 9 possuem armas nucleares. Donde, podemos imaginar a cena. Putin rodeado dos seus generais frente ao botão do Armagedão, meio confuso, sem conseguir escolher as coordenadas da primeira salva por ter entre 184 e 257 alvos possíveis. Impaciente, larga um “Черт возьми, какого хрена я выбираю?!” Silêncio pesado, angustiado. Ninguém arrisca dar palpites num momento tão crítico para a civilização, para a humanidade. Nisto, vindo do fundo da sala: “Manda meia dúzia deles para Portugal, caralho! Estive lá a passar férias há uns anos e fizeram-me comer um pastel de bacalhau com queijo da Serra que ainda me está a trabalhar na tripa.” Num conflito nuclear iniciado por birra de Putin ao não conseguir abarbatar a Ucrânia, os bifes, os avecs e os imperialistas americanos escapam intactos, ficam-se a rir. Alemanha, Itália e Espanha também parece que se safam. Portugal é que desaparece do mapa, ensina o doutor putinista.

Revolution through evolution

The Big O: What Shapes a Woman’s Pursuit of Pleasure?
.
Greater gender equality helps both women and men live longer
.
‘All work, no independent play’ cause of children’s declining mental health
.
Is the test a challenge or a threat? Big difference in test-takers’ performance
.
A good night’s sleep may make it easier to stick to exercise and diet goals
.
Does more money correlate with greater happiness?
.
On social media platforms, more sharing means less caring about accuracy
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Revolution through evolution

Protective parenting may help your kids avoid health problems as adults
.
Traumas in children and adolescents can be treated effectively
.
Can Seven Healthy Habits Now Reduce Risk of Dementia Later?
.
Daily 11 minute brisk walk enough to reduce risk of early death
.
Steel was being used in Europe 2900 years ago
.
Televised debates have little effect on the formation of voter choice
.
People spend 1/6th of their lifetime on enhancing their appearance
.
Continuar a lerRevolution through evolution

Dominguice

Uma célula. Cada corpo humano terá, em média, perto de 4×1013 células (é fazer as contas). Há perto de oito mil milhões de humanos. E em cada um deles, em cada uma das suas células, ocorrem por segundo milhares de milhões de reacções químicas. Em cada uma. Por segundo. Em todos nós.

Não desperdices essa trabalheira toda, pá.

Apesar dos 85%, Medvedev está disposto a rebentar com os 100%

Dmitri Medvedev é uma das pessoas mais importantes na Rússia dos últimos 20 anos. Antigo professor universitário com relevante obra académica, já foi vice-primeiro-ministro, primeiro-ministro e presidente da Federação Russa. Actualmente, ocupa o cargo de vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia. Donde, o que ele pense e diga sobre a invasão da Ucrânia é da maior importância.

E foi isto que se lembrou de publicar:

«[…]

O que mais há a dizer? Só uma coisa: os sábios antecessores dos políticos ocidentais desmiolados de hoje disseram o seguinte: Deus quos vult perdere dementat prius – A quem o Senhor deseja arruinar, ele primeiro priva da razão. Foi essa histeria insana, o desejo obsessivo de destruir o nosso país, que obrigou a uma operação militar especial.

A história também demonstra outra coisa: qualquer império desmoronado enterra metade do mundo sob as suas ruínas, ou até mais. Parece que aqueles que primeiro destruíram a URSS e agora estão tentando destruir a Federação Russa não querem compreender isso.

Eles alimentam as ilusões delirantes de que, tendo levado a União Soviética ao desaparecimento sem disparar um único tiro, poderão enterrar a Rússia atual sem problemas significativos para si mesmos, mandando a vida de milhares de pessoas envolvidas no conflito para a fornalha.

Esses são equívocos extremamente perigosos. Eles não vão funcionar. Se a questão da própria existência da Rússia surgir, ela não será decidida na frente ucraniana, mas junto com a questão da futura existência de toda a civilização humana. Não deve haver ambiguidade aqui: não precisamos de um mundo sem a Rússia.

Claro, eles poderiam continuar a enviar armas para o regime neofascista de Kiev e bloquear qualquer oportunidade de retomar as negociações. Nossos inimigos estão fazendo exatamente isso, não querendo entender que os seus objetivos obviamente levam a um fiasco total. Uma perda para todos. Ao choque. O apocalipse. Onde o passado terá que ser esquecido por séculos, até que os escombros fumegantes deixem de emitir radiação.

A Rússia não permitirá isso. E não estamos sozinhos nesse esforço. Os países ocidentais com satélites representam apenas 15% da população mundial. Há muitos mais de nós e somos muito mais fortes. O poder calmo de nosso grande país e a autoridade de nossos parceiros são a chave para preservar o futuro de todo o mundo.»

Fonte

A peça insere-se na campanha de chantagem e terror que foi lançada pela Rússia logo no começo da invasão do ano passado. O objectivo é o de tentar influenciar as opiniões públicas dos países que apoiam a Ucrânia, recorrendo à ameaça de uma guerra nuclear caso não se deixe matar, destruir e anexar quanto Putin quiser nos territórios invadidos. Embora haja maluquinhos e broncos que se tornaram propagandistas desta retórica (à mistura com os usuais fanáticos e ainda gente que parecia ter mais juízo), a chantagem falhou. Cresceu a evidência de que é mais perigoso deixar o invasor ganhar do que obrigá-lo a negociar. Daí a subida do tom em Medvedev, as favolas de fora, a redução ao puro instinto criminoso.

Mas o texto oferece-se como manifestação canhestra de uma técnica de manipulação, no caso a irracionalização. Com ironia, o autor chega a citar um provérbio latino que se pode aplicar na perfeição à sua demente argumentação. Porque nos garante, marcando a itálico, que os impérios ao se desmoronarem arrastam “metade do mundo, ou até mais” com eles. Logo depois dá o exemplo da URSS, um império bem maior do que o da Federação Russa, que ruiu sem sequer ter sido preciso disparar um tiro e não causando mal a ninguém ao desaparecer, exactamente ao contrário. Faz isto algum sentido? Não faz, obviamente, e é por isso que está a ser dito.

A lógica é a de que é preciso ser ilógico quando não se tem razão. E não se tem razão quando se coloca como pressuposto que há quem ande a tentar destruir a Rússia. Onde é que tal aconteceu? Quem é que invadiu a Rússia depois da Alemanha de Hitler? Ninguém. Quem é que ameaçou invadir a Rússia nos últimos 80 anos, sequer meio metro? Ninguém. E com isso o “argumento” passa a ser este: é Putin quem define o que é “tentar destruir a Rússia”. A partir daqui, vale tudo. O bater de asas de uma borboleta algures no Arizona pode ser considerado o início da invasão americana, basta que Putin se sinta em vias de ser atacado pelo lepidóptero.

Entusiasmado, Medvedev agitou a “solução final”: o passado da civilização calcinado e séculos de tijolos e metais radioativos como paisagem nos quatro cantos do mundo. E pouco lhe importa, chega a detalhar, que os inimigos da Rússia correspondam só a 15% da população mundial. Este amigo está disposto a sacrificar os restantes 85% de pessoal muita fixe em ordem a mostrar aos “paises ocidentais” que eles são demasiado antipáticos. O que aumenta a nossa perplexidade acerca dos poderes mentais do craque, visto ser o próprio a declarar que os 85% são “muito mais fortes” do que os malandros dos 15%. A ser assim como afiança, tendo o putinismo mais do quíntuplo da força dos “ocidentais”, como é que a Rússia alguma vez poderá ter a sua existência ameaçada?

Seria interessante conhecer a opinião dos chineses e dos indianos a respeito deste plano apocalíptico, embora supinamente interessante seja a opinião dos próprios russos, especialmente dos militares. É que despachar um artigo encharcado em vodka não é a mesma coisa que tentar destruir a Rússia a partir do Kremlin.

Nas muralhas da cidade

«Na verdade, nenhum destes sistemas de poder deseja a mudança que a lei prevê e talvez só o cidadão se incomode com a omissão de um direito seu. Mas o cidadão deixou de ter voz quando a política se calou. Portanto, silêncio. O governo não regulamenta e assim é que está bem. Todos satisfeitos. Só o Estado de Direito sai a perder, mas é difícil vislumbrar alguém que ainda se preocupe com isso. E no entanto, o que está em causa nesta questão é um princípio político essencial — em democracia, é a política que faz o direito, não é o direito que faz a política.»

José Sócrates

__

Sugestão do nosso amigo Joe Strummer

Nota

O caluniador profissional pago pelo Público pede que se arranjem novos crimes, assim mesmo à descarada. O deboche é tal que a prosa é obscenamente explícita: “Há quem esteja a esforçar-se por arranjar novos crimes a Sócrates, já que os antigos estão a prescrever.

Ele sabe quem anda, em esforço, a tentar “arranjar novos crimes a Sócrates”, uma expressão que é todo um programa — e ainda o todo do regime no que à Operação Marquês diz respeito. De facto, tirando a dimensão fiscal (onde Sócrates parece não ter defesa possível), tem de se concluir após a demonstração de Ivo Rosa que o resto foi arranjado e não passa de um arranjinho ou, no caso, num arranjão. Mas, mesmo que haja algum crime de corrupção na origem do dinheiro recebido, algo do qual não existe actualmente prova e que a existir teria de envolver outros ex-governantes, essa eventual realidade não se sobreporia à violência do linchamento em curso a mando dos próprios agentes de Justiça. Querer destruir Sócrates política e publicamente vem do ódio e da inveja, faz parte da antropologia, e transformou-se na obsessão suicida da direita decadente. Querer perverter o Estado de direito para consumar a vingança e obter esse troféu é um estrutural ataque à comunidade.

Não é um jornal, é um tempo de antena

Não é o Presidente de todos os portugueses, é o lobista-mor do laranjal:

«"Se as coisas correrem como é suposto, vale a pena fixar o dia de hoje”, assinalou Marcelo Rebelo de Sousa. Antes do jantar, o Presidente tinha acabado de ouvir Pedro Passos Coelho falar no “horizonte” da sua “vida política” durante um discurso com mais de uma hora no Grémio Literário, esta segunda-feira, na comemoração dos dez anos do Senado - um grupo de formação cívica e política que junta cerca de 200 jovens de vários partidos e sensibilidades de direita. Depois de Passos Coelho ter falado longamente sobre a Europa, o Presidente da República fechou a sessão a fazer questão de evidenciar que o ex-líder do PSD enunciou “um conjunto de princípios, valores e apreciações que definem a vida política e pessoal de quem estava a falar, falando do futuro”. E Pedro Passos Coelho, que não queria “fazer uma intervenção que pudesse ter ressonância pública" e que, por isso ia falar da Europa, fez uma intervenção que inevitavelmente terá eco, ampliado pela constatação do próprio Marcelo.»

Passos Coelho admitiu ter “um horizonte político” e Marcelo quis “fixar” o dia