Todos os artigos de Valupi
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Exercise more effective than medicines to manage mental health
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Pets create ‘pawsitive’ change for people in aged care
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Adults Living Closer to Green, Blue Spaces May Have Lower Psychological Distress
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Reducing social media use significantly improves body image in teens, young adults
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Exercising at least once a month linked to better brain function in later life
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Researchers found that a single session of hypnosis and mindfulness meditation may be useful for managing acute pain
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Mystical and insightful psychedelic experience may improve mental health
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Dominguice
Ele ia a passar em frente, do outro lado da rua, e testemunhou a cena. O homem junto à porta do prédio deu um estalo na mulher que tentava entrar. Puxou-a para o passeio, mandando-a ao chão. Depois, começou a insultá-la, a pontapeá-la. Ele parou a observar o espectáculo. Ainda pensou em ir lá defender a mulher mas de imediato desistiu. E se o homem tinha uma arma, branca ou de outra cor? Também pensou que podia chamar a polícia ou pedir socorro em voz alta, a ver se alguém acudia, mas era igual. E se ele tinha uma arma e a usasse em si, por vingança? Mas depois ocorreu-lhe um outro pensamento, mais sofisticado, onde a agressão do homem tinha de ter como origem uma qualquer provocação da mulher. Quer-se dizer, disse ele para si próprio, o homem não estaria a ser tão violento sem uma boa razão. Uma excelente razão. Ou trinta. E nisto pôs-se a olhar para o espancamento com atenção interrogativa, encontrando vários possíveis motivos para que o coitado do homem tivesse perdido a cabeça. Aquela roupa, aquele cabelo, os saltos altos, os gritos de dor… Hum… Sim, agora entendia o que se passava: a mulher era nazi!
Afastou-se satisfeito, contente por se estar a fazer merecida justiça. Minutos depois, voltou a parar. Teve uma súbita iluminação. “Aposto que a gaja estava vacinada”, sentenciou com uma gargalhada que encheu a rua deserta.
SICofanta
O império Balsemão lançou uma campanha de grande impacto a respeito de Sócrates, dando-lhe o destaque principal no Expresso e complementando com a SIC e SIC Notícias:
Sócrates foi de novo investigado após acusação na Operação Marquês
Operação Marquês: Sócrates já pagou 24 mil euros por 30 recursos que pediu ao Tribunal
Ministério Público decide não abrir inquérito contra Sócrates após alerta da CGD
Quem perder o seu tempo a consumir as peças televisivas vai papar com uma devassa para fins caluniosos e de perseguição a terceiros que tenham relações profissionais e sociais com Sócrates, tal como denunciado pelo próprio. Devassa que começou na CGD, e de lá foi enviada para o Ministério Público. De algum desses dois lados chegou ao mano Costa, que aproveitou para prestar serviço à causa: garantir que Sócrates vai acabar por regressar ao chilindró.
Não há exagero na interpretação desta mão-cheia de nada como uma peça sensacionalista e deontologicamente infame. O único exagero é o da passividade cúmplice de tudo e de todos com o linchamento contínuo que se aplica ao cidadão. Atente-se na azia do jornalista ao comunicar que o Ministério Público não vai abrir inquérito: “A fúria de Sócrates tem também como alvo o Ministério Público, que o antigo governante, num exercício de adivinhação, julga ser a fonte da notícia. Uma vez mais, acha-se vítima de uma guerra suja por estar a ser investigado.” Eis um ramalhete de escárnio e desprezo nascido do assassinato de carácter que o jornalista não só se acha no direito como na obrigação de fazer. A referência à “fúria” é uma diabolização caricatural, o “exercício de adivinhação” é uma soberba totalitária de quem é cúmplice no crime com os poderes fácticos em acção, e o “acha-se vítima” simboliza o lançamento da tocha acesa para a pilha de madeira no auto-de-fé. O jornalista transmite a mensagem de que Sócrates não tem direito a qualquer tipo de defesa, que apenas se arma em coitadinho para esconder o seu rol assombroso de ilícitos.
Falta de assunto? Não, pá, há juízes para pressionar. Como explicou Marcelo in illo tempore a respeito da pena inaudita e excepcional dada a Armando Vara no Face Oculta — sem haver provas directas para tal, e relativa a um tipo de crime onde nunca ninguém tinha sido mandado para a prisão antes — os juízes também fazem parte da audiência. Isto é, consomem os mesmos conteúdos preparados pelos órgãos de comunicação social com que se atiça o povoléu. E a partir dessa leitura da “realidade” adaptam as sentenças ao gosto ou temperatura do “tempo”. Foi o que o Professor ensinou, rindo. E é rindo que o mano Costa comanda uma redacção pronta a poupar trabalho a uma certa juíza desembargadora de nome Raquel Lima.
Um ano a dar razão a Tucídides
Um ano depois de invadir o resto da Ucrânia, com a Crimeia já no papo desde 2014, a situação criada por Putin está essencialmente na mesma. A Rússia não vai conseguir vencer a guerra e a Rússia pode continuar a escolher não perder a guerra. A única diferença a registar é a de que a chantagem de conflito nuclear passou de bocas laterais e cobardolas vindas de figuras secundárias para se tornar na principal manifestação de força de Putin, reduzido a clone de Kim Jong-un. O que, como ensina Tucídides mutatis mutandis, corresponde afinal à maior manifestação de fraqueza que um general pode exibir: comportar-se como um miserável bandido, simulando estar disposto a assassinar o seu próprio povo, e pôr em risco as populações de todo o Planeta, caso não o deixem matar ucranianos e destruir as suas infraestruturas sem a chatice de eles terem com que se defender.
O espectáculo mediático dos discursos e encontros entre estes e aqueles nada nos diz sobre o que se passa realmente, seja de que lado da barricada for. São inevitáveis para a liturgia e sociologia do poder, e são completamente falhos de informação útil para medir eventuais alterações na correlação de forças. O único guia seguro para a assistência é outra vez Tucídides e a sua antropologia analítica. Putin tudo fará para sair vencedor da desgraça que iniciou, recorrendo a delírios com nazis e delírios com o direito histórico a anular a soberania da Ucrânia sobre os seus territórios. Uma retórica que nem para os próprios russos faz algum sentido. O que tem como consequência que a única resposta racional por parte de quem se sente ameaçado é a de tudo fazer para que Putin perca. E quem se sente ameaçado corresponde a um grupo com muitos países, dentro e fora da Europa.
Como é que se sai deste impasse? Ser fraco com tiranos e assassinos alimenta a sua impunidade e gula. A lição de Tucídides é a de que a força é necessária para chegar à segurança, não se podendo confiar nunca no agressor enquanto ele imaginar que pode vencer. No actual quadro, portanto, a situação vai evoluir de duas maneiras. Por um lado, admitindo que factores imprevistos vão ser decisivos, como em todas as guerras. Por outro lado, tendo a noção de que nada há para negociar com Putin, um infeliz afundado numa tragédia de destruição por sua exclusiva responsabilidade. A negociação a fazer é com a Rússia, entidade que consta ser maior do que Putin e que continuará a existir por algum tempo mais depois do ex-KGB já ser apenas memória, de preferência em paz e de excelentes relações com o resto do Mundo. Também por aí a situação é exactamente a mesma, passado um ano. Quando a elite russa quiser, a guerra acaba.
Vamos lá a saber
Português de lei

Pedro Martins de Lima (1930-2023)
Falei com ele, depois de andar meses à cata do seu telefone, em Janeiro de 2020. Ficou combinado um encontro que nunca se viria a realizar, por causa da pandemia e doutras circunstâncias do meu lado. No entretanto, mais telefonemas, perto de dez horas no paleio. Porque cada telefonema demorava meia hora (ou menos) a gastar duas horas medidas pelo relógio, tal era a riqueza da sua experiência de vida. Experiência que ele contava com detalhes de memória espantosos para nomes de pessoas e localidades, calendário dos acontecimentos, termos técnicos disto e daquilo. Tudo narrado com alegria, essa eterna juventude, esse erotismo que talvez seja o primevo sentido da consciência humana.
Anunciando o falecimento, a Federação Portuguesa de Surf emitiu um comunicado que concentrou a atenção mediática sobre a faceta desportiva da sua história, o ter feito história nacional por se considerar ter sido o primeiro surfista português e em Portugal (o que pode não ser verdade, outra questão). Mas tão ou mais interessante daquilo que fez a apanhar ondas foram as suas aventuras como fundador do Hot Club, ao lado dos irmãos Villas-Boas e de Gérard Castello-Lopes (entre outros), a sua relação pessoal com Jacques-Yves Cousteau, o que lhe permitiu trazer para Portugal o primeiro fato de mergulho em neoprene para a pesca submarina, e ainda a sua luta contra o regime salazarista (ao mesmo tempo que convivia com a aristocracia do regime e da época). E mais, e mais, e mais, em que a ida para os Açores durante a Segunda Guerra Mundial, e a frequência da messe dos oficiais na base onde o seu pai militar estava destacado com militares ingleses e americanos, é por si mesma um capítulo fascinante da sua biografia, tendo relação directa ao nascimento do surf em Portugal (graças a uma revista americana onde estava um artigo sobre Duke Kahanamoku e um anúncio a umas barbatanas).
Na homenagem que aqui lhe deixo, recupero a memória do seu pai, capitão de Cavalaria castigado por Salazar, de quem ouviu, criança: “Se te atacarem, tens de te defender. E só paras de te defender se te matarem.” A que acrescentava: “Defende os fracos”. Isto levou-o para o judo e para o boxe logo desde a puberdade e começo da adolescência. Mas, acima e antes de tudo, as palavras do seu pai abriram-lhe um horizonte de realização com algumas nódoas negras e muita coragem. A coragem de correr riscos calculados, a coragem de amar a liberdade. Não concebo mais valiosa herança filial.
Parrésia
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Let Them Eat Cake?: Study Reveals Grandparents Spoil Grandchildren with Sugar-Loaded Foods and Drinks
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Loneliness in later life lessens when older adults spend many hours volunteering
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A sense of purpose may have significant impact on teens’ emotional well-being
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Urban gardens are good for ecosystems and humans
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Purple vegetables and tubers have antidiabetic properties
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Psychological Stress Impedes Performance, Even for Olympic Athletes
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Veganism may not be the key to saving the planet
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Dominguice
Jornalismo jornalismo
“Nós aqui como é hospital amigo dos bebés não fazemos”: como o SNS viola a lei do aborto
“Disseram que tinha de esperar pelos batimentos cardíacos para abortar”
Inspeção-Geral da Saúde vai realizar inspeção a todos os serviços do SNS que façam abortos
Camila vai pagar 800 euros pela IVG. No hospital de Santa Maria só tinha consulta após as 10 semanas
Hospital de Santa Maria assume erro e vai custear as despesas do aborto de Camila
O putinismo está bom e recomenda-se
«O PCP considerou esta quinta-feira que a decisão do Presidente português de condecorar o homólogo ucraniano com a Ordem da Liberdade é uma "afronta aos democratas" porque Volodymyr Zelensky "personifica um poder xenófobo, belicista e antidemocrático".
Numa nota enviada às redações, o PCP considerou que a decisão do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, de condecorar o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, com o Grande-Colar da Ordem da Liberdade, "constitui uma afronta aos democratas e uma decisão contrária à construção de um caminho de paz".
Os comunistas criticam esta condecoração "em vésperas das comemorações dos 50 anos da Revolução libertadora de Abril", acusando o Presidente ucraniano de personificar "um poder xenófobo, belicista e antidemocrático, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e nazi".»
Roma&Amor
Uma forma de desvalorizar os crimes denunciados pela Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa consiste em relativizá-los na comparação com os números de crimes similares ocorridos fora da ICP, sejam estes conhecidos ou imaginados. Gente muito graúda começou tal campanha logo quando se apresentaram resultados provisórios da investigação, e será essa a retórica que mais irá sendo martelada pelo organismo ferido. Faz sentido tentar conter os danos pelo nivelamento antropológico, pois reflete uma verdade: a ICP não tem o exclusivo dos abusos sexuais em crianças e menores, nem os inventou. É a humanidade, pá.
Num outro nível, que apenas ocupa colunas de opinião esparsas, questiona-se a cultura de uma organização vocacionada para o encobrimento destes crimes, quiçá de muitos outros. Nesse âmbito, cabe a responsabilidade individual adentro da hierarquia, culminando nos papas. Fica a pairar a contradição, se não for o paradoxo, de se estar a pretender condenar o sujeito activo dos crimes sem fazer o mesmo a quem o selecionou, formou, habilitou para ter poder de influência e coerção sobre as vítimas e, após tomar conhecimento da sua violência e respectivos danos, decidiu encobrir e proteger o criminoso — enquanto abandonava as vítimas ou, o mais frequente, ainda as castigava. É uma problemática fascinante porque remete para uma única saída: a refundação da Igreja Católica Romana.
Mas há uma dimensão ainda mais intrigante, a qual é estritamente espiritual. Admitindo que os fiéis católicos têm fé, vamos apostar 10 euros nisso, que estão eles agora a pensar do seu deus, um deus que nem sequer consegue proteger os espaços — e respectivas cerimónias — onde o culto público que o povo presta a “Deus” se torna acontecimento “misterioso” através da real ingestão do “corpo de Cristo”? Que tipo de relação se deve ter com um deus que deixa os seus mais purificados representantes cometer o que só podem ser actos diabólicos de acordo com a doutrina católica, e que por acréscimo permite, quiçá horas ou minutos depois, que esses mesmos fulanos estejam no altar a celebrar a “santíssima eucaristia”? Como é que o fiel católico dá sentido à sua experiência de ter um deus que fica impávido e sereno perante a infernal destruição da saúde mental de crianças e jovens cujos pais confiaram na sacrossanta publicidade? Dá vontade de concordar com os maluquinhos que dizem estar na palavra “Roma”, e no que ela transporta de herança histórica, a literal antítese do “amor”.
Polichinelos sorridentes

Francisco Seixas da Costa é uma improbabilíssima figura para ser citada a propósito da publicação dos resultados da Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa. Não fez e não faz parte da ICP. Não participou na dita Comissão. Não é uma das vítimas à espera de ajuda e da Justiça. Por que raio a sua opinião sobre a matéria, qualquer que fosse, teria relevância suficiente para ser destacada? E, para mais, neste modo a despachar, numa única frase, e tendo um arcaico blogue como veículo de divulgação?
Acontece que tudo nessa singular frase é singularmente significativo. Começa com a prioridade de olhar para si (“Como ateu”, como se isso importasse à audiência), passa para o eufemismo (“momento menos simpático”, em vez de “desgraça tremenda”, “revelações trágicas”, “escândalo profundo”), salta para a ICP como marca (“património cívico e moral”, ou seja, a dimensão do poder fáctico), volta ao eufemismo (“esta mancha”, algo que sai com sabão, bem diferente de uma ferida, uma doença, um golpe fatal) e termina com a assunção da sua cumplicidade (“segredo de Polichinelo”, isto é, ele já sabia da coisa desde sempre, apetece-lhe bocejar).
O diplomático, delicado e distinto Francisco não teve tempo para soltar um lamento dirigido às vítimas. A sua preocupação atendeu antes à salvaguarda da instituição e, nela, aos elementos com quem tem variadíssimas relações sociais e pessoais. A mensagem é a de que esta chatice vai passar, em breve estará esquecida, e continuará a haver muito “património” com a chanchela ICP para desfrutar pelos anos, décadas e séculos vindouros. E se ele assim pensa, e até o publicita, podemos estar certos de que representa o pensamento e atitude dos círculos por onde se move, as elites da política, da economia e da comunicação social.
Portanto, basta uma frase de um incauto autor, o qual nada de nada de nadinha de nada tem a ver directamente com a problemática, para podermos fazer um diagnóstico sobre as causas sociológicas e políticas que estão na génese dos crimes cometidos por sacerdotes católicos. Na sociedade, era do domínio público a existência dos abusos e das violações, sem que tal levasse a uma indignação popular, assim se estabelecendo como uma forma passiva de cumplicidade. Na política, era do conhecimento de todas as autoridades (legislativas, executivas e judiciárias, a que se juntam as policiais) o mesmo que corria à boca pequena ou cheia na sociedade, por maioria de razão e com muito mais informação ao dispor, assim se cristalizando e consagrando a activa cumplicidade do regime, da comunidade, com os crimes sistemáticos. O que de imediato desperta a pergunta: que outros crimes secretamente no domínio público se andam a cometer impunemente? Por exemplo, será a utilização da Justiça para o combate político um deles?
Não foi assim há tanto tempo, historicamente, que a prostituição masculina infantil e juvenil em Lisboa aparecia em guias internacionais. Os senhores estrangeiros eram convidados a passear nos Restauradores, ex-líbris da Capital, podendo servir-se do material exposto sem o menor risco de aparecerem agentes fardados ou à paisana a perturbar a captação de divisas. Consumo turístico brindado com o sorriso irónico dos Polichinelos que subiam ou desciam a Avenida.
Vamos lá a saber
Começa a semana com isto
Revolution through evolution
Mushrooms magnify memory by boosting nerve growth
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Drinking coffee helps maintain low blood pressure
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‘It’s me!’ Fish recognizes itself in photographs, say scientists
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Incivility reduces interest in what politicians have to say, shows research
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Echoes of ancient curse tablets identified in the Book of Revelation
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Prosocial CEOs increase company value, stakeholder satisfaction
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Why Spy Balloons? Computer Engineering Expert Explains the ‘Sneaky Surveillance’ Technology
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Dominguice
Num mundo onde a Inteligência Artificial fica ao dispor das massas sem qualquer custo para a busca de informação, a inteligência dos indivíduos e dos grupos aumenta e esse acrescento cognitivo traz benefícios para todos. Mas a maior benesse da IA vai ser a de levar a inteligência natural, aquela que transportamos na cachimónia, para uma posição de ainda maior vantagem competitiva.
Pensa: quando é canja, ou cagada, chegar às respostas, o que tem valor, o prémio, está em chegar às perguntas.