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Portuguese Dream

A TSF anda desde 22 Setembro a estragar as manhãs aos pessimistas. Ou as tardes. O estratagema consiste na emissão do programa Made in Portugal. É uma injecção de optimismo que dura 3 minutinhos. Tempo suficiente para descrever a actividade, e registar os testemunhos e resultados, de empresas que criam riqueza. Sim, ao que parece, há quem consiga inovar, exportar e empregar cada vez mais e cada vez melhor. E isto no mesmo Portugal da crise e das crises, do atraso e dos atrasados.

PCP e BE odeiam empresas deste género. Porque elas representam o oposto das ideologias venenosas que entram em maníaco frenesim com manifestações, greves, boicotes, populações tomadas por pânicos irracionais, professores a comportarem-se como rufias, putos a destruir bens públicos e privados em Atenas, desgraças palestinianas, católicos. A indústria da política-espectáculo, no seu mais despudorado e perverso exercício, é agora um exclusivo da esquerda imbecil, continuamente actualizando os preceitos leninistas. Para um comuna, estar a procurar desenvolver um negócio que seja competitivo não é apenas uma perda de tempo, é também uma ofensa para todos aqueles milhares de trabalhadores que só ambicionam a mama do Estado ou que odeiam o patronato precisamente por este lhes dar emprego. Os dirigentes e operacionais do PC e BE, escudados nas prebendas e mordomias que advêm dos seus cargos públicos ou por serem estrelinhas da comunicação social, mantêm o proletariado em permanente alienação utópica à custa da anulação da inteligência. Por isso os casos de sucesso empresarial são a maior ameaça à sua manipulação ideológica. Provam que a dedicação, o estudo, a criatividade, a liberdade e a vontade continuam a ser características dos vencedores.

Há centenas de milhares de portugueses com estas características. Alguns participam em debates radiofónicos, outros escrevem para jornais, falam nos cafés, são entrevistados na rua, criam o seu blogue, participam na vida comunitária de inúmeras formas. São pessoas que se adaptam a qualquer cultura de competência. Muitos emigraram, desde os Descobrimentos, e realizaram os seus sonhos no estrangeiro, com estrangeiros que se tornaram concidadãos e família. São os verdadeiros optimistas, aqueles cujo sonho começa nos exemplos de quem ousa criar riqueza.

Sabedoria de Teófilo

Oferta do nosso amigo teofilo m., nesta conversa. O registo descritivo e o depurado remate são um excelente material para abrir discussões que a maioria das mulheres ainda tem muita dificuldade em assumir.

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Declaração de interesses:

Já tive mulheres como colegas, como subordinadas, como hierarquia, hoje em dia só tenho uma por companhia (e ainda bem), e muitas amizades.

Da experiência que recolhi ao longo de uma vida passada na área das relações interpessoais, verifiquei que as mulheres:

– optam por pedir menos regalias para alcançarem um determinado objectivo;

– muitas vezes utilizam as suas capacidades de sedução em detrimento da competência e do esforço;

– têm de se esforçar mais do que um homem para prosseguir na carreira se não quiserem utilizar os dois enunciados anteriores;

– tendem a ser mais autoritárias quando colocadas em cargos de chefia:

– são mais resistentes à rotina, têm uma maior produtividade muito embora tendencialmente tenham um absentismo ligeiramente mais elevado;

– tem dificuldade em gerir equipas do sexo feminino, pois as subordinadas tendem a fazer-lhes obstrução permanente;

– são mais organizadas, cumpridoras de objectivos e mais dinâmicas;

– têm mais facilidade em contornar dificuldades.

Por muito brutos que alguns homens sejam, cabe às mulheres impor o respeito que lhes é devido, pelo que espero que corrijam rapidamente os seus defeitos e aproveitem para expor os defeitos dos que se lhes opõem.

Factos e curiosidades sobre Manuela Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite irá ficar na memória colectiva como uma figura absolutamente exemplar e irrepetível. Não há, nem haverá, outro político que alcance feitos sobre-humanos como os já registados:

– Provou que Menezes podia ser ultrapassado tanto na quantidade como no tamanho dos disparates. Alguns especialistas em ciências cognitivas consideram que estamos perante alguma coisa só comparável ao que seria conseguir ultrapassar a velocidade da luz com meio depósito de gasóleo.

– É o primeiro líder partidário que não está no Governo, não está no Parlamento e não está na oposição. Na verdade, ninguém sabe onde foi parar, a começar pelos militantes do partido. O desespero tem dado lugar a bizarros comportamentos, vendo-se pessoas a gritarem pelo seu nome em vãos de escadas, outros a virarem calhaus com restos de material de campanha do Marques Mendes e ainda alguns passeando-se na Baixa pombalina, durante o dia, com lamparinas acesas e um olhar perscrutante e angustiado. Entretanto, surgiu uma teoria na Internet que relaciona o desaparecimento da senhora com a Física e a Teoria das Cordas, a qual pressupõe um universo com 11 dimensões. A tese admite que a Manela possa estar refugiada numa dessas dimensões extra, o que também ajudaria a explicar o desconcertante fenómeno de ainda ninguém conhecer as propostas do PSD. É que nesta arquitectura da realidade haverá dimensões que nos são invisíveis e inacessíveis. Calhando estar guardado nalguma dessas dimensões o programa, ou que fosse só o esboço do programa, ou mesmo uma vaga ideia do rascunho do esboço do programa, mesmo assim seria sempre inglório pois não lhe poderíamos chegar. Uma votação online, a decorrer só entre prestigiadas universidades, vê no desaparecimento de Ferreira Leite um importante sinal de que o Universo é muito mais espaçoso do que se pensa.

– Preside a um partido que acabou 3 meses depois dela ter vencido as eleições. Desde 7 de Setembro que o PSD não existe. É um partido onde os deputados não aparecem nas votações, onde um dos militantes humilha o Presidente da República e a Constituição sem ouvir um único reparo dos dirigentes nacionais, onde o mesmo militante ameaça fundar outro partido, onde coabitam figuras mais do que sinistras como Valentim e Dias Loureiro, onde o melhor candidato para a Câmara de Lisboa foi reconhecido pela actual Presidente como sendo um dos piores candidatos para o PSD e para o Governo, onde o presidente cessante é o maior adversário da actual direcção, onde o ideólogo Pacheco só pensa em destruir os Magalhães e a redacção do Jornal da Tarde na RTP, onde António Sampaio e Mello se demitiu do Gabinete de Estudos do PSD por ninguém lhe ligar pevide e ainda foi brindado com um chorrilho de mentiras à saída por parte de gente muito graúda da casa, onde as sondagens ameaçam um cenário em que o PSD fique abaixo dos 20%, onde o cavaquismo finalmente se revelou no seu esplendor enquanto sociedade lusa dos mais desvairados negócios.

– Como ninguém se lembrou de avisar a Manela de que o partido já tinha fechado as portas, ela aceitou participar na entrevista deste dia 15. Tratou-se de uma entrevista fantasma, assombrada pelo delírio eleitoral, por isso nada do que disse é tangível. O espectro atravessou as paredes da lógica, da responsabilidade e da sensatez, arrastando correntes e guizos, mas só as crianças se assustaram, entre dois bocejos.

– Com a Manela e o PSD cai um Portugal salazarento, corporativo, apolítico. A propalada vocação para o poder, para o governo, para a gestão, que fez o mito do cavaquismo, era um completo bluff. Esta gente é vulgar de Lineu, ignara e bruta, não ambiciona mais do que o bandulho cheio para si e para os seus. Por isso não aparecem alternativas e quadros de qualidade, pois nunca foi essa a cultura do PSD depois de Sá Carneiro. O que se tem premiado é a falta de escrúpulos, a vulgaridade concupiscente. E deu nisto: Barroso, Santana, Mendes, Menezes, Ferreira Leite. Quem se segue no ciclo da demência, o Bota?

Os imbecis não querem sarilhos com os muçulmanos

Uma primeira atitude fundamental é um respeito. E um conhecimento. Nós somos muito ignorantes, nós queremos dialogar com os muçulmanos e não gastámos uma hora da nossa vida a perceber quem é que eles são… Quem é que em Portugal já leu o Alcorão? E, no entanto, se nós queremos dialogar com muçulmanos, nós temos que saber o b-a-bá! – da sua compreensão da vida, da sua fé. Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor, respeitar!

Do mesmo homem que teve a coragem de dar nome aos bois na defesa das mulheres

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A Igreja Católica excita os imbecis. Isso acontece porque os imbecis sabem que os católicos não têm qualquer possibilidade de fazer mal aos imbecis que querem fazer mal aos católicos. Estes imbecis dizem-se de esquerda, estabelecendo-se uma correlação tripla: quão mais de esquerda se reclamam, mais atacam a Igreja e mais imbecis se revelam. É uma equação que não falha.

Na verdade, os imbecis da esquerda imbecil gostam de atacar os católicos porque a sociedade onde todos vivem, católicos e imbecis, é secular. Se estes imbecis estivessem em sociedades teocráticas seriam menos esfuziantes, mais discretos. Não? Pois, talvez não. Mas só saberemos quando o virmos. Temos de esperar que os imbecis da esquerda imbecil comecem a secularizar onde a secularização significa afrontar culturas e poderes que são menos pacholas do que os nossos católicos domesticados.

Quanto à roleta das declarações de Policarpo, só há um lamento a fazer: que pena tamanha autenticidade ser tão rara; e daí parecer tão estranha.

Ver a distância

A série Mad Men tem uma desvantagem face aos Sopranos: o território parece mais próximo, mesmo com a deslocação temporal para 1960, o último ano da década de 50. Quase todos nos cremos conhecedores do mundo da publicidade, já quanto ao universo dos mafiosos a literacia é só a que vem dos filmes. O preconceito cria inércia e leva a uma curva de aprendizagem mais longa. Porém, assim que se dominar o código, assim que o olhar se focar para além do 1º plano de identificação com os clichés, reconheceremos a continuidade do estudo começado em 1999 com a Dra. Jennifer Melfi e o seu paciente favorito, Tony. Na verdade, tudo começou em 1972 com The Godfather, mas essa é outra (embora a mesma) história.

Quem conhece o meio enche a pança com o subtexto. A publicidade atrai preguiçosos, egocêntricos, canalhas, mentirosos, paranóicos, biltres, vaidosos, pífios, esquizóides, cobardes, tiranetes, narcisistas e psicopatas; animais invariavelmente bem-dispostos, agradavelmente vestidos e hábeis na simulação de um saber que não têm nem alguma vez poderão vir a ter. Representam a condição humana, claro.

Randa Nabulsi choca de frente

A representante da Autoridade Palestiniana em Portugal desfez as dúvidas: a culpa do terrorismo que se abate sobre Israel é do próprio Israel. Isto equivale a legitimar o terrorismo, visto como resposta adequada. Creio que a enorme maioria dos que tomaram partido por este lado da barricada comunga do raciocínio. É por isso que PCP e BE, mas também muitos outros no PS e alhures, não se alvoroçam com os actos de terror. Uma parte da explicação estará na cobardia de se manifestarem contra indivíduos que sabem não respeitar qualquer lei ou ser humano, mas esta consciência fica recalcada. O seu silêncio embrulha-se na desculpa da assimetria, indo dar a estes raciocínios:

Houve apenas 3 israelitas mortos, em 8 anos, e 12 foram feridos. […] Um acidente viário pode resultar em mais mortes do que estas.

Eis o algoritmo do horror: vale tudo desde que a aritmética possa ser invocada. Quantos morreram no 11 de Setembro? 2.974 pessoas, uma gota no número de mortos causados pelos EUA, Israel e aliados ao longo dos anos, séculos. Esta abstracção, que une fundamentalistas religiosos com fanáticos marxistas, tanto pode ir buscar às Cruzadas motivos para assassinar inocentes como os escolher para alvo pelo aleatório facto de estarem no local errado à hora errada. Os bombistas de Londres e Madrid não se importavam de ir matar também muçulmanos, hindus, budistas, agnósticos e ateus, já para não falar nas nacionalidades, sexos, profissões e idades dos massacrados. Aliás, o sentimento de impunidade, e sua pulsão martirizante, obriga a que se anule a noção de inocência. Não há inocentes, só injustiçados a quem a divindade cauciona a destruição, de um lado. Do outro, só algozes e seus cúmplices, mesmo que alguns destes cúmplices estejam a favor da causa dos bombistas, contra as políticas dos seus Governos ou, tão-somente, tenham uma mochila às costas com os livros da escola primária.

Cada morte injusta compromete por igual toda a Humanidade. Não há mortes de inocentes que valham mais do que outras. Os imbecis que comparam números são coniventes com a matança. Daqui, a primeira posição ética perante um conflito que regista injustiças de parte a parte ser a de recusar a violência maior, o terror. Quem se faz rebentar no meio de civis ou manda bombas pelo ar para zonas de habitação, e quem o apoia, é nosso inimigo. Um tipo de inimigo que não merece qualquer piedade.

Muito se fode no emprego

Segundo este estudo, as mulheres que procuram trabalho acabam vítimas de um Catch-22 nas entrevistas: se mostrarem confiança e ambição, embora valorizadas como competentes, são vistas como problemáticas; se mostrarem humildade e espírito de equipa, embora apreciadas como colaboradoras, são vistas como medíocres. É bera? É pior: um cabrão qualquer que se mostre confiante e ambicioso é, e por essas mesmas características, apreciado e visto como competente. Será ele o contratado. E lá dentro será ele o promovido. Por isso as mulheres continuam a trabalhar menos, ganhar menos, mandar menos.

Esta segregação de género é um dos maiores desperdícios de inteligência que me é dado testemunhar. Os imbecis que a perpetuam ainda obedecem a milénios de condicionamento cultural, repetindo no local de trabalho uma matriz biológica e patriarcal onde a mulher só pode ser fêmea e serviçal. Para estes nababos do masculinamente correto, as mulheres servem apenas para foder: em casa e no emprego. Mas no emprego dá mais gozo.

Joelho

Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho

Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio

Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo

Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo


Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo

E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento

Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas

Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.

Maria Teresa Horta

Discursologia

A discursologia é uma área de estudos que acabo de inventar para ajudar os portugueses a lidar melhor com os discursos presidenciais de Ano Novo. Está em causa conseguir identificar padrões, enunciar leis e reduzir a ambiguidade na interpretação desses objectos oratórios tão estranhos.

Comecemos com um exercício: em que ano, e por que Presidente, terá sido comunicada ao País esta curial reflexão?


[…]
Portugueses,

No início de um ano tão importante para nós, quero dizer-vos que devemos empenhadamente reforçar a coesão e a unidade nacional, sem o que tudo se tornaria mais frágil, precário e difícil. Não percamos a consciência de que quaisquer que sejam as legítimas divergências de pontos de vista ou os conflitos de interesses, o que nos une é sempre mais importante do que aquilo que nos divide. O que nos une faz de nós uma comunidade sólida e em movimento, herdeira de uma história e de uma cultura de que nos orgulhamos, portadora de valores comuns e segura da sua identidade, possuidora da vontade firme de construir um futuro melhor para todos os portugueses.

Temos razões para acreditar que vamos vencer os desafios, por mais complexos que se apresentem. A nossa história recente mostra que, por entre dificuldades e riscos, conseguimos consolidar e aperfeiçoar a democracia, desenvolver e modernizar o País, dinamizar a sociedade e a iniciativa individual. Nada autoriza, por isso, o pessimismo e a lamúria ou que cultivemos uma imagem negativa de nós próprios. Já Fernando Pessoa advertia para esse perigo, quando escreveu: «Uma nação que habitualmente pensa mal de si mesma, acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente. O primeiro passo para uma regeneração, económica ou outra, de Portugal é criarmos um estado de espírito de confiança — mais, de certeza — nessa regeneração.»

Saibamos, pois, conciliar o saudável e necessário exame crítico do que está mal com a vontade optimista de fazer melhor e de vencer num mundo cada vez mais aberto e competitivo.
[…]

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You 2.0

Se um psiquiatra diz para confiares nos químicos, um psicólogo dirá para confiares em ti. Ambos estão certos, embora isso não garanta que acertem. Entretanto, passa aqui um bocadinho.

Entrada:
You may feel bound to your timid demeanor, your stifling job, or your rancorous relationship, but there is one realm over which you unquestionably have control: your own head. Herein, five principles of change to turn you into a self-starter.

Receitas:
You or Your World?

Overcome Your Fear of Failure

Embrace Risk and Novelty

Create a New Internal Vision

Expect (and Enjoy) Discomfort

Tempo previsto para a consulta:
10 a 15 minutos

Benefícios:
Diz-me tu.

Adler, Masoch, Homero

Ricardo Costa foi acintoso na entrevista a Sócrates. O cúmulo, de vários exemplos, e exemplo especialmente imbecil, foi quando lhe disse O banco é seu, referindo-se ao BPN. Não fazendo a menor das mais pequenas ideias de como seja a sua relação pessoal, estou à vontadex para especular. Imagino-os íntimos. Amigos de farra, de bebedeiras, de confidências. Percursos brilhantes, no topo das carreiras, estilos de vida sofisticados, conforto e segurança vindos do conúbio com o poder político e económico. O mano Costa braço-direito de Sócrates, e o mais seguro sucessor para a chefia do PS aquando do inevitável salto do actual líder. Impecável e fodido: como simular a isenção, visto esta ser impossível? Talvez através da simetria: se gostam um do outro, vão tratar-se mal, para telespectador ver, na exacta medida da proximidade. Foi essa a escolha do Ricardo, a qual recebeu de Sócrates uma atitude de santa paciência, tolerância e até cumplicidade divertida. Mas o Ricardo tem outro problema: o excesso de informação, e as dinâmicas familiares, criaram-lhe um complexo de inferioridade. No fundo, inveja o mano e sabe que não tem o seu peso, literal e figuradamente, nem virá a ter. Resultado? Passa o tempo todo a pôr-se em bicos dos pés. O modo como o faz é através das previsões. O Ricardo está convencido de que consegue adivinhar o futuro com maior acerto do que aqueles que o rodeiam, e tem um especial prazer em anunciar essa sua putativa capacidade. Terá isso algum mal? Não. Terá isso algum interesse? Não.

Ver os actuais directores do Público e do Expresso a falarem sobre Sócrates é penoso. Mas vê-los juntos, seja qual for o assunto abordado, é perigoso. O perigo é o de acabar por aceitar tamanho sofrimento. Porque há um conflito insanável entre a importância histórica desses dois jornais e a inenarrável miséria intelectual e política dos seus directores, a qual condiciona fatalmente a qualidade do jornalismo praticado pelas equipas. Que se passará com Balsemão e Belmiro? Será a idade, a casmurrice de fim do caminho? Ou haverá um prazer secreto em sentir a dor da crescente decadência?

Augusto Santos Silva é o maior. Esteve só contra todos e terminou fresco como se tivesse acabado de sair do banho. Portugueses como ele são raros; tão raros como aqueles que aprenderam a fazer política – ou a amar, que é o mesmo – com a Ilíada.